Textos sobre Confiança

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Textos de confiança escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

Os Malefícios da Rivalidade na Escola

Poucas serão as escolas em que o mestre não anime entre os alunos o espírito de emulação; aos mais atrasados apontam-se os que avançaram como marcos a atingir e ultrapassar; e aos que ocuparam os primeiros lugares servem os do fim da classe de constantes esporas que os não deixam demorar-se no caminho, cada um se vigia a si e aos outros e a si próprio apenas na medida em que se estabelece um desnível com o companheiro que tem de superar ou de evitar.
A mesquinhez de uma vida em que os outros n√£o aparecem como colaboradores, mas como inimigos, n√£o pode deixar de produzir toda a surda inveja, toda a vaidade, todo o despeito que se marcam em linhas principais na psicologia dos estudantes submetidos a tal regime; nenhum amor ao que se estuda, nenhum sentimento de constante enriquecer, nenhuma vis√£o mais ampla do mundo; esfor√ßo de vencer, temor de ser vencido; √© j√° todo o temperamento de ¬ęstruggle¬Ľ que se afina na escola e lan√ßar√° amanh√£ sobre a terra mais uma turma dos que tudo se desculpam.
Quem n√£o sabe combater ou n√£o tem interesse pela luta ficar√° para tr√°s, entre os piores; e √© certamente esta predomin√Ęncia dada ao esp√≠rito de batalha um dos grandes malef√≠cios dos sistemas escolares assentes sobre a rivalidade entre os alunos;

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Coragem Ilusória

H√° cinco esp√©cies de coragem, assim denominadas segundo a semelhan√ßa: suportam as mesmas coisas, mas n√£o pelos mesmos motivos. Uma √© a coragem pol√≠tica: prov√©m da vergonha; a segunda √© pr√≥pria dos soldados: nasce da experi√™ncia e do facto de conhecer, n√£o – como dizia S√≥crates – os perigos, mas os recursos contra eles; a terceira brota da falta de experi√™ncia e da ignor√Ęncia, e por ela s√£o induzidas as crian√ßas e os loucos, estes quando enfrentam a f√ļria dos elementos, aquelas quando pegam em serpentes. Outra esp√©cie √© a de quem tem esperan√ßa: gra√ßas a ela, arrostam os perigos aqueles que, muitas vezes, tiveram sorte (…) e os √©brios; o vinho, de facto, excita a confian√ßa.
Outra ainda dimana da paix√£o irracional, por exemplo, do amor e da ira.
Se algu√©m est√° enamorado, √© mais temer√°rio que cobarde e enfrenta muitos perigos, como aquele que no Metaponto matou o tirano, ou o cretense de que fala a lenda; o mesmo se passa com a c√≥lera e com a ira. Pois a ira √© capaz de nos p√īr fora de n√≥s. Por isso, se afiguram tamb√©m corajosos os javalis, embora n√£o sejam; quando fora de si, t√™m uma qualidade semelhante,

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O Bom Senso como Suporte da Humanidade

Se n√£o tivesse havido em todos os tempos uma maioria de homens para fazer depender o seu orgulho, o seu dever, a sua virtude da disciplina do seu esp√≠rito, da sua ¬ęraz√£o¬Ľ, dos amigos do ¬ębom senso¬Ľ, para se sentirem feridos e humilhados pela menor fantasia, o menor excesso da imagina√ß√£o, a humanidade j√° teria naufragado h√° muito tempo.
A loucura, o seu pior perigo, n√£o deixou nunca, com efeito, de planar por cima dela, a loucura prestes a estalar… quer dizer a irrup√ß√£o da lei do bom prazer em mat√©ria de sentimento de sensa√ß√Ķes visuais ou auditivas, o direito de gozar com o jorro do esp√≠rito e de considerar como um prazer a irris√£o humana. N√£o s√£o a verdade, a certeza que est√£o nos ant√≠podas do mundo dos insensatos; √© a cren√ßa obrigat√≥ria e geral, √© a exclus√£o do bom prazer no ajuizar. O maior trabalho dos homens foi at√© agora concordar sobre uma quantidade de coisas, e fazer uma lei desse acordo,… quer essas coisas fossem verdadeiras ou falsas. Foi a disciplina do esp√≠rito que preservou a humanidade,… mas os instintos que a combatem s√£o ainda t√£o poderosos que em suma s√≥ se pode falar com pouca confian√ßa no futuro da humanidade.

