Textos sobre Perigo

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Textos de perigo escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

Verosimilhança não é Verdade

Quase sempre as suspeitas nos inquietam; somos sempre o joguete desses boatos de opini√£o, que tantas vezes p√Ķe em fuga um ex√©rcito, quanto mais um simples indiv√≠duo. (…) n√≥s rendemo-nos prontamente √† opini√£o. N√£o fazemos a cr√≠tica das raz√Ķes que nos levam ao temor, n√£o as esquadrinhamos. Perdemos todo o sangue-frio, batemos em retirada, como os soldados expulsos do seu campo √† vista da nuvem de poeira que levanta uma tropa a galope, ou tomados de terror colectivo por causa de um boato semeado sem garante.
Não sei como, mas as falsidades perturbam-nos desde logo. A verdade traz consigo a sua própria medida; tudo quanto se funda sobre uma incerteza, porém, fica entregue à conjectura e às fantasias de um espírito perturbado.
Eis porque, entre as mais diversas formas do medo, n√£o h√° outra mais desastrosa, mais incoerc√≠vel que o medo p√Ęnico. Nos casos ordin√°rios, a reflex√£o √© falha; nestes, a intelig√™ncia est√° ausente.
Interroguemos, pois, cuidadosamente a realidade. √Č veros√≠mil que uma desgra√ßa venha a produzir-se? Verosimilhan√ßa n√£o √© verdade. Quantos acontecimentos ocorreram sem que os esper√°ssemos! Quantos acontecimentos esperados que jamais ocorreram! Mesmo que venham a produzir-se, que √© que lucraremos em nos anteciparmos √† nossa dor?

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Se Pudesses Estar Comigo Vinte e Quatro horas do Dia

Se pudesses estar comigo durante as vinte e quatro horas do dia, observar cada gesto meu, dormir comigo, comer comigo, trabalhar comigo, tudo isto n√£o poderia ter lugar. Quando me vejo afastado de ti, penso em ti constantemente e isso d√° cor a tudo o que eu diga ou fa√ßa. Se soubesses o qu√£o fiel te sou! N√£o apenas fisicamente, mas mentalmente, moralmente, espiritualmente. Aqui n√£o h√° qualquer tenta√ß√£o para mim, absolutamente nenhuma. Estou imune a Nova Iorque, aos meus velhos amigos, ao passado, a tudo. Pela primeira vez na minha vida, estou completamente centrado em outro ser… Em ti. Sinto-me capaz de dar tudo, sem ter medo de ficar exaurido ou de me ver perdido. Quando ontem escrevi no meu artigo que ¬ęse eu nunca tivesse ido para a Europa…¬Ľ, n√£o era a Europa que tinha em mente, mas sim tu.

Mas n√£o posso dizer isso ao mundo num artigo. Tu √©s a Europa. Pegaste em mim, um homem despeda√ßado, e tornaste-me completo. E n√£o hei-de desintegrar-me ‚ÄĒ n√£o existe o menor perigo disso. Mas agora vejo-me mais sens√≠vel, mais receptivo a qualquer sinal de perigo. Se te persigo loucamente, se te imploro para ouvires, se fico √† tua porta e espero por ti,

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Tremo por Ti que √Čs o Meu √önico Amigo

António,

Tenho imensas coisas que te dizer e n√£o sei o que hei-de dizer, t√£o arreliada estou e t√£o sem cabe√ßa para pensar a coisa mais insignificante deste mundo. Que linda noite, tu vais passar, Amigo querido! E eu? A pensar que a maldade e a estupidez desta vida que no nosso desgra√ßado pa√≠s √© um horror, me pode fazer o mal maior que a algu√©m se pode fazer. Tenho medo, tenho medo, meu amor. Este desassossego cont√≠nuo p√Ķe-me doente e faz-me doida.

Então eu hei-de passar a minha triste vida a tremer por ti? Eu tenho pouca sorte, e quando enfim encontro no meu caminho alguém que gosta de mim, por mim, como se deve gostar, que pensa na minha felicidade, no meu sossego, alguém que se digna ver que eu tenho alma a sentir, quando encontro enfim no mundo o que julgara não encontrar nunca, hei-de andar como o avarento a tremer pelo tesoiro que levou anos, uma vida inteira a conquistar e que lhe podem roubar num momento. Eu tenho pouca sorte! Que Deus tenha piedade de mim.

