Passagens sobre Belos

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Frases sobre belos, poemas sobre belos e outras passagens sobre belos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Saber tudo de tudo. Ou tudo de algum saber. Decerto é impossível e mesmo indesejável. Mas que tu sintas que é bela a luz ou ouvir um pássaro cantar e terás sido absolutamente original. Porque ninguém pode sentir por ti.

Na verdade, n√£o existe outro ‚Äėeu‚Äô al√©m do ‚ÄėEu eterno‚Äô, infinitamente belo, sublime e perfeito. O ‚Äėeu‚Äô que se apega √† mat√©ria e sofre √© o ‚Äėfalso eu‚Äô. Mas isso n√£o significa que o ‚Äėfalso eu‚Äô seja uma exist√™ncia real. Dizer que o ‚Äėfalso eu‚Äô est√° manifestado, significa que o ‚ÄėEu verdadeiro‚Äô se encontra ausente.

Ent√£o as plantas ter√£o flores mais belas, os passarinhos cantar√£o com vozes mais lindas e as feras se tornar√£o mansas a ponto de dormirem aninhados nos colos dos seres humanos.

Beleza

Vem do amor a Beleza,
Como a luz vem da chama.
√Č lei da natureza:
Queres ser bela? – ama.

Formas de encantar,
Na tela o pincel
As pode pintar;
No bronze o buril
As sabe gravar;
E est√°tua gentil
Fazer o cinzel
Da pedra mais dura…
Mas Beleza é isso? РNão; só formosura.

Sorrindo entre dores
Ao filho que adora
Inda antes de o ver
– Qual sorri a aurora
Chorando nas flores
Que est√£o por nascer ‚Äď
A mãe é a mais bela das obras de Deus.
Se ela ama! РO mais puro do fogo dos céus
Lhe ateia essa chama de luz cristalina:

√Č a luz divina
Que nunca mudou,
√Č luz… √© a Beleza
Em toda a pureza
Que Deus a criou.

O Estado existe para realizar o que √© √ļtil. O indiv√≠duo para realizar o que √© belo.

L√ļcia

(Alfred de Musset)

Nós estávamos sós; era de noite;
Ela curvara a fronte, e a m√£o formosa,
Na embriaguez da cisma,
Tênue deixava errar sobre o teclado;
Era um murm√ļrio; parecia a nota
De aura longínqua a resvalar nas balsas
E temendo acordar a ave no bosque;
Em torno respiravam as boninas
Das noites belas as vol√ļpias mornas;
Do parque os castanheiros e os carvalhos
Brando embalavam orvalhados ramos;
Ouvíamos a noite, entre-fechada,
A rasgada janela
Deixava entrar da primavera os b√°lsamos;
A v√°rzea estava erma e o vento mudo;
Na embriaguez da cisma a sós estávamos
E tínhamos quinze anos!

L√ļcia era loura e p√°lida;
Nunca o mais puro azul de um céu profundo
Em olhos mais suaves refletiu-se.
Eu me perdia na beleza dela,
E aquele amor com que eu a amava ‚Äď e tanto ! ‚Äď
Era assim de um irm√£o o afeto casto,
Tanto pudor nessa criatura havia!

Nem um som despertava em nossos l√°bios;
Ela deixou as suas m√£os nas minhas;
Tíbia sombra dormia-lhe na fronte,

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Tudo Est√° ao Nosso Alcance

A vida traz a cada um a sua tarefa e, seja qual for a ocupa√ß√£o escolhida, √°lgebra, pintura, arquitectura, poesia, com√©rcio, pol√≠tica ‚ÄĒ todas est√£o ao nosso alcance, at√© mesmo na realiza√ß√£o de miraculosos triunfos, tudo na depend√™ncia da selec√ß√£o daquilo para que temos aptid√£o: comece pelo come√ßo, prossiga na ordem certa, passo a passo. √Č t√£o f√°cil retorcer √Ęncoras de ferro e talhar canh√Ķes como entrela√ßar palha, t√£o f√°cil ferver granito como ferver √°gua, se voc√™ fizer tudo na ordem correcta. Onde quer que haja insucesso √© porque houve titubeio, houve alguma supersti√ß√£o sobre a sorte, algum passo omitido, que a natureza jamais perdoa. Condi√ß√Ķes felizes de vida podem ser obtidas nos mesmos termos. A atrac√ß√£o que elas suscitam √© a promessa de que est√£o ao nosso alcance. As nossas preces s√£o profetas. √Č preciso fidelidade; √© preciso ades√£o firme. Qu√£o respeit√°vel √© a vida que se aferra aos seus objectivos! As aspira√ß√Ķes juvenis s√£o coisas belas, as suas teorias e planos de vida s√£o leg√≠timos e recomend√°veis: mas voc√™ ser√° fiel a eles? Nem um homem sequer, receio eu, naquele p√°tio repleto de gente, ou n√£o mais que um em mil. E, se tentar cobrar deles a trai√ß√£o cometida,

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N√£o te Arrependas

N√£o te arrependas, Amada, porque a mim t√£o depressa
te deste!
Podes crer, nem por isso de ti penso coisas insolentes
e vis!
Vária é a acção das setas do Amor: algumas arranham,
E do rastejante veneno languesce pra anos o peito.
Mas, com penas potentes e gume afiado de fresco,
Outras penetram até ao tutano e rápido inflamam
o sangue.
Nos tempos heróicos, quando Deuses e Deusas amavam,
Ao olhar seguia o desejo, ao desejo o prazer.
Crês tu que a Deusa do Amor pensou muito tempo
Quando no bosque de Ida um dia Anquises lhe
agradou?
Se Luna tardasse a beijar o belo dormente,
Auiora, invejosa, em breve o teria acordado.
Hero descobriu Leandro no festim ruidoso, e ligeiro,
Ardente saltou o amante pra a corrente nocturna.
Rhea Sílvia, a virgem princesa, vai descuidosa
Buscar √°gua ao Tibre, e o Deus dela se apossa.
Assim Marte gerou os seus filhos! ‚ÄĒ Uma loba
amamenta
Os Gémeos, e Roma nomeia-se princesa do mundo.

Tradução de Paulo Quintela

Tremo por Ti que √Čs o Meu √önico Amigo

António,

Tenho imensas coisas que te dizer e n√£o sei o que hei-de dizer, t√£o arreliada estou e t√£o sem cabe√ßa para pensar a coisa mais insignificante deste mundo. Que linda noite, tu vais passar, Amigo querido! E eu? A pensar que a maldade e a estupidez desta vida que no nosso desgra√ßado pa√≠s √© um horror, me pode fazer o mal maior que a algu√©m se pode fazer. Tenho medo, tenho medo, meu amor. