Cita√ß√Ķes de Henry Miller

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Frases, pensamentos e outras cita√ß√Ķes de Henry Miller para ler e compartilhar. Os melhores escritores est√£o em Poetris.

A Irrelev√Ęncia da Escrita Controversa

Suponhamos que amanh√£, como consequ√™ncia de terem lido Henri Miller, todas as pessoas come√ßavam a usar uma linguagem livre, uma linguagem de sarjeta, se quiserem, e a agir de acordo com as suas cren√ßas e convic√ß√Ķes. E ent√£o ? A minha resposta √© que, acontecesse o que acontecesse, seria como nada tivesse ocorrido, nada, insisto, se o compararmos com os efeitos da explos√£o de uma √ļnica bomba at√≥mica. E isto √©, confesso, a coisa mais triste que um indiv√≠duo criador como eu pode admitir. √Č minha convic√ß√£o que estamos hoje a atravessar um per√≠odo a que se poderia chamar de ¬ęinsensibilidade c√≥smica¬Ľ, um per√≠odo em que Deus parece, mais do que nunca, ausente do mundo, e o homem se v√™ condenado a enfrentar o destino que para si pr√≥prio criou. Num momento como este, a quest√£o de saber se um homem √© ou n√£o culpado de usar de uma linguagem obscena em livros impressos parece-me perfeitamente inconsequente. √Č quase como se eu, ao atravessar um prado, descobrisse uma erva coberta de esterco e, curvando-me para a ervilha obscura, lhe dissesse em tom de admoesta√ß√£o: ¬ę

Tudo aquilo que não podemos incluir dentro da moldura estreita de nossa compreensão, nós rejeitamos.

O homem que confessa os seus pecados, os seus crimes ou os seus erros nunca é o mesmo que os cometeu.

O verdadeiro líder não tem necessidade de liderar Рcontenta-se em apontar o caminho.

Envolvê-la nos Meus Braços

Tr√™s minutos depois de voc√™ ter partido. N√£o, n√£o consigo reprimi-lo. Digo-lhe o que j√° sabe: amo-a. √Č isto que destru√≠ vezes sem conta. Em Dijon, escrevi-lhe cartas longas e apaixonadas (se voc√™ tivesse permanecido na Su√≠√ßa ter-lhas-ia enviado), mas como posso eu envi√°-las para Louveciennes?

Anais, n√£o posso dizer muito agora – encontro-me demasiado alterado. Quase n√£o consegui conversar consigo, porque estava continuamente prestes a levantar-me e a envolv√™-la nos meus bra√ßos. Tinha esperan√ßas de que voc√™ n√£o tivesse de ir jantar a casa… De que pud√©ssemos ir a algum lado jantar e dan√ßar. Voc√™ dan√ßa… J√° sonhei com isso vezes sem conta… Eu a dan√ßar consigo, ou voc√™ a dan√ßar sozinha com a cabe√ßa inclinada para tr√°s e os olhos semicerrados. Algum dia tem de dan√ßar para mim dessa maneira. Esse √© o seu Eu espanhol, o tal sangue andaluz destilado.

Estou sentado no seu lugar e j√° levei aos l√°bios o copo onde voc√™ bebeu. Mas n√£o sei o que dizer. O que voc√™ me leu p√īs-me a cabe√ßa √†s voltas. A sua linguagem √© ainda mais avassaladora do que a minha. Comparado consigo, n√£o passo de um petiz… porque, quando o √ļtero que h√° em si fala,

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A Arte e a Vida

Todos nós sabemos, quando fazemos algo, o quanto deixámos de fora, o quão grandemente falhámos, e carregamos dentro de nós uma imagem da coisa perfeita que falhou na materialização, e isso nós encaramos como o poema, isso é o que pedimos que nos reconheçam. Isso é o nosso orgulho, o nosso ego, exigindo completo reconhecimento.

E √© dif√≠cil separar a obra de arte do homem ou da mulher que a produziu. Tendemos a confundir os dois. No fim de contas, suponho, a hist√≥ria da luta que o artista atravessou para dar √† luz a sua ideia √© t√£o patente, t√£o intensa, que mesmo que queiramos permanecer cr√≠ticos ‚ÄĒ √†s vezes ‚ÄĒ vemos que √© quase imposs√≠vel faz√™-lo. Mas s√≥ porque a arte n√£o √© vida, s√≥ porque a arte √© uma cria√ß√£o t√£o inextrincavelmente ligada √† vida, precisamos de fazer grandes esfor√ßos para isolar o elemento da arte em vez do elemento da vida. Por vezes, parece-me quase rid√≠culo dizermos que este homem √© mais humano do que aquele, que revela mais da vida, etc., no seu trabalho.