Quereria dizer-te muitas coisas mas nem sei o que; só tenho vontade de chorar e de gritar desesperadamente,

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A Leitura √© a Mais Nobre das Distrac√ß√Ķes

Se o gosto pelos livros aumenta com a intelig√™ncia, os perigos, como vimos, diminuem com ela. Um esp√≠rito original sabe subordinar a leitura √† actividade pessoal. Ela √© para ele apenas a mais nobre das distra√ß√Ķes, sobretudo a mais enobrecedora, pois, s√≥ a leitura e o saber conferem ¬ęas boas maneiras¬Ľ do esp√≠rito. O poder da nossa sensibilidade e da nossa intelig√™ncia, s√≥ o podemos desenvolver dentro de n√≥s pr√≥prios, nas profundezas da nossa vida espiritual. Mas √© nesse contacto com os outros esp√≠ritos que a leitura √©, que se faz a educa√ß√£o das “maneiras” do esp√≠rito. Os letrados permanecem, apesar de tudo, como as pessoas not√°veis da intelig√™ncia, e ignorar um determinado livro, uma determinada particularidade da ci√™ncia liter√°ria, ser√° sempre, mesmo num homem de g√©nio, uma marca de grosseria intelectual. A distin√ß√£o e a nobreza consistem na ordem do pensamento tamb√©m, numa esp√©cie de franco-ma√ßonaria de costumes, e numa heran√ßa de tradi√ß√Ķes.

A Segunda Juventude

Nos anos da juventude venera-se ou despreza-se ainda sem aquela arte da nuance que √© o melhor partido da vida e paga-se, com justi√ßa, muito caro o ter assaltado deste modo as coisas e as pessoas com sim e n√£o. Tudo se predisp√Ķe de modo que o pior de todos os gostos, o gosto do absoluto, seja cruelmente achicalhado e abusado, at√© que o homem aprenda a p√īr um pouco de arte nos seus sentimentos e prefira ousar fazer uma tentativa com o artificial: tal como o fazem os verdadeiros artistas da vida. A tend√™ncia para a c√≥lera e o instinto da venera√ß√£o, pr√≥prios da juventude, parecem n√£o descansar enquanto n√£o tiverem falseado homens e coisas para os poder dominar: – a juventude, j√° de si, √© algo que engana e falseia.

Mais tarde, quando a alma jovem, martirizada por mil desilus√Ķes, se volta por fim, desconfiada, contra si mesma, ardente e selvagem ainda, mesmo nas suas suspeitas e remorsos: como se encoleriza consigo mesmo, como se dilacera com impaci√™ncia, como se vinga da sua longa cegueira, como se ela tivesse sido volunt√°ria! Neste per√≠odo de transi√ß√£o autocastiga-se pela desconfian√ßa para com os seus pr√≥prios sentimentos; martiriza-se o entusiasmo pela d√ļvida;

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A Amizade Ideal

Nada √© mais agrad√°vel √† alma do que uma amizade terna e fiel. √Č bom encontrarmos cora√ß√Ķes atenciosos, aos quais podes confiar todos os teus segredos sem perigo, cujas consci√™ncias receias menos do que a tua, cujas palavras suavizam as tuas inquieta√ß√Ķes, cujos conselhos facilitam as tuas decis√Ķes, cuja alegria dissipa a tua tristeza, cuja simples apari√ß√£o te deixa radiante! Tanto quanto for poss√≠vel, devemos escolher aqueles que est√£o livres de afec√ß√Ķes: de facto, os v√≠cios rastejam, passam de pessoa para pessoa com a proximidade e qualquer contacto com eles pode ser prejudicial.
Tal como numa epidemia, devemos ter o cuidado de não nos aproximarmos das pessoas afectadas, porque correremos perigo só de respirarmos perto delas, também, em relação aos amigos, devemos ter o cuidado de escolher aqueles que estão menos corrompidos: a doença começa quando se misturam os homens saudáveis com os doentes. Não estou, com isto, a exigir-te que procures e sigas apenas o sábio: de facto, onde encontrarás um homem destes, que procuro há tanto tempo? Procura o menos mau, antes de procurares o óptimo.
(…) Evitemos, sobretudo, os temperamentos tristes, que se lamentam de tudo e n√£o deixam escapar uma √ļnica ocasi√£o de se queixarem.

