Cita√ß√Ķes de Eug√®ne Delacroix

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Frases, pensamentos e outras cita√ß√Ķes de Eug√®ne Delacroix para ler e compartilhar. Os melhores escritores est√£o em Poetris.

A Satisfação do Trabalho

Para não sofrer, trabalha. Sempre que puderes diminuir o teu tédio ou o teu sofrimento pelo trabalho, trabalha sem pensar. Parece simples à primeira vista. Eis um exemplo trivial: saí de casa e sinto que as roupas me incomodam, mas com a preguiça de voltar atrás e mudar de roupa continuo a caminhar. Existem contudo muitos outros exemplos. Se se aplicasse esta determinação tanto às coisas banais da existência como às coisas importantes, comunicar-se-ia à alma um fundo e um equilíbrio que constituem o estado mais propício para repelir o tédio.
Sentir que fazemos o que devemos fazer aumenta a considera√ß√£o que temos por n√≥s pr√≥prios; desfrutamos, √† falta de outros motivos de contentamento, do primeiro dos prazeres – o de estar contente consigo mesmo… √Č enorme a satisfa√ß√£o de um homem que trabalhou e que aproveitou convenientemente o seu dia. Quando me encontro nesse estado, gozo depois, deliciadamente, com o repouso e os mais pequenos lazeres. Posso mesmo encontrar-me no meio das pessoas mais aborrecidas, sem o menor desagrado; a recorda√ß√£o do trabalho feito n√£o me abandona e preserva-me do aborrecimento e da tristeza.

Esta vida humana, tão breve para as mais frívolas experiências, é para as amizades uma prova difícil e demorada.

A Sabedoria do Homem Comum

Os ignorantes e o homem comum n√£o t√™m problemas. Para eles na Natureza tudo est√° como deve estar. Eles compreendem as coisas pela simples raz√£o delas existirem. E, na realidade, n√£o d√£o eles provas de mais raz√£o do que todos os sonhadores, que chegam a duvidar do seu pr√≥prio pensamento? Morre um dos seus amigos, e como julgam saber o que √© a morte √† dor que sentem por o perderem n√£o acrescentam a cruel ansiedade que resulta da impossibilidade de aceitar um acontecimento t√£o natural… Estava vivo, e agora encontra-se morto; falava-me, o seu esp√≠rito prestava aten√ß√£o ao que eu lhe dizia, mas hoje j√° nada disso existe: resta apenas aquele t√ļmulo – mas repousa ele nesse t√ļmulo, t√£o frio como a pr√≥pria sepultura? Erra a sua alma em redor desse monumento? Quando eu penso nele √© a sua alma que vem assolar a minha mem√≥ria? O h√°bito traz-nos de novo, contudo, ao n√≠vel do homem comum.
Quando o seu rasto se tiver apagado – n√£o h√° d√ļvidas de que ele morreu! – ent√£o a coisa deixar√° de nos incomodar. Os s√°bios e os pensadores parecem portanto menos avan√ßados que o homem comum, j√° que eles pr√≥prios n√£o t√™m a certeza,

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Um Certo Grau de Desafogo

Depressa compreendi como para um homem na minha posi√ß√£o se tornava indispens√°vel uma certa riqueza. Seria t√£o desagrad√°vel para mim ter uma excessiva fortuna, como n√£o ter nenhuma. A dignidade e o respeito pr√≥prios s√£o insepar√°veis de um certo grau de desafogo. Eis o que eu aprecio, aquilo de que eu necessito – mais do que as pequenas comodidades que uma riqueza relativa permite. O que se segue a esta necessidade de independ√™ncia √© a tranquilidade de esp√≠rito: √© sentir-se livre dos cuidados e dos empreendimentos ign√≥beis que acarretam sempre as dificuldades monet√°rias. √Č necess√°ria uma grande prud√™ncia para chegar a este estado fundamental e mantermo-nos nele; √© preciso ter constantemente em mente a necessidade desta calma e desta falta de preocupa√ß√Ķes materiais, que nos permite entregarmo-nos completamente aos empreendimentos mais elevados e que impede que a nossa alma e o nosso esp√≠rito se degradem.

