Passagens sobre Espera

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Frases sobre espera, poemas sobre espera e outras passagens sobre espera para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Civilização Imposta por uma Minoria

√Č curioso como os homens, que t√£o mal sabem viver isolados, se sentem, no entanto, pesadamente oprimidos pelos sacrif√≠cios que a civiliza√ß√£o espera deles a fim de lhes possibilitar que vivam em comum.
(…) A civiliza√ß√£o √© coisa imposta a uma maioria recalcitrante por uma minoria que descobriu como apropriar-se dos meios de poder e coac√ß√£o.

Se você errou, reconheça o erro. Quem o ouve espera de você sinceridade. Não use o manto da dissimulação para camuflar a verdade. Ela pode ficar oculta, porém, mais dia menos dia brotará como a boa semente sob a terra fecunda.

A Caridade

Eu podia falar todas as línguas
Dos homens e dos anjos;
Logo que n√£o tivesse caridade,
J√° n√£o passava de um metal que tine,
De um sino v√£o que soa.

Podia ter o dom da profecia,
Saber o mais possível,
Ter fé capaz de transportar montanhas;
Logo que eu n√£o tivesse caridade,
J√° n√£o valia nada!

Eu podia gastar toda afortuna
A bem dos miser√°veis,
Deixar que me arrojassem vivo às chamas;
Logo que eu n√£o tivesse caridade,
De nada me servia!

A caridade é dócil, é benévola,
Nunca foi invejosa,
Nunca procede temerariamente,
Nunca se ensoberbece!

Não é ambiciosa; não trabalha
Em seu proveito próprio; não se irrita;
Nunca suspeita mal!

Nunca folgou de ver uma injustiça;
Folga com a verdade!

Tolera tudo! Tudo crê e espera!
Em suma tudo sofre!

N√£o Existe Prosa

N√£o existe prosa. A menos que se refiram os escritos, em prosa ou verso, que pretendem ensinar. N√£o h√° nada a ensinar embora haja tudo a aprender. Aquilo que se aprende vem do nosso pr√≥prio ensino, vem da pergunta; v√£o-se aprendendo, pelas esperas, pela imobilidade √†s portas, pela invisibilidade dos rostos depois de vistos t√£o prometedoramente, pela emenda sucessiva, pela ins√≥nia sucessiva dos olhos e das figura√ß√Ķes, sempre, v√£o-se aprendendo sempre as maneiras da pergunta. Uma pergunta em perguntas, um poema em poemas, uma rebarbativa constela√ß√£o de objectos ofuscantes. Aprende-se que a pergunta se desloca com a luz inerente; ilumina-se a si mesma, a pergunta constelar; ensina a si mesma, ao longo de si mesma, os estilos de ser dotada dessa luz para fora e para dentro. Leio romances desde que perceba que n√£o est√£o a responder. Alguns s√£o extraordin√°rias m√°quinas interrogativas: “Ulisses”, “Filhos e Amantes”, “O Doutor Fausto”, “O Processo”, “A Morte de Virg√≠lio”, “O Som e a F√ļria”, “Debaixo do Vulc√£o”, “A Obra ao Negro”, “Lolita”, “Di√°rio do Ladr√£o”, todos os romances de C√©line como se fossem um s√≥, alguns outros, antes, agora. Os romances de Agustina Bessa-Lu√≠s, porventura os menos amados, s√£o entre n√≥s as quase √ļnicas m√°quinas vivas de perguntar.

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O Céu e a Terra

Aqueles que afirmam existir mais coisas no céu que na terra, têm razão e não têm, por serem ambos a mesma coisa, embora em planos inversos. Todas as almas sabem disto, quando estão no etéreo, à espera de reencarnar, mas depois esquecem-se, quando mergulham no limbo e se agarram ao corpo mirrado de uma coisa viva que há-de ser.
E, tenho para mim, que as beatas n√£o fazem por mal quando batem no peito e censuram o resto do mundo por n√£o ser igual a si. Buscam, talvez, um comportamento livre dos corpos que as aproxime do que elas foram um dia: uma coisa di√°fana e sem corpo, desprendidas da realidade da carne.

Miser√°vel

A Carvalho Junior.

O noivo, como noivo, é repugnante:
Material√£o, est√ļpido, chorudo,
Arrotando, a propósito de tudo,
O ser comendador e negociante.

Tem a viuvinha, a noiva interessante,
Todo o arsenal de um poeta guedelhudo:
Alabastro, marfim, coral, veludo,
Azeviche, safira e tutti quanti.

