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O Preço da Imagem

N√£o nos contentamos com a vida que temos em n√≥s. Queremos viver na ideia dos outros, de uma vida imagin√°ria. Esfor√ßamo-nos por parecer tais quais somos. Fazemos por conservar aquele ser imagin√°rio, que n√£o √© outro sen√£o o verdadeiro. Se tivermos generosidade, fidelidade, apressamo-nos a n√£o o dar a conhecer, para ligarmos as suas virtudes a esse ser. Somos valentes para adquirir a reputa√ß√£o de que n√£o somos poltr√Ķes. √Č um sinal da capacidade do nosso ser o de n√£o estar satisfeito com uma coisa sem a outra, o de n√£o renunciar nem a uma nem a outra. O homem que n√£o vivesse para conservar a sua virtude seria infame.

Aprende a Ser como os Outros

N√£o precisamos de ler, estudar ou conhecer ningu√©m, quando produzimos n√≥s pr√≥prios. Pois n√£o basta que produzamos n√≥s pr√≥prios? E gostemos de n√≥s pr√≥prios? Que nos pode dar o esp√≠rito alheio, quando sobre o pr√≥prio nosso desceu em l√≠nguas de fogo a sabedoria de tudo? Melhor: A verdade √© que nem precisamos n√≥s pr√≥prios de produzir (toda a produ√ß√£o √© uma limita√ß√£o), ou mal precisamos de produzir, para usufruirmos as vantagens do criador e produtor. (…) Aprende a contar uma anedota; duas anedotas; tr√™s anedotas; quatro anedotas… uma anedota diverte muita gente; quatro anedotas divertem muito mais… aprende a polvilhar de blague todas essas ideias s√©rias, pesadas, profundas, obscuras, – ao cabo simplesmente ma√ßadoras – com que pretendes sufocar (…); aprende a cultivar aquele subtil esp√≠rito de futilidade que ligeiramente embriaga como um champanhe, e a toda a gente agrada, lisonjeia todos, por a todos nos dar a reconfortante impress√£o de pertencermos ao mesmo meio… estarmos ao mesmo n√≠vel; n√£o queiras ser nem sobretudo sejas mais inteligente ou mais sens√≠vel, mais honesto ou mais sincero, mais trabalhador ou mais culto, mais profundo ou mais agudo… numa palavra: superior. Sim, homem! aprende a ser como os outros, dizendo bem ou mal de tudo e todos –

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O Carácter dos Homens é Pouco Flexível

√Č apenas a experi√™ncia que nos ensina quanto o car√°cter dos homens √© pouco flex√≠vel, e durante muito tempo, como as crian√ßas pensamos poder, atrav√©s de sensatas representa√ß√Ķes, atrav√©s da prece e da amea√ßa, atrav√©s do exemplo, atrav√©s dum apelo √† generosidade, levar os homens a deixarem a sua maneira de ser, a mudarem a sua conduta e a desistirem da sua opini√£o, a aumentar a sua capacidade; o mesmo se passa quanto √† nossa pr√≥pria pessoa. √Č preciso que as experi√™ncias venham ensinar-nos o que queremos, o que podemos: at√© essa altura ignor√°mo-lo, n√£o temos car√°cter; e √© preciso mais do que uma vez que rudes fracassos venham relan√ßar-nos na nossa verdadeira via. – Enfim, aprendemo-lo, e chegamos a ter aquilo que o mundo chama car√°cter, isto √© o car√°cter adquirido. A√≠ existe, portanto, apenas um conhecimento, o mais perfeito poss√≠vel da nossa pr√≥pria individualidade: √© uma no√ß√£o abstracta, e por consequ√™ncia clara das qualidades imut√°veis do nosso car√°cter emp√≠rico, do grau e da direc√ß√£o das nossas for√ßas, tanto espirituais como corporais, em suma, do forte e do fraco em toda a nossa individualidade.

O Desejo do Homem é Contrário à Sua Unidade

Houve tempo em que o homem inventou o amor cort√™s para n√£o perder a intimidade das mulheres. Elas estavam a ser atra√≠das pela formid√°vel influ√™ncia da Igreja que as recebia permitindo-lhes uma personalidade est√°vel. As mulheres amam essa personalidade est√°vel que Freud soube preservar nas suas rela√ß√Ķes com Marta, a mulher de toda a sua vida. Ler a correspond√™ncia de Freud com Marta √© muito salutar neste mundo a abarrotar de esgotamentos nervosos e falsas ou reais confid√™ncias. Um dos seus clientes (Schonberg) causava-lhe grande preocupa√ß√£o. Um dia, a cunhada, vendo o doente cumprimentar uma senhora, disse: ¬ęO facto de ele ser outra vez bem educado com as mulheres √© tamb√©m um √≠ndice de melhoria¬Ľ. Freud n√£o deixa de referir isto, que corresponde a uma personalidade vener√°vel. As mulheres acham que √© sinal de normalidade serem tratadas com cortesia. O desejo n√£o lhes diz nada, comparado com uma palavra doce e conveniente. Isto n√£o √© uma s√≠ntese do comportamento dos homens e das mulheres. Mas sim uma certeza – o que n√£o pro√≠be toda a esp√©cie de averbamentos necess√°rios √† verdade.

