Cita√ß√Ķes sobre Precis√£o

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Frases sobre precis√£o, poemas sobre precis√£o e outras cita√ß√Ķes sobre precis√£o para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Alma que Foste Minha

Alma que foste minha,
desprendida de meu corpo e de meu espírito,
leque de palma sem raízes, sem tormentas,
que género esta noite te distingue,
que metro te organiza, por que dogmas,
que signos te orientam ‚ÄĒ rumo a qu√™?

‚ÄĒ Mestre, qual √© o sexo das almas?

Desmarcada e sem cordas
alma que foste minha
sem cravos e sem espinhos
que trigo milenar te mata a fome
divina
que pir√Ęmide encerra tua ess√™ncia
nudíssima
que corpo te defende de ti mesma
do espaço
que idade, quantas eras, contra o tempo
alma an√°rquica
desmarcada e sem cravos
sem precis√£o de estar
ou de ficar
‚ÄĒ Que te vale Biz√Ęncio?
ou de mudar
ou de fazer, ou de ostentar
‚ÄĒ Que te vale este verso?
apoética, absurda
como chamar-te alma, de quê, quando,
para quê, alma de morto, para onde?

Uma Filosofia Toda

As bolas de sabão que esta criança
Se entretém a largar de uma palhinha
S√£o translucidamente uma filosofia toda.
Claras, in√ļteis e passageiras como a Natureza,
Amigas dos olhos como as cousas,
S√£o aquilo que s√£o
Com uma precisão redondinha e aérea,
E ninguém, nem mesmo a criança que as deixa,
Pretende que elas s√£o mais do que parecem ser.
Algumas mal se v√™em no ar l√ļcido.
S√£o como a brisa que passa e mal toca nas flores
E que só sabemos que passa
Porque qualquer cousa se aligeira em nós
E aceita tudo mais nitidamente.

A Busca da Verdade

A verdade é um ideal tipicamente jovem, o amor, por seu turno, um ideal das pessoas maduras e daqueles que se esforçam por estar preparados para enfrentar a diminuição das energias e a morte. As pessoas que pensam só deixam de ambicionar a verdade quando se dão conta que o ser humano está extraordinariamente mal dotado pela natureza para o reconhecimento da verdade objectiva, pelo que a busca da verdade não poderá ser a actividade humana por excelência.
Mas tamb√©m aqueles que jamais chegam a tais conclus√Ķes fazem, no decurso das suas experi√™ncias inconscientes, um percurso semelhante. Ter consigo a verdade, a raz√£o e o conhecimento, conseguir distinguir com precis√£o entre o Bem e o Mal, e, em consequ√™ncia disso, poder julgar, punir e sentenciar, poder fazer e declarar a guerra – tudo isto √© pr√≥prio dos jovens e √© √† juventude que assenta bem. Se, por√©m, quando envelhecemos, continuamos a ater-nos a estes ideais, fenece a j√° se si pouco vigorosa capacidade de ¬ędespertar¬Ľ que possu√≠mos, a capacidade de reconhecer instintivamente a verdade sobre-humana.

Seu amor não me toca nem comove, sua precisão de mim não passa de fome e você me devoraria como eu devoraria você. Ah, se ousássemos.

Os Professores

O mundo não nasceu connosco. Essa ligeira ilusão é mais um sinal da imperfeição que nos cobre os sentidos. Chegámos num dia que não recordamos, mas que celebramos anualmente; depois, pouco a pouco, a neblina foi-se desfazendo nos objectos até que, por fim, conseguimos reconhecer-nos ao espelho. Nessa idade, não sabíamos o suficiente para percebermos que não sabíamos nada. Foi então que chegaram os professores. Traziam todo o conhecimento do mundo que nos antecedeu. Lançaram-se na tarefa de nos actualizar com o presente da nossa espécie e da nossa civilização. Essa tarefa, sabemo-lo hoje, é infinita.

O material que √© trabalhado pelos professores n√£o pode ser quantificado. N√£o h√° n√ļmeros ou casas decimais com suficiente precis√£o para medi-lo. A falta de quantifica√ß√£o n√£o √© culpa dos assuntos inquantific√°veis, √© culpa do nosso desejo de quantificar tudo. Os professores n√£o vendem o material que trabalham, oferecem-no. N√≥s, com o tempo, com os anos, com a dist√Ęncia entre n√≥s e n√≥s, somos levados a acreditar que aquilo que os professores nos deram nos pertenceu desde sempre. Mais do que acharmos que esse material √© nosso, achamos que n√≥s pr√≥prios somos esse material. Por ironia ou capricho, √© nesse momento que o trabalho dos professores se efectiva.

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Soneto, às Cinco Horas da Tarde

Agora que me instigo e me arremesso
ao branco ofício de prender meu sono
e depois atir√°-lo em seu vestido
feito de céu e restos de incerteza,

recolho inutilmente de seus l√°bios
a precisão do sangue do silêncio
e inauguro uma tarde em suas m√£os
gr√°vidas de gestos e de rumos.