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A Boa Consciência, e a Vantagem na Limitação

Reflectir ponderadamente sobre alguma coisa antes de realiz√°-la; por√©m, uma vez realizada, e sendo previs√≠veis os seus resultados, n√£o se angustiar com reflex√Ķes cont√≠nuas a respeito dos seus poss√≠veis perigos. Em vez disso, libertar-se completamente do assunto, manter fechada a gaveta que o cont√©m, tranquilizando-se com a certeza de que tudo foi devidamente analisado a seu tempo. Se, ainda assim, o resultado √© negativo, √© porque todas as coisas est√£o submetidas ao acaso e ao equ√≠voco.

Limitar o próprio campo de acção; dessa maneira, cerceia-se a infelicidade; a limitação proporciona a felicidade etc.

A Falta de Cultura √Čtica da Nossa Civiliza√ß√£o

Creio que o exagero da atitude puramente intelectual, orientando, muitas vezes, a nossa educa√ß√£o, em ordem exclusiva ao real e √† pr√°tica, contribuiu para p√īr em perigo os valores √©ticos. N√£o penso propriamente nos perigos que o progresso t√©cnico trouxe directamente aos homens, mas antes no excesso e confus√£o de considera√ß√Ķes humanas rec√≠procas, assentes num pensamento essencialmente orientado pelos interesses pr√°ticos que vem embotando as rela√ß√Ķes humanas.
O aperfei√ßoamento moral e est√©tico √© um objectivo a que a arte, mais do que a ci√™ncia, deve dedicar os seus esfor√ßos. √Č certo que a compreens√£o do pr√≥ximo √© de grande import√Ęncia. Essa compreens√£o, por√©m, s√≥ pode ser fecunda quando acompanhada do sentimento de que √© preciso saber compartilhar a alegria e a dor. Cultivar estes importantes motores de ac√ß√£o √© o que compete √† religi√£o, depois de libertada da supersti√ß√£o. Nesse sentido, a religi√£o toma um papel importante na educa√ß√£o, papel este que s√≥ em casos raros e pouco sistematicamente se tem tomado em considera√ß√£o.
O terr√≠vel problema magno da situa√ß√£o pol√≠tica mundial √© devido em grande parte √†quela falta da nossa civiliza√ß√£o. Sem ¬ęcultura √©tica¬Ľ , n√£o h√° salva√ß√£o para os homens.

A Convicção é Sempre Cega

O intelecto humano, quando assente numa convic√ß√£o (ou por j√° bem aceite e acreditada porque o agrada), tudo arrasta para seu apoio e acordo. E ainda que em maior n√ļmero, n√£o observa a for√ßa das inst√Ęncias contr√°rias, despreza-as, ou, recorrendo a distin√ß√Ķes, p√Ķe-nas de parte e rejeita, n√£o sem grande e pernicioso preju√≠zo. Gra√ßas a isso, a autoridade daquelas primeiras afirma√ß√Ķes permanece inviolada. E bem se houve aquele que, ante um quadro pendurado no templo, como ex-voto dos que se salvaram dos perigos de um naufr√°gio, instado a dizer se ainda se recusava a a√≠ reconhecer a provid√™ncia dos deuses, indagou por sua vez:¬ęE onde est√£o pintados aqueles que, a despeito do seu voto, pereceram?¬Ľ Essa √© a base de praticamente toda a supersti√ß√£o, trate-se de astrologia, interpreta√ß√£o de sonhos, aug√ļrios e que tais: encantados, os homens, com tal sorte de quimeras, marcam os eventos em que a predi√ß√£o se cumpre; quando falha – o que √© bem mais frequente – negligenciam-nos e passam adiante.
Esse mal insinua-se de maneira muito mais subtil na filosofia e nas ciências. Nestas, o de início aceite tudo impregna e reduz o que se segue, até quando parece mais firme e aceitável. Mais ainda: mesmo não estando presentes essa complacência e falta de fundamento a que nos referimos,

