Textos sobre Tristeza

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Textos de tristeza escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

A Doutrina é o Verdadeiro Mantimento do Engenho

Os estudos d√£o saz√£o e gosto √† alegria: amansam e consolam a tristeza; refreiam os √≠mpetos loucos da mocidade; aliviam o peso da velhice; em casa ou fora de casa, em p√ļblico ou em segredo, na solid√£o ou na pra√ßa, na ociosidade ou no labor, sempre vos acompanham; est√£o presentes, guiam-vos, ajudam-vos, servem-vos. A doutrina √© o verdadeiro mantimento do engenho, aquilo que o nutre e sust√©m; tanto que √© grande desprop√≥sito ter o cuidado de manter o corpo quando o √Ęnimo tem fome e carece de mantimento. Este manjar do √Ęnimo d√° verdadeiros deleites, traz gozos e regozijos firmes e perp√©tuos, que, nascidos uns dos outros e renovando-se entre si, jamais nos desertam nem nos fatigam.

Uma Alma Amante e Terna

Jamais houve alma mais amante ou terna do que a minha, alma mais repleta de bondade, de compaix√£o, de tudo o que √© ternura e amor. Contudo, nenhuma alma h√° t√£o solit√°ria como a minha – solit√°ria, note-se, n√£o merc√™ de circunst√Ęncias exteriores, mas sim de circunst√Ęncias interiores. O que quero dizer √©: a par da minha grande ternura e bondade, entrou no mau car√°cter um elemento da natureza inteiramente oposto, um elemento de tristeza, egocentrismo, portanto de ego√≠smo, produzindo um efeito duplo: deformar e prejudicar o desenvolvimento e a plena ac√ß√£o interna daquelas outras qualidades, e prejudicar, deprimindo a vontade, a sua plena ac√ß√£o externa, a sua manifesta√ß√£o. Hei-de analisar isto; um dia hei-de examinar melhor, destrin√ßar, os elementos que constituem o meu car√°cter, pois a minha curiosidade acerca de tudo, aliada √† minha curiosidade por mim pr√≥prio e pelo meu car√°cter, conduz a uma tentativa para compreender a minha personalidade.

Tudo é Divino

H√° uma elasticidade c√≥smica, se assim lhe posso chamar, que √© extremamente enganadora. D√° ao homem a ilus√£o tempor√°ria de que √© capaz de mudar as coisas. Mas o homem acaba sempre por tornar a cair em si. √Č a√≠, na sua pr√≥pria natureza, que pode e deve praticar-se a transmuta√ß√£o, e em nenhum outro lugar. E quando um homem percebe a que ponto √© isto verdade, reconciliando-se com todas as apar√™ncias do mal, da fealdade, da mentira e da frustra√ß√£o; a partir de ent√£o, deixa de aplicar ao mundo a sua imagem pessoal de tristeza e dor, de pecado e corrup√ß√£o.
Eu poderia, √© certo, formular tudo isto de modo muito mais simples, dizendo que, aos olhos de Deus, tudo √© divino. E quando digo tudo, √© mesmo tudo o que quero dizer. Quando olhamos as coisas a tal luz, a palavra ¬ętransmuta√ß√£o¬Ľ adquire um sentido ainda maior: pressup√Ķe que o nosso bem-estar depende do nosso entendimento espiritual, do modo como nos servimos da vis√£o divina que possu√≠mos.