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Arriscar Tem a Ver com Confiança

Arriscar tem a ver com confian√ßa. Uma pessoa sem confian√ßa vai tentar repetir, fazer igual aos outros, n√£o cometer erros, que √© uma ideia muito valorizada. Mas o erro est√° ligado √† descoberta. √Č fundamental n√£o ter medo nenhum do erro. O que √© o erro? Eu tinha previsto ir numa determinada direc√ß√£o e n√£o fui, errei. O erro √© encontrar alguma coisa, algo que se cruza com o novo, o criativo.

Gonçalo M.

Tantos S√£o os Gostos Quantos os Rostos

Ou tudo √© bom, ou tudo √© mau, segundo os votos. O que este segue aquele persegue. Insofr√≠vel n√©scio √© quem quer regular todo o feito pelo seu conceito. As perfei√ß√Ķes n√£o dependem do agrado de um s√≥. Tantos s√£o os gostos quantos os rostos, e t√£o variados. N√£o h√° sen√£o sem paix√£o, nem se h√°-de perder a confian√ßa porque as coisas n√£o agradam a uns, pois n√£o faltar√£o outros que as apreciem. E que tampouco o aplauso destes lhe seja motivo de convencimento, pois outros o condenar√£o. A norma do verdadeiro contentamento consigo mesmo √© a aprova√ß√£o dos var√Ķes de reputa√ß√£o, e que t√™m direito de voto naquela ordem de coisas. N√£o se vive de uma s√≥ opini√£o, de um s√≥ uso, de um s√≥ seculo.

√Čs Feliz?

Só há uma forma de seres feliz: tens de fazer por isso.

√Čs feliz? Queres ser? Fazes alguma coisa por isso?

Se fores, maravilha, transportas a bel√≠ssima responsabilidade de inspirar os outros a s√™-lo tamb√©m. Se ainda n√£o √©s, mas queres s√™-lo, o que tens feito por isso? Andas a respeitar-te mais vezes? A lutar pela viv√™ncia das tuas vontades? Andas mais perto da natureza? J√° consegues dizer mais vezes aquilo que sentes e aquilo que pensas? J√° n√£o p√Ķes sempre os outros √† tua frente? Come√ßaste a cuidar do teu corpo e da tua alimenta√ß√£o? Reduziste os v√≠cios? Se sim, fant√°stico. Parab√©ns! Gosto muito de pessoas felizes, mas a minha admira√ß√£o vai toda para aqueles que, n√£o o sendo ainda, lutam todos os dias para o ser, pela autodescoberta que os far√° refer√™ncia na vida de todos aqueles que os rodeiam. Agora, e por outro lado, se n√£o tens andado a fazer nada disto nem nada semelhante, mais vale assumires que, afinal, ser feliz n√£o √© uma vontade tua. E est√° tudo bem na mesma. Apenas te pe√ßo, em nome da comunidade dos seres humanos que querem viver e desfrutar desta am√°vel oportunidade que nos foi dada de aqui estar,

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A Certeza na Vitória

Ningu√©m pode ir para a batalha a menos que esteja plenamente convencido da vit√≥ria em antem√£o. Se come√ßarmos sem confian√ßa, j√° perdemos metade da batalha e enterramos os nossos talentos. Enquanto dolorosamente conscientes das nossas pr√≥prias fraquezas, temos que marchar sem ceder, tendo em mente o que o Senhor disse a S√£o Paulo: ¬ęA minha gra√ßa te basta, porque o poder se aperfei√ßoa na fraqueza¬Ľ (2 Cor 12: 9). O triunfo crist√£o √© sempre uma cruz, mas uma cruz que √© ao mesmo tempo uma bandeira vitoriosa suportada com ternura agressiva contra os assaltos do mal. O esp√≠rito maligno de derrotismo √© irm√£o da tenta√ß√£o de se separar, antes do tempo, o trigo do joio; √© o fruto de uma ansiosa e auto-centrada falta de confian√ßa.