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O Perigo nas Rela√ß√Ķes Humanas

Nas rela√ß√Ķes humanas o perigo √© coisa de todos os dias. Deves precaver-te bem contra este perigo, deves estar sempre de olhos bem abertos: n√£o h√° nenhum outro t√£o frequente, t√£o constante, t√£o enganador! A tempestade amea√ßa antes de rebentar, os edif√≠cios estalam antes de cair por terra, o fumo anuncia o inc√™ndio pr√≥ximo: o mal causado pelo homem √© s√ļbito e disfar√ßa-se com tanto mais cuidado quanto mais pr√≥ximo est√°. Fazes mal em confiar na apar√™ncia das pessoas que se te dirigem: t√™m rosto humano, mas instintos de feras. S√≥ que nestas apenas o ataque directo √© perigoso; se nos passam adiante n√£o voltam atr√°s √† nossa procura. Ali√°s, somente a necessidade as instiga a fazer mal; a fome ou o medo √© que as for√ßam a lutar. O homem, esse, destr√≥i o seu semelhante por prazer. Tu, contudo, pensando embora nos perigos que te podem vir do homem, pensa tamb√©m nos teus deveres enquanto homem. Evita, por um lado, que te fa√ßam mal, evita, por outro, que fa√ßas tu mal a algu√©m. Alegra-te com a satisfa√ß√£o dos outros, comove-te com os seus dissabores, nunca te esque√ßas dos servi√ßos que deves prestar, nem dos perigos a evitar. Que ganhar√°s tu vivendo segundo esta norma?

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Medida e Moderação

A mocidade √© rom√Ęntica, sempre dominada pelo sentimento; a velhice √© cl√°ssica nos seus gostos, mais amiga da ordem e da restri√ß√£o que da paix√£o e da liberdade; a idade madura paira entre os dois extremos, e com a vontade disciplinada, o esp√≠rito claro e os desejos coordenados, pacientemente constr√≥i. A regra do conhecimento, disse Descartes, √© pensar com clareza; s√≥ o que √© claramente compreendido √© verdade; s√≥ assim os desejos se fundem no car√°cter e na vontade.
A grande qualidade dos anos maduros está na moderação; e o grande defeito, na mediocridade. Nada mais fácil do que fugir ao esforço para cair na rotina, passando da vida vertical para a horizontal. Este perigo ameaça a maior parte dos homens; a sesta durante a tarde é um símbolo e um começo. Mas moderação de nenhum modo implica mediocridade; pode significar força e profundidade de espírito. A acção resoluta combina-se com a moderação no desejar e no falar. O próprio Nietzsche, tão imoderado, dizia que poucos conhecem a força e a significação de duas coisas muito altas Рmedida e moderação.

A Busca da Glória

Com que pensamento nas suas mentes supor√≠amos que esta tropa de homens ilustres perdeu a vida pelo bem p√ļblico? Seria para que o seu nome ficasse restrito aos limites estreitos de sua vida? Ningu√©m jamais se teria exposto √† morte pelo seu pa√≠s sem uma boa esperan√ßa de alcan√ßar a imortalidade. Tem√≠stocles poderia ter levado uma vida tranquila (…) e eu poderia ter feito o mesmo. Mas acontece que, de algum modo, foi implantado na mente dos homens um pressentimento profundamente arraigado sobre as eras futuras, e tal sentimento torna-se mais forte e mais patente nos homens dotados de g√©nio e esp√≠rito mais elevado. Retire-se tal sentimento, e quem seria louco de passar a vida em constante perigo e labuta? At√© aqui falei de estadistas, mas e os poetas? N√£o possuem eles algum desejo de fama ap√≥s a morte? (…) Mas porqu√™ parar nos poetas? Os artistas anseiam tornar-se famosos ap√≥s a morte.