A Amizade Ideal

Nada √© mais agrad√°vel √† alma do que uma amizade terna e fiel. √Č bom encontrarmos cora√ß√Ķes atenciosos, aos quais podes confiar todos os teus segredos sem perigo, cujas consci√™ncias receias menos do que a tua, cujas palavras suavizam as tuas inquieta√ß√Ķes, cujos conselhos facilitam as tuas decis√Ķes, cuja alegria dissipa a tua tristeza, cuja simples apari√ß√£o te deixa radiante! Tanto quanto for poss√≠vel, devemos escolher aqueles que est√£o livres de afec√ß√Ķes: de facto, os v√≠cios rastejam, passam de pessoa para pessoa com a proximidade e qualquer contacto com eles pode ser prejudicial.
Tal como numa epidemia, devemos ter o cuidado de não nos aproximarmos das pessoas afectadas, porque correremos perigo só de respirarmos perto delas, também, em relação aos amigos, devemos ter o cuidado de escolher aqueles que estão menos corrompidos: a doença começa quando se misturam os homens saudáveis com os doentes. Não estou, com isto, a exigir-te que procures e sigas apenas o sábio: de facto, onde encontrarás um homem destes, que procuro há tanto tempo? Procura o menos mau, antes de procurares o óptimo.
(…) Evitemos, sobretudo, os temperamentos tristes, que se lamentam de tudo e n√£o deixam escapar uma √ļnica ocasi√£o de se queixarem.

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A Cólera dos Bondosos e a Cólera das Almas Fracas

Podemos distinguir duas esp√©cies de c√≥lera: uma que √© muito s√ļbita e se manifesta muito no exterior, mas mesmo assim tem pouco efeito e pode facilmente ser apaziguada; e outra que inicialmente n√£o aparece tanto, por√©m corr√≥i mais o cora√ß√£o e tem efeitos mais perigosos. Os que t√™m muita bondade e muito amor s√£o mais sujeitos √† primeira. Pois ela n√£o prov√©m de um √≥dio profundo, e sim de uma s√ļbita avers√£o que os surpreende, porque, sendo levados a imaginar que as coisas devem desenrolar-se da forma como julgam ser a melhor, t√£o logo acontece de forma diferente; eles ficam admirados e frequentemente se ofendem com isso, mesmo que a coisa n√£o os atinja pessoalmente, porque, tendo muita afei√ß√£o, interessam-se por aqueles a quem amam, da mesma forma que por si mesmos. Assim, o que para outra pessoa seria apenas motivo de indigna√ß√£o √© para eles um motivo de c√≥lera. E como a inclina√ß√£o que t√™m para amar faz que tenham muito calor e muito sangue no cora√ß√£o, a avers√£o que os surpreende n√£o pode impelir para este t√£o pouca bile que isso n√£o cause inicialmente uma grande emo√ß√£o no sangue. Mas tal emo√ß√£o pouco dura, porque a for√ßa da surpresa n√£o se prolonga e porque,

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De Que Vale a Sabedoria ?

Os homens que se entregam à sabedoria são de longe os mais infelizes. Duplamente loucos, esquecem que nasceram homens e querem imitar os deuses poderosos, e a exemplo dos Titãs, armados com as ciências e as artes, declaram guerra à Natureza. Ora, os menos infelizes são aqueles que mais se aproximam da animalidade e da estupidez.
Tentarei fazer-vos entender isto, usando, em vez dos argumentos dos est√≥icos, um exemplo crasso. Haver√°, pelos deuses imortais, esp√©cie mais feliz que os homens a quem o vulgo chama loucos, parvos, imbecis, cognomes bel√≠ssimos, na minha opini√£o? Esta afirma√ß√£o poder√° a princ√≠pio parecer insensata e absurda e, no entanto, nada h√° de mais verdadeiro. Tais homens n√£o receiam a morte, e, por J√ļpiter! isso j√° n√£o representa pequena vantagem! A sua consci√™ncia n√£o os incomoda. As hist√≥rias de fantasmas n√£o os aterrorizam, nem os afecta o medo das apari√ß√Ķes e espectros, nem os males que os amea√ßam ou a esperan√ßa dos bens que poder√£o vir a receber. Nada, em resumo, os atormenta, isentos dos mil cuidadeos de que a vida √© feita. Ignoram a vergonha, o medo, a ambi√ß√£o, a inveja e chegam mesmo, se s√£o suficientemente est√ļpidos, a gozar o privil√©gio, segundo os te√≥logos,

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A Alegria Pura só Existe sem a Vaidade

A mais pura alegria é aquela que gozamos no tempo da inocência; estado venturoso, em que nada distinguimos pela razão, mas pelo instinto; e em que nada considera a razão, mas sim a natureza. Então circula veloz o nosso sangue, e os humores que num mundo novo, e resumido, apenas têm tomado os seus primeiros movimentos. Os humores são os que produzem as nossas alegrias; e com efeito não há alegria sem grande movimento; por isso vemos, que a tristeza nos abate, e a alegria nos move; o sossego ainda que indique contentamento, contudo mais é representação da morte que da vida; e a tranquilidade pode dar descanso, porém alegria não a dá sempre.