O Conceito de Nós Próprios

Cada homem, desde que sai da nebulose da inf√Ęncia e da adolesc√™ncia, √© em grande parte um produto do seu conceito de si mesmo. Pode dizer-se sem exagero mais que verbal, que temos duas esp√©cies de pais: os nossos pais, propriamente ditos, a quem devemos o ser f√≠sico e a base heredit√°ria do nosso temperamento; e, depois, o meio em que vivemos, e o conceito que formamos de n√≥s pr√≥prios – m√£e e pai, por assim dizer, do nosso ser mental definitivo.
Se um homem criar o h√°bito de se julgar inteligente, n√£o obter√° com isso, √© certo, um grau de intelig√™ncia que n√£o tem; mas far√° mais da intelig√™ncia que tem do que se julgar est√ļpido. E isto, que se d√° num caso intelectual, mais marcadamente se d√° num caso moral, pois a plasticidade das nossas qualidades morais √© muito mais acentuada que a das faculdades da nossa mente.
Ora, ordinariamente, o que é verdade da psicologia individual Рabstraindo daqueles fenómenos que são exclusivamente individuais Рé também verdade da psicologia colectiva. Uma nação que habitualmente pense mal de si mesma acabará por merecer o conceito de si que anteformou. Envenena-se mentalmente.
O primeiro passo passou para uma regeneração,

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O Homem √© um Mist√©rio. Deve Ser Desvendado…

A minha alma já não é susceptível aos seus impulsos violentos anteriores. Nela tudo é tão sossegado como no coração de um homem que esconde um segredo fundo.
Eu estou a aprender bastante acerca de ‘o que √© o homem e o que √© a vida’; eu posso estudar car√°cteres humanos a partir de escritores com quem eu passei a maior parte da minha vida, livremente e com alegria. Isto √© tudo o que eu posso dizer sobre mim pr√≥prio. Tenho confian√ßa em mim pr√≥prio. O homem √© um mist√©rio. Deve ser desvendado, e se tal levar uma vida inteira, n√£o digas que √© um desperdicio de tempo. Eu estou preocupado com este mist√©rio porque eu quero ser um ser humano…

Conselhos a um Príncipe

Vais pela primeira vez ficar com uma responsabilidade. Lembra-te que este primeiro passo na tua vida pol√≠tica, pode decidir de todo o teu futuro. Ouve pois os conselhos de um pai e do teu melhor amigo. Continua o mesmo sistema que tenho sempre seguido, n√£o alardear de querer fazer muito porque ent√£o nada se faz, e mesmo tu √©s apenas um delegado meu por oito a dez dias. S√™ modesto sem pareceres ignorante √© a primeira qualidade para um pr√≠ncipe. Trata a todos bem, n√£o d√™s confian√ßas a ningu√©m sen√£o aos teus mestres naturais, que deves consultar, porque ningu√©m nasce ensinado. Desconfia de elogios rasgados, poucas vezes s√£o sinceros. S√™ o Carlos meu filho, n√£o queiras nunca parecer mais do que isso, e todos te h√£o-de estimar e respeitar, porque os desejos e as vontades dos pais s√£o credos para os bons filhos. N√£o quero sen√£o o teu bem. Ouve-me mais ‚ÄĒ sobretudo, s√™ grave, mais ainda que se estiv√©ssemos junto de ti; porque os pr√≠ncipes se devem distinguir entre todos. Pode-se ser rapaz, divertir-se mas sempre que nos revista um car√°cter de seriedade que nesta √©poca moderna nos fa√ßa reconhecer mais pr√≠ncipe pelas virtudes e porte do que pela nascen√ßa.

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Prazer com Virtude

Que dizer do facto de tanto os homens bons como os maus terem prazer, e de os homens infames terem tanto gosto em cometer actos vergonhosos como os homens honestos t√™m nas suas ac√ß√Ķes excelentes? √Č por isso que os antigos prescreveram que se procurasse a vida melhor, n√£o a mais agrad√°vel, de forma a que o prazer fosse, n√£o o guia, mas um companheiro da vontade recta e boa. Na verdade, a natureza deve ser o nosso guia: a raz√£o observa-a e consulta-a. Por isso, viver feliz √© o mesmo que viver de acordo com a natureza. Passo a explicar o que quer isto dizer: se conservarmos os nossos dons corporais e as nossas aptid√Ķes naturais com dilig√™ncia, mas tamb√©m com impavidez, tomando-os como bens ef√©meros e fugazes; se n√£o nos tornarmos servos deles, nem nos submetermos a coisas exteriores; se as coisas que s√£o circunstanciais e agrad√°veis ao corpo forem para n√≥s como auxiliares e tropas ligeiras num castro (que obedecem, n√£o comandam); nesta medida, todas estas coisas ser√£o √ļteis √† mente.
N√£o se deixe o homem corromper pelas coisas externas e inalcan√ß√°veis, e admire-se apenas a si pr√≥prio, confiando no seu √Ęnimo e mantendo-se preparado para tudo,

