Recentes

Ao enfrentar dilemas e priva√ß√Ķes, e venc√™-los, o casal torna a uni√£o mais s√≥lida e mais afetiva. N√£o fugir do barco, remar e vencer a borrasca, √© o que faz dos navegantes parceiros insepar√°veis para sempre!

O Português não Gosta de Trabalhar

O portugu√™s n√£o gosta de trabalhar. Se h√° uma tecnologia que trabalhe por ele, ela que avance. Ele tem coisas mais interessantes para fazer como poeta, do que a trabalhar. (…) O portugu√™s trabalhou e trabalhou e trabalha sempre que for preciso. O que t√™m feito os emigrantes pelo mundo? Aonde eles v√£o e √© preciso trabalhar, eles trabalham. (…) O portugu√™s, dentro de determinadas condi√ß√Ķes, se a vida lhe fosse inteiramente favor√°vel, ele gostaria muito mais de contemplar e poetar do que trabalhar. Mas quando √© levado a uma fun√ß√£o em tem que trabalhar, ele trabalha.

A vida é dura de suportar; mas, por favor, não vos façais de tão delicados! Não passamos, todos juntos, de umas lindas bestas de carga.

N√£o Voltar√°s

n√£o voltar√°s
olhando as ruas
na vidraça nua os zimbros
da terra ocre

moras secreta nestes barros
tua flauta canta nas montanhas
pedras e trepadeiras se enroscam
perto do teu rosto
e s√£o de
√°gua

sabes plantar o odor
dos frutos
tangerina lim√£o
p√°ssaras orvalho
a nervura das manh√£s
e o lume dos poemas
quente metalurgia
das palavras

como ontem (tu eras morta)
prolonga-te nestas m√£os
no maio das rotas
de abril
tecidas

25 de Abril

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a subst√Ęncia do tempo

O futurismo vem a ser uma fotografia abstracta das coisas. Ora toda arte, seja como for, vá até onde for, é antifotográfica e concreta.

N√£o √© que eu tenha medo de morrer. √Č que eu n√£o quero estar l√° na hora que isso acontecer.

Quem aos Olhos Dar-me-√° uma Vertente

Quem aos olhos dar-me-√° uma vertente
de l√°grimas, que manem noite e dia?
Ao menos a alma, enfim, respiraria,
chorando, ora o passado, ora o presente.

Quem me dar√°, longe de toda gente,
suspiros, que me valham na agonia
j√° longa, que o af√£ tanto encobria?
Sucedeu-me depois tanto acidente!

Quem me dar√° palavras com que iguale
tanto agravo que amor j√° me tem feito,
pois que t√£o pouco o sofrimento vale?

Ah! quem ao meio me abra este meu peito,
onde jaz tanto mal, por que se exale
tamanha coita minha e meu despeito?