Passagens sobre Espera

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Frases sobre espera, poemas sobre espera e outras passagens sobre espera para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Missa de Anivers√°rio

H√° um ano que os teus gestos andam
ausentes da nossa freguesia
Tu que eras destes campos
onde de novo a seara amadurece
donde és hoje?
Que nome novo tens?
Haver√° mais singular fim de semana
do que um s√°bado assim que nunca mais tem fim?
Que ocupação é agora a tua
que tens todo o tempo livre à tua frente?
Que passos te levar√£o atr√°s
do arrulhar da pomba em nossos céus?
Que te acontece que n√£o mais fizeste anos
embora a mesa posta continue à tua espera
e l√° fora na estrada as amoreiras tenham outra vez
florido?

Era esta a voz dele assim é que falava
dizem agora as giestas desta sua terra
que o viram passar nos caminhos da inf√Ęncia
junto ao primeiro voo das perdizes

Já só na gravata te levamos morto àqueles caminhos
onde deixaste a marca dos teus pés
Apenas na gravata. A tua morte
deixou de nos vestir completamente
No ver√£o em que partiste bem me lembro
pensei coisas profundas
√Č de novo ver√£o.

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A Alma do Amor

Quando um homem, quer tenda para os rapazes ou para as mulheres, encontra aquele mesmo que √© a sua metade, √© um prod√≠gio como os transportes de ternura, confian√ßa e amor os tomam. Eles n√£o desejariam mais separar-se, nem por um s√≥ instante. E pensar que h√° pessoas que passam a vida toda juntas, sem poder dizer, diga-se de passagem, o que uma espera da outra; pois n√£o parece que seja o prazer dos sentidos que lhes fa√ßa encontrar tanto encanto na companhia uma da outra. √Č evidente que a alma de ambas deseja outra coisa, que n√£o pode dizer, mas que adivinha e deixa adivinhar.

O Chão é Cama para o Amor Urgente

O chão é cama para o amor urgente,
amor que n√£o espera ir para a cama.
Sobre tapete ou duro piso, a gente
comp√Ķe de corpo e corpo a h√ļmida trama.

E para repousar do amor, vamos à cama.

Século XXI

Falam de tudo como se a raz√£o
lhes ensinasse desesperadamente
a mentir, a lançar
sem remorso nem asco um novo isco
à espera que alguém morda
e acredite nessa liturgia
cujos deuses s√£o f√°ceis de adorar
e obedecem às leis do mercado.

Falam desse ludíbrio a que chamam
o futuro
como se ele existisse
e as suas palavras ecoam
em flatulentas frases
sempre a favor do vento que as agita
ao ritmo dos sorrisos ou das entrevistas
em que tudo se vende
por um pre√ßo acess√≠vel: emo√ß√Ķes
& sexo & fama & outros prometidos
paraísos terrestres em horário nobre
Рmatéria reciclável
alimentando o altar do esquecimento.

O poder n√£o existe, como sabes
demasiado bem – apenas uma
in√ļtil recidiva biol√≥gica
de hormonas apressadas que procuram
ser fiéis aos comércio
dos sonhos sempre iguais, reproduzindo
sedutoras met√°stases do nada
nos códigos de barras ou nos cromossomas
de quem j√° pouco espera dos seus genes.

A Bela do Bairro

Ela era muito bonita e benza-a Deus
muito puta que era sempre à espera
dos pagantes à janela do rés-do-chão
mas eu teso e pior que isso néscio desses amores
tenho o quê? Quinze anos
tenho o quê uns olhos com que a vejo
que se debruçava mostrando os peitos
que a amei como se ama unicamente
uma vez um colo branco e até as jóias
que ela punha eram luzentes semelhando estrelas
eu bato o passeio à hora certa e amo-a
de cabelo solto e tudo n√£o parece
senão o céu afinal um pechisbeque

ainda agora as minhas narinas fremem
turva-se o coração desmantelado
amando-a amei-a tanto e sem vergonha
oh pecar assim de jaquet√£o sport e um cigarro
nos queixos a admiração que eu fazia
entre a malta não é para esquecer nem lá ao fundo
como ent√£o puxo as abas da farpela
lentamente caminho para ela
a chuva cai mi√ļda
e benza-a Deus que bonita e que puta
e que desvelos a gente
gastava em frente do amor

Um Homem

De repente
como uma flor violenta
um homem com uma bomba à altura do peito
e que chora convulsivamente
um homem belo min√ļsculo
como uma estrela cadente
e que sangra
como uma est√°tua jacente
esmagada sob as asas do crep√ļsculo
um homem com uma bomba
como uma rosa na boca
negra surpreendente
e à espera da festa louca
onde o coração lhe rebente
um homem de face aguda
e uma bomba
cega
surda
muda

Teria maior confiança no desempenho de um homem que espera ter uma grande recompensa do que no daquele que já a recebeu.

