Textos sobre Homens

1669 resultados
Textos de homens escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

O seu Instinto Leva-o mais Longe que o seu Intelecto

¬ęHomem, conhece-te a ti mesmo¬Ľ – toda a sabedoria se encontra concentrada nesta frase. Auto-an√°lise, depois ac√ß√£o – a escola da sabedoria. Quanto mais cedo descobrir os factos acerca da sua pessoa mais f√°cil ser√° a jornada da vida. Para tirar o m√°ximo de n√≥s, temos de conhecer os recursos que possu√≠mos e depois aperfei√ßo√°-los e utiliz√°-los. Pelo controlo das emo√ß√Ķes uma pessoa consegue superar quase todas as dificuldades que habitualmente estragam a vida.
(…) Sem olhar √† profundidade dos seus sentimentos, √† vastid√£o dos seus conheciemntos, o homem aparentemente completo n√£o o √© sem que tenha aperfei√ßoado as suas tend√™ncias. Quem quiser melhorar os condicionalismos externos tem de come√ßar por melhorar os internos. Quando as coisas n√£o est√£o a correr bem h√° qualquer coisa em mim a dizer-mo. √Äs vezes tenho de pensar muito para descobrir o erro e como corrigi-lo. Depois de resolver o problema sinto-me novamente bem. Isto prova que ¬ęO seu instinto leva-o mais longe que o seu intelecto¬Ľ.

Vaidade a Qualquer Preço

Muitas vezes obramos bem por vaidade, e também por vaidade obramos mal: o objecto da vaidade é que uma acção se faça atender, e admirar, seja pelo motivo, ou razão que for. Não só o que é digno de louvor é grande; porque também há cousas grandes pela sua execração; é o que basta para a vaidade as seguir, e aprovar. A maior parte das empresas memoráveis, não tiveram a virtude por origem, o vício sim; e nem por isso deixaram de atrair o espanto, e admiração dos homens.
A fama n√£o se comp√Ķe apenas do que √© justo, e o raio n√£o s√≥ se faz atend√≠vel pela luz, mas pelo estrago. A vaidade apetece o estrondoso, sem entrar na discuss√£o da qualidade do estrondo: faz-nos obrar mal, se desse mal pode resultar um nome, um reparo, uma mem√≥ria. Esta vida √© um teatro, todos queremos representar nele o melhor papel, ou ao menos um papel importante, ou em bem, ou em mal. A vaidade tem certas regras, uma delas √©, que a singularidade n√£o s√≥ se adquire pelo bem, mas tamb√©m pelo mal, n√£o s√≥ pelo caminho da virtude, mas tamb√©m pelo da culpa; n√£o s√≥ pela verdade,

Continue lendo…

O Poder que Alterna entre o Dinheiro e o Sangue

Um poder s√≥ pode ser derrubado por outro poder, e n√£o por um princ√≠pio, e nenhum poder capaz de defrontar o dinheiro resta, a n√£o ser este.O dinheiro s√≥ √© derrubado e abolido pelo sangue. A vida √© alfa e √≥mega, o cont√≠nuo fluxo c√≥smico em forma microc√≥smica. √Č o facto de factos no mundo-como-hist√≥ria… Na Hist√≥ria √© a vida e s√≥ a vida – qualidade r√°cica, o triunfo da vontade-de-poder – e n√£o a vit√≥ria de verdades, descobertas ou dinheiro que importa. A hist√≥ria do mundo √© o tribunal do mundo, e decidiu sempre a favor da vida mais forte, mais completa e mais confiante em si – decretou-lhe, nomeadamente, o direito de existir, sem querer saber se os seus direitos resistiriam perante um tribunal de consci√™ncia despertada. Sacrificou sempre a vontade e a justi√ßa ao poder e √† ra√ßa e lavrou senten√ßa de morte a homens e povos para os quais a verdade valia, mais do que os feitos e a justi√ßa, mais que a for√ßa. E assim o drama de uma alta Cultura – esse maravilhoso mundo de divindades, artes, pensamentos, batalhas e cidades – termina com o regresso dos factos pr√≠stinos do eterno sangue que √© uma e a mesma coisa que o sempre-envolvente fluxo c√≥smico…

