Passagens de Agostinho da Silva

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Frases, pensamentos e outras passagens de Agostinho da Silva para ler e compartilhar. Os melhores escritores est√£o em Poetris.

Temos que levar gente, não a uma vida cómoda, a uma vida fácil, mas temos que ter a coragem de levá-la a uma vida difícil, a uma vida perigosa, pois só com uma vida difícil, rigorosa e perigosa, dá o homem o melhor de si próprio.

Um grande poeta n√£o √© uma constru√ß√£o de acaso, feita de blocos discordantes; a miss√£o do cr√≠tico n√£o est√° em inventar falhas que n√£o existem, mas em encontrar o nexo √≠ntimo, a espiritual cadeia de v√©rtebras que liga e sustenta todas as fases, todas as produ√ß√Ķes da sua vida. Depois, √© sempre de bom conselho verificar se as manchas da prepara√ß√£o se n√£o encontram nas lentes do microsc√≥pio.

A √ļnica revolu√ß√£o definitiva √© a de despojar-se cada um das propriedades que o limitam e acabar√£o por o destruir, propriedade de coisas, propriedade de gente, propriedade de si pr√≥prio.

O futuro deve ser de tal maneira que nenhuma criança ao nascer se sinta torpedeada pela vida de maneira que julga que tem que desistir de ser para existir apenas como aquilo que a vida obriga a ser.

Eu n√£o voto por r√≥tulos. (…) Eu n√£o quero saber das campanhas eleitorais para nada. Eu quero saber das ideias que as pessoas t√™m e da maneira como depois as v√£o defender e praticar.

Talvez não tenha cada um a sua mundividência: mais certo seria dizer-se que tem a sua mundinvenção, e que só essa é real.

O paradoxo fundamental do universo, aquele que inclui as galáxias e as antigaláxias, ser ele pensamento que a si próprio se pensa; para provar mais: que não tem sujeito pensador.

Não há fim supremo para o homem que não seja o de se ver, se ainda se vê, absorvido pelo Deus que o habita.

Leia, Ouça, Veja, mas sobretudo, Pense

Se grandes inven√ß√Ķes ou descobertas, como o fogo, a roda ou a alavanca, se fizeram antes que o homem fosse, historicamente, capaz de escrever, tamb√©m se p√Ķe como fora de d√ļvida que mais rapidamente se avan√ßou quando foi poss√≠vel fixar intelig√™ncia em escrita, quando o saber se p√īde transmitir com maior fidelidade do que oralmente, quando biblioteca, em qualquer forma, foi testamento do passado e base de arranque para o futuro. A livro se veio juntar arquivo, para o que mais ligeiro se afigurava; e fora de bibliotecas ou arquivos ficaram os milh√Ķes de p√°ginas de discorrer ou emo√ß√£o humana que mais ligeiras pareceram ainda, ou menos duradouras. Escrevendo ou lendo nos unimos para al√©m do tempo e do espa√ßo, e os limitados bra√ßos se p√Ķem a abra√ßar o mundo; a riqueza de outros nos enriquece a n√≥s. Leia.
Milh√Ķes de homens, por√©m, no mundo actual est√£o incapacitados de escrever e de ler, muito menos porque faltam m√©todos e meios do que incitamento que os levante acima do seu t√£o dif√≠cil quotidiano e vontade de quem mais pode de que seus reais irm√£os mais dependam de si pr√≥prios do que de exteriores e quase sempre enganadoras salva√ß√Ķes. Mais se comunica falando do que de qualquer outra forma;

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O que nos interessa sobretudo na Hist√≥ria seria dar conte√ļdo actual, ou melhor, conte√ļdo eterno ao que acaba por aparecer como um empoeirado, como um arqueol√≥gico epis√≥dio do passado.

Tudo o que é interessante na vida deve ser sempre por opção. Não haver nada obrigado definido, porque é muito engraçado nós termos até o divertimento por obrigatório.

√Č o grande perigo das pessoas que falam bem: s√£o as serpentes de si pr√≥prias, saem dos cestinhos para ouvir a m√ļsica deliciosa e o que podia ser uma manifesta√ß√£o espl√™ndida de humanidade transforma-se em espect√°culo de rua.

O passado que vale está nos livros e nas oficinas. Além de tudo, poucos serão os mestres que se não poderiam substituir por discos ou papagaios; e esses ensinam pelo viver, pelo escrever, pelo trabalho em seus laboratórios.