Mas como pode deixar de ser pura a alegria dos primeiros anos, se ainda então a vaidade não domina em nós? Então só sentimos o bem, e o mal, que resulta da dor, ou do prazer; depois também sentimos o mal, e o bem da opinião, isto é, da vaidade; por isso muitas cousas nos alegram, que tomadas em si mesmas, não têm mais bem, que aquele com que a vaidade as considera; e outras também nos entristecem, que tomadas só por si, não têm outro mal,

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Nada Pode Haver de mais Belo

Amigo Bernardo, dos desertos do Ronc√£o d‚Äôel-Rei, na mais bela po√©tica noite de luar que ver se possa, te escreve este teu amigo. Nada pode haver de mais belo; os rouxin√≥is cantam √† desgarrada, o ar rescende dos milhares de loendros (laurier-rose) que cobrem as encostas alcantiladas do Guadiana. Que maravilha, que encanto, que tristeza (tu, com certeza, aqui choravas)! Neste momento, houve-se o sinistro roncar da coruja e o long√≠nquo uivar dos lobos, misturado com o forte ladrar dos rafeiros e os nossos cavalos relincham inquietos nas quadras… √Č √† luz dum prosaico casti√ßal (uma garrafa com uma vela) que te escrevo estas sentidas regras, que espraio sobre este branco papel as ondas da minha melancolia. E como n√£o estar melanc√≥lico se acabamos de fazer dezasseis l√©guas a cavalo em oito horas e n√£o descans√°mos e n√£o dormimos a noite passada sen√£o uma m√≠sera hora e vemos apenas diante de n√≥s umas velhas esteiras, as nossas mantas, e os aparelhos dos nossos cavalos como travesseiros, para passarmos umas noites.

O Valor dado pela Vaidade

A fortuna nos disp√Ķe para a alegria, mas n√£o √© s√≥ o que causa; a desgra√ßa conduz para a tristeza, por√©m n√£o √© s√≥, o que a motiva; antes parece que h√° uma certa por√ß√£o de alegria, e de tristeza, que h√°-de passar por n√≥s precisamente; a fortuna, e a desgra√ßa n√£o a produz, s√≥ a desperta. Tudo nos √© dado como por conta: a vida, a fortuna, a desgra√ßa, a alegria, e a tristeza; em tudo h√° um ponto certo, e fixo; a vaidade que governa todas as paix√Ķes, em umas aumenta a actividade, em outras diminui; e todas recebem o valor, que a vaidade lhes d√°.
Estamos no mundo para ser alvos do tempo; e deste todas as mudanças não se dirigem a nós, dirigem-se à nossa vaidade: os sucessos fazem efeito em nós, porque primeiro o fazem na nossa vaidade; de sorte que um homem sem vaidade seria o mesmo que um homem insensível; o prazer, e o desgosto, que não vêm das primeiras leis da natureza, são vãos em si mesmos, de instituição política, e unicamente criadoras de vaidade.

Toda a educação, no momento, não parece motivo de alegria, mas de tristeza

Toda a educação, no momento, não parece motivo de alegria, mas de tristeza. Depois, no entanto, produz naqueles que assim foram exercitados um fruto de paz e de justiça.

