Passagens sobre Respiração

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Frases sobre respira√ß√£o, poemas sobre respira√ß√£o e outras passagens sobre respira√ß√£o para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

√Čs Linda

√Čs linda. E nem sabes quantos peda√ßos de beleza tive de juntar para chegar a esta conclus√£o. Para te construir, tive de misturar a conspira√ß√£o das searas com a tristeza do choupo, a inquieta√ß√£o da cotovia com o cheiro lavado do vento do ocidente. E a firmeza repartida dos livros, com a alegria explosiva dos mios√≥tis e a luz escura das violetas. Juntei depois um pouco de ansiedade das estrelas, a paci√™ncia das casas √† beira da fal√©sia, a espuma da terra, o respirar do sul, as perguntas de gesso que se fazem √† lua. Acrescentei-lhe a can√ß√£o das margens e pequenos peda√ßos da ang√ļstia do olhar. N√£o esqueci a intimidade do frio nem a dor branca que habita o cora√ß√£o dos muros. Por fim, deitei na tua pele o sono dos alperces, aos teus m√ļsculos prometi a viol√™ncia das cascatas, no teu sexo acordei a mem√≥ria do universo.
A tua beleza est√° no meu desejo, nos meus olhos, na minha desigual maneira de te amar. √Čs linda, repito. Mas tenta n√£o encarar o que te digo como um elogio.

O Amor entre o Trigo

Cheguei ao acampamento dos Hern√°ndez antes do meio-dia, fresco e alegre. A minha cavalgada solit√°ria pelos caminhos desertos, o repouso do sono, tudo isso refulgia na minha taciturna juventude.
A debulha do trigo, da aveia, da cevada, fazia-se ainda com éguas. Nada no mundo é mais alegre que ver rodopiar as éguas, trotando à volta do calcadouro do cereal, sob o grito espicaçante dos cavaleiros. Brilhava um sol esplêndido e o ar era um diamante silvestre que fazia brilhar as montanhas. A debulha é uma festa de ouro. A palha amarela acumula-se em montanhas douradas. Tudo é actividade e bulício, sacos que correm e se enchem, mulheres que cozinham, cavalos que tomam o freio nos dentes, cães que ladram, crianças que a cada momento é preciso livrar, como se fossem frutos da palha, das patas dos cavalos.

Oe Hernández eram uma tribo singular. Os homens, despenteados e por barbear, em mangas de camisa e com revólver à cinta, andavam quase sempre besuntados de óleo, de poeiras, de lama, ou molhados até aos ossos pela chuva. Pais, filhos, sobrinhos, primos, eram todos da mesma catadura. Estavam horas inteiras ocupados debaixo de um motor, em cima de um tecto,

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Se √© necess√°ria uma salutar aten√ß√£o √† salvaguarda da Cria√ß√£o, da pureza do ar, da √°gua e dos alimentos, tanto mais devemos salvaguardar a pureza daquilo que temos de mais precioso: os nossos cora√ß√Ķes e as nossas rela√ß√Ķes. Esta ¬ęecologia humana¬Ľ ajudar-nos-√° a respirar o ar puro que prov√©m das coisas belas, do amor, da santidade.

Na noite de Pentecostes, a ¬ęrespira√ß√£o¬Ľ do Cristo Ressuscitado enche de vida os pulm√Ķes da Igreja; e, com efeito, as bocas dos disc√≠pulos, ¬ęcheios o Esp√≠rito Santo¬Ľ (Atos dos Ap√≥stolos 2: 1-11), abrem-se para proclamar a todos as grandes obrar de Deus.

Ver Correr a Esperança

De bru√ßos sobre o lavat√≥rio, abro a torneira, tapo o ralo, fico alguns momentos a ver correr a esperan√ßa, que vai enchendo aos poucos a bacia. Depois fecho a torneira e, retirando a tampa, vejo-a escoar-se em gorgolejos que cada vez s√£o mais humanos e mais fundos. √Č a respira√ß√£o do ralo, que s√≥ ent√£o dou conta de que est√° dentro de mim, por uma dessas distor√ß√Ķes a que √© costume eu ser atreito e que me impede ainda de me ver no pr√≥prio espelho, que, apesar de se encontrar √† minha frente, n√£o consigo deslocar do avesso dos meus olhos.

