Textos sobre Perigo

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Textos de perigo escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

A Tua Import√Ęncia na Tua Vida

√Č fundamental reconheceres a tua import√Ęncia na tua vida. Por algum motivo nasceste, aprendeste a respirar e tiveste direito a um nome, nome esse que, em conjunto com as tuas caracter√≠sticas, te identificar√° eternamente como um ser individual, √ļnico e livre. Haver√° algo mais especial e precioso que isso? Estou em crer que n√£o; ainda assim, encontro muitas pessoas a quererem ser outras e outras ainda a querer acabar com elas pr√≥prias na esperan√ßa de, imediatamente, poderem vir a ser outro algu√©m. √Č o teu caso? Se for deve ser uma chatice, mas, tamb√©m, se n√£o te d√°s qualquer import√Ęncia, que import√Ęncia te darei eu? J√° calculaste o perigo em que incorres por pensar desta maneira? Em menos de nada, estar√°s sozinho ou rodeado de gente como tu, ausente e que meteu f√©rias no inferno para sempre. Bom, mas alegrem-se os cora√ß√Ķes porque acredito que n√£o lerias estas linhas iniciais se nada estivesse a borbulhar a√≠ dentro, se n√£o existisse, pelo menos, uma fugaz esperan√ßa e uma enorme vontade de mudar. Est√° atento, o passado s√≥ influencia o presente se mantiveres o mesmo comportamento, por isso liberta-te dessa dor por uns instantes e l√™ em voz alta a pr√≥xima frase tantas vezes quantas achares necess√°rio.

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A Auto-Destruição da Justiça

√Ä medida que aumenta o poderio de uma sociedade, assim esta d√° menos import√Ęncia √†s faltas dos seus membros, porque j√° lhes n√£o parecem perigosas nem subversivas; o malfeitor j√° n√£o est√° reduzido ao estado de guerra, n√£o pode nele cevar-se a c√≥lera geral; mais ainda: defendem-no contra essa c√≥lera.
O aplacar a c√≥lera dos prejudicados, o localizar o caso para evitar dist√ļrbios, e procurar equival√™ncias para harmonizar tudo (compositio) e principalmente o considerar toda a infrac√ß√£o como expi√°vel e isolar portanto o ulterior desenvolvimento do direito penal. √Ä medida, pois, que aumenta numa sociedade o poder e a consci√™ncia individual, vai-se suavizando o direito penal, e, pelo contr√°rio, enquanto se manifesta uma fraqueza ou um grande perigo, reaparecem a seguir os mais rigorosos castigos.

Isto √©, o credor humanizou-se conforme se foi enriquecendo; como que no fim, a sua riqueza mede-se pelo n√ļmero de preju√≠zos que pode suportar. E at√© se concebe uma sociedade com tal consci√™ncia do seu poderio, que se permite o luxo de deixar impunes os que a ofendem. ¬ęQue me importam a mim esses parasitas? Que vivam e que prosperem; eu sou forte bastante para me inquietar por causa deles…¬Ľ A justi√ßa,

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O Jugo da Maquinaria Política

Os interesses comuns do g√©nero humano s√£o enumer√°veis e ponder√°veis, por√©m a maquinaria pol√≠tica existente obscurece-os por causa da luta em torno do poder entre diferentes na√ß√Ķes e partidos. M√°quina diferente, que n√£o exigisse modifica√ß√Ķes legislativas ou constitucionais e que n√£o fosse muito dif√≠cil de criar, minaria a fortaleza da paix√£o nacional e partid√°ria e focalizaria a aten√ß√£o sobre medidas benfazejas a todos, em vez de concentr√°-la em prejudicar o inimigo. No meu entender, √© por esta directriz, e n√£o pelo governo nacionalmente partid√°rio, que se encontrar√° a sa√≠da dos perigos que actualmente amea√ßam a civiliza√ß√£o. O saber existe, e a boa vontade; ambos por√©m continuar√£o impotentes enquanto n√£o possuirem org√£os pr√≥prios para se fazerem ouvir.

