Textos sobre Amor

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Textos de amor escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

O amor é evidentemente mais grato quando não é perturbado pela aridez da necessidade

O amor é evidentemente mais grato quando não é perturbado pela aridez da necessidade, mas deriva da bondade fecunda.

O Amor Indómito

H√° casos de alucina√ß√£o, extasis incendiados de fantasia, em que o homem subjuga ao seu transporte as f√©rreas considera√ß√Ķes sociais, fazendo-as reflexivas de todo o brilho da sua alegria. √Č por isso que as grandes paix√Ķes est√£o em div√≥rcio com o ju√≠zo prudencial. No mar da vida o fanal do amor √© o que mais resplende. Cegam-se os olhos e entendimento ao que mais ansiosamente o fita. Com a mente fixa nesse clar√£o esperan√ßoso, que t√£o frouxas r√©steas de luz nos d√° em paga de tremendos trabalhos, transcuram-se vagas e baixios que nos assaltam o pobre baixel. O amor ind√≥mito, fremente e tempestuoso √© um naufr√°gio que se ama, uma dor com que se brinca, e, enfim, um del√≠rio honroso em qualquer criatura.

Saber Terminar uma Amizade Indesej√°vel

Sucede, tamb√©m, como por calamidade, que algumas vezes √© necess√°rio romper uma amizade: porque passo agora das amizades dos s√°bios √†s liga√ß√Ķes vulgares. Muitas vezes quando os v√≠cios se revelam num homem, os seus amigos s√£o as suas v√≠timas como todos os outros: contudo √© sobre eles que recai a vergonha. √Č preciso, pois, desligar-se de tais amizades ‚ÄĒ, afrouxando o la√ßo pouco a pouco e, como ouvi dizer a Cat√£o, √© necess√°rio descoser antes que despeda√ßar, a menos que se n√£o haja produzido um esc√Ęndalo de tal modo intoler√°vel, que n√£o fosse nem justo nem honesto, nem mesmo poss√≠vel, deixar de romper imediatamente.

Mas se o car√°cter e os gostos vierem a mudar, o que acontece muitas vezes; se algum dissentimento pol√≠tico separar dois amigos (n√£o falo mais, repito-o, das amizades dos s√°bios, mas das afei√ß√Ķes vulgares), √© preciso tomar cuidado em, desfazendo a amizade, n√£o a substituir logo pelo √≥dio. Nada mais vergonhoso, com efeito, que estar em guerra com aquele que se amou por muito tempo.
(…) Apliquemo-nos, pois, antes de tudo, em afastar toda a causa de ruptura: se contudo, acontecer alguma, que a amizade pare√ßa antes extinta do que estrangulada. Temamos sobretudo que ela n√£o se transforme em √≥dio violento,

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A Grande Literatura

Os romances nunca serão totalmente imaginários nem totalmente reais. Ler um romance é confrontar-se tanto com a imaginação do autor quanto com o mundo real cuja superfície arranhamos com uma curiosidade tão inquieta. Quando nos refugiamos num canto, nos deitamos numa cama, nos estendemos num divã com um romance nas mãos, a nossa imaginação passa o tempo a navegar entre o mundo daquele romance e o mundo no qual ainda vivemos. O romance nas nossas mãos pode-nos levar a um outro mundo onde nunca estivemos, que nunca vimos ou de que nunca tivemos notícia. Ou pode-nos levar até às profundezas ocultas de um personagem que, na superfície, parece-se às pessoas que conhecemos melhor. Estou a chamar a atenção para cada uma dessas possibilidades isoladas porque há uma visão que acalento, de tempos a tempos, que abarca os dois extremos. Às vezes tento conjurar, um a um, uma multidão de leitores recolhidos num canto e aninhados nas suas poltronas com um romance nas mãos; e também tento imaginar a geografia de sua vida quotidiana. E então, diante dos meus olhos, milhares, dezenas de milhares de leitores vão tomando forma, distribuídos por todas as ruas da cidade, enquanto eles lêem, sonham os sonhos do autor,