Pelo temor e o débil sobressalto
de encontrar sua ausência numa esquina
quando extingui canção e permanência,

guardei todo o impossível de seus olhos,
embora ouvisse, longe, além dos mapas,
bruscos mastins de cedro em seus cabelos.

A √Ārea

Tudo o que houve, permanece, proeza do corpo
como um sulco bárbaro da memória dos dias,
ritos, remorsos, sementes futuras, a mudez.
Tudo aconteceu nas l√°grimas e nas veias,

na precisão das luzes, no lugar móvel da ordem,
no gelo e no lume que entre as coisas navegam,
na palavra deflagrada, na paz das p√°ginas.
Para onde vai o que não se move, o que é

dogma de cal, madeira, pedra ou ferro?
Como chamar à alma, à linguagem, às cores
que de amor pela morte morrem caladas,

na √°rea eterna da casa, a que permanece
na velhice dos anos e dos ossos consumada,
como uma gota do tempo para além dos séculos?

Se o Queres Partilhar Fica Comigo

O dia estava pronto
mas secreto
embora a claridade o denunciasse
uma den√ļncia t√≠mida pendente
de uma neutralidade pensativa
os efl√ļvios ligeiros se cruzavam
tentando revelar a flor de outubro
a sedent√°ria sombra aniquilada
tremia e a lembrança dos teus olhos
se desenhava em soma de silêncio
sobre teu rosto de medalha antiga
eu vinha de cuidados iminentes
buscando te integrar numa elegia
uma elegia simples posta à margem
da solid√£o met√°lica da vida
queria a precisão poligeométrica
antecipando o ritmo em teus passos
queria te alcançar antes que a luz
pudesse deflagrar as evidências
sabendo que a evidência era mentira
e te queria plena nos meus braços
sentia esse cuidado que os enfermos
escondem na carência de seus gestos
escondem? n√£o sei bem talvez excluam
por um acto de amor irremedi√°vel
eu sou dos que vasados se acumulam
para reconquistar sem se perder
mas aqui ninguém pára
o fruto é suave
se o queres partilhar fica comigo

Um Calculador de Improbabilidades

O poeta é
um calculador de improbabilidades limita
a informação quantitativa fornecendo
reforçada informação estésica.
√Č uma m√°quina eta-er√≥tica em que as discrep√Ęncias
s√£o a fulgur√Ęncia da m√°quina.
A crueldade elegante da m√°quina resulta da
competição pirotécnica da circulação íntima
e fulgurante do seu maquinismo erótico.
A psicologia do maquinal sabe que basta
que se crie um pólo positivo para que o pólo
negativo surja
ou vice-versa
e as evolu√ß√Ķes telecin√©ticas pela for√ßa
das cat√°strofes desenvolvem suas faculdades
latentes ou absorvem-nas como a esponja absorve
as √°guas vari√°veis dos humores
que transforma em polaridade.
O maquinal eta-erótico está em astrogação
curso hipnótico dos polímeros.
Digo com precisão fenomenológica: o maquinal
circula em sua hiperesfera da maneira mais
excêntrica.
Digo e garanto:
o maquinal absolutamente absorve suas √°guas
variáveis e isso é o seu amplexo.
O maquinal eta-erótico é tu-eu.
O maquinal tu-eu
cuja tarefa árdua não é
definir a verdade est√° no meio da profus√£o
dos objectos
e considera o consumo a verdade deslocada
deslocação de grande tonelagem
laboriosa alfaiataria de eros
constante moribunda
e esse opróbrio dispersivo e vexável
indifere a vida esponjosa.

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Há no Pensador uma Tragédia Limitada

há no pensador uma tragédia limitada
o diabo atira pelas frestas para acertar
na verdade na m√£e opressora no pai incalcul√°vel
se alguma qualidade pode ser preferida
se os sentidos do filho excluírem a perda
na medida exata dos ancestrais
e reter a morte com outra igual haver√° muita
precis√£o embora tal habilidade n√£o restrinja
a estupidez no vazio e bastar√° uma brasa para
incendiar o mundo e sei que a miséria
aspirar√° o ar bem fundo pra estourar a raz√£o

Quando se quer agitar a multidão não devemos ser os nossos próprios comediantes? Não devemos necessariamente transportarmo-nos em primeiro lugar a nós mesmos para o plano de uma precisão grotesca para nos darmos e a nossa causa e toda a nossa personagem sob essa forma simplificada e aumentada?