Continue lendo…

Insiste Em Ti Mesmo

Insiste em ti mesmo; nunca imites. A todo o momento, podes exibir o teu pr√≥prio dom com a for√ßa cumulativa de toda uma vida de estudo; mas do talento imitado de outro tens apenas posse parcial e moment√Ęnea. Aquilo que cada um sabe fazer de melhor s√≥ pode ser ensinado por quem o faz. Ningu√©m sabe ainda o que seja, nem o pode saber, enquanto essa pessoa n√£o o demonstrar. Onde est√° o mestre que pudesse ter ensinado Shakespeare? Onde est√° o mestre que pudesse ter instru√≠do Franklin, ou Washington, ou Bacon, ou Newton? Todo o grande homem √© √ļnico.

Sempre a Amante Ultrapassa o Amado

O destino gosta de inventar desenhos e figuras. A sua dificuldade reside no que é complicado. A própria vida, porém, tem a dificuldade da simplicidade. Só tem algumas coisas de uma dimensão que nos excede. O santo, declinando o destino, escolhe estas coisas por amor a Deus. Mas que a mulher, segundo a sua natureza, tenha de fazer a mesma escolha em relação ao homem, isso evoca a fatalidade de todos os laços de amor: decidida e sem destino, como um ser eterno, fica ao lado dele, que se transformará. Sempre a amante ultrapassa o amado, porque a vida é maior do que o destino. A sua entrega quer ser sem medida: esta é a sua felicidade. A dor inominada do seu amor, porém, foi sempre esta: exigirem-lhe que limitasse essa entrega.

Ninguém é Feliz quando Treme pela sua Felicidade

Ningu√©m √© feliz quando treme pela sua felicidade. N√£o se apoia em bases s√≥lidas quem tira a sua satisfa√ß√£o de bens exteriores, pois acabar√° por perder o bem-estar que obteve. Pelo contr√°rio, um bem que nasce dentro de n√≥s √© permanente e constante, e vai sempre crescendo at√© ao nosso √ļltimo momento; todos os demais bens ante os quais se extasia o vulgo s√£o bens ef√©meros. “E ent√£o? Quer isso dizer que s√£o in√ļteis e n√£o podem dar satisfa√ß√£o?” √Č evidente que n√£o, mas apenas se tais bens estiverem na nossa depend√™ncia, e n√£o n√≥s na depend√™ncia deles. Tudo quanto cai sob a al√ßada da fortuna pode ser proveitoso e agrad√°vel na condi√ß√£o de o seu benefici√°rio ser senhor de si pr√≥prio em vez de ser servo das suas propriedades. √Č um erro pensar-se, Luc√≠lio, que a fortuna nos concede o que quer que seja de bom ou de mau; ela apenas d√° a mat√©ria com que se faz o bom e o mau, d√°-nos o material de coisas que, nas nossas m√£os, se transformam em boas ou m√°s.
O nosso espírito é mais poderoso do que toda a espécie de fortuna, ele é quem conduz a nossa vida no bom ou no mau sentido,