A Alma e o Génio

O que faz de um homem um homem de génio Рou melhor o que eles fazem Рnão são as ideias novas mas essa ideia, que nunca os larga, que o que já foi dito não o foi nunca suficientemente.
(…) O que tortura a minha alma √© a sua solid√£o. Quanto mais ela se dispersa pelos amigos e os prazeres comezinhos, mais esta me foge e se esconde na sua fortaleza. A novidade encontra-se no esp√≠rito que cria e n√£o na nautreza reproduzida.

Tu que sabes que o novo existe sempre, mostra-o aos outros – no que eles nunca souberam ver. Faz-lhes compreender que nunca tinham ouvido falar do rouxinol, do espect√°culo do mar imenso ou de tudo aquilo que os seus grosseiros √≥rg√£os s√≥ se encontram em condi√ß√Ķes de desfrutar depois de se ter tido o trabalho de sentir por eles.
E não faças da língua um empecilho, porque se cuidares da tua alma ela arranjará forma de se dar a entender. Criará uma nova linguagem que valerá os hemistíquios deste ou a prosa daquele. O quê?, diz-me que se considera uma pessoa original e fica insensível à leitura de Byron ou de Dante?

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√Č por ter Esp√≠rito que me Aborre√ßo

√Č preciso esconjurar, da forma que nos for poss√≠vel, este diabo de vida que n√£o sei porque √© que nos foi dada e que se torna t√£o facilmente amarga se n√£o opusermos ao t√©dio e aos aborrecimentos uma vontade de ferro. √Č preciso, numa palavra, agitar este corpo e este esp√≠rito que se delapidam um ao outro na estagna√ß√£o e numa indol√™ncia que se confunde com um torpor. √Č preciso passar, necessariamente, do descanso ao trabalho – e reciprocamente: s√≥ assim estes parecer√£o, ao mesmo tempo, agrad√°veis e salutares. Um desgra√ßado que trabalhe sem cessar, sob o peso de tarefas inadi√°veis, deve ser, sem d√ļvida, extremamente infeliz, mas um indiv√≠duo que n√£o fa√ßa mais do que divertir-se n√£o encontrar√° nas suas distrac√ß√Ķes nem prazer nem tranquilidade; sente que luta contra o t√©dio e que este o prende pelos cabelos – como se fosse um fantasma que se colocasse sempre por detr√°s de cada distrac√ß√£o e espreitasse por cima do nosso ombro.
Não julgue, cara amiga, que eu só porque trabalho regularmente estou isento das investidas deste terrível inimigo; penso que, quando se tem uma certa disposição de espírito, é preciso termos uma imensa energia de forma a não nos deixarmos absorver e conseguir escapar,

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O Equilíbrio na Maturidade

Recordo-me que outrora, quando tinha essa idade que se diz ser a idade do entusiasmo e da for√ßa da imagina√ß√£o, como me faltava a experi√™ncia para tornar mais fortes essas belas qualidades, interrompia frequentemente o meu trabalho, que muitas vezes me desagradava. Apois√ß√£o em que a idade nos coloca √© uma ironia da natureza. Quando chegamos √† total maturidade, temos uma imagina√ß√£o mais fesca e viva do que nunca e sobretudo sossegaram as loucas e impetuosas paix√Ķes que a idade arrasta consigo, mas faltam-nos j√° as for√ßas e temos os sentidos gastos – estes pedem mais o descanso do que a agita√ß√£o. E, no entanto, apesar de todas estas agruras, como √© grande a consola√ß√£o que nos √© comunicada pelo trabalho! Como me sinto feliz por n√£o ter de ser feliz como tanto o desejava no passado! De que selv√°tica tirania afinal n√£o me acabou por libertar o enfraquecimento do corpo?!
Então, a pintura era o que menos me preocupava. Temos de nos adaptar às nossas forças: se a partir de certa altura a natureza se recusa a trabalhar, não a devemos violentar mas contentarmo-nos com o que ela nos dá; não nos deixarmos dominar pela sede de elogios,

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O Progresso do Homem Feliz

O homem feliz √© aquele que conquistou a felicidade ou o momento da felicidade que sente presentemente. O t√£o afamado progresso tende a suprimir o esfor√ßo que medeia entre o desejo e a sua realiza√ß√£o – e acaba por tornar o homem, na verdade, ainda mais infeliz. O homem habitua-se… gra√ßas a esta perspectiva de uma felicidade f√°cil de conseguir supress√£o da dist√Ęncia e do trabalho, em tudo.