A Génese de um Poema

A maior parte dos escritores, sobretudo os poetas, preferem deixar supor que comp√Ķem numa esp√©cie de espl√™ndido frenesim, de ext√°tica intui√ß√£o; literalmente, gelar-se-iam de terror √† ideia de permitir ao p√ļblico que desse uma espreitadela por detr√°s da cena para ver os laboriosos e incertos partos do pensamento, os verdadeiros planos compreendidos s√≥ no √ļltimo minuto, os in√ļmeros balbucios de ideias que n√£o alcan√ßaram a maturidade da plena luz, as imagina√ß√Ķes plenamente amadurecidas e, no entanto, rejeitadas pelo desespero de as levar a cabo, as op√ß√Ķes e as rejei√ß√Ķes longamente ponderadas, as t√£o dif√≠ceis emendas e acrescentas, numa palavra, as rodas e as empenas, as m√°quinas para mudan√ßa de cen√°rio, as escadas e os al√ßap√Ķes, o vermelh√£o e os posti√ßos que em 99% dos casos constituem os acess√≥rios do histri√£o liter√°rio.
(…) No que a mim diz respeito, n√£o compartilho da repugn√Ęncia de que falei e nunca senti a m√≠nima dificuldade em rememorar a marcha progressiva de todas as minhas obras. Escolho O Corvo por ser a mais conhecida. Proponho-me demonstrar claramente que nenhum pormenor da sua composi√ß√£o se pode explicar pelo acaso ou pela intui√ß√£o, que a obra se desenvolveu, a par e passo, at√© √† sua conclus√£o com a precis√£o e o rigor l√≥gico de um problema matem√°tico.

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Um homem que l√™ muito nunca cita com precis√£o […] A cita√ß√£o errada √© o orgulho e o privil√©gio da pessoa culta.

O Que é Escrever?

Escrever √© isto: comover para desconvocar a ang√ļstia e aligeirar o medo, que √© sempre experimentado nos povos como uma infus√£o de laborat√≥rio, cada vez mais sofisticada. Eu penso que o escritor com maior sucesso (n√£o de livraria, mas de indigna√ß√£o social profunda) √© aquele que protege os homens do medo: por aud√°cia, del√≠rio, fantasia, piedade ou desfigura√ß√£o. Mas porque a po√©tica precis√£o de dum acto humano n√£o corresponde totalmente √† sua evid√™ncia. Ama-se a palavra, usa-se a escrita, despertam-se as coisas do sil√™ncio em que foram criadas. Depois de tudo, escrever √© um pouco corrigir a fortuna, que √© cega, com um j√ļbilo da Natureza, que √© precavida.

Todos s√£o muito am√°veis com A., como quando se procura proteger cuidadosamente uma excelente mesa de bilhar, mesmo de bons jogadores ‚Äď pelo menos at√© ao momento em que chega o grande jogador, que examina com precis√£o a superf√≠cie, n√£o tolera nenhum erro precipitado, mas depois, quando ele pr√≥prio come√ßa a jogar, tem o mais brutal acesso de f√ļria.

Na Véspera de não Partir Nunca

Na véspera de não partir nunca
Ao menos n√£o h√° que arrumar malas
Nem que fazer planos em papel,
Com acompanhamento involunt√°rio de esquecimentos,
Para o partir ainda livre do dia seguinte.
N√£o h√° que fazer nada
Na véspera de não partir nunca.
Grande sossego de j√° n√£o haver sequer de que ter sossego!
Grande tranq√ľilidade a que nem sabe encolher ombros
Por isto tudo, ter pensado o tudo
√Č o ter chegado deliberadamente a nada.
Grande alegria de n√£o ter precis√£o de ser alegre,
Como uma oportunidade virada do avesso.
H√° quantas vezes vivo
A vida vegetativa do pensamento!
Todos os dias sine linea
Sossego, sim, sossego…
Grande tranq√ľilidade…
Que repouso, depois de tantas viagens, físicas e psíquicas!
Que prazer olhar para as malas fítando como para nada!
Dormita, alma, dormita!
Aproveita, dormita!
Dormita!
√Č pouco o tempo que tens! Dormita!
√Č a v√©spera de n√£o partir nunca!

O Medo como Orientador da Nossa Vida

Uma vez que estamos s√≥s no mundo, ou pelo menos n√£o t√£o s√≥s como gostar√≠amos de estar, temos o dever de dominar as nossas explos√Ķes, de fazer com que as explos√Ķes inevit√°veis da nossa maldade ou da nossa bondade paradoxais v√£o aproximativamente no sentido do fim aproximativo. Quanto ao fim, talvez n√£o seja l√° muito importante determin√°-lo com a precis√£o s√°dica que encontramos no sistema do mundo e no destino quando ambos se associam para determinar a posi√ß√£o do homem no espa√ßo e no tempo.
Devemos evidentemente batermo-nos contra os dois, e como o mais importante √© manter a direc√ß√£o justa do fim talvez errado, √©-nos necess√°rio agu√ßar a nossa lucidez a fim de a tornarmos cortante como uma l√Ęmina, acerada como uma seta, percuciente como uma pun√ß√£o. √Č gra√ßas a essa lucidez que funciona a nossa consci√™ncia, que n√£o passa afinal de uma transcri√ß√£o id√≠lica do nosso medo, porque o medo lembra-nos infatigavelmente a direc√ß√£o justa, e se sufocarmos o nosso medo, perderemos a possibilidade de nos orientarmos numa direc√ß√£o determinada e daremos aqui e ali lugar a uma s√©rie de est√ļpidas explos√Ķes privadas, causando os piores estragos para um m√≠nimo de resultados. √Č por isso que devemos conservar dentro de n√≥s o nosso medo como um porto sempre livre de gelos que nos ajude a passar o Inverno,

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