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Sem qualquer excep√ß√£o, homens e mulheres de todas as idades, de todas as culturas, de todos os graus de instru√ß√£o e de todos os n√≠veis econ√≥micos t√™m emo√ß√Ķes, est√£o atentos √†s emo√ß√Ķes dos outros, cultivam passatempos que manipulam as suas pr√≥prias emo√ß√Ķes, e governam as suas vidas, em grande parte, pela procura de uma emo√ß√£o, a felicidade, e pelo evitar das emo√ß√Ķes desagrad√°veis. √Ä primeira vista, n√£o existe nada de caracteristicamente humano nas emo√ß√Ķes, uma vez que √© bem claro que os animais tamb√©m t√™m emo√ß√Ķes. No entanto, h√° qualquer coisa de muito caracter√≠stico no modo como as emo√ß√Ķes est√£o ligadas √†s ideias, aos valores, aos princ√≠pios e aos ju√≠zos complexos que s√≥ os seres humanos podem ter , sendo nessa liga√ß√£o que reside a nossa ideia bem leg√≠tima de que a emo√ß√£o humana √© especial. A emo√ß√£o humana n√£o se reduz ao prazer sexual ou ao pavor de r√©pteis. Tem a ver, igualmente, com o horror de testemunhar o sofrimento e com a satisfa√ß√£o de ver cumprida a justi√ßa.

Desconfio dos discursos morais dos políticos, da religião. Se estudássemos as grandes frases morais de pessoas com poder, ao longo da História, veríamos que são muitas vezes prefácios a grandes tragédias.

A maior parte dos prazeres elegantes são miseráveis demais para que neles se possa pensar. Por isso o intelecto é tão impopular.

Qualquer um pode ser completamente feliz, se depender apenas de si e tiver em si mesmo tudo o que chamar de seu.

Inteligência de Rotina

A matem√°tica √© uma ci√™ncia muito bela. Os matem√°ticos por√©m, muitas vezes, nada valem. Acontece com a matem√°tica quase o mesmo que com a teologia. Da mesma maneira que os homens se dedicam √† √ļltima, por pouco que exer√ßam uma fun√ß√£o p√ļblica, pretendem ter um cr√©dito particular de santidade e um parentesco mais estreito com Deus, ainda que entre eles haja um grande n√ļmero de aut√™nticos tratantes, os pretensos matem√°ticos exigem com muita frequ√™ncia ser considerados profundos pensadores, embora entre eles se encontrem as mentes mais entulhadas de mix√≥rdias, incapazes de fazer qualquer trabalho que exija reflex√£o e que n√£o possa ser reduzido de imediato a essa combina√ß√£o f√°cil de sinais que √© mais obra da rotina do que do pensamento.

Espinosa

Gosto de ver-te, grave e solit√°rio,
Sob o fumo de esqu√°lida candeia,
Nas m√£os a ferramenta de oper√°rio,
E na cabeça a coruscante idéia.

E enquanto o pensamento delineia
Uma filosofia, o p√£o di√°rio
A tua m√£o a labutar granjeia
E achas na independência o teu salário.

Soem c√° fora agita√ß√Ķes e lutas,
Sibile o bafo aspérrimo do inverno,
Tu trabalhas, tu pensas, e executas

S√≥brio, tranq√ľilo, desvelado e terno,
A lei comum, e morres, e transmutas
O suado labor no prêmio eterno.