Que Tristeza Isto de a Gente Escrever

Que tristeza isto de a gente escrever! Secos como paus na vida, e sai-nos depois a ternura pelo bico da pena! Comigo √© assim. E como ningu√©m me l√™‚ÄĒningu√©m dos que eu mais desejava que recebessem ternura de mim (minha M√£e, meu Pai, minha Irm√£, uns pobres amigos rudes que tenho na minha terra e uns infelizes que encontro por este mundo) ‚ÄĒ, fica tudo em letra morta. Hoje todo eu fui uma sede ardente de abra√ßar um infeliz que calcorreava √†s apalpadelas as ruas escaroladas da Nazar√©. Um dia como uma estrela, aquela maravilha ali para se ver, e o desgra√ßado cego de nascen√ßa! Mas o abra√ßo saiu-me aqui, a tinta.

Bem Supremo e Raz√£o

Quando a experi√™ncia me ensinou que os acontecimentos ordin√°rios da vida s√£o f√ļteis e v√£os e me apercebi de que tudo que era para mim causa ou objecto de receio n√£o tem em si mesmo nada de bom ou de mau, a n√£o ser na medida da como√ß√£o que excita na alma, resolvi, finalmente, indagar se existia um bem verdadeiro e suscept√≠vel de se comunicar, qualquer coisa enfim cuja descoberta e posse me trouxessem para sempre um j√ļbilo continuo e soberano.
(…) O que nos ocupa mais frequentemente na vida e que os homens, como pode concluir-se dos seus actos, consideram ser o bem supremo pode reduzir-se a três coisas: riqueza, fama, prazer dos sentidos.
Ora cada um deles distrai o espírito de tal modo que mal pode pensar noutro bem. (…)
РPelo prazer sensual se detém a alma como se repousasse num bem verdadeiro, o que a impede em absoluto de pensar noutra coisa; após o prazer vem a extrema tristeza, que, se não suspende o pensamento, perturba e embota. A busca da fama e da riqueza não absorve menos o espírito, sobretudo quando a riqueza é desejada por si mesma, conferindo-lhe, então, a categoria de bem supremo.

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A Subfelicidade

O que mais d√≥i n√£o √© ‚Äď desengana-te ‚Äď a infelicidade. A infelicidade d√≥i. Magoa. Martiriza. √Č intensa; faz gritar, sofrer, saltar, chorar. Mas a infelicidade n√£o √© o que mais d√≥i. A infelicidade √© infeliz ‚Äď mas n√£o √© o que mais d√≥i.

O que mais d√≥i √© a subfelicidade. A felicidade mais ou menos, a felicidade que n√£o se faz felicidade, que fica sempre a meio de se ser. A quase felicidade. A subfelicidade n√£o magoa ‚Äď vai magoando; a subfelicidade n√£o martiriza ‚Äď vai martirizando. N√£o √© intensa ‚Äď mas √© imensa; faz gritar, sofrer, saltar, chorar ‚Äď mas em sil√™ncio, em surdina, em anonimato. Como se n√£o fosse. Mas √©: a subfelicidade √©. A subfelicidade faz-te ficar ref√©m do que tens ‚Äď mas nem assim te impede de te sentires apeado do que n√£o tens e gostarias de ter. Do que est√° ali, sempre ali, sempre √† m√£o de semear ‚Äď e que, mesmo assim, nunca consegues tocar. A subfelicidade √© o piso -1 da felicidade. E n√£o h√° elevador algum que te leve a subir de piso. Tens de ser tu a pegar nas tuas perninhas e a subir as escadas. Anda da√≠.

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Este é o Verdadeiro Amor de que Tanto se Fala

Estranho e inexplic√°vel sentimento este! Que quando sinto transbordar-me do cora√ß√£o toda esta imensa ventura, acomete-me ent√£o um terror grande – parece-me que √© imposs√≠vel ser t√£o feliz – que o Mundo n√£o comporta esta ventura celeste, e que chegado ao √°pice de todas as felicidades j√° ser√° for√ßoso declinar. (…) Sucede-te isto tamb√©m a ti, esposa querida do meu cora√ß√£o? Conheces tu tamb√©m este tormento, anjo divino?
Ai, Rosa, minha doce Rosa, este que n√≥s sentimos, este √© o verdadeiro amor de que tanto se fala, e t√£o pouco se sabe o que √©. S√£o regi√Ķes pouco conhecidas em que a cada passo se encontram belezas nunca sonhadas, terrores inexplic√°veis, felicidades sem par e tristezas que n√£o t√™m nome.