Nietzsche, imoralista por definição, disse que não há nada mais contrário ao gosto do que o homem que deseja.

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A Doutrina Perfeita

Muitas vezes as pessoas dirigem-se a mim, dizendo: ¬ęvoc√™, que √© independente¬Ľ. N√£o sou assim; continuamente devo ceder a pequenas f√≥rmulas sofisticadas que corrompem, que d√£o um sentido inverso √† nossa orienta√ß√£o, que fazem com que a transpar√™ncia do cora√ß√£o se turve. Continuamente a nossa inseguran√ßa, o ego√≠smo, o esp√≠rito legalista, a mesquinhez, a vaidade, toda a esp√©cie de circunst√Ęncias que tomam o partido da vida como desfrute √† sensa√ß√£o se sobrep√Ķem √† luz interior. S√≥ a f√© √© independente. S√≥ ela est√° para al√©m do bem e do mal.

Estar para al√©m do bem e do mal aplica-se a Cristo. ¬ęPerdoa ao teu inimigo, oferece a outra face¬Ľ – disse Ele. N√£o √© um conselho para humilhados, n√£o √© um preceito para m√°rtires. Nisso aparece Cristo mal interpretado, a ponto de o cristianismo ter sido considerado uma religi√£o de escravos. Mas esquecemos que Cristo, como Homem, teve a experi√™ncia-limite, uma vis√£o do inconsciente absoluto, o que quer dizer que a sua consci√™ncia foi saturada, para al√©m do bem e do mal. Esse homem que perdoa ao seu inimigo n√£o o faz por contrariedade do seu instinto, por repara√ß√£o dos seus pecados; mas porque n√£o pode proceder de outra maneira.

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Deixa a ira, abandona o furor, não te irrites: só farias o mal

Deixa a ira, abandona o furor, não te irrites: só farias o mal.

Teoria e Pr√°tica

Toda a teoria deve ser feita para poder ser posta em pr√°tica, e toda a pr√°tica deve obedecer a uma teoria. S√≥ os esp√≠ritos superficiais desligam a teoria da pr√°tica, n√£o olhando a que a teoria n√£o √© sen√£o uma teoria da pr√°tica, e a pr√°tica n√£o √© sen√£o a pr√°tica de uma teoria. Quem n√£o sabe nada dum assunto, e consegue alguma coisa nele por sorte ou acaso, chama ¬ęte√≥rico¬Ľ a quem sabe mais, e, por igual acaso, consegue menos. Quem sabe, mas n√£o sabe aplicar – isto √©, quem afinal n√£o sabe, porque n√£o saber aplicar √© uma maneira de n√£o saber -, tem rancor a quem aplica por instinto, isto √©, sem saber que realmente sabe. Mas, em ambos os casos, para o homem s√£o de esp√≠rito e equilibrado de intelig√™ncia, h√° uma separa√ß√£o abusiva. Na vida superior a teoria e a pr√°tica completam-se. Foram feitas uma para a outra.

A Felicidade Provém da Plena Posse das Suas Faculdades

O √≥dio √† raz√£o, t√£o frequente nos nossos dias, √© devido em grande parte ao facto dos movimentos da raz√£o n√£o serem concebidos duma forma suficientemente fundamental. O homem dividido contra si mesmo procura est√≠mulos e distrac√ß√Ķes; ama as paix√Ķes fortes, n√£o por raz√Ķes profundas, mas porque moment√Ęneamente elas lhe permitem evadir-se de si pr√≥prio e afastam dele a dolorosa necessidade de pensar.
Toda a paix√£o √© para ele uma forma de intoxica√ß√£o, e desde que n√£o pode conceber uma felicidade fundamental, a intoxica√ß√£o parece-lhe o √ļnico al√≠vio para o seu sofrimento. Isso, no entanto, √© o sintoma duma doen√ßa de ra√≠zes profundas. Quando n√£o h√° tal doen√ßa, a felicidade prov√©m da plena posse das suas faculdades. √Č nos momentos em que o esp√≠rito est√° mais activo, em que menos coisas s√£o esquecidas que se sentem alegrias mais intensas. Esta √©, sem d√ļvida, uma das melhores pedras de toque da felicidade. A felicidade que exige intoxica√ß√£o de n√£o importa que esp√©cie, √© falsa e n√£o d√° qualquer satisfa√ß√£o. A felicidade que satisfaz verdadeiramente √© acompanhada pelo completo exerc√≠cio das nossas faculdades e pela compreens√£o plena do mundo em que vivemos.