Os meus sentidos rangem, solid√°rios com os canos, eles que eu gostaria de poder assimilar ao mar, a um c√©u azul, desanuviado, e que jamais me d√£o do esp√≠rito vis√Ķes onde n√£o se encastoem nuvens e rebentem tempestades.

Repito a operação. Mergulho às vezes as mãos na minha esperança, mas retiro-as ao cabo de algum tempo, antes que se transformem em raízes. Destapo uma vez mais o ralo. Assim corre a amizade Рpenso, olhando o redemoinho -, assim correm os afectos, que, depois de encherem a bacia onde a custo nos lavamos sem os fazermos transbordar,

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Comparar-te a um Dia de Ver√£o?

Comparar-te a um dia de ver√£o?
H√° mais ternura em ti, ainda assim:
um maio em flor às mãos do furacão,
o foral do ver√£o que chega ao fim.

Por vezes brilha ardendo o olhar do céu;
outras, desfaz-se a compleição doirada,
perde beleza a beleza; e o que perdeu
vai no acaso, na natureza, em nada.

Mas juro-te que o teu humano ver√£o
ser√° eterno; sempre crescer√°s
indiferente ao tempo na canção;

e, na canção sem morte, viverás:
Porque o mundo, que vê e que respira,
te ver√° respirar na minha lira.

Tradução de Carlos de Oliveira

Um Amor

Aproximei-me de ti; e tu, pegando-me na m√£o,
puxaste-me para os teus olhos
transparentes como o fundo do mar para os afogados. Depois, na rua,
ainda apanh√°mos o crep√ļsculo.
As luzes acendiam-se nos autocarros; um ar
diferente inundava a cidade. Sentei-me
nos degraus do cais, em silêncio.
Lembro-me do som dos teus passos,
uma respiração apressada, ou um princípio de lágrimas,
e a tua figura luminosa atravessando a praça
até desaparecer. Ainda ali fiquei algum tempo, isto é,
o tempo suficiente para me aperceber de que, sem estares ali,
continuavas ao meu lado. E ainda hoje me acompanha
essa doente sensação que
me deixaste como amada
recordação.

Canção Póstuma

Fiz uma canção para dar-te;
porém tu já estavas morrendo.
A Morte é um poderoso vento.
E √© um suspiro t√£o t√≠mido, a Arte…

√Č um suspiro t√≠mido e breve
como o da respiração diária.
Choro de pomba. E a Morte é uma águia
cujo grito ninguém descreve.

Vim cantar-te a canção do mundo,
mas est√°s de ouvidos fechados
para os meus l√°bios inexatos,
‚ÄĒ atento a um canto mais profundo.

E estou como alguém que chegasse
ao centro do mar, comparando
aquele universo de pranto
com a l√°grima da sua face.

E agora fecho grandes portas
sobre a canção que chegou tarde.
E sofro sem saber de que Arte
se ocupam as pessoas mortas.

Por isso é tão desesperada
a pequena, humana cantiga.
Talvez dure mais do que a vida.
Mas à Morte não diz mais nada.

Às vezes eu me coloco numa situação de ver um pouco antes de ver mesmo. Eu pressinto o instante que se segue e cadencialmente minha respiração acompanha o ritmo do tempo. Eu que sinto antes de sentir. A harmonia é pressentir a próxima frase, o próximo som, a próxima visão.

O Medo de Viver

Como contacto praticamente permanente com a lógica surgiu-me um sentimento que nunca antes eu experimentara: o medo de viver, o medo de respirar. Com urgência preciso lutar porque esse medo me amarra mais do que o medo da morte, é um crime contra mim mesmo. Estou com saudade de meu anterior clima de aventura e minha estimulante inquietação. Acho que ainda não caí na monotonia de viver.

Ama. Ama por inteiro. Ama sem nada pelo meio. Ama, ama, ama, ama. Ama. Porque é só por aquilo que te faz perder a respiração que vale a pena respirar.

