O Que Verdadeiramente Mata Portugal

O que verdadeiramente nos mata, o que torna esta conjuntura inquietadora, cheia de angĂșstia, estrelada de luzes negras, quase lutuosa, Ă© a desconfiança. O povo, simples e bom, nĂŁo confia nos homens que hoje tĂŁo espectaculosamente estĂŁo meneando a pĂșrpura de ministros; os ministros nĂŁo confiam no parlamento, apesar de o trazerem amaciado, acalentado com todas as doces cantigas de empregos, rendosas conezias, pingues sinecuras; os eleitores nĂŁo confiam nos seus mandatĂĄrios, porque lhes bradam em vĂŁo: «Sede honrados», e vĂȘem-nos apesar disso adormecidos no seio ministerial; os homens da oposição nĂŁo confiam uns nos outros e vĂŁo para o ataque, deitando uns aos outros, combatentes amigos, um turvo olhar de ameaça. Esta desconfiança perpĂ©tua leva Ă  confusĂŁo e Ă  indiferença. O estado de expectativa e de demora cansa os espĂ­ritos. NĂŁo se pressentem soluçÔes nem resultados definitivos: grandes torneios de palavras, discussĂ”es aparatosas e sonoras; o paĂ­s, vendo os mesmos homens pisarem o solo polĂ­tico, os mesmos ameaços de fisco, a mesma gradativa decadĂȘncia. A polĂ­tica, sem actos, sem factos, sem resultados, Ă© estĂ©ril e adormecedora.

Quando numa crise se protraem as discussÔes, as anålises reflectidas, as lentas cogitaçÔes, o povo não tem garantias de melhoramento nem o país esperanças de salvação.

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