Cita√ß√Ķes de Harold Pinter

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Frases, pensamentos e outras cita√ß√Ķes de Harold Pinter para ler e compartilhar. Os melhores escritores est√£o em Poetris.

À Minha Mulher

Eu estava morto e vivo agora
Tu pegaste-me na m√£o

Eu morri cegamente
Tu pegaste-me na m√£o

Tu viste-me morrer
E encontraste-me a vida

Tu foste a minha vida
Quando eu morri

Tu és a minha vida
E assim eu vivo

Existem s√≠tios no meu cora√ß√£o… onde nenhuma alma viva… pode… nunca poder√°… atravessar.

N√£o existem distin√ß√Ķes r√≠gidas entre o que √© real e o que n√£o √©, nem entre o que √© verdade e o que √© falso. Uma coisa n√£o √© necessariamente verdadeira ou falsa; pode ser verdadeira e falsa ao mesmo tempo.

A Obrigação da Verdade

Quando olhamos um espelho, pensamos que a imagem √† nossa frente √© exacta. Mas basta movermo-nos um mil√≠metro para a imagem se alterar. Aquilo que estamos realmente a ver √© uma gama infind√°vel de reflexos. Mas √†s vezes o escritor tem de quebrar o espelho ‚ÄĒ porque √© do outro lado do espelho que a verdade nos encara.
Estou convencido de que, apesar dos enormes obst√°culos existentes, h√° uma obriga√ß√£o crucial que recai sobre todos n√≥s enquanto cidad√£os: de com uma determina√ß√£o intelectual inflex√≠vel, inabal√°vel e feroz definir a verdade aut√™ntica das nossas vidas e das nossas sociedades. √Č de facto uma obriga√ß√£o imperativa.
Se essa determina√ß√£o n√£o se incorporar na nossa vis√£o pol√≠tica, n√£o tenhamos esperan√ßa de restaurar aquilo que j√° quase se perdeu para n√≥s ‚ÄĒ a dignidade do homem.

O Teu Olhar nos Meus Olhos

Sempre onde tu est√°s
Naquilo que faço
Viras-te agarras os braços

Toco-te onde te viras
O teu olhar nos meus olhos

Viro-me para tocar nos teus braços
Agarras o meu tocar em ti

Toco-te para te ter de ti
A √ļnica forma do teu olhar
Viro o teu rosto para mim

Sempre onde tu est√°s
Toco-te para te amar olho para os teus olhos.

Uma forma de olhar para a fala, é vê-la como um estratagema constante para esconder a nossa nudez.

Eu vou-vos dizer o que eu penso realmente sobre os políticos. Outra noite vi uns políticos na televisão a falar sobre o Vietname. Eu gostaria muito de ter atravessado o ecrã da televisão com um lança-chamas, queimar-lhes os olhos, mutilar-lhes as partes baixas, e depois perguntar-lhes como é que eles analisavam esta situação de um ponto de vista político.

No Teatro, a Verdade Esquiva-se Sempre

No teatro, a verdade esquiva-se sempre. Nunca a encontramos por completo, mas √© for√ßoso procur√°-la. Essa busca √© claramente aquilo que guia os nossos esfor√ßos. √Č essa a nossa tarefa. Na maioria das vezes √© no escuro que trope√ßamos na verdade, esbarramos nela, ou vislumbramos uma imagem ou uma forma que parece corresponder √† verdade, muitas vezes sem nos darmos conta disso. Mas a verdade verdadeira √© que, na arte do teatro, n√£o h√° nunca uma verdade √ļnica que possamos encontrar. H√° muitas. Estas verdades desafiam-se mutuamente, fogem, reflectem-se, ignoram-se, espica√ßam-se, s√£o insens√≠veis umas √†s outras. √Äs vezes pensamos que temos a verdade de um momento na m√£o, e depois ela escapa-se-nos por entre os dedos e desaparece.

O Teatro e a Sátira Política

O teatro pol√≠tico coloca toda uma s√©rie de problemas. H√° que evitar os serm√Ķes a todo o custo. A objectividade √© essencial, deve-se deixar as personagens respirar o seu pr√≥prio ar. O autor n√£o pode confin√°-las nem obrig√°-las a satisfazer o seu pr√≥prio gosto, inclina√ß√Ķes ou preconceitos. Tem de estar preparado para as abordar sob uma grande variedade de √Ęngulos, um leque de perspectivas diversas, apanh√°-las de surpresa, talvez, de vez em quando, mas deixando-lhes a liberdade de seguirem o seu pr√≥prio caminho. Isto nem sempre funciona. E a s√°tira pol√≠tica, √© evidente, n√£o obedece a nenhum destes preceitos; faz exactamente o inverso, e √© essa a sua fun√ß√£o principal.

Tu à Noite

Tu à noite havias de escutar
A trovoada e o ar ambulante.
Tu nessa margem h√°s-de virar
Para onde estão as intempéries dominantes.

Toda essa honrada esperança
Ruirá na ardósia,
E destroçará o inverno
Que vocifera a teus pés.

Se bem que ardam os altares apaixonantes,
E que o sol deliberado
Faça ladrar a águia,
Tu avançarás na corda bamba.

Eu acho que nós até comunicamos muito bem, no nosso silêncio, no que não é dito, e que o que ocorre é uma evasão contínua, enquanto tentamos desesperadamente manter-nos a nós próprios para nós próprios. A comunicação é muito alarmante. Entrar na vida de outra pessoa é algo assustador. Divulgar aos outros a pobreza que está dentro de nós é uma possibilidade muito assustadora.

O Mundo Est√° Prestes a Rebentar

N√£o olhes.
O mundo est√° prestes a rebentar.

N√£o olhes.
O mundo est√° prestes a despejar a sua luz
E a lançar-nos no abismo das suas trevas,
Aquele lugar negro, gordo e sem ar
Onde nós iremos matar ou morrer ou dançar ou chorar
Ou gritar ou gemer ou chiar que nem ratos
A ver se conseguimos de novo um posto de partida.