Passagens sobre Obras

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Frases sobre obras, poemas sobre obras e outras passagens sobre obras para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Amar outro ser humano é talvez a tarefa mais difícil que a nós foi confiada, a tarefa definitiva, a prova e o este finais; a obra para a qual todas as outras não passam de mera preparação.

A Religião e o Jornalismo São as Únicas Forças Verdadeiras

Todas as artes s√£o uma futilidade perante a literatura. As artes que se dirigem √† visualidade, al√©m de serem √ļnicos os seus produtos, e perec√≠veis, podendo portanto, de um momento para o outro, deixar de existir, n√£o existem sen√£o para criar ambiente agrad√°vel, para distrair ou entreter ‚ÄĒ exactamente como as artes de representar, de cantar, de dan√ßar, que todos reconhecem como sendo inferiores em rela√ß√£o √†s outras. A pr√≥pria m√ļsica n√£o existe sen√£o enquanto executada, participando portanto da futilidade das artes de representa√ß√£o. Tem a vantagem de durar, em partituras; mas essa n√£o √© como a dos livros, ou coisas escritas, cuja valia est√° em que s√£o partituras acess√≠veis a todos os que sabem ler, existindo ali para a interpreta√ß√£o imediata de quem l√™, e n√£o para a interpreta√ß√£o do executante, transmitida depois ao ouvinte.
As literaturas, porém, são escritas em línguas diferentes, e, como não há possibilidades de haver uma língua universal, nem, se vier a havê-la, será o grego antigo, onde tantas obras de arte se escreveram, ou o latim, ou o inglês ou outra qualquer, e se for uma delas não será as outras, segue que a literatura, sendo escrita para a posteridade, não a atinge senão,

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Uma das consequ√™ncias do chamado ¬ębem-estar¬Ľ √© a de conduzir as pessoas a fecharem-se em si mesmas, tornando-as insens√≠veis √†s exig√™ncias dos outros. A realidade deve ser enfrentada com aquilo que √©, e muitas vezes faz-nos encontrar situa√ß√Ķes de necessidade urgente. √Č por isto que entre as obras de miseric√≥rdia se encontra a refer√™ncia √† fome e √† sede: dar de comer a quem tem fome e de beber a quem tem sede.

Egoísmo Relativo

Por mim, o meu ego√≠smo √© a superf√≠cie da minha dedica√ß√£o. O meu esp√≠rito vive constantemente no estudo e no cuidado da Verdade, e no escr√ļpulo de deixar, quando eu despir a veste que me liga a este mundo, uma obra que sirva o progresso e o bem da Humanidade.
Reconhe√ßo que o sentido intelectual que esse Servi√ßo da Humanidade toma em mim, em virtude do meu temperamento, me afasta, muitas vezes, das pequenas manifesta√ß√Ķes que em geral revelam o esp√≠rito humanit√°rio. Os actos de caridade, a dedica√ß√£o por assim dizer quotidiana s√£o cousas que raras vezes aparecem em mim, embora nada haja em mim que represente a nega√ß√£o delas.
Em todo o caso, reconheço, em justiça para comigo próprio, que não sou mais egoísta que a maioria dos indivíduos, e muito menos o sou que a maioria dos meus colegas nas artes e nas letras. Pareço egoísta àqueles que, por um egoísmo absorvente, exigem a dedicação dos outros como um tributo.

Eu não acredito que algum filme ou alguma obra de arte vá resolver os problemas do Médio Oriente hoje em dia. Mas vale certamente a pena tentar.

Uma árvore ou uma planta florescem bem se estiverem doentes? Uma árvore ou uma planta que não sejam regadas podem florir? Uma árvore ou uma planta que não tenham raízes podem crescer? A vida cristã deve florir nas obras da caridade, em fazer o bem; porém, se não tivermos raízes, não poderemos florir.

Torniquete

A t√īmbola anda depressa,
Nem sei quando ir√° parar –
Aonde, pouco me importa;
O importante √© que pare…
– A minha vida n√£o cessa
De ser sempre a mesma porta
Eternamente a abanar…

Abriu-se agora o sal√£o
Onde h√° gente a conversar.
Entrei sem hesita√ß√£o –
Somente o que se vai dar?
A meio da reuni√£o,
Pela certa disparato,
Volvo a mim a todo o pano:

Às cambalhotas desato,
E salto sobre o piano…
РVai ser bonita a função!
Esfrangalho as partituras,
Quebro toda a caqueirada,
Arrebento à gargalhada,
E fujo pelo sagu√£o…

Meses depois, as gazetas
Darão críticas completas,
Indecentes e patetas,
Da minha √ļltima obra…
E eu Рprà cama outra vez,
Curtindo febre e revés,
Tocado de Estrela e Cobra…

Se os bois e os cavalos tivessem mãos e pudessem pintar e produzir obras de arte similares às do homem, os cavalos pintariam os deuses sob forma de cavalos e os bois pintariam os deuses sob forma de bois.

Muita gente fala como os papagaios e obra como os macacos: só repetem o que ouviram e só fazem o que viram fazer.

