Cita√ß√Ķes de Dom Carlos I

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Frases, pensamentos e outras cita√ß√Ķes de Dom Carlos I para ler e compartilhar. Os melhores escritores est√£o em Poetris.

A primeira etapa est√° transposta com muitas dificuldades e com tantas coisas estranhas que n√£o posso narrar-lhas, mesmo a si. (…) Como gente que se v√™ perdida, os meus advers√°rios recorrem a todas as armas, at√© mesmo as mais infames. Tudo lhes serviu. (…) A fenomenal in√©pcia da maior parte dos nossos advers√°rios, que d√° como resultado pr√°tico que, sendo-se um pouco h√°bil, quase todos os golpes se voltar√£o contra eles pr√≥prios. (…) Creio que com um pouco de firmeza e habilidade, assim continuar√° at√© ao fim.

Vozes de burro n√£o chegam ao c√©u. Sem que a minha mod√©stia me coloque no c√©u, p√Ķe-me pelo menos os furos suficientes acima desses pandilhas para me n√£o molestar com o que eles dizem. (…) Se eles come√ßarem a contender muito comigo, talvez lhes doa.

Não é homem de Estado, nem sabe servir o seu País aquele que julgando ter afirmado um erro, se não penitencie dele e não esteja pronto, reconhecendo-o, a seguir caminho diverso que julgue mais oportuno e conveniente.

Quanto aos anarquistas… n√£o me admira que nestes momentos turvos alguns apare√ßam e alguma coisa tentem; mas para isso √© que n√≥s c√° estamos e por certo nem a ti nem a mim ser√° o medo que nos far√° mudar de caminho. Cada vez mais me conven√ßo que o caminho que nos tra√ßamos √© o bom, para n√£o dizer o √ļnico e portanto j√° sabes que me encontras ao teu lado e ao do governo, por pensamentos, palavras e obras!

De Palavras Está o País Farto

Governe-se com o parlamento, √© esse o meu maior desejo, mas para isso √© necess√°rio que ele tamb√©m fa√ßa alguma coisa. √Č preciso obras e n√£o palavras. De palavras, bem o sabemos, est√° o Pa√≠s farto. N√£o quer discuss√Ķes pol√≠ticas das quais pouco ou nenhum bem lhe vir√°, o que quer √© que se discuta administra√ß√£o, que se discutam medidas que lhe sejam √ļteis. Assim poder√° o Pa√≠s interessar-se pelo parlamento; com discuss√Ķes de mera pol√≠tica, interessar√° os amadores de esc√Ęndalos v√°rios, esses sim, mas far√° com que a parte sensata e trabalhadora do Pa√≠s se desinteresse por completo daquilo que para nada lhe servir√°. Por estes motivos √© que eu acho in√ļtil para n√£o dizer… perniciosa, uma nova abertura do parlamento.

Seguir o Nosso Caminho Doa a quem Doer

Siga o governo firme na sua miss√£o de bem governar, que me encontrar√° sempre firme e pronto a coadjuv√°-lo e a dar-lhe for√ßa em tudo quanto seja necess√°rio. H√° muita coisa a fazer e creio que se pode e deve fazer e temos que seguir o nosso caminho doa a quem doer. As dificuldades que encontrarmos no nosso caminho n√£o devem ser para nos assustar ou fazer recuar, mas sim para as encarar com calma e firmeza. Com calma, firmeza e boa vontade, e essas qualidades creio que as temos, vencer-se-√° esta campanha e se o fizermos, como confiadamente acredito, poderemos ent√£o descansar um pouco com a consci√™ncia de termos feito alguma coisa √ļtil e de termos bem servido o nosso Pa√≠s. Eu bem sei que seria mais f√°cil, e menos penoso para n√≥s, o tratar de agradar a todos, mas espero tamb√©m que um dia a opini√£o p√ļblica, que felizmente n√£o √© sempre a opini√£o que se publica, saber√° fazer-nos justi√ßa.

Desde que tenhamos a raz√£o do nosso lado, podemos ir at√© aonde o nosso dever o indicar, porque felizmente o n√ļmero dos que t√™m a perder ainda √© maior, e a esses, damos e daremos garantias de bem servir o Pa√≠s. Devemos prosseguir no nosso caminho, doa a quem doer, e nesse caminho sempre me encontrar√°s ao teu lado e ao dos teus colegas, por maiores que sejam os sacrif√≠cios que eu tenha que fazer. Devo-os ao meu Pa√≠s, devo-os √†queles que com tanta dedica√ß√£o o querem servir.