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O Homem é o Animal Menos Preparado

A capacidade do homem para o pensamento abstracto, que parece faltar √† maioria dos outros mam√≠feros, conferiu-lhe sem d√ļvida o seu actual dom√≠nio sobre a superf√≠cie da Terra ‚Äď um dom√≠nio disputado apenas por centenas de milhares de tipos de insectos e organismos microsc√≥picos. Este pensamento abstracto √© o respons√°vel pela sua sensa√ß√£o de superioridade e pelo que, sob esta sensa√ß√£o, corresponde a uma certa medida de realidade, pelo menos dentro de estreitos limites. Mas o que √© frequentemente subestimado √© o facto de que a capacidade de desempenhar um acto n√£o √©, de forma alguma, sin√≥nima de seu exerc√≠cio salubre. √Č f√°cil observar que a maior parte do pensamento do homem √© est√ļpida, sem sentido e injuriosa para ele. Na realidade, de todos os animais, ele parece o menos preparado para tirar conclus√Ķes apropriadas nas quest√Ķes que afectam mais desesperadamente o seu bem-estar.
Tente imaginar um rato, no universo das ideias dos ratos, chegando a no√ß√Ķes t√£o ocas de plausibilidade como, por exemplo, o Swedenborgianismo, a homeopatia ou a telepatia mental. O instinto natural do homem, de facto, nunca se dirige para o que √© s√≥lido e verdadeiro; prefere tudo que √© especioso e falso. Se uma grande na√ß√£o moderna se confrontar com dois problemas antag√≥nicos ‚Äď um deles baseado em argumentos prov√°veis e racionais,

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O Provincianismo Português (II)

Se fosse preciso usar de uma s√≥ palavra para com ela definir o estado presente da mentalidade portuguesa, a palavra seria “provincianismo”. Como todas as defini√ß√Ķes simples esta, que √© muito simples, precisa, depois de feita, de uma explica√ß√£o complexa. Darei essa explica√ß√£o em dois tempos: direi, primeiro, a que se aplica, isto √©, o que deveras se entende por mentalidade de qualquer pa√≠s, e portanto de Portugal; direi, depois, em que modo se aplica a essa mentalidade.
Por mentalidade de qualquer pa√≠s entende-se, sem d√ļvida, a mentalidade das tr√™s camadas, organicamente distintas, que constituem a sua vida mental ‚ÄĒ a camada baixa, a que √© uso chamar povo; a camada m√©dia, a que n√£o √© uso chamar nada, excepto, neste caso por engano, burguesia; e a camada alta, que vulgarmente se designa por escol, ou, traduzindo para estrangeiro, para melhor compreens√£o, por elite.
O que caracteriza a primeira camada mental é, aqui e em toda a parte, a incapacidade de reflectir. O povo, saiba ou não saiba ler, é incapaz de criticar o que lê ou lhe dizem. As suas ideias não são actos críticos, mas actos de fé ou de descrença, o que não implica, aliás,

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A Inteligência e o Carácter das Massas

O nosso tempo √© rico em mentes inventivas, cujas inven√ß√Ķes podem facilitar consideravelmente as nossas vidas. Estamos a atravessar os mares com pot√™ncia e a utilizar a pot√™ncia tamb√©m para libertar a humanidade de todo o trabalho muscular cansativo. Aprendemos a voar e somos capazes de enviar mensagens e not√≠cias sem qualquer dificuldade para todo o mundo atrav√©s de ondas el√©ctricas.
Contudo, a produção e a distribuição de bens estão completamente desorganizadas, de tal forma que toda a gente vive com medo de ser completamente eliminada do ciclo económico, sofrendo deste modo do querer tudo. Para além disso, as pessoas que vivem em países diferentes matam-se umas às outras com intervalos de tempo irregulares, de tal modo que, também por esta razão, todo aquele que pensa no futuro vive no medo e no terror. Isto deve-se ao facto de a inteligência e o carácter das massas serem incomparavelmente menores do que a inteligência e o carácter dos poucos que produzem algo de verdadeiramente válido para a comunidade.
Tenho confian√ßa em que a posteridade ler√° estas afirma√ß√Ķes com um sentimento de orgulho e superioridade justificada.

