Passagens de Albert Camus

197 resultados
Frases, pensamentos e outras passagens de Albert Camus para ler e compartilhar. Os melhores escritores est√£o em Poetris.

E no meio de um inverno eu finalmente aprendi que havia dentro de mim um verão invencível.

Sabiam agora que, se há qualquer coisa que se pode desejar sempre e obter algumas vezes, essa qualquer coisa é a ternura humana.

Não podemos afirmar a inocência de ninguém, ao passo que podemos afirmar com segurança a culpabilidade de todos. Cada homem é testemunha do crime de todos os outros, eis a minha fé e a minha esperança.

Amar um Ser é Matar Todos os Outros

Não há uma coisa que se faça por um ser (que se faça verdadeiramente) que não negue um outro. E quando não nos podemos resignar a negar os seres, há uma lei que nos estiriliza para sempre. De certo modo, amar um ser é matar todos os outros.

E foi por isso que decidi recusar tudo o que, de perto ou de longe, por boas ou m√°s raz√Ķes, faz morrer ou justifica que se fa√ßa morrer.

…Rieux sentia a derrota definitiva, a que termina as guerras e transforma a paz em sofrimento incurável.

Ah! Meu caro, para quem est√° s√≥, sem Deus e sem senhor, o peso dos dias √© terr√≠vel…

O Verdadeiro e o Falso

A primeira dilig√™ncia do esp√≠rito √© a de distinguir o que √© verdadeiro do que √© falso. No entanto, logo que o pensamento reflecte sobre si pr√≥prio, o que primeiro descobre √© uma contradi√ß√£o. Seria ocioso procurar, neste ponto, ser-se convincente. Ningu√©m, h√° s√©culos, deu uma demonstra√ß√£o mais clara e mais elegante do caso do que Arist√≥teles: “A consequ√™ncia, muitas vezes ridicularizada, dessas opini√Ķes √© que elas se destroem a si pr√≥prias”.

Porque, se afirmarmos que tudo √© verdadeiro afirmamos a verdade da afirma√ß√£o oposta, e, em consequ√™ncia, a falsidade da nossa pr√≥pria tese (porque a afirma√ß√£o oposta n√£o admite que ela possa ser verdadeira). E, se dissermos que tudo √© falso, essa afirma√ß√£o tamb√©m √© falsa. Se declararmos que s√≥ √© falsa a afirma√ß√£o oposta √† nossa, ou ent√£o que s√≥ a nossa e que n√£o √© falsa, somos, todavia, obrigados a admitir um n√ļmero infinito de ju√≠zos verdadeiros ou falsos.

Porque aquele que anuncia uma afirmação verdadeira, pronuncia ao mesmo tempo o juízo de que ela é verdadeira, e assim sucessivamente, até ao infinito.

Cen√°rios desabarem √© coisa que acontece. Acordar, bonde, quadro horas no escrit√≥rio ou na f√°brica, almo√ßo, bonde, quatro horas de trabalho, jantar, sono e segunda ter√ßa quarta quinta sexta e s√°bado no mesmo ritmo, um percurso que transcorre sem problemas a maior parte do tempo. Um belo dia, surge o ‚Äúpor qu√™‚ÄĚ e tudo come√ßa a entrar numa lassid√£o tingida de assombro. ‚ÄúCome√ßa‚ÄĚ, isto √© o importante. A lassid√£o est√° ao final dos atos de uma vida maquinal, mas inaugura ao mesmo tempo um movimento da consci√™ncia. Ela o desperta e provoca sua continua√ß√£o. A continua√ß√£o √© um retorno inconsciente aos grilh√Ķes, ou √© o despertar definitivo. Depois do despertar vem, com o tempo, a conseq√ľ√™ncia: suic√≠dio ou restabelecimento.

Para a maioria dos homens, a guerra é o fim da solidão. Para mim, é a solidão infinita.

Liberdade é uma possibilidade de ser melhor, enquanto que escravidão é a certeza de ser pior.

Quando nos vestimos na praia, Marie olhava-me com olhos brilhantes. Beijei-a. A partir desse momento, n√£o falamos mais. Apertei-a contra mim, e tivemos pressa de encontrar um √īnibus, de voltar, de ir para a minha casa e de nos atirarmos na minha cama. Tinha deixado a janela aberta, e era bom sentir a noite de ver√£o escorrer por nossos corpos bronzeados.

Oran, na aparência, é uma cidade que não pensa, isto é, uma cidade perfeitamente moderna.

A ideia mais natural para o homem, a que lhe surge ingenuamente, como no fundo de sua natureza, é a ideia de sua inocência.