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A Saturação da Servidão

Hoje est√£o em causa, n√£o as paradas, que √© tudo em que as multid√Ķes s√£o adestradas, ou a guerra, a que se convidam; est√° em causa toda uma din√Ęmica nova para criar o habitat duma humanidade que atingiu a satura√ß√£o da servid√£o, depois de h√° mil√©nios ter dado o passo da reflex√£o. As pessoas interrogam-se em tudo quanto vivem. A satura√ß√£o da servid√£o n√£o √© uma revolta; √© um sentimento de desapego imenso quanto aos princ√≠pios que amaram, os deuses a que se curvaram, os homens que exaltaram. (…) Mas foi crescendo a satura√ß√£o da servid√£o, porque a alma humana cresceu tamb√©m, tornou-se capaz de ser amada espontaneamente; tudo o que servimos era o intermedi√°rio do nosso amor pelo que em absoluto n√≥s somos. Serviram-se valores porque neles se representava a apar√™ncia duma qualidade, como a beleza, o saber, a for√ßa; esses valores est√£o agora saturados, demolidos pela revela√ß√£o da verdade de que tudo √© concedido ao corpo moral da humanidade e n√£o ao seu executor.
Um grande terror sucede à saturação da servidão. Receamos essa motivação nova que é a nossa vontade, a nossa fé sem justificação a não ser estarmos presentes num imenso espaço que não é povoado pela mitologia de coisa alguma.

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Como é que se Esquece Alguém que se Ama?

Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa Рcomo é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?
As pessoas t√™m de morrer; os amores de acabar. As pessoas t√™m de partir, os s√≠tios t√™m de ficar longe uns dos outros, os tempos t√™m de mudar Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. √Č preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem p√īr-se processos e ac√ß√Ķes de despejo a quem se tem no cora√ß√£o, fazer os maiores escarc√©us, entrar nas maiores peixeiradas, mas n√£o se podem despejar de repente. Elas n√£o saem de l√°. Est√ļpidas! √Č preciso aguentar. J√° ningu√©m est√° para isso, mas √© preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura √© aceitar-se que se est√° doente. √Č preciso paci√™ncia. O pior √© que vivemos tempos imediatos em que j√° ningu√©m aguenta nada. Ningu√©m aguenta a dor. De cabe√ßa ou do cora√ß√£o.

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Livros Antigos Portugueses

Quisemos mostrar, ou antes tornar conhecidos, os nossos livros. 0 nosso intuito √© simples; tentando dar vida a esses livros, procuramos deixar ver a obra Portuguesa, especialmente nos s√©culos xv e xvi, atrav√©s dos ¬ęliuros de forma¬Ľ que foram impressos em Portugal, acompanhando-os de alguns ¬ęde penna¬Ľ, e de outros escritos em linguagem, mas publicados fora do pa√≠s. Os livros s√£o amigos silenciosos e fi√©is junto dos quais se aprende a li√ß√£o da vida. S√£o o ensinamento, e em muitos casos a prova, da √©poca que se deseja descrever; aqueles que s√£o coevos desses tempos, podemos, certamente, consider√°-los como a melhor documenta√ß√£o ‚ÄĒ exceptuando os manuscritos originais ‚ÄĒ para essas pesquisas. A meta do nosso esfor√ßo √© erguer bem alto o nome do nosso pa√≠s, demonstrar os feitos dos Portugueses e, servindo a nossa P√°tria, ¬ęlevantar a bandeira dos triunfos dela¬Ľ. √Č um trabalho sem pretens√Ķes, que nada vem dizer de novo, e que nada julga ensinar, mas que, esperamos, provar√° o nosso amor pela P√°tria querida. E se alcan√ßarmos esse fim ambicionado, teremos a consola√ß√£o suprema de um dever cumprido.

. Manuel II, ¬ęLivros Antigos Portugueses 1489-1600¬Ľ’

Vida de Escritor

√Č f√°cil reconhecer em mim a concentra√ß√£o de todas as minhas for√ßas sobre a escrita. Quando se tornou claro no meu organismo que escrever era a direc√ß√£o mais produtiva que podia tomar o meu ser, tudo correu para esse lado e deixou-me vazio de todas as capacidades que se dirigiam para as alegrias do sexo, da comida, da bebida, da reflex√£o filos√≥fica e, acima de tudo, da m√ļsica. Eu atrofiava em todas estas direc√ß√Ķes. Isto era necess√°rio porque a totalidade das minhas for√ßas √© t√£o leve que s√≥ colectivamente √© que elas podiam semi-servir a finalidade da minha escrita. √Č claro que n√£o encontrei esta finalidade independentemente ou conscientemente, ela encontrou-se a si pr√≥pria e s√≥ o escrit√≥rio interfere com ela, e interfere completamente. De qualquer modo, eu n√£o me devia queixar pelo facto de n√£o conseguir ter uma namorada, de perceber exactamente tanto de amor como de m√ļsica e de ter de me resignar nos esfor√ßos mais superficiais de que posso lan√ßar m√£o, de na noite de fim de ano ter jantado escorcioneira e espinafres com um quarto de Ceres e de no domingo n√£o ter podido participar na leitura que Max fez dos seus trabalhos filos√≥ficos; a compensa√ß√£o de tudo isto √© clara como o dia.