Os Laços Afetivos

Criar intimidade entre si e outra pessoa não implica perder a sua noção de Eu nem diluir-se no outro. Para criar efetivamente laços com outra pessoa, ambos têm de manter a sua integridade e individualidade. Caso contrário, o resultado será uma amálgama disfuncional. Para estabelecer uma analogia com o corpo humano, as células dos olhos criam uma ligação entre si para permitir a visão. Cada célula tem de se articular com todas as outras e isso implica que cada uma delas mantenha a sua estrutura e função individuais ao serviço da operação mais complexa da visão. Quando estabelecemos laços com outros, estamos simplesmente a ser aquilo que somos enquanto partilhamos um objetivo ou atividade comuns.

√Č t√£o simples quanto isso. Talvez saia com um grupo de pessoas para garantir um parecer favor√°vel na reuni√£o da tarde e entretanto desenvolva um sentimento de camaradagem e acabem por ir jantar fora e partilhar as vossas hist√≥rias. Esta √© uma experi√™ncia de cria√ß√£o de la√ßos afetivos. Ao contr√°rio de certos medos que possamos ter do que possa levar-nos a perder a identidade, a cria√ß√£o de la√ßos afetivos saud√°veis fortalece a nossa confian√ßa e autoestima.

Regras de Conduta para Viver sem Sobressaltos

Vou indicar-te quais as regras de conduta a seguir para viveres sem sobressaltos. (…) Passa em revista quais as maneiras que podem incitar um homem a fazer o mal a outro homem: encontrar√°s a esperan√ßa, a inveja, o √≥dio, o medo, o desprezo. De todas elas a mais inofen¬≠siva √© o desprezo, tanto que muitas pessoas se t√™m sujeitado a ele como forma de passarem despercebidas. Quem despreza o outro calca-o aos p√©s, √© evidente, mas passa adiante; ningu√©m se afadiga teimosamente a fazer mal a algu√©m que despreza. √Č como na guerra: ningu√©m liga ao soldado ca√≠do, combate-se, sim, quem se ergue a fazer frente.
Quanto √†s esperan√ßas dos desonestos, bastar-te-√°, para evit√°-las, nada possu√≠res que possa suscitar a p√©rfida cobi√ßa dos outros, nada teres, em suma, que atraia as aten√ß√Ķes, porquanto qualquer objecto, ainda que pouco valioso, suscita desejos se for pouco usual, se for uma raridade. Para escapares √† inveja dever√°s n√£o dar nas vistas, n√£o gabares as tuas propriedades, saberes gozar discretamente aquilo que tens. Quanto ao √≥dio, ou derivar√° de alguma ofensa que tenhas feito (e, neste caso, bastar-te-√° n√£o lesares ningu√©m para o evitares), ou ser√° puramente gratuito, e ent√£o ser√° o senso comum quem te poder√° proteger.

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Sabedoria Pr√°tica Inexistente

A maioria dos luxos e muitos dos chamados confortos da vida não só são dispensáveis como constituem até obstáculos à elevação da humanidade. No que diz respeito a luxos e confortos, os mais sábios sempre viveram de modo mais simples e despojado que os pobres. Os antigos filósofos chineses, indianos, persas e gregos eram uma classe que se notabilizava pela extrama pobreza de bens exteriores, em contraste com a sua riqueza interior. Embora não saibamos muito a seu respeito, é de admirar que saibamos tanto quanto sabemos. O mesmo acontece com reformadores e benfeitores mais recentes, da nacionalidade deles. Ninguém pode ser um observador imparcial e sábio da raça humana, a não ser da posição vantajosa a que chamaríamos pobreza voluntária.
O fruto de uma vida de luxo √© tamb√©m luxo, seja em agricultura, com√©rcio, literatura ou arte. Hoje em dia h√° professores de filosofia, mas n√£o h√° fil√≥sofos. Contudo √© admir√°vel ensinar filosofia porque um dia foi admir√°vel viv√™-la. Ser um fil√≥sofo n√£o √© apenas ter pensamentos subtis, nem sequer fundar uma escola, mas amar a sabedoria a ponto de viver, segundo os seus ditames, uma vida de simplicidade, independ√™ncia, magnanimidade e confian√ßa. √Č solucionar alguns problemas da vida n√£o s√≥ na teoria mas tamb√©m na pr√°tica.