Continue lendo…

A Imensa Imoralidade da Existência

Viver era como correr em c√≠rculo num grande labirinto, esse g√©nero de labirinto para crian√ßas que se v√™ em certos parques de jogos modernos; em cima de uma pedra no meio do labirinto h√° uma pedra brilhante; os m√≠udos chegam com as faces coradas, cheios de uma f√© inabal√°vel na honestidade do labirinto e come√ßam a correr com a certeza de alcan√ßarem dentro de pouco tempo o seu alvo. Corremos, corremos, e a vida passa, mas continuaremos a correr na convic√ß√£o de que o mundo acabar√° por se mostrar generoso para quem correr sem des√£nimo, e quando por fim descobrimos que o labirinto s√≥ aparentemente tende para o ponto central, √© tarde demais – de facto, o construtor do labirinto esmerou-se a desenhar v√°rias pistas diferentes, das quais s√≥ uma conduz √† p√©rola, de modo que √© o acaso cego e n√£o a justi√ßa l√ļcida o que determina a sorte dos que correm.
Descobrimos que gast√°mos todas as nossas for√ßas a realizar um trabalho perfeitamente in√ļtil, mas √© muito tarde j√° para recuarmos. Por isso n√£o √© de espantar que os mais l√ļcidos saiam da pista e suprimam algumas voltas in√ļteis para atingirem o centro cortando caminho. Se dissermos que se trata de uma ac√ß√£o imoral e maldosa,

Continue lendo…

Amizade Correcta

O s√°bio, ainda que se baste a si mesmo, deseja ter um amigo, quanto mais n√£o fosse para exercer a amizade, para n√£o deixar definhar t√£o grande virtude. Ele n√£o busca, como dizia Epicuro, ¬ęalgu√©m que lhe vele √† cabeceira em caso de doen√ßa, que o socorra quando esteja em grilh√Ķes ou na indig√™ncia¬Ľ. Busca algu√©m a cuja cabeceira de doente possa velar; algu√©m que, quando implicado numa contenda, ele possa salvar dos c√°rceres inimigos. Pensar em si pr√≥prio, e empenhar-se numa amizade com esse pensamento preconcebido, √© cometer um erro de c√°lculo. A empresa terminar√° como come√ßou. Fulano arranjou um amigo para dispor, um dia, de um libertador que o preserve dos grilh√Ķes. Ao primeiro tinido de cadeias, l√° se vai o amigo.
Tais s√£o as amizades que o mundo chama de ¬ęliga√ß√Ķes tempor√°rias¬Ľ. O homem a quem se escolhe para prestar servi√ßos deixar√° de agradar no dia em que n√£o sirva para mais nada. Da√≠ a constela√ß√£o de amigos ao redor das grandes fortunas. Vinda a ru√≠na, faz-se, √† volta, a solid√£o: os amigos esquivam-se dos lugares onde s√£o postos √† prova. Da√≠, todos esses esc√Ęndalos: amigos abandonados, amigos tra√≠dos, sempre por medo! √Č inevit√°vel que o fim concorde com o come√ßo: o interesse fez de sicrano teu amigo;

Continue lendo…

Vida Ilusória

Ao mesmo tempo que a realidade √© uma f√°bula, simula√ß√Ķes e enganos s√£o considerados como as verdades mais s√≥lidas. Se os homens se detivessem a observar apenas as realidades, e n√£o se permitissem ser enganados, a vida, comparada com as coisas que conhecemos, seria como um conto de fadas ou as hist√≥rias das Mil e Uma Noites.
Se respeit√°ssemos apenas o que √© inevit√°vel e tem direito a ser, a m√ļsica e a poesia ressoariam pelas ruas fora. Quando somos calmos e s√°bios, percebemos que s√≥ as coisas grandes e dignas t√™m exist√™ncia permanente e absoluta, que os pequenos medos e os pequenos prazeres n√£o passam de sombra da realidade, o que √© sempre estimulante e sublime. Por fecharem os olhos e dormirem, por consentirem ser enganados pelas apar√™ncias, os homens em toda a parte estabelecem e confinam as suas vidas di√°rias de rotina e h√°bito em cima de funda√ß√Ķes puramente ilus√≥rias.

