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Toda a gente fala de direitos humanos e ninguém de deveres, talvez fosse uma boa ideia inventar um Dia dos Deveres Humanos.

NĂŁo romantizo nada o ofĂ­cio de escrever. No fundo, romantizĂĄ-lo Ă© outra maneira de parecer interessante.

Esta Ă© o que considero a verdadeira generosidade. VocĂȘ dĂĄ tudo de si, e ainda sente como se nĂŁo lhe tivesse custado nada.

Vaso Grego

Esta de ĂĄureos relevos, trabalhada
De divas mĂŁos, brilhante copa, um dia,
JĂĄ de aos deuses servir como cansada,
Vinda do Olimpo, a um novo deus servia.

Era o poeta de Teos que o suspendia
EntĂŁo, e, ora repleta ora esvasada,
A taça amiga aos dedos seus tinia,
Toda de roxas pétalas colmada.

Depois… Mas, o lavor da taça admira,
Toca-a, e do ouvido aproximando-a, Ă s bordas
Finas hĂĄs de lhe ouvir, canora e doce,

Ignota voz, qual se da antiga lira
Fosse a encantada mĂșsica das cordas,
Qual se essa voz de Anacreonte fosse.

Último Soneto

Que rosas fugitivas foste ali!
Requeriam-te os tapetes, e vieste…
– Se me dĂłi hoje o bem que me fizeste,
É justo, porque muito te devi.

Em que seda de afagos me envolvi
Quando entraste, nas tardes que apareceste!
Como fui de percal quando me deste
Tua boca a beijar, que remordi…

Pensei que fosse o meu o teu cansaço –
Que seria entre nós um longo abraço
O tĂ©dio que, tĂŁo esbelta, te curvava…

E fugiste… Que importa? Se deixaste
A lembrança violeta que animaste,
Onde a minha saudade a Cor se trava?…

HĂĄ um cansaço da inteligĂȘncia abstracta, e Ă© o mais horroroso dos cansaços. NĂŁo pesa como o cansaço do corpo, nem inquieta como o cansaço do conhecimento e da emoção. É um peso da consciĂȘncia do mundo, um nĂŁo poder respirar da alma.