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Somos os Comandantes das Nossas Vidas

Se alguém te disser que aquilo que queres não interessa para nada, desinteressa-te dessa pessoa.

Somos os comandantes das nossas vidas.

Somos n√≥s, portanto, que escolhemos com quem queremos caminhar, e ai de algu√©m que acredite que pode entrar √† for√ßa na nossa vida sem a devida autoriza√ß√£o. Na minha n√£o entram, disso podes ter a certeza. E se todos pens√°ssemos assim, se todos ag√≠ssemos em conformidade com esta breve alus√£o ao nosso poder pessoal, viver√≠amos todos num aut√™ntico mar de rosas. Mas n√£o. Este princ√≠pio b√°sico √© o terror de muita gente. A maioria talvez. Malta que acredita que tem de aguentar o supl√≠cio de viver ou conviver com quem lhe quer mal ou lhe √© indiferente. √Č uma desgra√ßa. √Č o reinado do medo. Do medo de ficar sozinho, de nunca mais sentir nada por ningu√©m, de tudo o que possam dizer ou pensar se agirem como desejam, da rea√ß√£o do outro, de mago√°-lo, enfim, o medo de tudo. Ora bem, esta onda de passividade e permissividade gera a extin√ß√£o da confian√ßa, fomenta o canibalismo do amor-pr√≥prio e inverte todo e qualquer tipo de educa√ß√£o apropriada. Como √© que algum filho, por exemplo, pode desenvolver-se em amor se tudo o que v√™ em casa s√£o duas pessoas que mal se olham ou que se atacam,

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O Amor Português não é um Fenómeno Ternurento

Do carinho e do mimo, toda a gente sabe tudo o que h√° a saber ‚ÄĒ e mais um bocado. Do amor, ningu√©m sabe nada. Ou pensa-se que se sabe, o que √© um bocado menos do que nada. O mais que se pode fazer √© procurar saber quem se ama, sem querer saber que coisa √© o amor que se tem, ou de que s√≠tio vem o amor que se faz.

Do amor √© bom falar, pelo menos naqueles intervalos em que n√£o √© t√£o bom amar. Todos os pa√≠ses h√£o-de ter a sua pr√≥pria cultura amorosa. A portuguesa √© excepcional. Nas culturas mais parecidas com a nossa, √© muito maior a diferen√ßa que se faz entre o amor e a paix√£o. Faz-se de conta que o amor √© uma coisa ‚ÄĒ mais tranquila e pura e duradoura ‚ÄĒ e a paix√£o √© outra ‚ÄĒ mais do√≠da e complicada e ef√©mera. Em Portugal, por√©m, n√£o gostamos de dizer que nos ¬ęenamoramos¬Ľ, e o ¬ęenamoramento¬Ľ e outras palavras que contenham a palavra ¬ęamor¬Ľ s√£o-nos sempre um pouco estranhas. Quando n√≥s nos perdemos de amores por algu√©m, dizemos (e nitidamente sentimos) que nos apaixonamos. Aqui, sabe-se l√° por que atavismos atl√Ęnticos,

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O C√ļmulo da Felicidade

Não avalies os bens e os males segundo o critério do vulgo: deves verificar, não donde eles provêm, mas sim para que fim tendem. Tudo o que possa contribuir para a obtenção de uma vida feliz será um bem de pleno direito, já que não pode degradar-se até tornar-se um mal.
Toda a gente, contudo, ambiciona ter uma vida feliz; porque sucede ent√£o que quase todos falham o alvo? Pelo facto de se tornar por felicidade o que n√£o passa de um meio para atingir; por isso, quanto mais a buscam, mais dela se afastam. O c√ļmulo da felicidade consiste numa perfeita seguran√ßa, numa inabal√°vel confian√ßa no seu valor; ora o que as pessoas fazem √© arranjar motivos de preocupa√ß√£o, √© percorrer a trai√ßoeira estrada da vida ajoujadas de pesados fardos. Deste modo v√£o-se sempre distanciando cada vez mais da meta que procuram alcan√ßar, e quanto mais se esfor√ßam por atingi-la mais se embara√ßam e retrocedem. Sucede-lhes como a algu√©m que corra num labirinto: a pr√≥pria velocidade faz perder o norte.