A Confiança é o Elo entre a Sociedade e a Amizade

Ainda que a sinceridade e a confian√ßa estejam relacionadas, s√£o, no entanto, diferentes: a sinceridade consiste em abrir o cora√ß√£o e em mostrarmo-nos tal como somos por amor da verdade. Odeia o disfarce e quer reparar as suas faltas, mesmo que para isso seja preciso diminui-las pelo valor da confiss√£o. Quanto √† confian√ßa, esta n√£o nos concede o mesmo grau de liberdade, as suas regras s√£o mais rigorosas, requer mais prud√™ncia e modera√ß√£o. Ora, nem sempre estamos livres para obedecer a estes requisitos. N√£o somos s√≥ n√≥s, no que a ela diz respeito, que estamos envolvidos, porque os nossos interesses misturam-se quase sempre com os dos outros. Requer uma enorme justeza para n√£o levar os nossos amigos a entregarem-se, pelo facto de n√≥s nos termos entregado, como para lhes oferecer um presente, com a √ļnica inten√ß√£o de aumentar o pre√ßo do que n√≥s damos.
Fica-se sempre satisfeito com o facto de os outros depositarem confiança em nós porque é um tributo que oferecemos ao nosso mérito, é um depósito que fazemos à nossa confiança, são, enfim, fianças que lhes dão algum direito sobre nós, isto é, aceitamos uma certa dependência à qual nos sujeitamos voluntariamente. Não, não é minha intenção destruir com as minhas palavras a confiança,

Continue lendo…

O Ponto mais Alto da Moral Consiste na Gratid√£o

O ponto mais alto da moral consiste na gratid√£o. E esta verdade proclam√°-la-√£o todas as cidades, todos os povos, mesmo os oriundos das regi√Ķes b√°rbaras, neste ponto est√£o de acordo os bons e os maus. Haver√° quem aprecie sobre¬≠tudo o prazer, outros haver√° que julguem prefer√≠vel o esfor√ßo activo; uns consideram a dor como o sumo mal, para outros a dor n√£o ser√° sequer um mal; alguns inclui¬≠r√£o a riqueza no sumo bem, outros dir√£o que a riqueza foi inventada para o mal da humanidade e que o homem mais rico √© aquele a quem a fortuna nada encontra para dar; no meio desta diversidade de posi√ß√Ķes uma coisa h√° que todos afirmar√£o, como soe dizer-se, a uma s√≥ voz: que devemos gratid√£o √†queles que nos favorecem. Neste ponto toda esta multid√£o de opini√Ķes se mostra de acordo, mesmo quando por vezes pagamos favores com inj√ļrias; e a pri¬≠meira causa de ingratid√£o √© n√£o podermos ser suficiente¬≠mente gratos. A insensatez chegou ao ponto de se tornar perigos√≠ssimo fazer um grande benef√≠cio a algu√©m; como se considera uma vergonha n√£o pagar o benef√≠cio, julga-se prefer√≠vel n√£o existir ningu√©m que no-lo fa√ßa! Goza em paz o que de mim recebeste; n√£o to reclamo,

Continue lendo…

A Face Oculta dos Progressos Técnicos

Os progressos técnicos, que toda a gente está confundindo cada vez mais com progresso humano, vão criar cada vez mais também um suplemento de ócio que, excelente em si próprio, porque nos aproxima exactamente daquele contemplar dos lírios e das aves que deve ser nosso ideal, vai criar, olhado à nossa escala, uma força de ataque e de triunfo; mais gente vai ter cada vez mais tempo para ouvir rádio e para ir ao cinema, para frequentar museus, para ler revistas ou para discutir política, e sem que preparo algum lhe possa ter sido dado para utilizar tais meios de cultura: a consequência vai ser a de que a qualidade do que for fornecido vai descer cada vez mais e a de que tudo o que não for compreendido será destruído; raros novos beneditinos salvarão da pilhagem geral a sempre reduzida antologia que em tais coisas é possível salvar-se.
O choque mais violento vai dar-se exactamente, como era natural, nos países em que existir uma liberdade maior; nos outros, as formas autoritárias de regime de certo modo poderão canalizar mais facilmente a Humanidade para a utilização desse ócio; sucederá, porém, o seguinte: nos países não-livres, porque nenhum há livre,

Continue lendo…

Não elogies a um homem antes de ele falar, porque esta é a pedra de toque

Não elogies a um homem antes de ele falar, porque esta é a pedra de toque.

