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Para quem está do lado de fora Рe toda a gente neste mundo está do lado de fora em relação a todos os outros Рalgo parece sempre pior ou melhor do que é para aquele a que isso diz respeito, sendo esse algo boa ou má sorte, um envolvimento amoroso infeliz ou uma negação artística.

Há pessoas as quais não é fácil conviver, mas que jamais se podem abandonar.

Bom Dia, Amigo Sol!

Bom dia, amigo Sol! A casa é tua!
As bandas da janela abre e escancara,
– deixa que entre a manh√£ sonora e clara
que anda l√° fora alegre pela rua!

Entre! Vem surpreendê-la quase nua,
doura-lhe as formas de beleza rara…
Na intimidade em que a deixei, repara
Que a sua carne é branca como a Lua!

Bom dia, amigo Sol! √Č esse o meu ninho…
Que n√£o repares no seu desalinho
nem no ar cheio de sombras, de cansa√ßos…

Entra! Só tu possuis esse direito,
Рde surpreendê-la, quente dos meus braços,
no aconchego feliz do nosso leito!…

A Import√Ęncia da Arrog√Ęncia

A arrog√Ęncia n√£o √© nenhum meio adequado para se chegar a qualquer forma de entendimento com as pessoas que nos rodeiam e que menosprezamos, pelo que nos s√£o insuport√°veis. Mas, se n√£o tiv√©ssemos a arrog√Ęncia, estar√≠amos perdidos, pois ela n√£o √© sen√£o um meio de impormos a nossa vontade contra um mundo que de outro modo e, portanto, sem essa arrog√Ęncia, nos devoraria por completo. Ele n√£o teria por n√≥s o m√≠nimo respeito. N√≥s temos de a ele nos antecipar com a nossa pr√≥pria arrog√Ęncia, disse eu para comigo, empreg√°-la onde ela nos salva de sermos devorados. Pois n√£o nos iludamos, pensei eu, os chamados parvos, os que por assim dizer menos apreciamos s√£o os que menos considera√ß√£o t√™m por n√≥s, n√£o lhes importa o que n√≥s sentimos, desde que nos possam incomodar e destruir e por √ļltimo aniquilar.
A arrog√Ęncia √© um meio absolutamente adequado para conseguirmos impor-nos no mundo que nos rodeia e que est√° orientado contra n√≥s, essa arrog√Ęncia teme-a ele e respeita-a, mesmo que seja s√≥ simulada como a minha, como eu pensei. N√≥s escudamo-nos com a arrog√Ęncia para nos podermos afirmar, esta √© que √© a verdade, eu sou arrogante para sobreviver, isto dito assim de modo consequente.

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Muitos julgam cumprir o seu dever pronunciando aforismos abstractos para uso alheio em vez de pregar por meio do exemplo.

O mais feliz passa por ser o maior, e o p√ļblico atribui muitas vezes ao m√©rito todos os √™xitos da sorte.

A solidão não é e nunca será a ausência dos outros, mas sim a falta que te fazes a ti próprio.

O meu nome é Severino, não tenho outro de pia, Como há muitos Severinos, que é santo de romaria, deram então de me chamar, Severino de Maria.

Um Calção De Pindoba A Meia Zorra

Um calção de pindoba a meia zorra
Camisa de urucu, mantéu de arara,
Em lugar de cotó, arco, e taquara,
Penacho de guar√°s em vez de gorra.

Furado o beiço, e sem temer que morra
O pai, que lho envazou cuma titara,
Porém a Mãe a pedra lhe aplicara
Por reprimir-lhe o sangue que n√£o corra,

Alarve sem razão, bruto sem fé,
Sem mais leis, que as do gosto, quando erra,
De Paiaiá tornou-se em Abaeté.

N√£o sei onde acabou, ou em que guerra,
Só sei que deste Adão de Massapé,
Procedem os fidalgos desta terra.

A vida e para os humildes, devemos ser pessoas integras e honestas,porque nesta vida temos o dever ser limpos de coração.