Passagens de Arthur Schopenhauer

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Guardemo-nos de erguer a felicidade da nossa vida sobre um ¬ęamplo fundamento¬Ľ, exigindo muito dessa felicidade: pois, estando apoiada sobre tal base, ela desaba mais facilmente, j√° que oferece muito mais oportunidades para acidentes, que n√£o tardam em faltar.

Confiança Cómoda

A maior parte da nossa confiança nos outros é frequentes vezes constituída de preguiça, egoísmo e vaidade: preguiça quando, para não investigar, vigiar e agir, preferimos confiar em outrem; egoísmo quando a necessidade de falar dos nossos negócios nos leva a confidenciar-lhes algo; vaidade quando uma coisa nos torna orgulhosos. No entanto, exigimos que se honre a nossa confiança.
Por outro lado, nunca deveríamos irritar-nos com a desconfiança, pois nela reside um elogio à probidade, ou seja, é a admissão sincera da sua extrema raridade que faz com que entre no rol das coisas de cuja existência duvidamos.

A dificuldade em adquirir a gl√≥ria por obras √© inversamente proporcional ao n√ļmero daqueles que constituem o p√ļblico de tais obras.

Em geral, festas e entretenimentos brilhantes e ruidosos trazem sempre no seu interior um vazio ou, melhor dizendo, uma disson√Ęncia falsa, mesmo porque contradizem de modo flagrante a mis√©ria e a pobreza da nossa exist√™ncia, e o contraste real√ßa a verdade.

Todo o indiv√≠duo tem direito √† honra; √† gl√≥ria, apenas as excep√ß√Ķes, pois apenas mediante realiza√ß√Ķes excepcionais √© poss√≠vel atingi-la.

O retraimento prolongado e a solid√£o deixam o nosso √Ęnimo t√£o sens√≠vel, que nos sentimos incomodados, afligidos ou feridos por quaisquer acontecimentos insignificantes, palavras ou mesmo simples gestos; enquanto quem vive no tumulto do mundo nem chega a perceb√™-los.

√Č aconselh√°vel, de quando em quando, deixar que todos sintam, seja homem ou mulher, que podemos muito bem passar sem eles. Isto fortalece a amizade.

A Conversa Nunca é Imparcial

√Č espantoso qu√£o f√°cil e rapidamente a homogeneidade ou a heterogeneidade de esp√≠rito e de √Ęnimo entre os homens se faz manifesta na conversa√ß√£o: ela torna-se sens√≠vel √† menor situa√ß√£o. Entre duas pessoas de natureza substancialmente heterog√©nea, que conversam sobre os assuntos mais estranhos e indiferentes, cada frase de uma desagradar√° mais ou menos √† outra, em muitos casos irritar√°. Naturezas homog√©neas, pelo contr√°rio, sentem de imediato, em tudo, uma certa concord√Ęncia, que, tratando-se de grande homogeneidade, logo converge para a harmonia perfeita, para o un√≠ssono.
A partir disso, explica-se, em primeiro lugar, porque os tipos ordin√°rios s√£o t√£o soci√°veis e em qualquer lugar encontram boa companhia com tanta facilidade – gente estimada, am√°vel e honesta. Com os indiv√≠duos incomuns acontece o contr√°rio, e tanto mais quanto mais distintos forem, de tal maneira que, de tempos em tempos, no seu isolamento, podem alegrar-se por terem descoberto em algu√©m, uma fibra, por menor que seja, homog√©nea √† sua! De facto, cada um s√≥ pode ser para outrem o que este √© para ele. Esp√≠ritos verdadeiramente eminentes fazem o seu ninho nas alturas, como as √°guias, solit√°rios. Em segundo lugar, isso explica por que os indiv√≠duos de disposi√ß√£o igual se re√ļnem de imediato,

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O homem mais limitado de espírito é, no fundo, o mais feliz, embora ninguém consiga invejá-lo por tal felicidade.

A superioridade espiritual, mesmo a maior, far√° valer a sua preponder√Ęncia decisiva na conversa√ß√£o s√≥ ap√≥s os quarenta anos de idade. Pois a maturidade dos anos e os frutos da experi√™ncia podem ser superados em muitos sentidos, mas nunca substitu√≠dos pela superioridade espiritual.

O Orgulho Nacional

O tipo mais barato de orgulho √© o orgulho nacional. Ele trai naquele que por ele √© possu√≠do a aus√™ncia de qualidades individuais, das quais ele se poderia orgulhar; caso contr√°rio, n√£o recorreria √†quelas que compartilha com tantos milh√Ķes. Quem possui m√©ritos pessoais distintos reconhecer√°, antes, de modo mais claro, os defeitos da sua pr√≥pria na√ß√£o, pois sempre os tem diante dos olhos. Mas todo o pobre-diabo, que n√£o tem nada no mundo de que se possa orgulhar, agarra-se ao √ļltimo recurso, o de se orgulhar com a na√ß√£o √† qual pertence; isso faz com que se sinta recuperado e, na sua gratid√£o, pronto para defender com unhas e dentes todos os defeitos e desvarios pr√≥prios √† tal na√ß√£o. Desse modo, de cinquenta ingleses, por exemplo, haver√° no m√°ximo um que concordar√° connosco quando falarmos, com justo desprezo, da beatice est√ļpida e degradante da sua na√ß√£o; mas esta √ļnica excep√ß√£o ser√° com certeza um homem de cabe√ßa.

A gl√≥ria foge dos que a procuram e segue aqueles que a descuram, pois os primeiros acomodam-se ao gosto dos seus contempor√Ęneos, os outros afrontam-no.