Cita√ß√Ķes sobre Jardineiros

14 resultados
Frases sobre jardineiros, poemas sobre jardineiros e outras cita√ß√Ķes sobre jardineiros para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Há coisas que melhor se dizem calando. As feridas do coração, como as do corpo, deixam cicatrizes. Nossos corpos são nossos jardins, cujos jardineiros são nossas vontades.

Um Eu Forte e Maduro

Precisamos de conhecer os papéis do Eu, que representa a capacidade de escolha. Entre esses papéis, o de ser autor da própria história, um protetor da mente, um jardineiro do território da emoção, um plantador de janelas light na memória da pessoa amada.

Discutir, gritar, impor ideias, não significa nem de longe ter um Eu forte, mas sim fraco. Dizer o que vem à mente, dizer sempre a verdade, nem sempre é a expressão de um Eu maduro, mas sim de alguém que não tem autocontrolo. Um Eu forte e maduro aquieta a sua ansiedade, protege a pessoa amada, pede desculpas sem medo, aponta primeiro o dedo a si próprio antes de falar dos erros do outro, repensa a sua história, exige menos e dá-se mais; não tem a necessidade neurótica de mudar as pessoas ao seu redor.

O Homem Congrega Todas as Espécies de Animais

H√° t√£o diversas esp√©cies de homens como h√° diversas esp√©cies de animais, e os homens s√£o, em rela√ß√£o aos outros homens, o que as diferentes esp√©cies de animais s√£o entre si e em rela√ß√£o umas √†s outras. Quantos homens n√£o vivem do sangue e da vida dos inocentes, uns como tigres, sempre ferozes e sempre cru√©is, outros como le√Ķes, mantendo alguma apar√™ncia de generosidade, outros como ursos grosseiros e √°vidos, outros como lobos arrebatadores e impiedosos, outros ainda como raposas, que vivem de habilidades e cujo of√≠cio √© enganar!
Quantos homens n√£o se parecem com os c√£es! Destroem a sua esp√©cie; ca√ßam para o prazer de quem os alimenta; uns andam sempre atr√°s do dono; outros guardam-lhes a casa. H√° lebr√©us de trela que vivem do seu m√©rito, que se destinam √† guerra e possuem uma coragem cheia de nobreza, mas h√° tamb√©m dogues irasc√≠veis, cuja √ļnica qualidade √© a f√ļria; h√° c√£es mais ou menos in√ļteis, que ladram frequentemente e por vezes mordem, e h√° at√© c√£es de jardineiro. H√° macacos e macacas que agradam pelas suas maneiras, que t√™m esp√≠rito e que fazem sempre mal. H√° pav√Ķes que s√≥ t√™m beleza, que desagradam pelo seu canto e que destroem os lugares que habitam.

Continue lendo…

Alimentar o Amor

Come√ßar √© f√°cil. Acabar √© mais f√°cil ainda. Chega-se sempre √† primeira frase, ao primeiro n√ļmero da revista, ao primeiro m√™s de amor. Cada come√ßo √© uma mudan√ßa e o cora√ß√£o humano vicia-se em mudar. Vicia-se na novidade do arranque, do in√≠cio, da inaugura√ß√£o, da primeira linha na p√°gina branca, da luz e do barulho das portas a abrir.
Começar é fácil. Acabar é mais fácil ainda. Por isso respeito cada vez menos estas actividades. Aprendi que o mais natural é criar e o mais difícil de tudo é continuar. A actividade que eu mais amo e respeito é a actividade de manter.
Em Portugal quase tudo se resume a come√ßos e a encerramentos. Arranca-se com qualquer coisa, de qualquer maneira, com todo o aparato. √Ä m√≠nima comich√£o aparece uma ¬ęiniciativa¬Ľ, que depois n√£o tem prosseguimento ou perseveran√ßa e cai no esquecimento. Nem damos pela morte.
√Č por isso que eu hoje respeito mais os continuadores que os criadores. Criadores n√£o nos faltam. Chefes n√£o nos faltam. Faltam-nos continuadores. Faltam-nos tenentes. Her√≥is n√£o nos faltam. Faltam-nos guardi√Ķes.

√Č como no amor. A manuten√ß√£o do amor exige um cuidado maior. Qualquer palerma se apaixona, mas √© preciso paci√™ncia para fazer perdurar uma paix√£o.

Continue lendo…

Sou apenas um escritor. Um cultivador. Um jardineiro. Um florista. A minha felicidade flutua entre o estrume que deponho na raiz das palavras e o aroma que me excita quando acabo de as colher.

As Discuss√Ķes Nunca S√£o Feitas de Boa F√©

S√≥ os ing√©nuos podem crer que uma discuss√£o visa resolver um problema ou esclarecer uma quest√£o dif√≠cil. Na realidade, a sua √ļnica justifica√ß√£o √© testar a capacidade de os participantes derrubarem o advers√°rio. O que est√° em jogo n√£o √© a verdade, mas o amor pr√≥prio. O bem falante leva a melhor sobre o que tartamudeia, o temer√°rio sobre o t√≠mido e o arrebatado sobre o escrupuloso. Estar de boa f√© equivale a potenciar as desvantagens, porquanto os escr√ļpulos se somam √† circunspec√ß√£o, dificultando a express√£o. O que √© a boa f√©? Uma conduta de fracasso, um aut√™ntico suic√≠dio… Quem participa em debates fala sem escutar, espezinha qualquer racioc√≠nio que n√£o seja conduzido por si pr√≥prio, despreza as oposi√ß√Ķes, ignora as obstruc√ß√Ķes e, de certo modo, conquista a vit√≥ria √† for√ßa de palavras.
Cultiva a má fé com o profissionalismo do jardineiro que cria uma planta venenosa cujo veneno possui suavidades tão profundas que quem o prova já não passa sem ele. Para dar melhor resultado, a má fé não deve ser demasiado subtil. Com efeito, o seu impacte não será suficiente para desnortear o outro, rápida e duradouramente. Nesta matéria, a subtileza não substitui a brutalidade que, não obstante a detestável fama em certos meios intelectuais,

Continue lendo…

Quando a árvore é pequena, o jardineiro orienta-a como quer. Mas quando a árvore cresceu, já não pode re-orientar as suas curvas e sinuosidades.

O Sapo

N√£o h√° jardineiro assim,
N√£o h√° hortel√£o melhor
Para uma horta ou jardim,
Para os tratar com amor.

√Č o guarda das flores belas,
da horta mais do pomar;
e enquanto brilham estrelas,
l√° anda ele a rondar…

Que faz ele? Anda a caçar
os bichos destruidores
que adoecem o pomar
e fazem tristes as flores.

Por isso, ficam zangadas
as flores, se se faz mal
a quem as traz t√£o guardadas
com o seu cuidado leal.

E ele guarda as flores belas,
a horta mais o pomar;
brilham no céu as estrelas,
e ele ronda, a trabalhar…

E ao pobre sapo, que é cheio
de amor pela terra amiga,
dizem-lhe que é feio
e h√° quem o mate e persiga

Mas as flores ficam zangadas,
choram, e dizem por fim:
– ¬ęEnt√£o ele traz-nos guardadas,
e depois pagam-lhe assim?¬Ľ

E vendo, à noite, passar
o sapo cheio de medo,
as flores, para o consolar,
chamam-lhe lindo, em segredo…