Cita√ß√Ķes sobre Gordos

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Frases sobre gordos, poemas sobre gordos e outras cita√ß√Ķes sobre gordos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Um Dia Bem Passado

De vez em quando acontece, um dia bem passado. Um dia que √© o contr√°rio da vida, porque desde o primeiro ao √ļltimo momento acordado, passa-se bem, como antigamente se dizia em Angola e c√°.
Um dia bem passado não pode ser planeado. Mas tem de ser protegido. Um dia bem passado é um dia que se passa quase às escondidas. Parece mais roubado do que um beijo Рe tem razão.
Um dia bem passado, como foi o √ļltimo dia de Setembro para a minha mulher e para mim, tem de meter pargos, lavagantes, ostras e beijinhos.
Na Praia das Ma√ß√£s, nos bon√≠ssimos restaurantes Neptuno e B√ļzio, as ostras s√£o sumptuosas. Mas n√£o as vendem √† d√ļzia e √† meia-d√ļzia, comme il faut. √Č ao peso, a granel, como eles as compram. √Č uma pr√°tica que irrita. Mas com toda a delicadeza, claro. Como uma p√©rola, formada pela irrita√ß√£o de um gr√£o de areia dentro de uma ostra. O peso de uma ostra (a concha mais a carne) nada diz sobre o peso do molusco. H√° ostras gordas e suculentas escondidas por conchas minimais e esguias e h√° ostras minimais e esguias escondidas por conchas gordas e suculentas.

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O Homem Amesquinhado

Apesar do quadro negro de uma c√ļpula pol√≠tica e intelectual desvairada e grossa e de um povo abandonado a seu pr√≥prio destino, ainda havia ali, no pa√≠s, naquele espantoso ver√£o de 1955, uma consider√°vel energia vital, uma exaltada alegria de viver, acentuada, em alguns lugares e num ou noutro indiv√≠duo, ainda mais possu√≠do do gozo pleno de um extraodin√°rio senso l√ļdico tropical. Est√°vamos, poder√≠amos nos considerar como estando, num dos √ļltimos redutos do ser humano. Depois disso viria o fim, n√£o, como todos pensavam, com um estrondo, mas com um solu√ßo. A densa nuvem desceria, n√£o, como todos pensavam, feita de mol√©culas radioativas, mas da grosseria de todos os dias, acumulada, aumentada, transmitida, potenciada. O homem se amesquinharia, v√≠tima da mesquinharia do seu semelhante, cada dia menos atento a um gesto de gentileza, a um ato de beleza, a um olhar de amor desinteressado, a uma palavra dita com uma precisa propriedade. E tudo come√ßou a ficar densamente escuro, porque tudo era terrivelmente patrocinado por enlatadores de banha, fabricantes de chouri√ßo e vendedores de desodorante, de modo que toda a pretensa gra√ßa da vida se dirigia apenas √† barriga dos gordos, √† tripa dos porcos, ou, no m√°ximo de finura e eleg√Ęncia,

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Eu gosto dos portugueses. Viajei alguns meses na sua terra, e simpatizei com as mulheres, que s√£o quase todas gordas e vermelhas. Eu gosto muito das mulheres vermelhas e gordas.

A Meu Pai Depois De Morto

Podre meu Pai! A Morte o olhar lhe vidra.
Em seus l√°bios que os meus l√°bios osculam
Micro-organismos f√ļnebres pululam
Numa fermentação gorda de cidra.

Duras leis as que os homens e a hórrida hidra
A uma só lei biológica vinculam,
E a marcha das moléculas regulam,
Com a invariabilidade da clepsidra!…

Podre meu Pai! E a m√£o que enchi de beijos
Roída toda de bichos, como os queijos
Sobre a mesa de org√≠acos festins!…

Amo meu Pai na at√īmica desordem
Entre as bocas necrófagas que o mordem
E a terra infecta que lhe cobre os rins!

