Passagens de António de Oliveira Salazar

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Cremos que a guerra é um mal, mesmo quando é uma necessidade, mas sabemos que há para os povos outros males maiores, porque os há que excedem a morte e a miséria Рsão a sua desonra e aniquilamento.

Os Interesses na Actividade Política

Os jornais feitos com os pol√≠ticos criam nos seus meios restritos um estado de sobreexcita√ß√£o doentia que cada qual julga partilhado por todos os outros, e da√≠ vem que dum canto da capital, por defini√ß√£o a cabe√ßa do pa√≠s, o mais reduzido grupo partid√°rio convictamente julga falar em nome da Na√ß√£o. Mas h√° interesses mais directos e palp√°veis em jogo na actividade pol√≠tica, e o que √© pior √© que √† medida que o poder se corrompe e que o interesse colectivo √© sacrificado a interesses individuais, ao mundo pol√≠tico que espera e provoca as muta√ß√Ķes governativas, junta-se o outro mundo √°vido dos neg√≥cios. Na alta finan√ßa, nos bancos, no com√©rcio de especula√ß√£o nos grandes empreiteiros, entre os grandes fornecedores, mesmo no campo da produ√ß√£o propriamente dita, em ramos cuja vida depende em grande parte de actos governativos, existem j√° numerosos indiv√≠duos a interessar-se activamente pela pol√≠tica dos partidos. A influ√™ncia corrosiva da sua ac√ß√£o traz mais duma dificuldade grave √† governa√ß√£o p√ļblica.

A Crise do Idealismo

Cada vez ser√° menor a ¬ęelite¬Ľ que os possui [valores], perante o desvairo do nosso tempo em que a sede dos prazeres materiais e a dissolu√ß√£o dos costumes, apoiadas por uma organiza√ß√£o industrial ad hoc, corromperam a riqueza e as suas fontes, o trabalho e as suas aplica√ß√Ķes, a fam√≠lia e o seu valor social. H√° no Mundo uma grande crise do idealismo, do espiritualismo de virtudes c√≠vicas e morais, e n√£o parece que sem eles possamos vencer as dificuldades do nosso tempo. Sem rectificarmos a s√©rie de valores com que lidamos – valores econ√≥micos e morais – , sem outro conceito diverso da civiliza√ß√£o e do progresso humano, sem ao esp√≠rito ser dada primazia sobre a mat√©ria e √† moral sobre os instintos, a humanidade n√£o curar√° os seus males e nem sequer tirar√° lucro do seu sofrimento.

Liquidar os Defeitos Pouco a Pouco

Legislasse eu em Inglaterra e a minha obra seria completamente diferente. Dentro das ra√ßas, dentro das nacionalidades, h√° duas esp√©cies de defeitos: os defeitos naturais, que podem ser combatidos mas nunca extirpados violentamente, e que nos far√£o sempre distinguir um latino dum eslavo ou dum anglo-sax√£o, e os defeitos incrustados, os v√≠cios adquiridos, que s√£o v√≠cios, sobretudo, de educa√ß√£o, de mentalidade. Ora se √© quase in√ļtil fazer guerra aos primeiros, porque eles t√™m sempre a vit√≥ria, j√° n√£o √© t√£o ideal, t√£o imposs√≠vel, como se diz, desincrustar os √ļltimos, liquid√°-los pouco a pouco… Veja, por exemplo, como o Jap√£o se transformou no curto espa√ßo da vida dum homem…

Somos um país grande, não somos um país pequeno. Comanda­mos interesses muitas vezes importantes, e isto no Mundo. Nós continuamos aferrados à ideia de que somos pequenos, flamamos em pequeno. Há que fazer tudo em grande. Mas somos para aí uns pobres e parecemos não ter envergadura para isso.

O homem do Estado jamais encontrar√° alguma coisa √ļtil ou eficaz nos trocadilhos de palavra, nas acrobacias da intelig√™ncia ou no desvairo das imagina√ß√Ķes exaltadas.

As Fraquezas dos Sistemas Partid√°rios

Com os que se intitulam democracias parlamentares ou partid√°rias, quem quer, examinando o funcionamento efectivo das institui√ß√Ķes, podo constituir tr√™s grupos. O primeiro √© daqueles muito raros Estados em que os partidos pouco numerosos permitem a forma√ß√£o de maiorias homog√©neas, que se sucedem no poder, sem impedir de agir, quando na oposi√ß√£o, o governo quo governa. O segundo √© o daqueles em que a vida partid√°ria √© t√£o intensa e intolerante que as muta√ß√Ķes governamentais se fazem frequentemente por meio de revolu√ß√Ķes ou golpes de Estado, no fundo a nega√ß√£o do mesmo princ√≠pio em que pretendem apoiar-se. H√° um terceiro grupo em que a parcela√ß√£o partid√°ria e a exig√™ncia constitucional da maioria parlamentar se conjugam para ter em permanente risco os minist√©rios, precipitar as demiss√Ķes, alongar as crises, paralisar os governos, condenados √† inac√ß√£o e √†s f√≥rmulas de compromisso que nem sempre ser√£o as mais convenientes ao interesse nacional. Assim, uns esperam as elei√ß√Ķes; outros, a revolu√ß√£o; os √ļltimos, as crises, como possibilidades de governo.

Um Vento de Ambi√ß√Ķes Econ√≥micas em Todos os Graus

Elementos subversivos fermentam, de mistura com interesses econ√≥micos √† vista, em povos n√£o preparados para a emancipa√ß√£o, que √© hoje a f√≥rmula aliciante das novas servid√Ķes. Independ√™ncias alicer√ßadas em √≥dios pol√≠ticos ou r√°cicos constituem-se em unidades nacionais desprovidas de apoio econ√≥mico e t√©cnico, capaz de valoriz√°-las e faz√™-las progredir. Nacionalismos imprudentes e excessivos cavam a ru√≠na de povos que s√≥ a coopera√ß√£o amig√°vel podia salvar. A miragem do aumento indefinido das riquezas traz as imagina√ß√Ķes em alvoro√ßo: confiantes numa t√©cnica que se afirma de possibilidades ilimitadas, somos batidos por um vento de ambi√ß√Ķes econ√≥micas em todos os graus ‚ÄĒ nos indiv√≠duos, nos povos, no g√©nero humano. E no entanto os homens por toda a parte se mostram desalentados, ansiosos, inquietos, como se a riqueza e as divers√Ķes n√£o trouxessem √†s almas consola√ß√£o nem paz. Os t√£o reclamados direitos da pessoa humana (que muitos julgam ter descoberto agora) parece visarem preferentemente a massa confusa, desumanizada, despersonalizada, e n√£o o homem na integridade e plenitude do seu ser, da sua nobreza e valor infinito.

O homem que tem presunção e brio de si próprio só sente verdadeira alegria ao vencer as grandes dificuldades. As pequenas dificuldades não pesam na vida dos homens e não podem dar-lhes a consciência, a alegria plena do cumprimento do dever.