Uma Alma Grande e Corajosa

Um esp√≠rito corajoso e grande √© reconhecido principalmente devido a duas caracter√≠sticas: uma consiste no desprezo pelas coisas exteriores, na convic√ß√£o de que o homem, independentemente do que √© belo e conveniente, n√£o deve admirar, decidir ou escolher coisa alguma nem deixar-se abater por homem algum, por qualquer quest√£o espiritual ou simplesmente pela m√° fortuna. A outra consiste no facto – especialmente quando o esp√≠rito √© disciplinado na maneira acima referida – de se dever realizar feitos, n√£o s√≥ grandes e seguramente, bastante √ļteis, mas ainda em grande n√ļmero, √°rduos e cheios de trabalhos e perigos, tanto para a vida como para as muitas coisas que √† vida interessam.
Todo o esplendor, toda a dimensão (devo acrescentar ainda a utilidade), pertencem à segunda destas duas características; porém, a causa e o princípio eficiente, que os tornam homens grandes, à primeira.
Naquela est√°, com efeito, aquilo que torna os esp√≠ritos excelentes e desdenhosos das coisas humanas. Na verdade, pode isto ser reconhecido por duas condi√ß√Ķes: em primeiro lugar, se estimares alguma coisa como sendo boa unicamente porque √© honesta, em segundo lugar, se te encontrares livre de toda a perturba√ß√£o de esp√≠rito. Consequentemente, o facto de se ter em pouca conta aquelas coisas humanas e de se desprezar,

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Coragem Ilusória

H√° cinco esp√©cies de coragem, assim denominadas segundo a semelhan√ßa: suportam as mesmas coisas, mas n√£o pelos mesmos motivos. Uma √© a coragem pol√≠tica: prov√©m da vergonha; a segunda √© pr√≥pria dos soldados: nasce da experi√™ncia e do facto de conhecer, n√£o – como dizia S√≥crates – os perigos, mas os recursos contra eles; a terceira brota da falta de experi√™ncia e da ignor√Ęncia, e por ela s√£o induzidas as crian√ßas e os loucos, estes quando enfrentam a f√ļria dos elementos, aquelas quando pegam em serpentes. Outra esp√©cie √© a de quem tem esperan√ßa: gra√ßas a ela, arrostam os perigos aqueles que, muitas vezes, tiveram sorte (…) e os √©brios; o vinho, de facto, excita a confian√ßa.
Outra ainda dimana da paix√£o irracional, por exemplo, do amor e da ira.
Se algu√©m est√° enamorado, √© mais temer√°rio que cobarde e enfrenta muitos perigos, como aquele que no Metaponto matou o tirano, ou o cretense de que fala a lenda; o mesmo se passa com a c√≥lera e com a ira. Pois a ira √© capaz de nos p√īr fora de n√≥s. Por isso, se afiguram tamb√©m corajosos os javalis, embora n√£o sejam; quando fora de si, t√™m uma qualidade semelhante,

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O Bom Senso como Suporte da Humanidade

Se n√£o tivesse havido em todos os tempos uma maioria de homens para fazer depender o seu orgulho, o seu dever, a sua virtude da disciplina do seu esp√≠rito, da sua ¬ęraz√£o¬Ľ, dos amigos do ¬ębom senso¬Ľ, para se sentirem feridos e humilhados pela menor fantasia, o menor excesso da imagina√ß√£o, a humanidade j√° teria naufragado h√° muito tempo.
A loucura, o seu pior perigo, n√£o deixou nunca, com efeito, de planar por cima dela, a loucura prestes a estalar… quer dizer a irrup√ß√£o da lei do bom prazer em mat√©ria de sentimento de sensa√ß√Ķes visuais ou auditivas, o direito de gozar com o jorro do esp√≠rito e de considerar como um prazer a irris√£o humana. N√£o s√£o a verdade, a certeza que est√£o nos ant√≠podas do mundo dos insensatos; √© a cren√ßa obrigat√≥ria e geral, √© a exclus√£o do bom prazer no ajuizar. O maior trabalho dos homens foi at√© agora concordar sobre uma quantidade de coisas, e fazer uma lei desse acordo,… quer essas coisas fossem verdadeiras ou falsas. Foi a disciplina do esp√≠rito que preservou a humanidade,… mas os instintos que a combatem s√£o ainda t√£o poderosos que em suma s√≥ se pode falar com pouca confian√ßa no futuro da humanidade.

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A Origem do Medo

A condição psicológica do medo está divorciada de qualquer perigo concreto e real. Surge sob diversas formas: desconforto, preocupação, ansiedade, nervosismo, tensão, temor, fobia, etc. Este tipo de medo psicológico é sempre algo que poderá acontecer e não algo que esteja a acontecer no momento. O leitor está aqui e agora, enquanto a sua mente se encontra no futuro. Este facto gera um hiato de ansiedade. Além disso, se o leitor se identificar com a sua mente e tiver perdido o contacto com o poder e a simplicidade do Agora, esse hiato de ansiedade acompanhá-lo-á constantemente.

