Passagens de Arthur Schopenhauer

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A Vida Real de um Pensamento

A vida real de um pensamento dura apenas at√© ele chegar ao limite das palavras: nesse ponto, ele lapidifica-se, morre, portanto, mas continua indestrut√≠vel, tal como os animais e as plantas f√≥sseis dos tempos pr√©-hist√≥ricos. Essa realidade moment√Ęnea da sua vida tamb√©m pode ser comparada ao cristal, no instante da cristaliza√ß√£o.
Pois, assim que o nosso pensamento encontra as palavras, ele j√° n√£o √© interno, nem est√° realmente no √Ęmago da sua ess√™ncia. Quando come√ßa a existir para os outros, ele deixa de viver em n√≥s, como o filho que se desliga da m√£e ao iniciar a pr√≥pria exist√™ncia. Mas diz tamb√©m o poeta:

N√£o me confundais com contradi√ß√Ķes!

Tão logo se fala, já se começa a errar.

Um car√°cter bom, moderado e brando pode sentir-se satisfeito em circunst√Ęncias adversas; enquanto que um car√°cter cobi√ßoso, invejoso e mau n√£o se contenta nem mesmo no meio de todas as riquezas.

A nossa vida pr√°tica, real, quando as paix√Ķes n√£o a movimentam, √© tediosa e sem sabor; mas quando a movimentam, logo se torna dolorosa. Por isso, os √ļnicos felizes s√£o aqueles aos quais coube um excesso de intelecto que ultrapassa a medida exigida para o servi√ßo da sua vontade.

O Homem РUm Ser Egoísta

O motor principal e fundamental no homem, bem como nos animais, √© o ego√≠smo, ou seja, o impulso √† exist√™ncia e ao bem-estar. […] Na verdade, tanto nos animais quanto nos seres humanos, o ego√≠smo chega a ser id√™ntico, pois em ambos une-se perfeitamente ao seu √Ęmago e √† sua ess√™ncia.
Desse modo, todas as ac√ß√Ķes dos homens e dos animais surgem, em regra, do ego√≠smo, e a ele tamb√©m se atribui sempre a tentativa de explicar uma determinada ac√ß√£o. Nas suas ac√ß√Ķes baseia-se tamb√©m, em geral, o c√°lculo de todos os meios pelos quais procura-se dirigir os seres humanos a um objectivo. Por natureza, o ego√≠smo √© ilimitado: o homem quer conservar a sua exist√™ncia utilizando qualquer meio ao seu alcance, quer ficar totalmente livre das dores que tamb√©m incluem a falta e a priva√ß√£o, quer a maior quantidade poss√≠vel de bem-estar e todo o prazer de que for capaz, e chega at√© mesmo a tentar desenvolver em si mesmo, quando poss√≠vel, novas capacidades de deleite. Tudo o que se op√Ķe ao √≠mpeto do seu ego√≠smo provoca o seu mau humor, a sua ira e o seu √≥dio: ele tentar√° aniquil√°-lo como a um inimigo. Quer possivelmente desfrutar de tudo e possuir tudo;

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Ultrapassar obst√°culos √© o prazer pleno da exist√™ncia, sejam eles de tipo material, como nas ac√ß√Ķes e nos exerc√≠cios, sejam de tipo espiritual, como nos estudos e nas investiga√ß√Ķes. A luta contra as adversidades e a vit√≥ria tornam o homem feliz. Se lhe faltar a oportunidade, ir√° cri√°-la como puder.

