Louco por ti

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Frases, poemas e pensamentos sobre as loucuras feitas por amor

Amar e Ser Livre ao mesmo Tempo

Tudo o que posso dizer √© que estou louco por ti. Tentei escrever uma carta e n√£o consegui. Estou constantemente a escrever-te… Na minha cabe√ßa, e os dias passam, e eu imagino o que pensar√°s. Espero impacientemente por te ver. Falta tanto para ter√ßa-feira! E n√£o s√≥ ter√ßa-feira… Imagino quando poder√°s ficar uma noite… Quando te poderei ter durante mais tempo… Atormenta-me ver-te s√≥ por algumas horas e, depois, ter de abdicar de ti. Quando te vejo, tudo o que queria dizer desaparece… O tempo √© t√£o precioso e as palavras sup√©rfluas… Mas fazes-me t√£o feliz… porque eu consigo falar contigo. Adoro o teu brilhantismo, as tuas prepara√ß√Ķes para o voo, as tuas pernas como um torno, o calor no meio das tuas pernas. Sim, Anais, quero desmascarar-te. Sou demasiado galante contigo. Quero olhar para ti longa e ardentemente, pegar no teu vestido, acariciar-te, examinar-te. Sabes que tenho olhado escassamente para ti? Ainda h√° demasiado sagrado agarrado a ti.

A tua carta… Ah, estas moscas! Fazes-me sorrir. E fazes-me adorar-te tamb√©m. √Č verdade, n√£o te dou o devido valor. √Č verdade. Mas eu nunca disse que n√£o me d√°s o devido valor. Acho que deve haver um erro no teu ingl√™s.

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Beatriz

Bandeirante a sonhar com pedrarias
Com tesouros e minas fabulosas,
Do amor entrei, por ínvias e sombrias
Estradas, as florestas tenebrosas.

Tive sonhos de louco, √† Fern√£o Dias…
Vi tesouros sem conta: entre as umbrosas
Selvas, o outro encontrei, e o √īnix, e as frias
Turquesas, e esmeraldas luminosas…

E por eles passei. Vivi sete anos
Na floresta sem fim. Senti ress√°bios
De amarguras, de dor, de desenganos.

Mas voltei, afinal, vencendo escolhos,
Com o rubi palpitante dos seus l√°bios
E os dois grandes top√°zios dos seus olhos!

Maldade

Tu podes ser igual a todo o mundo
teres defeitos mais que toda a gente,
– que importa ? se este amor cego e profundo
teima em dizer que te acha diferente!

Para mim (eu que te amo como um louco)
os que falam de ti são línguas más,
Рah! todo o amor que te dedico é pouco
e é sempre pouco o amor que tu me dás!

Sou a sombra que segue os teus desejos
e aos teus pés, numa oferta extraordinária
a minha alma vendeu-se por teus beijos…

Falam de ti… Escuto-os… Fico mudo…
Quanta maldade cruel, desnecess√°ria
se eu j√° sei quem tu √©s… se eu sei de tudo!

Beijo

Beijo na face
Pede-se e d√°-se:
D√°?
Que custa um beijo?
N√£o tenha pejo:
V√°!

Um beijo é culpa,
Que se desculpa:
D√°?
A borboleta
Beija a violeta:
V√°!

Um beijo é graça,
Que a mais n√£o passa:
D√°?
Teme que a tente?
√Č inocente…
V√°!

Guardo segredo,
N√£o tenha medo…
Vê?
Dê-me um beijinho,
Dê de mansinho,
Dê!

*

Como ele é doce!
Como ele trouxe,
Flor,
Paz a meu seio!
Saciar-me veio,
Amor!

Saciar-me? louco…
Um é tão pouco,
Flor!
Deixa, concede
Que eu mate a sede,
Amor!

Talvez te leve
O vento em breve,
Flor!
A vida foge,
A vida é hoje,
Amor!

Guardo segredo,
N√£o tenhas medo
Pois!
Um mais na face,
E a mais n√£o passe!
Dois…

*

Oh! dois? piedade!
Coisas t√£o boas…
Vês?
Quantas pessoas
Tem a Trindade?
Três!

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Vaidosa

Dizem que tu és pura como um lírio
E mais fria e insensível que o granito,
E que eu que passo aí por favorito
Vivo louco de dor e de martírio.

Contam que tens um modo altivo e sério,
Que és muito desdenhosa e presumida,
E que o maior prazer da tua vida,
Seria acompanhar-me ao cemitério.

Chamam-te a bela imperatriz das f√°tuas,
A déspota, a fatal, o figurino,
E afirmam que és um molde alabastrino,
E não tens coração, como as estátuas.

E narram o cruel martirológio
Dos que são teus, ó corpo sem defeito,
E julgam que é monótono o teu peito
Como o bater cadente dum relógio.