A pessoa pode sempre lidar com o momento presente, mas não o consegue fazer com algo que é apenas uma projeção mental Рnão é possível lidar com o futuro.
E enquanto o leitor se identifica com a sua mente, o ego comanda a sua vida. Devido à natureza ilusória que lhe é característica e apesar dos mecanismos de defesa elaborados, o ego torna-se muito vulnerável e inseguro, vendo-se a si próprio constantemente sob ameaça. Este facto, a propósito, é o que acontece, mesmo que por fora o ego pareça muito confiante. Agora lembre-se de que uma emoção é a reação do corpo à mente.

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O Amor da Sabedoria Tem Falta de Amor

A sabedoria deve saber que traz em si uma contradição: é louco viver muito sabiamente. Devemos reconhecer que, na loucura que é o amor, há a sabedoria do amor. O amor da sabedoria Рou filosofia Рtem falta de amor. O importante, na vida, é o amor. Com todos os perigos que carrega.
Isto não é suficiente. Se o mal de que sofremos e fazemos sofrer é a incompreensão de outrem, a autojustificação, a mentira de si próprio (self-deception), então a via da ética Рe é aí que introduzirei a sabedoria Рestá no esforço de compreensão e não na condenação Рno auto-exame que comporta a autocrítica e que se esforça por reconhecer a mentira de si próprio.

Entendimento L√ļcido do Futuro

Uma diferen√ßa caracter√≠stica e muito frequente na vida di√°ria entre as cabe√ßas comuns e as sensatas √© que as primeiras, na sua pondera√ß√£o e avalia√ß√£o sobre poss√≠veis perigos, querem saber e levam em conta apenas o que de semelhante j√° ter√° acontecido. As outras, pelo contr√°rio, ponderam o que possivelmente poderia acontecer. √Č como se tivessem em mente o prov√©rbio espanhol: ¬ęO que n√£o acontece num ano, acontece num instante¬Ľ. Decerto, a diferen√ßa em quest√£o √© natural, pois, para abarcar com a vista aquilo que pode acontecer, √© preciso entendimento; j√° para ver aquilo que aconteceu, s√£o suficientes os sentidos.
A nossa m√°xima, ent√£o, √©: sacrifica-te aos dem√≥nios malignos. Por outras palavras, n√£o se deve temer uma certa perda de esfor√ßo, tempo, desconforto, transtorno, dinheiro ou priva√ß√£o, para fechar as portas √† possibilidade de uma desgra√ßa. E quanto maior a desgra√ßa, tanto menor, mais remota e improv√°vel a sua possibilidade. O exemplo mais claro desta regra √© o pr√©mio do seguro. Ele √© um sacrif√≠cio p√ļblico oferecido por todos no altar dos dem√≥nios malignos.

Bens materiais e at√© sa√ļde podem ser recuperados. Mas o tempo que se deixou passar, sem aproveit√°-lo, √© irrecuper√°vel. O √≥cio √© um pecado capital e um perigo, porque facilmente se torna pai de muitos pecados.

A Essência do Fanatismo

A ess√™ncia do fanatismo consiste em considerar determinado problema como t√£o importante que ultrapasse qualquer outro. Os bizantinos, nos dias que precederam a conquista turca, entendiam ser mais importante evitar o uso do p√£o √°zimo na comunh√£o do que salvar Constantinopla para a cristandade. Muitos habitantes da pen√≠nsula indiana est√£o dispostos a precipitar o seu pa√≠s na ru√≠na por divergirem numa quest√£o importante: saber se o pecado mais detest√°vel consiste em comer carne de porco ou de vaca. Os reaccion√°rios amercianos prefiririam perder a pr√≥xima guerra do que empregar nas investiga√ß√Ķes at√≥micas qualquer indiv√≠duo cujo primo em segundo grau tivesse encontrado um comunista nalguma regi√£o. Durante a Primeira Guerra Mundial, os escoceses sabat√°rios, a despeito da escassez de v√≠veres provocada pela actividade dos submarinos alem√£es, protestavam contra a planta√ß√£o de batatas ao domingo e diziam que a c√≥lera divina, devido a esse pecado, explicava os nossos malogros militares. Os que op√Ķem objec√ß√Ķes teol√≥gicas √† limita√ß√£o dos nascimentos, consentem que a fome, a mis√©ria e a guerra persistam at√© ao fim dos tempos porque n√£o podem esquecer um texto, mal interpretado, do G√©nese. Os partid√°rios entusiastas do comunismo, tal como os seus maiores inimigos, preferem ver a ra√ßa humana exterminada pela radioactividade do que chegar a um compromisso com o mal –

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A Vida é um Drama

Porque a vida, individual ou colectiva, pessoal ou hist√≥rica, √© a √ļnica entidade do universo cuja subst√Ęncia √© o perigo. Comp√Ķe-se de perip√©cias. √Č, rigorosamente falando, drama.
(…) N√≥s n√£o nos demos a vida, mas esta nos √© dada; encontramo-nos nela sem saber como nem por qu√™; mas do facto de que ela nos √© dada resulta que temos de faz√™-la n√≥s mesmos, cada um a sua.
(…) A cada minuto precisamos de decidir o que vamos fazer no minuto seguinte, e isto quer dizer que a vida do homem constitui para ele um problema permanente.