Casamento e Amor

Um casamento pode sobreviver a um homem infiel e pode sobreviver a uma mulher infiel tamb√©m. Um casamento s√£o duas pessoas que est√£o juntas ‚Äď e, felizmente, as raz√Ķes por que as pessoas est√£o juntas n√£o se reduzem ao sentimento. Coisa diferente, por√©m, √© o amor propriamente dito. Um homem pode ser infiel √† sua mulher e, no entanto, am√°-la eterna e incondicionalmente. Uma mulher infiel simplesmente j√° n√£o ama o seu marido. Pode gostar dele. Pode ter pena dele. Pode estimar a vida que os dois t√™m juntos: as rotinas, os objectos, os lugares, os cheiros, as pessoas. Mas pode viver sem eles tamb√©m – e sabe-o. Porque, sendo t√£o capaz como o homem de ausentar-se do seu corpo, n√£o ser√° capaz nunca de ausentar-se das suas emo√ß√Ķes. E porque, se o fizer, j√° n√£o encontrar√° o caminho de regresso.

O Comportamento que Gera Influência

Um homem sincero e verdadeiro nas suas palavras, prudente e circunspecto nas suas ac√ß√Ķes, ter√° influ√™ncia, mesmo entre os b√°rbaros de centro e do norte. Um homem que n√£o √© nem sincero, nem verdadeiro nas suas palavras, nem prudente e circunspecto nas suas ac√ß√Ķes, ter√° alguma influ√™ncia, mesmo numa cidade ou numa aldeia? Quando estiverdes em p√©, imaginai essas quatro virtudes (a sinceridade, a veracidade, a prud√™ncia e a circunspec√ß√£o) conservando-se perto de v√≥s, diante dos vossos olhos. Quando estiverdes num carro, contemplai-as sentadas ao vosso lado. Desse modo, adquirireis influ√™ncia.

Saber Zangar-se

O que me parece √© que as pessoas, em geral, como que deixaram de saber zangar-se. Deixaram de saber zangar-se com aquilo que consideram errado ‚Äď e, pior ainda, deixaram de saber diz√™-lo na cara umas das outras. A n√£o ser, naturalmente, que haja uma agenda.

Ainda nos zangamos muito, √© verdade. Mas zangamo-nos mal. Com a maior das facilidades nos zangamos contra inimigos abstractos, como ¬ęo Governo¬Ľ, ¬ęo capitalismo selvagem¬Ľ ou mesmo apenas ¬ęa crise¬Ľ. Com a maior das facilidades nos zangamos com aqueles que entendemos como nossos subordinados, no trabalho e na vida em geral (afinal, os nossos ¬ęsuperiores¬Ľ acabam de p√īr-nos a pata em cima. algu√©m vai ter de pagar a conta). Com aqueles que est√£o, de alguma forma, em ascendente sobre n√≥s, j√° n√£o nos zangamos: amuamos, que √© a forma mais cobarde de nos zangarmos. Aos nossos iguais simplesmente n√£o dizemos nada: engolimos e tornamos a engolir, convencendo-nos de que do outro lado est√°, afinal, um pobre diabo, t√£o pobre que nem sequer merece uma zanga ‚Äď e, quando enfim nos zangamos, √© para dar-lhe um tiro na cabe√ßa, como todos os dias nos mostram os jornais.

A impress√£o com que eu fico √© que tudo isto vem dessa mania das social skills e do team building e dos demais chav√Ķes moderninhos que os gurus dos livros de Economia nos enfiaram pela garganta abaixo,

Continue lendo…

A Imoralidade da Moral

A disc√≥rdia √© sermos obrigados a estar em harmonia com os outros. A nossa pr√≥pria vida √© o que h√° de mais importante. Agora, se quisermos ser pedantes ou puritanos, podemos tecer as nossas considera√ß√Ķes morais sobre a vida dos outros, mas estas n√£o nos dizem respeito. Para al√©m disso, o individualismo √© realmente o mais elevado dos ideais. A moralidade moderna consiste na aceita√ß√£o dos modelos da nossa √©poca. Julgo que aceitar o modelo da nossa √©poca ser√°, para qualquer homem culto, a mais crassa das imorallidades.