Atenção aos Detalhes do Comportamento dos Outros

Devemos ter muito cuidado para n√£o emitir uma opini√£o demasiado favor√°vel de um homem que acabamos de conhecer; pelo contr√°rio, na maioria das vezes, seremos desiludidos, para nossa pr√≥pria vergonha ou at√© para nosso dano. A esse respeito, uma senten√ßa de S√©neca merece ser mencionada: Podem-se obter provas da natureza de um car√°cter tamb√©m a partir de miudezas. Justamente nestas √© que o homem, quando n√£o se procura conter, √© que revela o seu car√°cter. Nas ac√ß√Ķes mais insignificantes, em simples maneiras, pode-se ami√ļde observar o seu ego√≠smo ilimitado, sem a menor considera√ß√£o para com os outros e que, em seguida, embora dissimulado, n√£o se desmente nas grandes coisas.
N√£o se deve perder semelhante oportunidade. Quando algu√©m procede sem considera√ß√£o nos pequenos acontecimentos e circunst√Ęncias da vida di√°ria, intentando obter vantagens ou comodidade, em preju√≠zo de outrem, nas coisas em que se aplica a m√°xima de a lei n√£o se ocupa com ninharias, ou ainda apropriando-se do que existe para todos, etc., podemos convencer-nos de que no cora√ß√£o de tal indiv√≠duo n√£o reside justi√ßa alguma; ele ser√° um patife tamb√©m nas grandes situa√ß√Ķes, caso as suas m√£os n√£o sejam atadas pela lei e pela autoridade. N√£o lhe permitamos, pois,

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A Intuição é mais Forte que a Razão

Devemos sempre dominar a nossa impress√£o perante o que √© presente e intuitivo. Tal impress√£o, comparada ao mero pensamento e ao mero conhecimento, √© incomparavelmente mais forte; n√£o devido √† sua mat√©ria e ao seu conte√ļdo, ami√ļde bastante limitados, mas √† sua forma, ou seja, √† sua clareza e ao seu imediatismo, que penetram na mente e perturbam a sua tranquilidade ou atrapalham os seus prop√≥sitos. Pois o que √© presente e intuitivo, enquanto facilmente apreens√≠vel pelo olhar, faz efeito sempre de um s√≥ golpe e com todo o seu vigor. Ao contr√°rio, pensamentos e raz√Ķes requerem tempo e tranquilidade para serem meditados parte por parte, logo, n√£o se pode t√™-los a todo o momento e integralmente diante de n√≥s. Em virtude disso, deve-se notar que a vis√£o de uma coisa agrad√°vel, √† qual renunciamos pela pondera√ß√£o, ainda nos atrai. Do mesmo modo, somos feridos por um ju√≠zo cuja inteira incompet√™ncia conhecemos; somos irritados por uma ofensa de car√°cter reconhecidamente desprez√≠vel; e, do mesmo modo, dez raz√Ķes contra a exist√™ncia de um perigo caem por terra perante a falsa apar√™ncia da sua presen√ßa real, e assim por diante. Em tudo se faz valer a irracionalidade origin√°ria do nosso ser.

Quanto maior o conhecimento com que somos distinguidos, tanto maior o perigo a que estamos expostos

Quanto maior o conhecimento com que somos distinguidos, tanto maior o perigo a que estamos expostos.

Os Doentes S√£o o Maior Perigo da Humanidade

Se t√£o normal √© o homem em estado morboso, tanto mais de devem estimar os raros exemplos de pot√™ncia f√≠sica e corpural, os acidentes felizes da esp√©cie humana, e tanto mais devem ser preservados do ar infecto os seres robustos. Faz-se assim ?…
Os doentes s√£o o maior perigo para os s√£os; daqueles v√™m todos os males. J√° se reparou suficientemente nisto?… Decerto se n√£o deve desejar que diminua a viol√™ncia entre os homens; porque esta viol√™ncia obriga os homens a serem fortes, e mant√©m na sua integridade o tipo do homem robusto. O tem√≠vel e desastroso √© o grande t√©dio do homem e a sua grande compaix√£o. Se algum dia estes elementos se unirem, dar√£o √° luz irremissivelmente a monstruosa ¬ę√ļltima¬Ľ vontade, a sua vontade do nada, o niilismo.
E efectivamente tudo est√° j√° preparado para este fim. Os que t√™m olhos, ouvidos, nariz, percebem por todos os lados a atmosfera de um manic√≥mio e de um hospital, em todas as partes do mundo civilizado, europeizado. Os doentes s√£o o maior perigo da humanidade; n√£o os maus, n√£o as ¬ęferas de rapina¬Ľ. Os desgra√ßados, os vencidos, os impotentes, os fracos s√£o os que minam a vida e envenenam e destroem a nossa confian√ßa.