A vida j√° √© um buraco de agulha t√£o estreitinho, e as suas obriga√ß√Ķes, camelos t√£o gordos e abastecidos, que passar tr√™s quartos do ano a magicar numa distin√ß√£o manique√≠sta entre mulheres decentes e gald√©rias perniciosas, entre c√£ezinhos de rua e pr√≠ncipes encantados, √© matem√°tica t√£o intricada como a dos fanatismos religiosos, pol√≠ticos ou mesmo club√≠sticos: passamos uma vida inteira a identificar bons e maus ‚Äď e, quando finalmente percebemos a soma zero do problema, j√° estamos com a pele encarquilhada e a tomar comprimidos para a tens√£o arterial.

Mimos para Elisa

elisa. elisa tem ancas gordas e beiços carnudos.
elisa gosta de telefonar ao noivo. sentada no so
f√°, com o jo√£ozinho √† beira, marca o n√ļmero e diz:
elisa sim meu bem. entretanto o jo√£ozinho mete o
s dedos por baixo da saia de elisa, mete as m√£os,
mete os braços. elisa diz: sim meu bem. enquanto
elisa se recosta, joãozinho mete a cabeça debai
xo das saias de elisa, e faz que sim, faz vivamen
te que sim, enquanto elisa diz: sim meu bem. sim.
estes telefonemas com o noivo s√£o t√£o longos! se
pararam-se h√° pouco tempo. o noivo suplica: n√£o
chores elisa. não suspires. a separação não será
eterna. elisa acalma-se. jo√£ozinho sai c√° para fo
ra. elisa chega-se muito a ele. jo√£ozinho est√° ag
ora de pé. o noivo fala fala fala. pergunta: elisa
j√° comeste os bombons todos que te mandei minha
gulosa? elisa n√£o responde. est√° com a boca cheia
. mesmo na conchinha do ouvido, muito suavemente,
o noivo chama-lhe gulosa. e outros mimos. outros.

O Mundo Velho

Nas crises d’este tempo desgra√ßado,
Quando nos pomos tristes a espalhar
Os olhos pela historia do passado…
Quem n√£o ver√°, contente ou consternado,
– Mundo velho que est√°s a desabar – ?!…

Sim tu est√°s a morrer, vil socio antigo…
E Pae de nossos vicios e paix√Ķes!
Camarada dos crimes, torpe amigo…
– Morre, emfim, correr√° no teu jazigo,
Em vez de vinho, o sangue das na√ß√Ķes!

Deves morrer, provecto criminoso!
Tens vivido de mais, vil sensual!
Tu est√°s velho, cansado e desgostoso,
E, como um velho principe gotoso,
Ris, cruelmente, √°s sensa√ß√Ķes do mal.

РQue é feito do teu Deus, do teu Direito?
– Onde est√£o as vis√Ķes dos teus prophetas?
– Quem te deu esse orgulho satisfeito?
Muribundo Caiphaz, junto ao teu leito,
Morrem, debalde, os gritos dos poetas!

No tempo em que eras forte, foi teu braço
Que apunhalou os grandes ideaes!…
Hoje est√°s gordo, sensural, devasso,
E andas, torpe a rir, como um palhaço,
N’um circulo lusente de punhaes.

Tu tens vendido os justos no mercado!

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Em relação ao que foi outrora, nossa terra transformou-se num esqueleto de um corpo descarnado pela doença. As partes gordas e macias desapareceram e tudo que resta é carcaça nua.

Uva, Pedra, Cavalo, Sol e Pensamento

O rio continua a passar na minha ausência.
Eu n√£o sei o que o p√°ssaro pensa da chuva.

A terra tem o gosto agridoce de uma uva.
Tudo em que ponho o olhar tem mágica inocência.

Magra como uma vara de anzol pode ser a mulher.
Gorda como a cara do sol pode ser a laranja.

Ligeiro, o cavalinho. Trem-de-ferro qualquer,
apitando, tudo é bondade que a vida arranja.

Os anos que a pedra vive no seio das √°guas.
Os anos que o coração bate no peito do homem.

Os pés e as pernas unidos na mesma faina.
As m√°goas que se consomem iguais aos ventos.

Uva, pedra, cavalo, sol e pensamento.