Educação Permanente

A educa√ß√£o prolonga-se por toda a vida. Defino-a da seguinte maneira: a matura√ß√£o da nossa alma e do nosso esp√≠rito gra√ßas aos nossos cuidados e √†s circunst√Ęncias exteriores. Do conv√≠vio com pessoas m√°s ou com pessoas respeit√°veis √© que resulta a m√° ou boa educa√ß√£o de toda a vida. O esp√≠rito fortifica-se no conv√≠vio com os esp√≠ritos rectos; sucede o mesmo com a alma. Endurece-se no conv√≠vio com pessoas duras e frias.

Há duas coisas que a experiência deve ensinar: a primeira é que é preciso corrigir muita coisa; a segunda é que não se deve corrigir demais.

Vícios de Corpo e Alma

Se descobrires em ti um ponto fraco, em vez de o dissimulares reduz-te √†s tuas pr√≥prias dimens√Ķes e corrige-te. Ah!, se a alma tivesse de combater s√≥ o corpo ?! Porque ela tamb√©m tem as suas inclina√ß√Ķes viciosas e √© necess√°rio que uma das suas partes – a mais pequena, mas ao mesmo tempo a mais divina – combata a outra, sem cessar. Todas as paix√Ķes do corpo s√£o vis. As da alma, que s√£o vis, tornam-se verdadeiros cancros: a inveja, etc. A cobardia √© t√£o vil que deve ser comum a ambos.

O Ciclo da Vida

O homem domina a natureza e √© por ela dominado. S√≥ ele lhe resiste e ao mesmo tempo ultrapassa as suas leis, amplia o seu poderio gra√ßas √† sua vontade e actividade. Afirmar no entanto que o mundo foi criado para o homem √© algo que est√° longe de ser evidente. Tudo o que o homem constr√≥i √©, como ele, ef√©mero: o tempo derruba os edif√≠cios, atulha os canais, apaga o saber – e at√© o nome das na√ß√Ķes. (…) Dir-me-√£o que as novas gera√ß√Ķes recebem a heran√ßa das gera√ß√Ķes que as precederam e que, por consequ√™ncia, a perfei√ß√£o ou o aperfei√ßoamento n√£o t√™m limites. Mas o homem est√° longe de receber intacta a s√ļmula dos conhecimentos acumulados pelos s√©culos que o precederam e se aperfei√ßoa algumas dessas inven√ß√Ķes no que diz respeito a outras fica bastante atr√°s dos seus pr√≥prios inventores; um grande n√ļmero dessas inven√ß√Ķes chega mesmo a perder-se.
Não preciso sequer de sublinhar como certos pretensos melhoramentos foram nocivos à moral e ao bem-estar. Determinada invenção, suprimindo ou diminuindo o trabalho e o esforço, enfraqueceu a dose de paciência necessária para suportar as contrariedades Рou a energia que temos de dar provas para as vencer.

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A Mediocridade que Vulgariza o Talento

N√£o se tem ideia como abunda a mediocridade. (…) S√£o pessoas como essas que travam sempre, em todos os lados, a m√°quina accionada pelos homens de talento. Os homens superiores s√£o por natureza inovadores. Quando surgem deparam com o disparate e a mediocridade por todos os lados (ela que tudo domina e que se manifesta em tudo o que se faz). O seu impulso natural √© assentar tudo de novo em terreno s√≥lido e experimentar caminhos novos, para fugir a essa vulgaridade e parvo√≠ce. Se por acaso eles triunfam e acabam por levar a melhor sobre a rotina, t√™m de ser ver a contas, por seu turno, com os incapazes – que fazem ponto de honra da c√≥pia grosseira dos seus processos e estragam tudo o que lhes vem √†s m√£os.
Depois deste primeiro movimento, que leva os inovadores a sairem das sendas j√° tra√ßadas, segue-se quase sempre outro que os faz, no fim da sua carreira, conter o indiscreto entusiasmo que vai sempre demasiado longe e que, pelo exagero, arruina o que inventaram. Ao se darem conta do triste uso que √© feito das inova√ß√Ķes que eles lan√ßaram no mundo, come√ßam a elogiar aquilo que, afinal, gra√ßas a eles,

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