(…) Oh! Como se riria de mim quem lesse esta carta, Rosa! – De mim que eles julgam um incr√©dulo, um c√©ptico, e cujas palavras sarc√°sticas no Mundo n√£o significam sen√£o a mais perfeita indiferen√ßa por tudo! H√° dois homens em mim, vida desta alma; um √© o que v√™em todos, o que fez a experi√™ncia, a sociedade e o conhecimento de suas mis√©rias e nulidades – o outro √© o que tu fizeste, √© a cria√ß√£o do teu amor,

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Lutar Contra as Adversidades

Depois dos bons momentos… v√™m sempre os piores. O encontro com o mais belo da exist√™ncia n√£o anula a nossa fragilidade. Mais uma vez, ca√≠mos. Mais uma vez, experimentamos a derrota, sentimos que n√£o somos t√£o importantes quanto julg√°vamos, nem, t√£o-pouco, nada de extraordin√°rio. Estamos, mais uma vez, no ch√£o. Encolhidos. Como no ventre da nossa m√£e.

A fraqueza acumulada √© uma adversidade brutal. N√£o √© apenas necess√°rio lutar contra o que temos por diante, temos de combater tamb√©m as derrotas das lutas anteriores, todas as dores, cicatrizes e feridas abertas… todas as perdas.

O que faz à vontade o sofrimento recorrente? Aumenta a tentação de ceder ao mal. Como se fosse natural habituarmo-nos mais aos vícios do que às virtudes.

A cada passo o caminho se torna mais longo…

Sofremos o que n√£o merecemos. Mas a tristeza s√≥ √© absurda quando n√£o se sabe por que se luta… enquanto n√£o se consegue ver sentido algum na dor…

Há homens e mulheres que, longe dos olhares alheios, lutam contra adversidades enormes, que alguns imaginam impossíveis. Lutam, sofrem e erguem-se, apesar de tudo.

A sua vontade de viver e sorrir é maior do que a de desistir e chorar.

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O Mal e o Bem em Função da Vaidade

√Č raro o mal, de que n√£o venha a nascer algum bem, nem bem, que n√£o produza algum mal: como s√≥ o presente √© nosso, por isso n√£o nos serve de al√≠vio o bem futuro, nem nos inquieta o mal que ainda n√£o sentimos; um infeliz n√£o se persuade, que a sua sorte possa ter mudan√ßa; um venturoso n√£o cr√™, que possa deixar de o ser; a este a vaidade tira o menor receio; √†quele o abatimento priva de esperan√ßa. Se fizermos reflex√£o, havemos de admirar o pouco que basta para fazer o nosso bem, ou o nosso mal: de um instante a outro mudamos da alegria para a tristeza, e muitas vezes sem outro algum motivo, que o de uma vaidade mais, ou menos satisfeita.
Os homens não são todos igualmente sensíveis ao bem, e ao mal; a uns penetra mais vivamente a dor, a outros só faz uma impressão ligeira; o bem não acha em todos o mesmo grau de contentamento. Nas almas deve de haver a mesma diferença, que há nos corpos: umas mais débeis, e outras mais robustas; por isso em umas obra mais o sentimento, e acha mais resistência em outras; em umas domina a vaidade com império,

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Como é que se Esquece Alguém que se Ama?

Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa Рcomo é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?
As pessoas t√™m de morrer; os amores de acabar. As pessoas t√™m de partir, os s√≠tios t√™m de ficar longe uns dos outros, os tempos t√™m de mudar Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. √Č preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem p√īr-se processos e ac√ß√Ķes de despejo a quem se tem no cora√ß√£o, fazer os maiores escarc√©us, entrar nas maiores peixeiradas, mas n√£o se podem despejar de repente. Elas n√£o saem de l√°. Est√ļpidas! √Č preciso aguentar. J√° ningu√©m est√° para isso, mas √© preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura √© aceitar-se que se est√° doente. √Č preciso paci√™ncia. O pior √© que vivemos tempos imediatos em que j√° ningu√©m aguenta nada. Ningu√©m aguenta a dor. De cabe√ßa ou do cora√ß√£o.