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Uma Declaração de Amor

Uma declara√ß√£o de amor n√£o √© acontecimento do dom√≠nio p√ļblico, uma baleia que vara na praia sob o sol dos desastres e convoca multid√Ķes, desalinhando h√°bitos quotidianos; uma declara√ß√£o de amor √© um acto de grande intimidade que ergue um v√©u transparente de onde brotam mel e p√°ssaros azuis. As palavras directas ou indirectas, ditas ou escritas, suscitam a car√≠cia √ļnica, irrepet√≠vel, a leve percuss√£o que desenha no sil√™ncio a imagem do que se ama. E assim ter√° de se guardar. Num lugar seguro onde os sismos n√£o possam encontrar o mapa do tesouro.

A Necessidade do Outro

Os homens sempre tiveram muita necessidade de se amarem uns aos outros. Constru√≠ram esse amor como constru√≠ram pontes. Foram necess√°rias ab√≥badas sonoras para tornar a multid√£o mais presente para a multid√£o; e palavras incompreens√≠veis para que se cantasse com todo o cora√ß√£o; e uma m√ļsica bem ritmada, para que todos pudessem dizer as mesmas coisas ao mesmo tempo.
(…) S√≥ querer relacionar-se com aqueles que se aprovam em tudo √© quim√©rico, e √© o pr√≥prio fanatismo.

Estou Sofrendo de Amor Feliz

Estou sofrendo de amor feliz. S√≥ aparentemente √© que isso √© contradit√≥rio. Quando se sente amor, tem-se uma funda ansiedade. √Č como se eu risse e chorasse ao mesmo tempo. Sem falar no medo que essa felicidade n√£o dure. Preciso ser livre ‚ÄĒ n√£o aguento a escravid√£o do amor grande, o amor n√£o me prende tanto. N√£o posso me submeter √† press√£o do mais forte.
Onde est√° minha corrente de energia? meu sentido de descoberta, embora esta assuma forma obscura? Eu sempre espero alguma coisa nova de mim, eu sou um frisson de espera ‚ÄĒ algo est√° sempre vindo de mim ou de fora de mim.

A Disputa das Ideias

Temos cada vez mais tipos de ordem e cada vez menos ordem. (…) Depois de todos os esfor√ßos do passado, entr√°mos num per√≠odo de retrocesso. V√™ bem como as coisas se passam hoje: quando um homem importante lan√ßa uma nova ideia no mundo, ela √© imediatamente apanhada por um mecanismo de divis√£o, constitu√≠do por simpatia e repulsa. Primeiro v√™m os admiradores e arrancam grandes bocados, os que lhes conv√™m, a essa ideia, e despeda√ßam o mestre como as raposas a presa; a seguir, os advers√°rios destroem as partes fracas, e em pouco tempo o que resta de um grande feito mais n√£o √© do que uma reserva de aforismos de que amigos e inimigos se servem a seu bel-prazer. O resultado √© uma ambiguidade generalizada. N√£o h√° Sim a que se n√£o junte um N√£o. Podes fazer o que quiseres, que encontras sempre vinte das mais belas ideias a favor e, se quiseres, vinte que s√£o contra. Quase somos levados a acreditar que √© como no amor e no √≥dio, ou na fome, em que os gostos t√™m de ser diferentes, para que cada um fique com o seu bocado.

Sempre a Amante Ultrapassa o Amado

O destino gosta de inventar desenhos e figuras. A sua dificuldade reside no que é complicado. A própria vida, porém, tem a dificuldade da simplicidade. Só tem algumas coisas de uma dimensão que nos excede. O santo, declinando o destino, escolhe estas coisas por amor a Deus. Mas que a mulher, segundo a sua natureza, tenha de fazer a mesma escolha em relação ao homem, isso evoca a fatalidade de todos os laços de amor: decidida e sem destino, como um ser eterno, fica ao lado dele, que se transformará. Sempre a amante ultrapassa o amado, porque a vida é maior do que o destino. A sua entrega quer ser sem medida: esta é a sua felicidade. A dor inominada do seu amor, porém, foi sempre esta: exigirem-lhe que limitasse essa entrega.

A Única Coisa que Desculpa o Casamento é o Amor

Na carta que lhe escrevi dava-lhe, como me tinha pedido, a minha opini√£o sobre o casamento. √Č a seguinte: acho o casamento uma coisa revoltante! E isto por uma √ļnica raz√£o mas que para mim √© tudo, para mim e para aquelas mulheres que n√£o s√£o apenas f√™meas, para todas as delicadas, para todas as que t√™m pudor, esp√≠rito e consci√™ncia. Essa raz√£o √© a posse, essa suprema e grande lei da Natureza que, no entanto, revolta tudo quanto eu tenho de delicado e bom no √≠ntimo da minha alma. Ganha-se um amigo muitas vezes, √© certo; um amigo que √†s vezes √© o nosso supremo amparo, mas em compensa√ß√£o quantas revoltas, quantas m√°goas, quantas desilus√Ķes! Quantas!… A minha querida faz bem, faz muito bem em n√£o se querer sujeitar ao mercado, √† venda. Eu casei e casei por amor. √Č a √ļnica coisa que desculpa, no meu entender, o casamento, porque do contr√°rio, quando nele apenas entram o interesse e a ambi√ß√£o, revolta-me e indigna-me.

A Confiança é o Elo entre a Sociedade e a Amizade

Ainda que a sinceridade e a confian√ßa estejam relacionadas, s√£o, no entanto, diferentes: a sinceridade consiste em abrir o cora√ß√£o e em mostrarmo-nos tal como somos por amor da verdade. Odeia o disfarce e quer reparar as suas faltas, mesmo que para isso seja preciso diminui-las pelo valor da confiss√£o. Quanto √† confian√ßa, esta n√£o nos concede o mesmo grau de liberdade, as suas regras s√£o mais rigorosas, requer mais prud√™ncia e modera√ß√£o. Ora, nem sempre estamos livres para obedecer a estes requisitos. N√£o somos s√≥ n√≥s, no que a ela diz respeito, que estamos envolvidos, porque os nossos interesses misturam-se quase sempre com os dos outros. Requer uma enorme justeza para n√£o levar os nossos amigos a entregarem-se, pelo facto de n√≥s nos termos entregado, como para lhes oferecer um presente, com a √ļnica inten√ß√£o de aumentar o pre√ßo do que n√≥s damos.
Fica-se sempre satisfeito com o facto de os outros depositarem confiança em nós porque é um tributo que oferecemos ao nosso mérito, é um depósito que fazemos à nossa confiança, são, enfim, fianças que lhes dão algum direito sobre nós, isto é, aceitamos uma certa dependência à qual nos sujeitamos voluntariamente. Não, não é minha intenção destruir com as minhas palavras a confiança,

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Casamento e Amor

Um casamento pode sobreviver a um homem infiel e pode sobreviver a uma mulher infiel tamb√©m. Um casamento s√£o duas pessoas que est√£o juntas ‚Äď e, felizmente, as raz√Ķes por que as pessoas est√£o juntas n√£o se reduzem ao sentimento. Coisa diferente, por√©m, √© o amor propriamente dito. Um homem pode ser infiel √† sua mulher e, no entanto, am√°-la eterna e incondicionalmente. Uma mulher infiel simplesmente j√° n√£o ama o seu marido. Pode gostar dele. Pode ter pena dele. Pode estimar a vida que os dois t√™m juntos: as rotinas, os objectos, os lugares, os cheiros, as pessoas. Mas pode viver sem eles tamb√©m – e sabe-o. Porque, sendo t√£o capaz como o homem de ausentar-se do seu corpo, n√£o ser√° capaz nunca de ausentar-se das suas emo√ß√Ķes. E porque, se o fizer, j√° n√£o encontrar√° o caminho de regresso.

Depois de Chorar

N√£o √© a tristeza que nos faz chorar, mas o amor que enfrenta os vazios. As ang√ļstias e desesperos s√£o express√Ķes de falta.

As lágrimas que de nós brotam e caem longe do olhar dos outros são as que mais força trazem em si, as que fazem concreto e objetivo o sentir mais íntimo.

Por vezes, o cora√ß√£o cai nas armadilhas das tristezas antigas… outras, sentimos os espinhos das novas adversidades cravarem-se-nos na carne. H√° sempre tristezas, h√° sempre sofrimento, haver√° sempre dor enquanto houver amor.
As lágrimas não choradas não deixam de ser amargas, mas essas, ao contrário das que nascem, corroem o interior de quem com elas não chega a regar a terra que lhe segura os pés.

A vida faz-se também com as nossas lágrimas e vence-se, muitas vezes, de olhos carregados de mar. O esforço que nos é exigido chega quase a ser impossível sem lágrimas. Chorar não é sinal de derrota, antes sim de um amor que busca a paz merecida.