A argila fundamental de nossa obra é a juventude. Nela depositamos todas as nossas esperanças e a preparamos para receber idéias para moldar nosso futuro.

O Subjectivo é Objectivo, e o Objectivo é Subjectivo

Assaz dif√≠cil √© decidir o que seja objectivamente a verdade, mas, no trato com os homens, n√£o h√° que se deixar aterrorizar por isso. Existem crit√©rios que para o primeiro s√£o suficientes. Um dos mais seguros consiste em objectar a algu√©m que uma asser√ß√£o sua √© “demasiado subjectiva”. Se se utilizar, e com aquela indigna√ß√£o em que ressoa a furiosa harmonia de todas as pessoas sensatas, ent√£o h√° motivo para se ficar alguns instantes em paz consigo. Os conceitos do subjectivo e objectivo inverteram-se por completo. Diz-se objectiva a parte incontroversa do fen√≥meno a sua ef√≠gie inquestionavelmente aceite, a fachada composta de dados classificados, portanto, o subjectivo; e denomina-se subjectivo o que tal desmorona, acede √† experi√™ncia espec√≠fica da coisa, se livra das opini√Ķes convencionais a seu respeito e instaura a rela√ß√£o com o objecto em substitui√ß√£o da decis√£o maiorit√°ria daqueles que nem sequer chegam a intu√≠-lo, e menos ainda a pens√°-lo – logo, o objectivo.
A futilidade da objecção formal da relatividade subjectiva patenteia-se no seu próprio terreno, o dos juízos estéticos. Quem alguma vez, pela força da sua precisa reacção em face da seriedade da disciplina de uma obra artística, se submete à sua lei formal imanente,

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Segurar a pequena mão dele, sentir os seus dedos pequenos a agarrarem a minha mão é uma justificação óbvia para tudo, para a vida. Vale a pena nascer, crescer, vale a pena a adolescência inteira, todos os sacrifícios, vale a pena a responsabilidade, vale a pena sair pelo desconhecido e estar preparado para o impossível, vale a pena ler obras completas, passar dias fechado apenas a ler, vale a pena comer sopa, aprender a fazer sopa, vale a pena lavar loiça para ter a oportunidade de segurar-lhe a mão.

A obra feita é sempre maior do que quem a fez. De facto, eu acho que somos menos do que aquilo que fazemos, e isso é outra forma de grandeza, ser capaz de ser menos do que aquilo que se faz.

Sonambulismo

Tombam os dias in√ļteis:
amanhece, é tarde, anoitece.
Mas a nós que nos importa
ser manh√£, meio dia ou noite?!…
Son√Ęmbula a vida decorre
Рnas ruas, a paz larvar dos grandes cemitérios;
dentro de nós, cada um
apodrece.
Enchem-se de títulos vibrantes os jornais
– mas tudo √© t√£o longe…
Passam homens por homens e n√£o se conhecem:
Boa tarde! Bom dia!
Cada um fechado nas suas fronteiras,
os gestos vazios,
a vida sem sentido
– sonambulismo apenas.

Acorda!
Ainda que seja só para o sobressalto,
que as ilus√Ķes do sonho se desfa√ßam
e as esperanças morram todas nessa hora!

Acorda!
ainda que o caminho a percorrer te espante
e o peso da obra a realizar te esmague!

Ainda que acordar seja
morrer depois aos poucos, em cada momento,
dolorosamente

A Ordem das Coisas

Natura deficit, fortuna mutatur, deus omnia cernit. A natureza trai-nos, a sorte muda, um deus v√™ do alto todas estas coisas. Apertava ao dedo a mesa de um anel onde, num dia de amargura, mandava gravar estas palavras tristes; ia mais longe no desengano, talvez na blasf√©mia; acabava por achar natural, sen√£o justo, que dev√≠amos perecer. As nossas letras esgotam-se; as nossas artes adormecem; P√Ęncrates n√£o √© Homero; Arriano n√£o √© Xenofonte; quando tentei imortalizar na pedra a forma de Ant√≠noo n√£o encontrei Prax√≠teles. Depois de Arist√≥teles e de Arquimedes, as nossas ci√™ncias n√£o progridem; os nossos progressos t√©cnicos n√£o resistiriam ao desgaste de uma longa guerra; mesmo os nossos voluptuosos desgostam-se da felicidade. O abrandamento dos costumes, o avan√ßo das ideias no decorrer do √ļltimo s√©culo √© obra de uma infima minoria de bons esp√≠ritos; a massa continua ignara, feroz, quando pode, de qualquer forma ego√≠sta e limitada, e h√° raz√Ķes para apostar que ficar√° sempre assim. Procuradores a mais, publicanos √°vidos, demasiados senadores desconfiados, demasiados centuri√Ķes brutais comprometeram adiantadamente a nossa obra; e os imp√©rios, como os homens, j√° n√£o t√™m tempo para se instru√≠rem √† custa das suas faltas. Onde quer que um tecel√£o remendar o seu pano,

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