Poemas sobre CoraĆ§Ć£o de Camilo Pessanha

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O Meu CoraĆ§Ć£o Desce

O meu coraĆ§Ć£o desce,
Um balĆ£o apagado…
_ Melhor fora que ardesse,
Nas trevas, incendiado.
Na bruma fastidienta.
Como um caixĆ£o Ć  cova…
_ Porque antes nĆ£o rebenta
De dor violenta e nova?!
Que apego ainda o sustƩm?
Ɓtomo miserando…
_ Se o esmagasse o trem
Dum comboio arquejando!…

O inane, vil despojo
Da alma egoĆ­sta e fraca!
Trouxesse-o o mar de rojo,
Levasse-o a ressaca.

Na Cadeia os Bandidos Presos!

Na cadeia os bandidos presos!
O seu ar de contemplativos!
Que Ć© das flores de olhos acesos?!
Pobres dos seus olhos cativos.

Passeiam mudos entre as grades,
Parecem peixes num aquƔrio.
_ Campo florido das Saudades,
Porque rebentas tumultuƔrio?

Serenos… Serenos… Serenos…
Trouxe-os algemados a escolta.
_ Estranha taƧa de venenos
Meu coraĆ§Ć£o sempre em revolta.

CoraĆ§Ć£o, quietinho… quietinho…
Porque te insurges e blasfemas?
Pschiu… NĆ£o batas… Devagarinho…
Olha os soldados, as algemas!

Viola Chinesa

Ao longo da viola morosa
Vai adormecendo a parlenda,
Sem que, amadornado, eu atenda
A lengalenga fastidiosa.

Sem que o meu coraĆ§Ć£o se prenda,
Enquanto, nasal, minuciosa,
Ao longo da viola morosa,
Vai adormecendo a parlenda.

Mas que cicatriz melindrosa
HĆ” nele, que essa viola ofenda
E faz que as asitas distenda
Numa agitaĆ§Ć£o dolorosa?

Ao longo da viola, morosa…