Atravess√°mos e Vencemos Tudo

Olho para o passado com embriagu√™s, mas n√£o √© com menos deslumbramento que encaro o nosso futuro. Eis-nos, agora, um do outro para todo o sempre, sem ansiedades, sem inquieta√ß√Ķes, sem ang√ļstias. Atravess√°mos e vencemos tudo o que era mau e que poderia ser fatal. Estamos na plena posse dos nossos dois destinos fundidos num s√≥. O nosso amor n√£o ter√° a frescura dos primeiros tempos, mas √© um amor posto √† prova, um amor que conhece a sua for√ßa, e que mesmo para al√©m do t√ļmulo, espera ser infinito. O amor, quando nasce, s√≥ v√™ a vida, o amor que dura v√™ a eternidade.

A Acção Mais Degradada

A ac√ß√£o mais degradada √© a daquele que n√£o age e passa procura√ß√£o a outrem para agir – a dos frequentadores dos espect√°culos de luta e a dos consumidores da literatura de viol√™ncia. Ser her√≥i e atrav√©s de outrem, ser corajoso em imagina√ß√£o, √© o limite extremo da ac√ß√£o gratuita, do orgulho ou da vaidade que n√£o ousa. Corre-se o risco sem se correr, experi¬≠menta-se como se se experimentasse, colhe-se o prazer do triunfo sem nada arriscar. E √© por isso que os fIlmes de guerra, do hero√≠smo policial, de espionagem, t√™m de acabar bem. Por¬≠que o que a√≠ se procura √© justamente o sabor do triunfo e n√Ęo apenas do risco. O gosto do risco procura-o o her√≥i real, o jogador que pode perder. Mas o espectador da sua luta, degra¬≠dado na sedu√ß√£o da ac√ß√£o, acentua a sua mediocridade no n√£o poder aceitar a derrota, no fingir que corre o risco mesmo em fic√ß√£o, mas com a certeza pr√©via de que o risco √© vencido. O que ele procura √© a pequena lisonja √† sua vaidade pequena, a figura√ß√£o da coragem para a sua cobardia, e s√≥ a vit√≥ria do her√≥i a quem passou procura√ß√£o o pode lisonjear.
E se o herói morre em grandeza,

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Desejar Aplausos

Desejar aplausos em arte √© mais uma necessidade do que uma vaidade. √Č sentir que se √© necess√°rio, que nos querem. N√£o h√° nada mais esterilizante do que estar o dia inteiro no consult√≥rio √† espera de doentes que nos passam √† porta e v√£o √† consulta do vizinho. Escrever para a posteridade n√£o consola nem estimula ningu√©m. A leg√≠tima ora√ß√£o de todo o artista, quer queiram, quer n√£o, tem de ser esta: dai-nos, Senhor, um pouco de gl√≥ria em vida.

A fé é uma posse antecipada do que se espera

A fé é uma posse antecipada do que se espera, um meio de demonstrar as realidades que não se vêem.

N√£o H√° Descoberta sem Transgress√£o

Se pensarmos quais s√£o as qualidades que levam a fazer descobertas, damos de caras com: imunidade a escr√ļpulos e inibi√ß√Ķes tradicionais, coragem, igual percentagem de esp√≠rito empreendedor e de esp√≠rito de destrui√ß√£o, exclus√£o de considera√ß√Ķes de ordem moral, paci√™ncia para regatear as m√≠nimas vantagens, tenacidade na espera pela via que conduz aos objectivos, se necess√°rio for, e o respeito pela medida e pelo n√ļmero, a mais n√≠tida express√£o de desconfian√ßa em rela√ß√£o a tudo o que √© incerto.

Não se Consegue ser Exterior à Nossa Própria Indiferença

A dificuldade da exist√™ncia estava precisamente neste problema concreto: por diversas vezes Walser se vira, ao longe, alegre, e tamb√©m de longe observara a sua pr√≥pria tristeza ou irrita√ß√£o. Nada de mais. Mas o que nunca conseguira era ser exterior √† indiferen√ßa; ser exterior a si nos momentos, in√ļmeros, em que se encontrava neutro face √†s coisas, inerte e em estado de espera perante a possibilidade de um acto ou do seu contr√°rio. Quanto mais intensidade existia no corpo, mais f√°cil era afastar-se, ser testemunha de si pr√≥prio. As dificuldades de observa√ß√£o privilegiada, de uma exist√™ncia que lhe pertencia, surgiam assim, de um modo extremo, quando a intensidade dos sentimentos era quase nula. Se ele j√° l√° n√£o estava ‚Äď na exist√™ncia ‚Äď como se poderia ainda afastar mais?

