Ode Triunfal

À dolorosa luz das grandes lĂąmpadas elĂ©ctricas da fĂĄbrica
Tenho febre e escrevo.
Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,
Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.

Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno!
Forte espasmo retido dos maquinismos em fĂșria!
Em fĂșria fora e dentro de mim,
Por todos os meus nervos dissecados fora,
Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto!
Tenho os lĂĄbios secos, Ăł grandes ruĂ­dos modernos,
De vos ouvir demasiadamente de perto,
E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso
De expressão de todas as minhas sensaçÔes,
Com um excesso contemporĂąneo de vĂłs, Ăł mĂĄquinas!

Em febre e olhando os motores como a uma Natureza tropical –
Grandes trĂłpicos humanos de ferro e fogo e força –
Canto, e canto o presente, e também o passado e o futuro,
Porque o presente Ă© todo o passado e todo o futuro
E hå Platão e Virgílio dentro das måquinas e das luzes eléctricas
SĂł porque houve outrora e foram humanos VirgĂ­lio e PlatĂŁo,
E pedaços do Alexandre Magno do século talvez cinquenta,

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