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√Č Imposs√≠vel que o Tempo Actual n√£o Seja o Amanhecer doutra Era

√Č imposs√≠vel que o tempo actual n√£o seja o amanhecer doutra era, onde os homens signifiquem apenas um instinto √†s ordens da primeira solicita√ß√£o. Tudo quanto era coer√™ncia, dignidade, hombridade, respeito humano, foi-se. Os dois ou tr√™s casos pessoais que conhe√ßo do s√©culo passado, levam-me a concluir que era uma gente naturalmente cheia de limita√ß√Ķes, mas digna, direita, capaz de repetir no fim da vida a palavra com que se comprometera no in√≠cio dela. Al√©m disso her√≥ica nas suas dores, sofrendo-as ao mesmo tempo com a tristeza do animal e a grandeza da pessoa. Agora √© esta ferocidade que se v√™, esta coragem que n√£o d√° para deixar abrir um panar√≠cio ou parir um filho sem anestesia, esta tartufice, que a gente chega a perguntar que diferen√ßa haver√° entre uma humanidade que √© daqui, dali, de acol√°, conforme a brisa, e uma col√≥nia de bichos que sentem a humidade ou o cheiro do alimento de certo lado, e n√£o t√™m mais nenhuma hesita√ß√£o nem mais nenhum entrave.

Depois de Chorar

N√£o √© a tristeza que nos faz chorar, mas o amor que enfrenta os vazios. As ang√ļstias e desesperos s√£o express√Ķes de falta.

As lágrimas que de nós brotam e caem longe do olhar dos outros são as que mais força trazem em si, as que fazem concreto e objetivo o sentir mais íntimo.

Por vezes, o cora√ß√£o cai nas armadilhas das tristezas antigas… outras, sentimos os espinhos das novas adversidades cravarem-se-nos na carne. H√° sempre tristezas, h√° sempre sofrimento, haver√° sempre dor enquanto houver amor.
As lágrimas não choradas não deixam de ser amargas, mas essas, ao contrário das que nascem, corroem o interior de quem com elas não chega a regar a terra que lhe segura os pés.

A vida faz-se também com as nossas lágrimas e vence-se, muitas vezes, de olhos carregados de mar. O esforço que nos é exigido chega quase a ser impossível sem lágrimas. Chorar não é sinal de derrota, antes sim de um amor que busca a paz merecida.

O sentido da vida cabe dentro de uma gota de √°gua salgada‚Ķ a verdadeira paix√£o √© a dor m√°xima do amor mais profundo. Aquele que faz germinar em n√≥s o melhor…

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A Razão da Minha Esperança

Meu bom amigo,

Sei que tens sofrido bastante.

Não posso esquecer que um dia me ensinaste: que leal é quem não abandona; que devemos procurar ser pessoas dignas de confiança, mais do que tentar encontrar alguém assim; e, que a vontade de amar já é, em si mesma, amor.

Permite-me que partilhe contigo, hoje, algumas ideias a respeito dos momentos dif√≠ceis…

S√£o muitas as provas que na vida servem para testar quem somos, a for√ßa que temos em n√≥s e o nosso valor. Algumas vezes uma pedra gigante vem cair mesmo diante de n√≥s… outras vezes s√£o s√©ries infind√°veis de pequenos obst√°culos no caminho… longas etapas que nos obrigam a seguir adiante sem descansar, em percursos onde quase nunca se v√™ o horizonte.
A agita√ß√£o permanente em que vivemos leva muitos a desistir de encontrar refer√™ncias mais adiante, mas √© preciso que nos afastemos do tempo para assim encontrarmos a posi√ß√£o mais segura, elevando-nos acima dos momentos passageiros para os compreender melhor. No meio da confus√£o √© preciso ver para al√©m do que se pode olhar… estabelecer os alicerces sobre o que √© s√≥lido, ainda que seja preciso escavar muito mais fundo do que o normal…

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