O Homem não está à Altura da sua Obra

Dir-se-ia que a civiliza√ß√£o moderna √© incapaz de produzir uma elite dotada simultaneamente de imagina√ß√£o, de intelig√™ncia e de coragem. Em quase todos os pa√≠ses se verifica uma diminui√ß√£o do calibre intelectual e moral naqueles a quem cabe a responsabiliza√ß√£o da direc√ß√£o dos assuntos pol√≠ticos, econ√≥micos e sociais. As organiza√ß√Ķes financeiras, industriais e comerciais atingiram dimens√Ķes gigantescas. S√£o influenciadas n√£o s√≥ pelas condi√ß√Ķes do pa√≠s em que nasceram, mas tamb√©m pelo estado dos pa√≠ses vizinhos e de todo o mundo. Em todas as na√ß√Ķes produzem-se modifica√ß√Ķes sociais com grande rapidez. Em quase toda a parte se p√Ķe em causa o valor do regime pol√≠tico. As grandes democracias enfrentam problemas tem√≠veis que dizem respeito √† sua pr√≥pria exist√™ncia e cuja solu√ß√£o √© urgente. E apercebemo-nos de que, apesar das grandes esperan√ßas que a humanidade depositou na civiliza√ß√£o moderna, esta civiliza√ß√£o n√£o foi capaz de desenvolver homens suficientemente inteligentes e audaciosos para a dirigirem na via perigosa por que a enveredou. Os seres humanos n√£o cresceram tanto como as institui√ß√Ķes criadas pelo seu c√©rebro. S√£o sobretudo a fraqueza intelectual e moral dos chefes e a sua ignor√Ęncia que p√Ķem em perigo a nossa civiliza√ß√£o.

De Duas Maneiras Cega a Fortuna

No golfo de uma privan√ßa, nunca o perigo √© mais certo, que quando a fortuna √© mais pr√≥spera. De duas maneiras cega a fortuna, porque cega como luz e cega como fouce; com uma m√£o abra√ßa, e com outra corta; com a que abra√ßa introduz a cegueira, e com a que corta mostra o desengano. Consiste a prud√™ncia em que se temam os resplendores da luz, para que se n√£o cegue aos rigores do golpe. N√£o faz mal √† embarca√ß√£o o penedo que sobressai por cima da √°gua; porque para evitar o perigo sabe o piloto desviar a nau, por ver manifesto o perigo. Nos penedos que as √°guas escondem, a√≠ naufraga sempre o baixel; porque cobriu com capa de cristal uma ru√≠na de penhasco, e os que, navegando pelo mar, caminham com os olhos nas ondas, facilmente se esvaem, e quanto maior √© na cabe√ßa o esvaecimento, vem a ser mais no cora√ß√£o a fraqueza. N√£o sabe o que navega quanto tem vencido de dist√Ęncia, se do mesmo mar n√£o tira os olhos, e s√≥ fazendo balizas na terra sabe o quanto no mar caminham. √Č um golfo grande o da privan√ßa, e a maior prud√™ncia consiste em que se divirtam de alguma vez os olhos,

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N√£o h√° Felicidade sem Verdadeira Vida Interior