A Reliogisidade como Inf√Ęncia da Maturidade

A religi√£o, quando tentamos determinar o seu lugar na hist√≥ria da evolu√ß√£o humana, n√£o nos surge como uma aquisi√ß√£o duradoura, mas como a vertente da neurose pela qual o homem tem inevitavelmente de passar ao longo do caminho que o conduz da inf√Ęncia √† maturidade.
(…) No que diz respeito √† protec√ß√£o prometida pela religi√£o aos seus adeptos, penso que nenhum de v√≥s consentiria em subir para um autom√≥vel cujo condutor declarasse n√£o querer incomodar-se com as determina√ß√Ķes que regulamentam a circula√ß√£o para obedecer apenas aos √≠mpetos exaltantes da sua pr√≥pria fantasia.

Felicidade e Prazer

Devemos estudar os meios de alcan√ßar a felicidade, pois, quando a temos, possu√≠mos tudo e, quando n√£o a temos, fazemos tudo por alcan√ß√°-la. Respeita, portanto, e aplica os princ√≠pios que continuadamente te inculquei, convencendo-te de que eles s√£o os elementos necess√°rios para bem viver. Pensa primeiro que o deus √© um ser imortal e feliz, como o indica a no√ß√£o comum de divindade, e n√£o lhe atribuas jamais car√°cter algum oposto √† sua imortalidade e √† sua beatitude. Habitua-te, em segundo lugar, a pensar que a morte nada √©, pois o bem e o mal s√≥ existem na sensa√ß√£o. De onde se segue que um conhecimento exacto do facto de a morte nada ser nos permite fruir esta vida mortal, poupando-nos o acr√©scimo de uma ideia de dura√ß√£o eterna e a pena da imortalidade. Porque n√£o teme a vida quem compreende que n√£o h√° nada de tem√≠vel no facto de se n√£o viver mais. √Č, portanto, tolo quem declara ter medo da morte, n√£o porque seja tem√≠vel quando chega, mas porque √© tem√≠vel esperar por ela.
√Č tolice afligirmo-nos com a espera da morte, visto ser ela uma coisa que n√£o faz mal, uma vez chegada. Por conseguinte, o mais pavoroso de todos os males,

Continue lendo…

O Homem é um Animal Irracional

1. O homem √© um animal irracional, exactamente como os outros. A √ļnica diferen√ßa √© que os outros s√£o animais irracionais simples, o homem √© um animal irracional complexo. √Č esta a conclus√£o que nos leva a psicologia cient√≠fica, no seu estado actual de desenvolvimento. O subconsciente, inconsciente, √© que dirige e impera, no homem como no animal. A consci√™ncia, a raz√£o, o racioc√≠nio s√£o meros espelhos. O homem tem apenas um espelho mais polido que os animais que lhe s√£o inferiores.

2. Sendo assim, toda a vida social procede de irracionalismos vários, sendo absolutamente impossível (excepto no cérebro dos loucos e dos idiotas) a ideia de uma sociedade racionalmente organizada, ou justiceiramente organizada, ou, até, bem organizada.

3. A √ļnica coisa superior que o homem pode conseguir √© um disfarce do instinto, ou seja o dom√≠nio do instinto por meio de instinto reputado superior. Esse instinto √© o instinto est√©tico. Toda a verdadeira pol√≠tica e toda a verdadeira vida social superior √© uma simples quest√£o de senso est√©tico, ou de bom gosto.
4. A humanidade, ou qualquer nação, divide-se em três classes sociais verdadeiras: os criadores de arte; os apreciadores de arte; e a plebe.

Continue lendo…