SĂł de Restos se Consagra o Tempo

Só de restos se consagra o tempo, força
cerrada na inutilidade destas
cores campestres, quando o sol em Novembro
escurece os sobreiros. SĂł de restos me
espera a cerimĂłnia de viver,
trĂąnsito e transigĂȘncia do silĂȘncio,
ocultado no meu corpo. SĂł de restos
o trespassa o tempo, mĂĄscara e manto. Morro
muito antes da morte, sem saber se os anjos
foram gaivotas hirtas no piedoso
musgos dos rios ou se hão-de ser maçãs
ou ciĂȘncia, loendros ou lembrança,
inocentes, lĂșcidos sonos ou oblata
de seda, a deus cedida, em pagamento
da paz. SĂł do que chega ao fim, se corrompe
e apodrece, se imagina o princĂ­pio,
a majestade das coisas, o silĂȘncio
irrevelado que o corpo desconhece.