Uma Revolução a Partir de Cima

Considerando que as coisas aqui n√£o iam bem, e vendo os exemplos de toda a Europa, onde n√£o v√£o melhor, decidi fazer uma revolu√ß√£o completa em todos os procedimentos do governo daqui, uma revolu√ß√£o a partir de cima, fazendo um governo de liberdade e de honestidade, com ideias bem modernas, para que um dia n√£o me fa√ßam uma revolu√ß√£o vinda de baixo, que seria certamente a ru√≠na do meu pa√≠s. (…) At√© ao momento, tenho tido sucesso, e tudo vai bem, at√© melhor do que eu julgava poss√≠vel. Mas para isso, preciso de estar constantemente na ¬ępasserelle¬Ľ e n√£o posso abandonar o comando um minuto que seja, porque conhe√ßo o meu mundo e se o esp√≠rito de sequ√™ncia se perdesse por falta de direc√ß√£o, tudo viria imediatamente para tr√°s, e ent√£o seria pior do que ao princ√≠pio.

Tamb√©m li os jornais Dia e Novidades. V√™em, como era natural, destemperados. Os Republicanos era natural saltassem de todo. Quanto ao Correio da Noite, acho-o um pouco mais manso do que eu imaginava que ele viesse. S√©culo e Not√≠cias parecem-me estar ¬ę√† capa¬Ľ, a ver em que isto p√°ra. Estou ainda convencido que se houver ju√≠zo ainda se poder√° vencer mais esta campanha, o que √© preciso √© n√£o perder os Dissidentes de vista porque podem fazer um disparate qualquer.

No momento mais doloroso da tua vida, o teu marido gostaria de estar ao p√© de ti para dizer tudo aquilo que ele pensa, mas que √© imposs√≠vel de escrever. (…) Muitos poder√£o dizer-to ou mostrar-to melhor que eu, mas ningu√©m te conhece ou te ama mais do que o teu marido devotado.

Ao come√ßar as minhas campanhas oceanogr√°ficas, dediquei-me desde logo quase exclusivamente ao estudo dos peixes que obtive, e fui levado principalmente a esta especializa√ß√£o de estudo, por ver a grande import√Ęncia das pescarias da nossa costa, e acreditar que, talvez por um estudo met√≥dico da distribui√ß√£o e das √©pocas de passagem das diferentes esp√©cies nas nossas √°guas, melhores resultados ainda pudessem ser obtidos.

Nada Pode Haver de mais Belo

Amigo Bernardo, dos desertos do Ronc√£o d‚Äôel-Rei, na mais bela po√©tica noite de luar que ver se possa, te escreve este teu amigo. Nada pode haver de mais belo; os rouxin√≥is cantam √† desgarrada, o ar rescende dos milhares de loendros (laurier-rose) que cobrem as encostas alcantiladas do Guadiana. Que maravilha, que encanto, que tristeza (tu, com certeza, aqui choravas)! Neste momento, houve-se o sinistro roncar da coruja e o long√≠nquo uivar dos lobos, misturado com o forte ladrar dos rafeiros e os nossos cavalos relincham inquietos nas quadras… √Č √† luz dum prosaico casti√ßal (uma garrafa com uma vela) que te escrevo estas sentidas regras, que espraio sobre este branco papel as ondas da minha melancolia. E como n√£o estar melanc√≥lico se acabamos de fazer dezasseis l√©guas a cavalo em oito horas e n√£o descans√°mos e n√£o dormimos a noite passada sen√£o uma m√≠sera hora e vemos apenas diante de n√≥s umas velhas esteiras, as nossas mantas, e os aparelhos dos nossos cavalos como travesseiros, para passarmos umas noites.

Os Partidos Forçaram-me à Ditadura

Sinceramente desejei evitar a ditadura, para onde os acontecimentos pareciam querer arrastar-me, e tive para isso de suportar duas crises ministeriais sucessivas. S√£o esses mesmos, os partidos, que me for√ßam agora a ela. Um, recusando-se a colaborar no governo, contra o que eu desejava e devia esperar; o outro, fazendo causa comum nos tumultos da C√Ęmara. N√£o h√°, por agora, outro meio de governar. Chegassem os republicanos ao poder, e teriam de recorrer √† ditadura. Pois bem: se qualquer governo tem de a usar, e sem governo n√£o se passa, ningu√©m com mais direito a faz√™-lo do que voc√™s. Deram uma sess√£o parlamentar ininterrupta de seis meses. Ningu√©m poder√° acus√°-los de fugir do parlamento, onde tiveram os seus melhores dias, e que ainda hoje estaria aberto, se materialmente lho n√£o houvessem impedido. T√™m governado com tal lisura e t√£o firmes prop√≥sitos de acertar, que ganharam a simpatia e a confian√ßa geral. Mostraram larga iniciativa de governo nos numerosos e complexos projectos apresentados nas C√Ęmaras. T√™m, enfim, unidade de vistas, resolu√ß√£o de mando, vontade de governar. Continuem a governar bem, como at√© aqui, e dar-lhes-ei todo o meu apoio.