A vida intelectual ocupará, de preferência, o homem dotado de capacida­des espirituais, e adquire, mediante o incremento inin­terrupto da visão e do conhecimento, uma coesão, uma intensificação, uma totalidade e uma plenitude cada vez mais pronunciadas, como uma obra de arte amadurecen­do aos poucos. Em contrapartida, a vida prática dos ou­tros, orientada apenas para o bem-estar pessoal, capaz de incremento apenas em extensão, não em profundeza, contrasta em tristeza, valendo-lhes como fim em si mesmo, enquanto para o homem de capacida­des espirituais é apenas um meio.
A nossa vida pr√°tica, real, quando as paix√Ķes n√£o a movimentam, √© tediosa e sem sabor; mas quando a movi¬≠mentam, logo se torna dolorosa. Por isso, os √ļnicos feli¬≠zes s√£o aqueles aos quais coube um excesso de intelec¬≠to que ultrapassa a medida exigida para o servi√ßo da sua vontade. Pois, assim, eles ainda levam, ao lado da vida real, uma intelectual, que os ocupa e entret√©m ininter¬≠ruptamente de maneira indolor e, no entanto, vivaz. Pa¬≠ra tanto, o mero √≥cio, isto √©, o intelecto n√£o ocupado com o servi√ßo da vontade, n√£o √© suficiente; √© necess√°rio um excedente real de for√ßa, pois apenas este capacita a uma ocupa√ß√£o puramente espiritual, n√£o subordinada ao ser¬≠vi√ßo da vontade.

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O Mundo Tem um Focinho

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N√£o penses que o mundo tem para ti um rosto,
uma fisionomia de dócil empregado de mesa
ou de mulher bela;
a vida ‚ÄĒ e o mundo a que est√° agarrada ‚ÄĒ
tem sim um focinho. E esses beiços grossos
(que jamais incitam √† m√ļsica)
desde que nasces, como um juiz de cara
deformada, observam e julgam os teus comportamentos.

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Em média: as pessoas aperfeiçoam mais os engenhos
mec√Ęnicos da corrup√ß√£o e das trai√ß√Ķes mesquinhas
que os da hospitalidade. Os perigos
que observam um corpo s√£o produzidos incessantemente
em qualquer f√°brica desconhecida
mas eficaz.
H√° muito perigo no mundo
‚ÄĒ ter√°s pois (n√£o te aborre√ßas j√°) a tua bela parte.

Gonçalo M.

A Preguiça como Obstáculo à Liberdade

A pregui√ßa e a cobardia s√£o as causas por que os homens em t√£o grande parte, ap√≥s a natureza os ter h√° muito libertado do controlo alheio, continuem, no entanto, de boa vontade menores durante toda a vida; e tamb√©m por que a outros se torna t√£o f√°cil assumirem-se como seus tutores. √Č t√£o c√≥modo ser menor.
Se eu tiver um livro que tem entendimento por mim, um director espiritual que tem em minha vez consciência moral, um médico que por mim decide da dieta, etc., então não preciso de eu próprio me esforçar. Não me é forçoso pensar, quando posso simplesmente pagar; outros empreenderão por mim essa tarefa aborrecida. Porque a imensa maioria dos homens (inclusive todo o belo sexo) considera a passagem à maioridade difícil e também muito perigosa é que os tutores de boa vontade tomaram a seu cargo a superintendência deles. Depois de, primeiro, terem embrutecido os seus animais domésticos e evitado cuidadosamente que estas criaturas pacíficas ousassem dar um passo para fora da carroça em que as encerraram, mostram-lhes em seguida o perigo que as ameaça, se tentarem andar sozinhas. Ora, este perigo não é assim tão grande, pois aprenderiam por fim muito bem a andar.

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A Luta para a Supress√£o Radical das Guerras

A minha participa√ß√£o na produ√ß√£o da bomba at√≥mica consistiu numa √ļnica ac√ß√£o: assinei uma carta dirigida ao presidente Roosevelt, na qual se sublinhava a necessidade de levar a cabo experi√™ncias em grande escala, para investiga√ß√£o das possibilidades de produ√ß√£o duma bomba at√≥mica.
Tive bem consciência do grande perigo que significava para a Humanidade o êxito desse empreendimento. Mas a probabilidade de que os Alemães trabalhassem no mesmo problema e fossem bem sucedidos, obrigou-me a dar este passo. Não tinha outra solução, embora tivesse sido sempre um pacifista convicto. Foi, portanto, uma reacção de legítima defesa.
Enquanto, por√©m, as na√ß√Ķes n√£o estiverem resolvidas a trabalhar em comum para suprimir a guerra, a resolverem os seus conflitos por decis√£o pac√≠fica e a protegerem os seus interesses de maneira legal, v√™em-se obrigadas a preparar-se para a guerra. V√™em-se, mais, obrigadas a preparar todos os meios, mesmo os mais detest√°veis, para n√£o se deixarem ficar para tr√°s, na corrida geral aos armamentos. Este caminho conduz fatalmente √† guerra que, nas condi√ß√Ķes actuais, significa destrui√ß√£o geral.
Nestas condi√ß√Ķes, a luta contra os meios n√£o tem probabilidades de √™xito. S√≥ ainda pode valer a supress√£o radical das guerras e do perigo de guerra.

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