O sentido da vida cabe dentro de uma gota de √°gua salgada‚Ķ a verdadeira paix√£o √© a dor m√°xima do amor mais profundo. Aquele que faz germinar em n√≥s o melhor…

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A Razão da Minha Esperança

Meu bom amigo,

Sei que tens sofrido bastante.

Não posso esquecer que um dia me ensinaste: que leal é quem não abandona; que devemos procurar ser pessoas dignas de confiança, mais do que tentar encontrar alguém assim; e, que a vontade de amar já é, em si mesma, amor.

Permite-me que partilhe contigo, hoje, algumas ideias a respeito dos momentos dif√≠ceis…

S√£o muitas as provas que na vida servem para testar quem somos, a for√ßa que temos em n√≥s e o nosso valor. Algumas vezes uma pedra gigante vem cair mesmo diante de n√≥s… outras vezes s√£o s√©ries infind√°veis de pequenos obst√°culos no caminho… longas etapas que nos obrigam a seguir adiante sem descansar, em percursos onde quase nunca se v√™ o horizonte.
A agita√ß√£o permanente em que vivemos leva muitos a desistir de encontrar refer√™ncias mais adiante, mas √© preciso que nos afastemos do tempo para assim encontrarmos a posi√ß√£o mais segura, elevando-nos acima dos momentos passageiros para os compreender melhor. No meio da confus√£o √© preciso ver para al√©m do que se pode olhar… estabelecer os alicerces sobre o que √© s√≥lido, ainda que seja preciso escavar muito mais fundo do que o normal…

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O Pressuposto Indispens√°vel para se Ser um Grande-Escritor

O pressuposto indispens√°vel para se ser um grande-escritor √©, ent√£o, o de escrever livros e pe√ßas de teatro que sirvam para todos os n√≠veis, do mais alto ao mais baixo. Antes de produzir algum bom efeito, √© preciso primeiro produzir efeito: este princ√≠pio √© a base de toda a exist√™ncia como grande-escritor. √Č um princ√≠pio miraculoso, eficaz contra todas as tenta√ß√Ķes da solid√£o, por excel√™ncia o princ√≠pio goethiano do sucesso: se nos movermos apenas num mundo que nos √© prop√≠cio, tudo o resto vir√° por si. Pois quando um escritor come√ßa a ter sucesso d√°-se logo uma transforma√ß√£o significativa na sua vida. O seu editor p√°ra de se lamentar e de dizer que um comerciante que se torna editor se parece com um idealista tr√°gico, porque faria muito mais dinheiro negociando com tecidos ou papel virgem. A cr√≠tica descobre nele um objecto digno da sua actividade, porque os cr√≠ticos muitas vezes at√© nem s√£o m√°s pessoas, mas, dadas as circunst√Ęncias epocais pouco prop√≠cias, ex-poetas que precisam de um apoio do cora√ß√£o para poderem p√īr c√° fora os seus sentimentos;s√£o poetas do amor ou da guerra, consoante o capital interior que t√™m de aplicar com proveito, e por isso √© perfeitamente compreens√≠vel que escolham o livro de um grande-escritor e n√£o o de um comum escritor.

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O Amor n√£o Acontece. Decide-se.

H√° quem julgue que o amor √© alheio √† vontade humana, algo superior que elege, embala e conduz‚Ķ e que quase nada se pode fazer perante tamanha for√ßa. Isso √© uma mera paix√£o no seu sentido menos nobre. E, nesse caso, sim, o amor acontece… Ao contr√°rio, amar √© estar acima das paix√Ķes e dos apetites. Mesmo quando o amor nasce de uma espontaneidade, resulta de um claro discernimento.

O amor decorre de uma decisão. De um compromisso. Constrói-se de forma consciente. Através do heroísmo de alguém livre que decide ser o que poucos ousam. Escolhe para fim de si mesmo ser o meio para a felicidade daquele a quem ama. Sim, decide-se amar e, sim, decide-se a quem amar.

O amor aut√™ntico √© raro e extraordin√°rio, embora o seu nome sirva para quase tudo… a maior parte das vezes designa ego√≠smos entrela√ßados, cada vez mais comuns. S√£o poucos os que se aventuram, os que arriscam tudo, os que se disp√Ķem a amar mesmo quando sabem que poucos sequer perceber√£o o que fazem, o seu porqu√™ e o para qu√™.
O amor n√£o sup√Ķe reciprocidade. Amar √© dar-se por completo e aceitar tudo… n√£o se contabilizam ganhos e perdas,

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