Da misteriosa alcova a porta geme,
O noivo dorme n’um len√ßol envolto…
Entra a viuvinha, a noiva… Oh, c√©u, contem-me!

Ela deita-se… espera… Qual! Revolto,
O leito estala… Ela suspira… freme…,
E o miser√°vel dorme a sono solto!…

Homem para Deus

Ele vai só ele não tem ninguém
onde morrer um pouco toda a morte que o espera
Se é ele o portador do grande coração
e sabe abrir o seio como a terra
temei n√£o partam dele as grandes nega√ß√Ķes
Que h√° de comum entre ele e quem na juventude foi
que m√£o estendem eles um ao outro
por sobre tanta morte que nos dias veio?
E no seu coração que todo o homem ri e sofre
√© l√° que as esta√ß√Ķes recolhem findo o fogo
onde aquecer as mãos durante a tentação
é lá que no seu tempo tudo nasce ou morre
N√£o leva mais de seu que esse pequeno orgulho
de saber que decerto qualquer coisa acabar√°
quando partir um dia para n√£o voltar
e que ent√£o finalmente uma atitude sua h√°-de implicar
embora diminuta uma qualquer consequência
O que deus ter√° visto nele para morrer por ele?
Oh que responsabilidade a sua
Que não dê como a árvore sobre a vida simples sombra
que faça mais do que crescer e ir perdendo vestes

Oh que difícil não é criar um homem para deus

As Três Espécies de Portugueses

Há três espécies de Portugal, dentro do mesmo Portugal; ou, se se preferir, há três espécies de português. Um começou com a nacionalidade: é o português típico, que forma o fundo da nação e o da sua expansão numérica, trabalhando obscura e modestamente em Portugal e por toda a parte de todas as partes do Mundo. Este português encontra-se, desde 1578, divorciado de todos os governos e abandonado por todos. Existe porque existe, e é por isso que a nação existe também.

Outro √© o portugu√™s que o n√£o √©. Come√ßou com a invas√£o mental estrangeira, que data, com verdade poss√≠vel, do tempo do Marqu√™s de Pombal. Esta invas√£o agravou-se com o Constitucionalismo, e tornou-se completa com a Rep√ļblica. Este portugu√™s (que √© o que forma grande parte das classes m√©dias superiores, certa parte do povo, e quase toda a gente das classes dirigentes) √© o que governa o pa√≠s. Est√° completamente divorciado do pa√≠s que governa. √Č, por sua vontade, parisiense e moderno. Contra sua vontade, √© est√ļpido.

Há um terceiro português, que começou a existir quando Portugal, por alturas de El-Rei D. Dinis, começou, de Nação, a esboçar-se Império. Esse português fez as Descobertas,

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Amo-te, Portugal

Portugal,

Estou há que séculos para te escrever. A primeira vez que dei por ti foi quando dei pela tua falta. Tinha 19 anos e estava na Inglaterra. De repente, deixei de me sentir um homem do mundo e percebi, com tristeza, que era apenas mais um dos teus desesperados pretendentes.

Apaixonaste-me sem que eu desse por isso. Deve ter sido durante os meus primeiros 18 anos de vida, quando estava em Portugal e só queria sair de ti. Insinuaste-te. Não fui eu que te escolhi. Quando descobri que te amava, já era tarde de mais.

Eu n√£o queria ficar preso a ti; queria correr mundo. Passei a querer correr para ti – e foi para ti que corri, mal pude.

Teria preferido chegar √† conclus√£o que te amava por uma lenta acumula√ß√£o de raz√Ķes, emo√ß√Ķes e vantagens. Mas foi ao contr√°rio. Apaixonei-me de um dia para o outro, sem qualquer esp√©cie de aviso, e desde esse dia, que rem√©dio, l√° fui acumulando, lentamente, as raz√Ķes por que te amo, retirando-as uma a uma dentre todas as outras raz√Ķes, para n√£o te amar, ou n√£o querer saber de ti.

Custou-me justificar o meu amor por ti.

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Sábio é o que se Contenta com o Espetáculo do Mundo

Sábio é o que se contenta com o espetáculo do mundo,
E ao beber nem recorda
Que j√° bebeu na vida,
Para quem tudo é novo
E imarcescível sempre.

Coroem-no p√Ęmpanos, ou heras, ou rosas vol√ļteis,
Ele sabe que a vida
Passa por ele e tanto
Corta à flor como a ele
De √Ātropos a tesoura.