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O Futuro da Espécie Humana

N√£o sei se as popula√ß√Ķes est√£o a aumentar ou a diminuir. √Č claro que, com o aborto, com a p√≠lula, com as “camisas de V√©nus”, com a soma dessas coisas todas, a procria√ß√£o diminui, a velhice aumenta; a receita dos impostos diminui, porque h√° menos jovens no trabalho e h√° mais velhos a ser remunerados. √Č preciso que a popula√ß√£o aumente sempre e que n√£o se fa√ßa a desertifica√ß√£o da prov√≠ncia, como est√° a acontecer. Tiram escolas, hospitais e as pessoas desertificam essas cidades. Porque √© da prov√≠ncia, da cultura da terra, que n√≥s vivemos, e ela est√° desertificada.

[Mas eu referia-me mesmo à sobrevivência do planeta Terra. Acha que ele está em perigo?]

Está em perigo, claro. De tal modo que a gente pergunta: onde está a inteligência do homem? Há um progresso, é certo, mas esse progresso encaminha-se para a morte.

Não Somos Capazes de Distinguir o que é Bom e o que é Mau

Quantas vezes um pretenso desastre n√£o foi a causa inicial de uma grande felicidade! Quantas vezes, tamb√©m, uma conjuntura saudada com entusiasmo n√£o constituiu apenas um passo em direc√ß√£o ao abismo ‚ÄĒ elevando um pouco mais ainda algu√©m em posi√ß√£o eminente, como se em tal posi√ß√£o pudesse estar certo de cair dela sem risco! A pr√≥pria queda, ali√°s, n√£o tem em si mesma nada de mal se tomares em considera√ß√£o o limite para l√° do qual a natureza n√£o pode precipitar ningu√©m. Est√° bem perto de n√≥s o termo de tudo quanto h√°, est√° bem perto, garanto-te, o limite desta exist√™ncia donde o venturoso se julga expulso e o desgra√ßado liberto; n√≥s √© que, ou por esperan√ßas ou por receios desmesurados, a fazemos mais extensa do que realmente √©. Se agires com sabedoria, medir√°s tudo em fun√ß√£o da condi√ß√£o humana, e assim limitar√°s o espa√ßo tanto das alegrias como dos receios. Vale bem a pena privarmo-nos de duradouras alegrias a troco de n√£o sentirmos duradouros receios!
Por que motivo procuro eu restringir este mal que √© o medo? √Č que n√£o h√° raz√£o v√°lida para temeres o que quer que seja; n√≥s, isso sim, deixamo-nos abalar e atormentar apenas por v√£s apar√™ncias.

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Conselhos para o Ensino

Vou falar de quest√Ķes que, independentemente do espa√ßo e do tempo, sempre estiveram e sempre estar√£o relacionadas com a educa√ß√£o. Nesta tentativa n√£o posso dizer que sou uma autoridade, particularmente t√£o inteligente e bem-intencionado como os homens que ao longo do tempo trataram dos problemas da educa√ß√£o e que certamente exprimiram repetidas vezes os seus pontos de vista acerca destas mat√©rias. Com que base posso eu, um leigo no √Ęmbito da pedagogia, arranjar coragem para exprimir opini√Ķes sem qualquer fundamento, excepto a minha experi√™ncia pessoal e a minha convic√ß√£o pessoal? Quando se trata de uma mat√©ria cient√≠fica, √© f√°cil uma pessoa sentir-se tentada a ficar calada com base nestas considera√ß√Ķes.
Contudo, tratando-se de assuntos respeitantes ao ser humano, é diferente. Neste caso, o conhecimento apenas da verdade não é suficiente; pelo contrário, este conhecimento deve ser continuamente renovado à custa de um esforço contínuo, sob pena de se perder. Lembra uma estátua de mármore no deserto que está continuamente em perigo de ser enterrada pela areia em movimento. As mãos de serviço têm de estar continuamente a trabalhar para que o mármore continue indefinidamente a brilhar ao sol. A este grupo de mãos também pertencem as minhas.
A escola sempre foi o mais importante meio de transferência da riqueza da tradição de uma geração para a seguinte.

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