Ultrapassar o Medo

As pessoas vivem com medo. Tu tens medo. Todos temos. Uns mais outros menos, uns de uma forma consciente outros de uma forma inconsciente, uns enfrentam-no outros morrem nas suas m√£os. O medo, e repito o que j√° escrevi no ‚ÄúArrisca-te a Viver‚ÄĚ, √© a √ļnica emo√ß√£o que n√£o gera a√ß√£o. Se entrares em p√Ęnico foges, se sentires raiva bates ou gritas, se tiveres medo encolhes-te. O medo algema-te, tolda-te as possibilidades e faz de ti seu prisioneiro.
Porque √© que achas que o mundo, o pa√≠s e a tua pr√≥pria vida se encontram no estado em que est√£o? Medo. Muito medo. E nesta mat√©ria, permite-me ser assertivo, se tens medo seja do que for de nada te adianta comprar um c√£o, sabes porqu√™? Porque vais educ√°-lo baseado no medo, logo, vais estragar mais uma vida. N√£o te chegava a tua? Pobre do animal, merecia melhor sorte. Ora bem, uma educa√ß√£o alicer√ßada no medo far√° com que ele viva no pr√≥prio medo e tu com medo que ele te desobede√ßa. √Č uma desgra√ßa. Ser√°s incapaz de am√°-lo, assim como √©s incapaz de amar seja quem for, muito menos a ti. E se me disseres que n√£o est√°s de acordo com o que acabei de escrever,

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Femeeiro L√≠rico e Femeeiro √Čpico

Os homens que têm a mania das mulheres dividem-se facilmente em duas categorias. Uns procuram em todas as mulheres a ideia que eles próprios têm da mulher tal como ela lhe aparece em sonhos, o que é algo de subjectivo e sempre igual. Aos outros, move-os o desejo de se apoderarem da infinita diversidade do mundo feminino objectivo.
A obsess√£o dos primeiros √© uma obsess√£o l√≠rica; o que procuram nas mulheres n√£o √© sen√£o eles pr√≥prios, n√£o √© sen√£o o seu pr√≥prio ideal, mas, ao fim e ao cabo, apanham sempre uma grande desilus√£o, porque, como sabemos, o ideal √© precisamente o que nunca se encontra. Como a desilus√£o que os faz andar de mulher em mulher d√°, ao mesmo tempo, uma esp√©cie de desculpa melodram√°tica √† sua inconst√Ęncia, n√£o poucos cora√ß√Ķes sens√≠veis acham comovente a sua perseverante poligamia.
A outra obsessão é uma obsessão épica e as mulheres não vêem nela nada de comovente: como o homem não projecta nas mulheres um ideal subjecitvo, tudo tem interesse e nada pode desiludi-lo. E esta impossibilidade de desilusão encerra em si algo de escandaloso. Aos olhos do mundo, a obsessão do femeeiro épico não tem remissão (porque não é resgatada pela desilusão).

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O Isolamento do Momento é Indiferença

Se nos examinarmos num determinado momento Рno instante presente, separado do passado e do futuro Рdescobrimo-nos inocentes. Não podemos ser nesse instante mais do que aquilo que somos: todo o desenvolvimento implica uma duração. Está na essência do mundo, nesse instante, que sejamos assim.
Isolar assim um instante implica o perdão. Mas este isolamento é indiferença.

Se dizemos que não temos pecado enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós

Se dizemos que não temos pecado enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós.

Conta-nos a Tua História

Ser√° que n√£o h√° nenhum contexto para as nossas vidas? Nenhuma can√ß√£o, nenhuma literatura, nenhum poema cheio de vitaminas, nenhuma hist√≥ria ligada √† tua experi√™ncia que possas passar para nos ajudarem a ficar mais fortes? Tu √©s um adulto. O mais velho, o mais s√°bio. P√°ra de pensar em salvar a tua imagem. Pensa sobre as nossas vidas e conta-nos sobre o teu mundo em particular. Desenvolve uma hist√≥ria. A narrativa √© radical, cria-nos a n√≥s pr√≥prios no momento exacto em que est√° a ser criada. N√≥s n√£o te vamos culpar se o teu alcance excede a tua compreens√£o, se o amor incendeia as tuas palavras, se elas descem em chamas e nada deixam a n√£o ser a queimadura. Ou se, com a retic√™ncia das m√£os de um cirurgi√£o, as tuas palavras apenas suturam os s√≠tios por onde o sangue pode ter flu√≠do. Sabemos que nunca o conseguir√°s faz√™-lo correctamente ‚Äď de uma vez por todas. A paix√£o nunca √© suficiente; nem a habilidade. Mas tenta. Por n√≥s, e por ti pr√≥prio, esquece o teu nome na rua; conta-nos aquilo que o mundo tem sido para ti, tantos nos bons como nos maus momentos. N√£o nos digas o que acreditar,