Porém eu sei que tu, que como um ópio
Me matas, me desvairas e adormeces,
√Čs t√£o loura e dourada como as messes

E possuis muito amor… muito amor-pr√≥prio.

Nenhum Amor é Menos Ridículo que Outro

Temos, pois, que ao amor corresponde o am√°vel, e que este √© inexplic√°vel. Concebe-se a coisa, mas dela n√£o se pode dar raz√£o; assim tamb√©m √© que de maneira incompreens√≠vel o amor se apodera da sua presa. Se, de tempos a tempos, os homens ca√≠ssem por terra e morressem subitamente, ou entrassem em convuls√Ķes violentas mas inexplic√°veis, quem √© que n√£o sofreria a ang√ļstia? No entanto, √© assim que o amor interv√©m na vida, com a diferen√ßa de que ningu√©m receia por isso, visto que os amantes encaram tal acontecimento como se esperassem a suprema felicidade. Ningu√©m receia por isso, toda a gente ri afinal, porque o tr√°gico e o c√≥mico est√£o em perp√©tua correspond√™ncia. Conversais hoje com um homem; parece-vos que ele se encontra em estado normal; mas amanh√£ ouvi-lo-eis falar uma linguagem metaf√≥rica, v√™-lo-eis exprimir-se com gestos muito singulares: √© sabido, est√° apaixonado. Se o amor tivesse por express√£o equivalente ¬ęamar qualquer pessoa, a primeira que se encontra¬Ľ, compreender-se-ia a impossibilidade de apresentar melhor defini√ß√£o; mas j√° que a f√≥rmula √© muito diferente, ¬ęamar uma s√≥ pessoa, a √ļnica no mundo¬Ľ, parece que tal acto de diferencia√ß√£o deve provir de motivos profundos.
Sim, deve necessariamente implicar uma dial√©tica de raz√Ķes,

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Mais Forte Do Que A Morte

Chego trêmulo, pálido, indeciso.
Tentas fugir, se escutas meu andar.
E és atraída pelo meu sorriso,
e eu fascinado pelo teu olhar.

Louco, sem o querer, te martirizo.
Em meus braços começas a chorar.
– E unem-se as nossas bocas de improviso,
pelo poder de um fluido singular.

Amo-te. A febre da paix√£o te acalma.
Beijas-me. E eu sinto, em l√Ęnguido torpor,
a embriaguez do vinho da tu’alma.

E ambos vemos, felizes, sem temor,
que, aben√ßoada e l√ļbrica, se espalma
a asa da morte sobre o nosso amor!

O amor √© um jogo estranho, onde as regras s√£o feitas de improviso, no meio da competi√ß√£o… E, como um jogo louco, √© o √ļnico em que o empate √© considerado uma vit√≥ria!

Incoerência ?

Achas-me indiferente… e at√© cr√™s que h√° desd√©m
quando falo de amor em palavras singelas…
– pensas que as juras todas que j√° ouviste, aquelas
juras, a outras mulheres vou fazer tamb√©m…

Dizes que n√£o te quero… E eu te pergunto: – a quem
devo tudo o que fiz, as poesias mais belas?
– outras dir√£o talvez que as fiz pensando nelas,
mas todas te pertencem mais do que a ninguém!

N√£o v√™s que o que te cerca √© a mentira da vida…
– nem sabes descobrir essa paix√£o imensa
que o meu orgulho torna ego√≠sta e dolorida…

Não vês que o meu viver é falso, Рe se resume
em te amar como um louco em minha indiferença,
e fingir que amo as outras para teu ci√ļme!

A Vulgar Que Passou

N√£o eras para os meus sonhos, n√£o eras para a minha vida,
nem para os meus cansaços perfumados de rosas,
nem para a impotência da minha raiva suicida,
n√£o eras a bela e doce, a bela e dolorosa.

N√£o eras para os meus sonhos, n√£o eras para os meus cantos,
não eras para o prestígio dos meus amargos prantos,
n√£o eras para a minha vida nem para a minha dor,
n√£o eras o fugitivo de todos os meus encantos.
N√£o merecias nada. Nem o meu √°spero desencanto
nem sequer o lume que pressentiu o Amor.

Bem feito, é muito bem feito que tenhas passado em vão
que a minha vida n√£o se tenha submetido ao teu olhar,
que aos antigos prantos se n√£o tenha juntado
a amargura dolente de um estéril chorar.

Tu eras para o imbecil que te quisesse um pouco.
(Oh! meus sonhos doces, oh meus sonhos loucos!)
Tu eras para um imbecil, para um qualquer
que n√£o tivesse nada dos meus sonhos, nada,
mas que te daria o prazer animal
o curto e bruto gozo do espasmo final.

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