Passagens de Franz Kafka

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A eterna juventude é impossível; mesmo que não houvesse outro obstáculo, a introspecção torná-la-ia impossível.

De um certo ponto adiante não há mais retorno. Esse é o ponto que deve ser alcançado.

N√£o h√° necessidade de sair da sala. √Č suficiente sentar-se √† mesa e escutar. Nem sequer √© necess√°rio escutar, √© s√≥ esperar. Nem sequer √© preciso esperar, √© s√≥ aprender a ficar em sil√™ncio. O mundo se oferecer√° a voc√™ livremente para ser descoberto.

A Exist√™ncia Baseada Em Justifica√ß√Ķes

Ningu√©m aqui gera mais do que a sua possibilidade espiritual de viver; pouco importa que d√™ a apar√™ncia de trabalhar para se alimentar, para se vestir, etc.; com cada bocada vis√≠vel uma invis√≠vel lhe √© estendida, com cada vestimenta vis√≠vel uma invis√≠vel vestimenta. Est√° nisso a justifica√ß√£o de cada homem. Parece fundamentar a sua exist√™ncia com justifica√ß√Ķes ulteriores, mas essa √© apenas a imagem invertida que oferece o espelho da psicologia, de facto erege a sua vida sobre as suas justifica√ß√Ķes. √Č verdade que cada homem deve poder justificar a sua vida (ou a sua morte, o que vem dar no mesmo), n√£o pode furtar-se a essa tarefa.

O caminho verdadeiro passa por uma corda que não está estendida no alto, mas sim sobre o chão. Parece disposta mais para fazer tropeçar do que para que cada um siga o seu rumo.

Quem quer que n√£o consiga dar-se bem com a sua pr√≥pria vida, enquanto vive, precisa de uma m√£o para afastar um pouco o desespero sobre o seu destinho ‚Äď n√£o consegue muito -, mas com a outra m√£o ele pode anotar o que v√™ entre as ru√≠nas, porque v√™ coisas diferentes (e mais coisas) do que v√™em os outros; afinal, morto como est√° durante a sua pr√≥pria vida, ele √© o verdadeiro sobrevivente. Isto faz que ele n√£o precise das duas m√£os, ou de mais m√£os do que as que tem, na sua luta contra o desespero.

Pode haver um conhecimento do que é diabólico, mas nenhuma fé nele, pois, mais diabólico do que está aí presente, não existe.

Leopardos irrompem no templo e bebem até ao fim os jarros de sacrifício; isso repete-se sempre, sem interrupção; finalmente, pode-se contar de antemão com esse acto e ele transforma-se numa parte da cerimónia.

A unidade da humanidade, de quando em quando posta em d√ļvida, mesmo se apenas emocionalmente, por toda a gente, at√© pelas pessoas mais f√°ceis e adaptadas, por outro lado tamb√©m se revela a toda a gente, ou parece revelar-se, na harmonia total que se pode sempre descobrir entre o desenvolvimento do conjunto da humanidade e o do indiv√≠duo, at√© nos sentimentos mais secretos do indiv√≠duo.

O negativo, com toda a probabilidade muito fortalecido pela ¬ęluta¬Ľ, torna iminente uma decis√£o entre loucura e seguran√ßa.

A Nossa Verdade

A verdade é aquilo que todo o homem precisa para viver e que ele não pode obter nem adquirir de ninguém. Todo o homem deve extraí-la sempre nova do seu próprio íntimo, caso contrário ele arruina-se. Viver sem verdade é impossível. A verdade é talvez a própria vida.

S√≥ em tais extremos √© que nos apercebemos de como toda a gente est√° perdida em si pr√≥pria para l√° da esperan√ßa da salva√ß√£o, e a √ļnica consola√ß√£o √© ver outras pessoas e a lei que as governa a elas e a tudo.

Amargo, amargo, esta é a palavra mais importante. Como tenciono eu soldar fragmentos uns aos outros numa história que tudo arrasta consigo?

Desespero total; impossível dominar-me; só quando eu me satisfizer completamente com o meu sofrimento é que posso parar.

A imagem do descontentamento que uma rua exprime, na qual toda a gente está a levantar um pé, numa tentativa para se escapar do lugar em que se encontra.

O pecado sempre chega abertamente e pode ser captado logo pelos sentidos. Ele vai às raízes destes e não precisa de ser arrancado.