Passagens de Albert Camus

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Frases, pensamentos e outras passagens de Albert Camus para ler e compartilhar. Os melhores escritores est√£o em Poetris.

A ideia mais natural para o homem, a que lhe surge ingenuamente, como no fundo de sua natureza, é a ideia de sua inocência.

O que finalmente eu mais sei sobre a moral e as obriga√ß√Ķes do homem devo ao futebol…

Mentir n√£o √© s√≥ dizer aquilo que n√£o √©. √Č tamb√©m, e sobretudo, dizer mais do que aquilo que √© e, no que diz respeito ao cora√ß√£o humano, dizer mais do que se sente.

A Liberdade e a Justiça

A revolu√ß√£o do s√©culo XX separou arbitrariamente, para fins desmesurados de conquista, duas no√ß√Ķes insepar√°veis. A liberdade absoluta mete a justi√ßa a rid√≠culo. A justi√ßa absoluta nega a liberdade. Para serem fecundas, as duas no√ß√Ķes devem descobrir os seus limites uma dentro da outra. Nenhum homem considera livre a sua condi√ß√£o se ela n√£o for ao mesmo tempo justa, nem justa se n√£o for livre. Precisamente, n√£o pode conceber-se a liberdade sem o poder de clarificar o justo e o injusto, de reivindicar todo o ser em nome de uma parcela de ser que se recusa a extinguir-se. Finalmente, tem de haver uma justi√ßa, embora bem diferente, para se restaurar a liberdade, √ļnico valor imperec√≠vel da hist√≥ria. Os homens s√≥ morrem bem quando o fizeram pela liberdade: pois, nessa altura, n√£o acreditavam que morressem por completo.

Para todos aqueles, pelo contr√°rio, que se tinham dirigido por cima do homem a qualquer coisa que nem sequer imaginavam, n√£o houvera resposta.

Vou-lhe dizer um grande segredo, meu caro. Não espere o juízo final. Ele realiza-se todos os dias.

Só se Cria na Diversidade

Todos os pensamentos que renunciam √† unidade exaltam a diversidade. E a diversidade √© o local da arte. O √ļnico pensamento que liberta o esp√≠rito √© aquele que o deixa s√≥, certo dos seus limites e do seu fim pr√≥ximo. Nenhuma doutrina o solicita. Ele espera o amadurecimento da obra e da vida. Separada dele, a primeira far√° ouvir, uma vez mais, a voz levemente ensurdecida de uma alma para todo o sempre liberta da esperan√ßa. Ou nada far√° ouvir, se o criador, cansado do seu jogo, pretende afastar-se. Tudo isso se equivale.

Quando procuro o que há de fundamental em mim, é o gosto da felicidade que eu encontro.

Só a Morte Desperta os Nossos Sentimentos

Não amaremos talvez insuficientemente a vida? Já notou que só a morte desperta os nossos sentimentos? Como amamos os amigos que acabam de deixar-nos, não acha?! Como admiramos os nossos mestres que já não falam, com a boca cheia de terra! A homenagem surge, então, muito naturalmente, essa mesma homenagem que talvez eles tivessem esperado de nós, durante a vida inteira. Mas sabe porque nós somos sempre mais justos e mais generosos para com os mortos? A razão é simples! Para com eles, já não há deveres.

√Č assim o homem, caro senhor, tem duas faces. N√£o pode amar sem se amar. Observe os seus vizinhos, se calha de haver um falecimento no pr√©dio. Dormiam na sua vida mon√≥tona e eis que, por exemplo, morre o porteiro. Despertam imediatamente, atarefam-se, enchem-se de compaix√£o. Um morto no prelo, e o espect√°culo come√ßa, finalmente. T√™m necessidade de trag√©dia, que √© que o senhor quer?, √© a sua pequena transcend√™ncia, √© o seu aperitivo.
√Č preciso que algo aconte√ßa, eis a explica√ß√£o da maior parte dos compromissos humanos. √Č preciso que algo aconte√ßa, mesmo a servid√£o sem amor, mesmo a guerra ou a morte.

No plano da inteligência, posso então dizer que o absurdo não está no homem (se semelhante metáfora pudesse ter algum sentido) nem no mundo, mas na sua presença comum. (p. 45)

Existe apenas um √ļnico problema filos√≥fico realmente s√©rio: o suic√≠dio. Julgar se a vida vale ou n√£o a pena ser vivida significa responder √† quest√£o fundamental da filosofia.

Os que escrevem com clareza têm leitores, os que escrevem de maneira obscura têm comentaristas.