Mas ele sabe fazer que a cor do vinho esconda isto,
Que o seu sabor orgíaco
Apague o gosto às horas,
Como a uma voz chorando
O passar das bacantes.

E ele espera, contente quase e bebedor tranquilo,
E apenas desejando
Num desejo mal tido
Que a abomin√°vel onda
O n√£o molhe t√£o cedo.

Ri sempre de maneira que alguém fique, sem saberes, a chorar dentro de ti. Porque se o riso permanece, o que encontra dentro de ti é o idiota que lá estava à sua espera.

Por Decoro

Quando me esperas, palpitando amores,
E os grossos l√°bios √ļmidos me estendes,
E do teu corpo c√°lido desprendes
Desconhecido olor de estranhas flores;

Quando, toda suspiros e fervores,
Nesta pris√£o de m√ļsculos te prendes,
E aos meus beijos de s√°tiro te rendes,
Furtando as rosas as p√ļrpureas cores;

Os olhos teus, inexpressivamente,
Entrefechados, l√Ęnguidos, tranquilos,
Olham, meu doce amor, de tal maneira,

Que, se olhassem assim, publicamente,
Deveria, perdoa-me, cobri-los
Uma discreta folha de parreira.

Sempre me restar√° amar. Escrever √© alguma coisa extremamente forte mas que pode me trair e me abandonar: posso um dia sentir que j√° escrevi o que √© o meu lote neste mundo e que eu devo aprender tamb√©m a parar. Em escrever eu n√£o tenho nenhuma garantia. Ao passo que amar eu posso at√© √† hora de morrer. Amar n√£o acaba. √Č como se o mundo estivesse √† minha espera. E eu vou ao encontro do que me espera.

Creio que Deus n√£o √© um mero fato independente de todos os tempos, mas que ele espera por ora√ß√£o sinceras e a√ß√Ķes respons√°veis e as responde.

Amor é Teu Olhar que Sobe

Amor é teu olhar que sobe

e desce torna a subir ao ramo
desce ao poço detém-se

na água porque a sede avança

e torna a subir em carícia
pelo braço compraz-se

em resvalar pelo declive

do corpo em balanço
como o movimento de um

pêndulo e assim nunca

sabes se o caminho
para ele é ascensão

ou simplesmente espera

sobre um trilho de pedras
mais do que uma ideia

sentimento porque

o subir e o descer crescem
na viagem indiferentes

ao amor até que a ames

como se nunca a tivesses
conhecido somente

fora de teu alcance.

Cantares Bacantes (I)

O mar lava a concha cava
e cava concha lava o mar
como a língua limpa lava
tua concha antes de amar.

Del√≠rio da estrela d’alva
mistério da preamar
vinda e volta abrindo a aldrava
da concha do paladar.

Oh minhas parcas de mel!
Eu me afogo em mar vinho
à espera de algum batel.

Sou cantador de cordel:
estórias sabor marinho
bacantes da moscatel.

Poema da Hora Escoada

Minhas m√£os
Рduas chamas débeis de vela
unidas no mesmo destino.

Minhas m√£os
derretidas em cera
que vai escorrendo,
gota a gota,
ao longo do corpo hirto
da vela moribunda.
Que vai escorrendo,
lenta,
na calmaria falsa e densa
da luz delida e mortu√°ria do meu quarto.

E o livro de Anatomia,
grave e in√ļtil,
aberto em frente.

E todo o mundo,
que me espera
e desespera,
nas p√°ginas in√ļteis e graves
do livro de Anatomia.

E as horas
morrendo, morrendo,
como uma vela que se vai derretendo
no quarto frio de um morto.

Ai! minhas m√£os, minhas m√£os
Рduas chamas débeis de vela
unidas no mesmo destino!

– Que horas ser√£o?

A vida
é uma vela de corpo hirto
que se vai derretendo, derretendo,
na calmaria falsa e densa
de um quarto de morto.

Segunda Impaciência Do Poeta

Cresce o desejo, falta o sofrimento,
Sofrendo morro, morro desejando,
Por uma, e outra parte estou penando
Sem poder dar alívio a meu tormento.

Se quero declarar meu pensamento,
Est√°-me um gesto grave acobardando,
E tenho por melhor morrer calando,
Que fiar-me de um néscio atrevimento.

Quem pretende alcançar, espera, e cala,
Porque quem temerário se abalança,
Muitas vezes o amor o desiguala.

Pois se aquele, que espera se alcança,
Quero ter por melhor morrer sem fala,
Que falando, perder toda esperança.