Passagens sobre Cérebro

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Frases sobre c√©rebro, poemas sobre c√©rebro e outras passagens sobre c√©rebro para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

As quimeras nele e sobre ele, a nuvem noturna, cheia de faces confusas, atravessava-lhe o cérebro.

Dizem que em cada Coisa uma Coisa Oculta Mora

Dizem que em cada coisa uma coisa oculta mora.
Sim, é ela própria, a coisa sem ser oculta,
Que mora nela.

Mas eu, com consci√™ncia e sensa√ß√Ķes e pensamento,
Serei como uma coisa?
Que h√° a mais ou a menos em mim?
Seria bom e feliz se eu fosse s√≥ o meu corpo –
Mas sou também outra coisa, mais ou menos que só isso.
Que coisa a mais ou a menos é que eu sou?

O vento sopra sem saber.
A planta vive sem saber.
Eu também vivo sem saber, mas sei que vivo.
Mas saberei que vivo, ou só saberei que o sei?
Nasço, vivo, morro por um destino em que não mando,
Sinto, penso, movo-me por uma força exterior a mim.
Ent√£o quem sou eu?

Sou, corpo e alma, o exterior de um interior qualquer?
Ou a minha alma é a consciência que a força universal
Tem do meu corpo por dentro, ser diferente dos outros?
No meio de tudo onde estou eu?

Morto o meu corpo,
Desfeito o meu cérebro,
Em coisa abstracta,

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Ambição e Poder

Examinemo-nos no momento em que a ambi√ß√£o nos trabalha, em que lhe sofremos a febre; dissequemos em seguida os nossos ¬ęacessos¬Ľ. Verificaremos que estes s√£o precedidos de sintomas cuirosos, de um calor especial, que n√£o deixa nem de nos arrastar nem de nos alarmar. Intoxicados de porvir por abuso de esperan√ßa, sentimo-nos de s√ļbito respons√°veis pelo presente e pelo futuro, no n√ļcleo da dura√ß√£o, carregada esta dos nossos fr√©mitos, com a qual, agentes de uma anarquia universal, sonhamos explodir. Atentos aos acontecimentos que se passam no nosso c√©rebro e √†s vicissitudes do nosso sangue, virados para o que nos altera, espiamos-lhe e acarinhamos-lhe os sinais. Fonte de perturba√ß√Ķes, de transtornos √≠mpares, a loucura pol√≠tica, se afoga a intelig√™ncia, favorece em contrapartida os instintos e mergulha-os num caos salutar. A ideia do bem e sobretudo do mal que imaginamos ser capazes de cumprir regozijar-nos-√° e exaltar-nos-√°; e o feito das nossas enfermidades, o seu prod√≠gio, ser√° tal que elas nos instituir√£o senhores de todos e de tudo.
À nossa volta, observaremos uma alteração análoga naqueles que a mesma paixão corrói. Enquanto sofrerem o seu império, serão irreconhecíves, presas de uma embriaguez diferente de todas as outras. Tudo mudará neles, até o timbre da voz.

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Hino À Dor

Dor, sa√ļde dos seres que se fanam,
Riqueza da alma, psíquico tesouro,
Alegria das gl√Ęndulas do choro
De onde todas as l√°grimas emanam..

√Čs suprema! Os meus √°tomos se ufanam
De pertencer-te, oh! Dor, ancoradouro
Dos desgraçados, sol do cérebro, ouro
De que as próprias desgraças se engalanam!

Sou teu amante! Ardo em teu corpo abstrato.
Com os corp√ļsculos m√°gicos do tacto
Prendo a orquestra de chamas que executas…

E, assim, sem convuls√£o que me alvorece,
Minha maior ventura é estar de posse
De tuas claridades absolutas!

Eu tenho o cérebro de uma criança de quatro anos. Aposto em como ele está contente por se ter visto livre dele.

Se você tem cérebro e sapatos nos pés, e o caminho não for agradável, vá por outro que julgar melhor.

As M√£os

Brandamente escrevem dos espasmos do sol.
Envelhecem do pulso ao cérebro, ao calor baço
de um revérbero no eixo dos ventos, usura
das m√°scaras que, sucessivamente, as transformam

de consciência em cal ou metal obscuro.
E já não é por si que a presença existe ou
subsiste o que separa. Destroem as sementes,
apodrecem como um sopro e n√£o s√£o remanso

na areia ou domadoras de chamas. Igualam-se
à água, para serem raiz do que se cala
e insinuam-se, para sempre, no pó da noite.

Um castelo de pele tomba. Deixam de ser
nomeadas ou nome. Escrevem, brandamente,
do termo da m√ļsica o luto do sil√™ncio.

Acho que alguém assiste à TV para desligar seu cérebro. E trabalha no computador quando quer ligá-lo.

A Casa Branca Nau Preta

Estou reclinado na poltrona, √© tarde, o Ver√£o apagou-se…
Nem sonho, nem cismo, um torpor alastra em meu c√©rebro…
N√£o existe manh√£ para o meu torpor nesta hora…
Ontem foi um mau sonho que algu√©m teve por mim…
H√° uma interrup√ß√£o lateral na minha consci√™ncia…
Continuam encostadas as portas da janela desta tarde
Apesar de as janelas estarem abertas de par em par…
Sigo sem aten√ß√£o as minhas sensa√ß√Ķes sem nexo,
E a personalidade que tenho est√° entre o corpo e a alma…

Quem dera que houvesse
Um terceiro estado pra alma, se ela tiver s√≥ dois…
Um quarto estado pra alma, se s√£o tr√™s os que ela tem…
A impossibilidade de tudo quanto eu nem chego a sonhar
D√≥i-me por detr√°s das costas da minha consci√™ncia de sentir…

As naus seguiram,
Seguiram viagem n√£o sei em que dia escondido,
E a rota que devem seguir estava escrita nos ritmos,
Os ritmos perdidos das can√ß√Ķes mortas do marinheiro de sonho…

√Ārvores paradas da quinta, vistas atrav√©s da janela,
√Ārvores estranhas a mim a um ponto inconceb√≠vel √† consci√™ncia de as estar vendo,

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Revelação

I

Escafandrista de insondado oceano
Sou eu que, aliando Buda ao sibarita,
Penetro a essência plásmica infinita,
-Mãe promíscua do amor e do ódio insano!