Setentrional

Talvez j√° te n√£o lembres, triste Helena,
Dos passeios que d√°vamos sozinhos,
À tardinha, naquela terra amena,
No tempo da colheita dos bons vinhos.

Talvez j√° te n√£o lembres, pesarosa,
Da casinha caiada em que moramos,
Nem do adro da ermida silenciosa,
Onde nós tantas vezes conversamos.

Talvez já te esquecesses, ó bonina,
Que viveste no campo só comigo,
Que te osculei a boca purpurina,
E que fui o teu sol e o teu abrigo.

Que fugiste comigo da Babel,
Mulher como n√£o h√° nem na Circ√°ssia,
Que bebemos, nós dois, do mesmo fel,
E regamos com prantos uma ac√°cia.

Talvez j√° te n√£o lembres com desgosto
Daquelas brancas noites de mistério,
Em que a Lua sorria no teu rosto
E nas lajes campais do cemitério.

Talvez j√° se apagassem as miragens
Do tempo em que eu vivia nos teus seios,
Quando as aves cantando entre as ramagens
O teu nome diziam nos gorjeios.

Quando, à brisa outoniça, como um manto,
Os teus cabelos de √Ęmbar, desmanchados,
Se prendiam nas folhas dum acanto,

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Noite Fechada

L.

Lembras-te tu do s√°bado passado,
Do passeio que demos, devagar,
Entre um saudoso g√°s amarelado
E as carícias leitosas do luar?

Bem me lembro das altas ruazinhas,
Que ambos nós percorremos de mãos dadas:
Às janelas palravam as vizinhas;
Tinham lívidas luzes as fachadas.

Não me esqueço das cousas que disseste,
Ante um pesado tempo com recortes;
E os cemitérios ricos, e o cipreste
Que vive de gorduras e de mortes!

Nós saíramos próximo ao sol-posto,
Mas seguíamos cheios de demoras;
N√£o me esqueceu ainda o meu desgosto
Nem o sino rachado que deu horas.

Tenho ainda gravado no sentido,
Porque tu caminhavas com prazer,
Cara rapada, gordo e presumido,
O padre que parou para te ver.

Como uma mitra a c√ļpula da igreja
Cobria parte do ventoso largo;
E essa boca viçosa de cereja
Torcia risos com sabor amargo.

A Lua dava trêmulas brancuras,
Eu ia cada vez mais magoado;
Vi um jardim com √°rvores escuras,
Como uma jaula todo gradeado!

E para te seguir entrei contigo
Num p√°tio velho que era dum canteiro,

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Família

Três meninos e duas meninas,
sendo uma ainda de colo.
A cozinheira preta, a copeira mulata,
o papagaio, o gato, o cachorro,
as galinhas gordas no palmo de horta
e a mulher que trata de tudo.

A espreguiçadeira, a cama, a gangorra,
o cigarro, o trabalho, a reza,
a goiabada na sobremesa de domingo,
o palito nos dentes contentes,
o gramofone rouco toda a noite
e a mulher que trata de tudo.

O agiota, o leiteiro, o turco,
o médico uma vez por mês,
o bilhete todas as semanas
branco! mas a esperança sempre verde.
A mulher que trata de tudo
e a felicidade.

Pelos meados de julho do ano de 1838, um daqueles veículos colocados recentemente em circulação nas praças de Paris e chamados de milords passava pela rua da Universidade, conduzindo um homem gordo, de estatura mediana, com uniforme de capitão da guarda nacional.

O Êxito Corrompe

Os √™xitos t√™m apenas por companhia insepar√°vel a confus√£o e um punhado de ideias baratas sobre o mundo. Notamos de imediato aqueles que t√™m √™xito e gozam a considera√ß√£o alheia, ficam gordos de uma auto-complac√™ncia contente, e a for√ßa da vaidade infla-os como bal√Ķes e quase deixamos de os reconhecer. Deus proteja um bom homem da considera√ß√£o de terceiros. Se n√£o se tornar mau, ficar√° pelo menos confuso e perder√° a for√ßa.