Como pode algu√©m realmente dizer isso… se levarmos isto ao limite? Porque o √ļltimo movimento da caneta √© revelador…

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Vencer o Medo

Parecemos estar hoje animados quase exclusivamente pelo medo. Receamos at√© aquilo que √© bom, aquilo que √© saud√°vel, aquilo que √© alegre. E o que √© o her√≥i? Antes de mais, algu√©m que venceu os seus medos. √Č poss√≠vel ser-se her√≥i em qualquer campo; nunca deixamos de reconhecer um her√≥i quando este aparece. A sua virtude singular √© o facto de ele ser um s√≥ com a vida, um s√≥ consigo pr√≥prio. Tendo deixado de duvidar e de interrogar, acelera o curso e o ritmo da vida. O cobarde, par contre, procura deter o fluxo da vida. E claro que n√£o det√©m nada, a menos que se detenha a si pr√≥prio. A vida continua sempre a avan√ßar, quer nos portemos como cobardes, quer nos portemos como her√≥is. A vida n√£o imp√Ķe outra disciplina – se ao menos o soub√©ssemos compreender! – para al√©m de a aceitarmos tal como √©. Tudo aquilo a que fechamos os olhos, tudo aquilo de que fugimos, tudo aquilo que negamos, denegrimos ou desprezamos, acaba por contribuir para nos derrotar. O que nos parece s√≥rdido, doloroso, mau, poder√° tornar-se numa fonte de beleza, alegria e for√ßa, se o enfrentarmos com largueza de esp√≠rito. Todos os momentos s√£o momentos de ouro para os que t√™m a capacidade de os ver como tais.

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Se chamares experi√™ncias √†s tuas dificuldades e recordares que cada experi√™ncia te ajuda a amadurecer, vais crescer vigoroso e feliz, n√£o importa qu√£o adversas pare√ßam as circunst√Ęncias.

Viver Plenamente os Desejos

Quanto ao facto de saber se o sexual e o religioso s√£o antag√≥nicos e opostos, eu responderia do seguinte modo: todos os elementos ou aspectos da vida, por muito pobres, por muito duvidosos que sejam (para n√≥s), s√£o suscept√≠veis de convers√£o, e na verdade devem ser transpostos para outro n√≠vel, de acordo com a nossa maturidade e intelig√™ncia.O esfor√ßo visando eliminar os aspectos ¬ęrepugnantes¬Ľ da exist√™ncia, que √© a obsess√£o dos moralistas, n√£o s√≥ √© absurdo, como f√ļtil. √Č poss√≠vel ser-se bem sucedido na repress√£o dos pensamentos e desejos, dos impulsos e tend√™ncias feios e ¬ępecaminosos¬Ľ. mas os resultados s√£o manifestamente desastrosos. (√Č estreita a margem que separa um santo e um criminoso). Viver plenamente os seus desejos e, ao faz√™-lo, modificar subtilmente a natureza destes, √© o objectivo de todo o indiv√≠duo que aspira a desenvolver-se. Mas o desejo √© soberano e inextirp√°vel, mesmo quando, como dizem os budistas, se converte no seu contr√°rio. Para algu√©m se poder libertar do desejo, tem que desejar faz√™-lo.

Uma Completa Fome por Ti

Anais,

N√£o esperes que continue s√£o. N√£o vamos ser sensatos. Foi um casamento, em Louveciennes ‚ÄĒ n√£o podes neg√°-lo. Voltei com peda√ßos de ti pegados a mim. Estou a andar, a nadar num oceano de sangue, o teu sangue andaluz, destilado e venenoso. Tudo o que fa√ßo e digo e penso tem a ver com o casamento. Vi-te como a senhora do teu lar, uma moura de cara pesada, uma negra com um corpo branco, olhos por toda a tua pele, mulher, mulher, mulher. N√£o consigo ver como conseguirei viver longe de ti ‚ÄĒ estas interrup√ß√Ķes s√£o uma morte. Como te pareceu quando o Hugo voltou? Eu continuava a√≠? N√£o consigo imaginar-te a moveres-te com ele como fizeste comigo. Pernas fechadas. Fragilidade. Doce, trai√ßoeira aquiesc√™ncia. Docilidade de p√°ssaro. Tornaste-te uma mulher comigo. Isso quase me aterrorizou. N√£o tens s√≥ trinta anos de idade… Tens mil anos de idade.

Aqui estou de volta e ainda fervilhando de paixão, como vinho a fermentar. Não uma paixão apenas da carne, mas uma completa fome por ti, uma fome devoradora. Leio no jornal acerca de suicídios e homicídios e compreendo-o perfeitamente. Sinto-me assassino, suicida. Sinto talvez ser uma desgraça nada fazer,

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