Sou eu que, hirto, auscultando o absconso arcano,
Por um poder de ac√ļstica esquisita,
Ouço o universo ansioso que se agita
Dentro de cada pensamento humano!

No abstrato abismo equóreo, em que me Inundo,
Sou eu que, revolvendo o ego profundo
E a ódio dos cérebros medonhos,

Restituo triunfalmente à esfera calma
Todos os cosmos que circulam na alma
Sob a forma embriológica de sonhos!

O Sofrimento do Hipócrita

Ter mentido √© ter sofrido. O hip√≥crita √© um paciente na dupla acep√ß√£o da palavra; calcula um triunfo e sofre um supl√≠cio. A premedita√ß√£o indefinida de uma a√ß√£o ruim, acompanhada por doses de austeridade, a inf√Ęmia interior temperada de excelente reputa√ß√£o, enganar continuadamente, n√£o ser jamais quem √©, fazer ilus√£o, √© uma fadiga. Compor a candura com todos os elementos negros que trabalham no c√©rebro, querer devorar os que o veneram, acariciar, reter-se, reprimir-se, estar sempre alerta, espiar constantemente, compor o rosto do crime latente, fazer da disformidade uma beleza, fabricar uma perfei√ß√£o com a perversidade, fazer c√≥cegas com o punhal, por a√ß√ļcar no veneno, velar na franqueza do gesto e na m√ļsica da voz, n√£o ter o pr√≥prio olhar, nada mais dif√≠cil, nada mais doloroso. O odioso da hipocrisia come√ßa obscuramente no hip√≥crita. Causa n√°useas beber perp√©tuamente a impostura. A meiguice com que a ast√ļcia disfar√ßa a malvadez repugna ao malvado, continuamente obrigado a trazer essa mistura na boca, e h√° momentos de enj√īo em que o hip√≥crita vomita quase o seu pensamento. Engolir essa saliva √© coisa horr√≠vel. Ajuntai a isto o profundo orgulho. Existem horas estranhas em que o hip√≥crita se estima. H√° um eu desmedido no impostor.

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Não, Sr. Rearden. Ou uma coisa ou outra. Um mesmo cérebro não sabe fazer os dois tipos de negócios. Ou a pessoa sabe administrar uma fábrica ou sabe recorrer a Washington

Opi√°rio

Ao Senhor M√°rio de S√°-Carneiro

√Č antes do √≥pio que a minh’alma √© doente.
Sentir a vida convalesce e estiola
E eu vou buscar ao ópio que consola
Um Oriente ao oriente do Oriente.

Esta vida de bordo h√°-de matar-me.
São dias só de febre na cabeça
E, por mais que procure até que adoeça,
j√° n√£o encontro a mola pra adaptar-me.

Em paradoxo e incompetência astral
Eu vivo a vincos de ouro a minha vida,
Onda onde o pundonor é uma descida
E os pr√≥prios gozos g√Ęnglios do meu mal.

√Č por um mecanismo de desastres,
Uma engrenagem com volantes falsos,
Que passo entre vis√Ķes de cadafalsos
Num jardim onde h√° flores no ar, sem hastes.

Vou cambaleando através do lavor
Duma vida-interior de renda e laca.
Tenho a impress√£o de ter em casa a faca
Com que foi degolado o Precursor.

Ando expiando um crime numa mala,
Que um av√ī meu cometeu por requinte.
Tenho os nervos na forca, vinte a vinte,
E caí no ópio como numa vala.

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O Tipo de Homem que Eu Sou

Agora é necessário que eu deva dizer que tipo de homem sou. O meu nome não importa, nem qualquer outro pormenor exterior particular acerca de mim. Do meu carácter alguma coisa deve ser dita.

Toda a constitui√ß√£o do meu esp√≠rito √© de hesita√ß√£o e d√ļvida. Nada √© ou pode ser positivo para mim, todas as coisas oscilam em torno de mim, e eu com elas, uma incerteza para mim pr√≥prio. Tudo para mim √© incoer√™ncia e mudan√ßa. Tudo √© mist√©rio e tudo √© significado. Todas as coisas s√£o ¬ędesconhecidos¬Ľ simb√≥licos do Desconhecido. Consequentemente horror, mist√©rio, medo supra-inteligente.

Pelas minhas próprias tendências naturais, pelo enquadramento da minha juventude, pela influência dos estudos realizados sob o impulso delas (dessas mesmas tendências), por tudo isso eu sou das espécies internas de caráter, auto-centrado, mudo, não auto-suficiente mas auto-perdido. Toda a minha vida tem sido de passividade e sonho. Todo o meu carácter consiste no ódio, no horror de, na incapacidade que permeia tudo o que me é, fisicamente e mentalmente, por actos decisivos, por pensamentos definidos. Eu nunca tive uma resolução nascida de uma auto-determinação, nunca uma traição externa de uma vontade consciente. Nenhum dos meus escritos foi terminado;

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Se um homem encara a vida de um ponto de vista artístico, seu cérebro passa a ser seu coração.