Mas o que era concretamente este l√°, este outro s√≠tio que por vezes parecia ser o seu centro outras vezes o seu oposto? Sobre a localiza√ß√£o geral desse l√°, Walser n√£o tinha d√ļvidas: era o c√©rebro. Era ali que tudo se passava ou que tudo o que se passava era observado. Ali fazia, e ali via-se a fazer. Como qualquer louco normal, pensou Walser, e sorriu da f√≥rmula.

Gonçalo M.

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Espera…

Não me digas adeus, ó sombra amiga,
Abranda mais o ritmo dos teus passos;
Sente o perfume da paix√£o antiga,
Dos nossos bons e c√Ęndidos abra√ßos!

Sou a dona dos místicos cansaços,
A fant√°stica e estranha rapariga
Que um dia ficou presa nos teus bra√ßos…
Não vás ainda embora, ó sombra amiga!

Teu amor fez de mim um lago triste:
Quantas ondas a rir que n√£o lhe ouviste,
Quanta canção de ondinas lá no fundo!

Espera… espera… √≥ minha sombra amada…
Vê que pra além de mim já não há nada
E nunca mais me encontras neste mundo!…

O Meu Génio Vem de Ti

O que me acalma ou o que me agita, o que me torna alegre ou triste, o que refulge no meio da noite, a meu lado, e me alumia mil vezes melhor do que o candeeiro de trabalho, o que me encanta os dias durante os meus passeios solitários, os meus estudos, os meus devaneios, e até as mais enfadonhas tarefas, é a tua imagem, a lembrança de que existes, de que me amas, de que me esperas, de que pensas em mim! Se tenho algum génio, é de ti que me vem.

Civilização Imposta por uma Minoria

√Č curioso como os homens, que t√£o mal sabem viver isolados, se sentem, no entanto, pesadamente oprimidos pelos sacrif√≠cios que a civiliza√ß√£o espera deles a fim de lhes possibilitar que vivam em comum.
(…) A civiliza√ß√£o √© coisa imposta a uma maioria recalcitrante por uma minoria que descobriu como apropriar-se dos meios de poder e coac√ß√£o.

Se você errou, reconheça o erro. Quem o ouve espera de você sinceridade. Não use o manto da dissimulação para camuflar a verdade. Ela pode ficar oculta, porém, mais dia menos dia brotará como a boa semente sob a terra fecunda.

A Caridade

Eu podia falar todas as línguas
Dos homens e dos anjos;
Logo que n√£o tivesse caridade,
J√° n√£o passava de um metal que tine,
De um sino v√£o que soa.

Podia ter o dom da profecia,
Saber o mais possível,
Ter fé capaz de transportar montanhas;
Logo que eu n√£o tivesse caridade,
J√° n√£o valia nada!

Eu podia gastar toda afortuna
A bem dos miser√°veis,
Deixar que me arrojassem vivo às chamas;
Logo que eu n√£o tivesse caridade,
De nada me servia!

A caridade é dócil, é benévola,
Nunca foi invejosa,
Nunca procede temerariamente,
Nunca se ensoberbece!

Não é ambiciosa; não trabalha
Em seu proveito próprio; não se irrita;
Nunca suspeita mal!

Nunca folgou de ver uma injustiça;
Folga com a verdade!

Tolera tudo! Tudo crê e espera!
Em suma tudo sofre!

N√£o Existe Prosa

N√£o existe prosa. A menos que se refiram os escritos, em prosa ou verso, que pretendem ensinar. N√£o h√° nada a ensinar embora haja tudo a aprender. Aquilo que se aprende vem do nosso pr√≥prio ensino, vem da pergunta; v√£o-se aprendendo, pelas esperas, pela imobilidade √†s portas, pela invisibilidade dos rostos depois de vistos t√£o prometedoramente, pela emenda sucessiva, pela ins√≥nia sucessiva dos olhos e das figura√ß√Ķes, sempre, v√£o-se aprendendo sempre as maneiras da pergunta. Uma pergunta em perguntas, um poema em poemas, uma rebarbativa constela√ß√£o de objectos ofuscantes. Aprende-se que a pergunta se desloca com a luz inerente; ilumina-se a si mesma, a pergunta constelar; ensina a si mesma, ao longo de si mesma, os estilos de ser dotada dessa luz para fora e para dentro. Leio romances desde que perceba que n√£o est√£o a responder. Alguns s√£o extraordin√°rias m√°quinas interrogativas: “Ulisses”, “Filhos e Amantes”, “O Doutor Fausto”, “O Processo”, “A Morte de Virg√≠lio”, “O Som e a F√ļria”, “Debaixo do Vulc√£o”, “A Obra ao Negro”, “Lolita”, “Di√°rio do Ladr√£o”, todos os romances de C√©line como se fossem um s√≥, alguns outros, antes, agora. Os romances de Agustina Bessa-Lu√≠s, porventura os menos amados, s√£o entre n√≥s as quase √ļnicas m√°quinas vivas de perguntar.

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