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O Saber Esmaga a Fé

A fé e o saber não se dão bem dentro da mesma cabeça: são como o lobo e o cordeiro dentro de uma jaula; e o saber é justamente o lobo, que ameaça devorar o seu vizinho.
O saber √© feito de uma mat√©ria mais dura do que a f√©, de modo que, quando colidem, a √ļltima se quebra.

A Dist√Ęncia Entre Gera√ß√Ķes

A solu√ß√£o de continuidade entre as gera√ß√Ķes depende da impossibilidade de transmitir a experi√™ncia, de fazer evitar aos outros os erros j√° cometidos por n√≥s. A verdadeira dist√Ęncia entre duas gera√ß√Ķes √© dada pelos elementos que t√™m em comum e que obrigam √† repeti√ß√£o c√≠clica das mesmas experi√™ncias, como nos comportamentos das esp√©cies animais transmitidos pela heran√ßa biol√≥gica; ao passo que os elementos da verdadeira diversidade existente entre n√≥s e eles s√£o, pelo contr√°rio, o resultado das modifica√ß√Ķes irrevers√≠veis que cada √©poca traz consigo, ou seja, dependem da heran√ßa hist√≥rica que n√≥s lhes transmitimos, a verdadeira heran√ßa de que somos respons√°veis, mesmo que por vezes o sejamos de forma inconsciente. Por isso n√£o temos nada a ensinar: sobre aquilo que mais se parece com a nossa experi√™ncia n√£o podemos influir; naquilo que traz o nosso cunho, n√£o sabemos reconhecer-nos.

Compadecer-se de todos os sofrimentos é tentar resolver os enigmas da vida

Compadecer-se de todos os sofrimentos é tentar resolver os enigmas da vida.

O Futuro é dos Virtuosos e dos Capazes

√Č preciso confessar, o presente √© dos ricos, e o futuro √© dos virtuosos e dos capazes. Homero ainda vive, e viver√° sempre; os recebedores de direitos, os publicanos, n√£o existem mais: existiram algum dia? A sua p√°tria, os seus nomes, s√£o conhecidos? Houve arrecadores de impostos na Gr√©cia? Que fim levaram essas personagens que desprezavam Homero, que s√≥ pensavam, na rua, em evit√°-lo, n√£o correspondiam √† sua sauda√ß√£o, ou o saudavam pelo nome, desdenhavam associ√°-lo √† sua mesa, olhavam-no como um home que n√£o era rico e fazia um livro?
O mesmo orgulho que faz elevar-se altivamente acima dos seus inferiores, faz rastejar vilmente diante dos que est√£o acima de si. √Č pr√≥prio deste v√≠cio, que n√£o se funda sobre o m√©rito pessoal nem sobre a virtude, e sim sobre as riquezas, cargos, cr√©dito, e sobre ci√™ncias v√£s, levar-nos igualmente a desprezar os que t√™m menos essa esp√©cie de bens do que n√≥s e a apreciar demais aqueles que t√™m uma medida que excede a nossa.

H√° almas sujas, amassadas com lama e sujidade, tomadas pelo desejo de ganho e interesse, como as belas almas o s√£o pelo da gl√≥ria e da virtude: capazes de uma √ļnica vol√ļpia,

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Muita Cagança

Todos nós damos vontade de rir. Somos uns pobres diabos. Usando um termo grosseiro: muita cagança, muita cagança e para quê? Somos pequeníssimos. Não é que uma pessoa tenha que aceitar a sua pequenez, mas parece-me bastante triste a vaidade, a presunção, o orgulho, tudo isso com que pretendemos ou queremos mostrar que somos mais do que efectivamente somos. Não será caricato ou ridículo, mas bastante triste.

Dificultar Equivale a Facilitar e Inversamente

Muita coisa, que em certas fases do homem lhe dificulta a vida, serve, numa fase superior, para lha facilitar, porque esses homens aprenderam a conhecer maiores complica√ß√Ķes da vida. O inverso sucede igualmente: √© assim, por exemplo, que a religi√£o tem um duplo rosto, conforme uma pessoa ergue para ela o olhar, para que ela o livre da sua cruz e das suas penas, ou baixa para ela o olhar como para as cadeias que lhe foram postas, a fim de que n√£o suba pelos ares demasiado alto.