O Que Mais Contribui para a Felicidade

J√° reconhecemos em geral que aquilo que somos contribui muito mais para a felicidade do que aquilo que temos ou representamos. Importa saber o que algu√©m √© e, por conseguinte, o que tem em si mesmo, pois a sua individualidade acompanha-o sempre e por toda a parte, e tinge cada uma das suas viv√™ncias. Em todas as coisas e ocasi√Ķes, o indiv√≠duo frui, em primeiro lugar, apenas a si mesmo. Isso j√° vale para os deleites f√≠sicos e muito mais para os intelectuais. Por isso, a express√£o inglesa to enjoy one’s self √© bastante acertada; com ela, dizemos, por exemplo, he enjoys himself at Paris, portanto, n√£o ¬ęele frui Paris¬Ľ, mas ¬ęele frui a si em Paris¬Ľ. Entretanto, se a individualidade √© de m√° qualidade, ent√£o todos os deleites s√£o como vinhos deliciosos numa boca impregnada de fel.
Assim, tanto no bem quanto no mal, tirante os casos graves de infelicidade, importa menos saber o que ocorre e sucede a alguém na vida, do que a maneira como ele o sente, portanto, o tipo e o grau da sua susceptibilidade sob todos os aspectos. O que alguém é e tem em si mesmo, ou seja, a personalidade e o seu valor,

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A honra é, objectivamente, a opinião dos outros acerca do nosso valor, e, subjectivamente, o nosso medo dessa opinião.

Rica Ignor√Ęncia

A ignor√Ęncia degrada as pessoas apenas quando associada √† riqueza. O pobre √© limitado pela sua pobreza e pela sua necessidade; as suas realiza√ß√Ķes substituem nele a instru√ß√£o e ocupam os seus pensamentos. Em contrapartida, os ricos, que s√£o ignorantes, vivem meramente para os seus prazeres e assemelham-se √†s bestas, como se pode ver todos os dias. Quanto a isso, acrescente-se ainda a exproba√ß√£o de que a riqueza e o √≥cio n√£o teriam sido desfrutados para aquilo que lhes confere o maior valor.

Tudo o que se realiza em função de outra coisa é feito apenas de maneira parcial, e a verdadeira excelência só pode ser alcançada, em obras de todos os géneros, quando elas foram produzidas em função de si mesmas e não como meios para fins ulteriores.

N√£o Deixes Transparecer o Teu √ďdio e a Tua Ira

Deixar transparecer a ira ou o √≥dio em palavras ou express√Ķes faciais √© in√ļtil, perigoso, pouco inteligente, rid√≠culo e vulgar. Sendo assim, a ira ou o √≥dio devem ser demonstrados unicamente nas ac√ß√Ķes, e isso poder√° ser feito t√£o mais perfeitamente quanto mais perfeitamente forem evitadas as atitudes anteriores.

Toda a rudeza é, na verdade, um apelo à animalidade, na medida em que declara a incompetência da luta das forças espirituais ou do direito moral, substituindo-a por aquela da força física.

O conv√≠vio com um √ļnico homem inteligente √© suficientemente recompensador, mas, se o que se encontra s√£o apenas tipos ordin√°rios, ent√£o faz bem ter uma profus√£o deles, para que a variedade e a actua√ß√£o em conjunto produzam algum efeito: e que o c√©u lhe conceda paci√™ncia!

A amizade verdadeira e genu√≠na pressup√Ķe uma participa√ß√£o intensa, puramente objectiva e completamente desinteressada no destino alheio; participa√ß√£o que, por sua vez, significa nos identificarmos de facto com o amigo.

Os talentos atingem metas que ninguém mais pode atingir; os génios atingem metas que ninguém jamais consegue ver.

Hegel, destruidor de papel, de tempo e de mentes! Na Alemanha, Hegel, um charlat√£o repugnante, est√ļpido e escrevinhador de disparates sem igual, conseguiu ser aclamado como o maior fil√≥sofo de todos os tempos [‚Ķ]. Enquanto outros sofistas, charlat√£es e obscurantistas falsificam e arru√≠nam apenas o conhecimento, Hegel destruiu at√© mesmo o √≥rg√£o do conhecimento, a pr√≥pria intelig√™ncia.

Mostrar espírito e entendimento é uma maneira indirecta de repreender nos outros a sua incapacidade e estupidez. Ademais, o indivíduo comum revolta-se ao avistar o seu oposto, sendo a inveja o seu instigador secreto.