Mudar para Melhor

Acredito piamente que enquanto tivermos o privil√©gio de encher o peito de ar e respirar, de pisar o ch√£o quente ou frio de cada esta√ß√£o, de ver as mil cores que temos √† nossa frente, de ouvir as mais belas composi√ß√Ķes que a natureza tem para nos oferecer e de cheirar cada uma das maravilhosas fragr√Ęncias que existem em nosso redor, acredito que enquanto isso nos for poss√≠vel, enquanto nos for poss√≠vel sentir desta maneira e com esta intensidade, √© nossa obriga√ß√£o mudar para melhor, abandonar o que trazemos vestido h√° anos ou desde sempre, revestirmo-nos de uma nova pele e escalar, escalar, escalar at√© nos aproximarmos do nosso c√©u, daquele manto estrelado e infinito que √© o amor por n√≥s mesmos, a plenitude, lugar onde habita, entre outras coisas, a nossa confian√ßa.

Atreve-te a Julgar

Atreve-te a julgar. Julga os outros julgando-te a ti mesmo. A natureza das coisas √© a tua natureza. Respira-te, despe-te, faz amor com as tuas convic√ß√Ķes, n√£o te limites a sorrir quando n√£o sabes o que dizer. Os teus dentes est√£o lavados, as tuas m√£os s√£o am√°veis, mas falta-te decis√£o nos passos e firmeza nos gestos. Procura-te. Tenta encontrar-te antes que te agarre a voracidade do tempo. Faz as coisas com paix√£o. Uma paix√£o irrequieta, que n√£o te d√™ descanso e te fa√ßa doer a respira√ß√£o. Aspira o ar, bebe-o com for√ßa, √© teu, nem um c√™ntimo pagar√°s por ele.

O Medo do Sucesso

H√° muitas pessoas com um enorme potencial e s√≥ n√£o o materializam porque t√™m medo de deixar de ser quem s√£o se atingirem determinado patamar. Ora isto √© o maior sinal de que, e desculpa se estou a falar de ti, por muito que penses saber quem √©s, a verdade √© que n√£o fazes ideia do que pensas ser. Ningu√©m que saiba ser vive com medo de deixar de s√™-lo √† medida que vai conquistando novos mundos. Ningu√©m que saiba ser deixa de ser o que verdadeiramente √©, ainda que a terra desabe ou o para√≠so se torne parte dos seus dias. Quem √©, √©, ponto final, e n√£o desenvolveres os teus dons com medo de abandonares quem pensas ser, √© como condenares-te √† morte pela asfixia da frustra√ß√£o, √© como se metade de ti soubesse o caminho e a outra metade te puxasse para tr√°s, √© como estares t√£o perto do que √©s e t√£o longe de vires a s√™-lo. O desgaste ser√° um saco de pl√°stico √† volta do teu pesco√ßo, cada vez mais apertado e tu mais ofegante at√© ao dia em que deixas de acreditar e pereces. √Č isso que queres? Outro dos motivos para o medo do sucesso √© a possibilidade de perder pessoas,

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Estar de bem com a matemática é estar de bem com a vida. Respirar x vezes por hora é fundamental. Existe paz no rosto esculpido de Pitágoras. E a paz não se troca por nada porque inclui tudo o que é necessário.

Envelheces um dia por dia, cada dia a mais é um dia a menos. Eu sei que há isto e aquilo, há as outras pessoas e a grande quantidade de coisas que pensas que elas pensam, mas queres uma novidade? As outras pessoas estão-se lixando. Se fizeres aquilo que é imperativo que faças, a respiração das outras pessoas não se perturbará mais do que um nada invisível. Estás à espera de quê?

Entre os pobres mais abandonados e maltratados est√° a nossa oprimida e devastada Terra, que ¬ęgeme e sofre as dores do parto¬Ľ (Carta aos Romanos 8:22). Esquecemo-nos de que n√≥s pr√≥prios somos Terra (cf. G√©nesis 2:7). O nosso pr√≥prio corpo √© constitu√≠do pelos elementos do planeta, √© o seu ar que nos permite respirar e a sua √°gua vivifica-nos e restaura-nos.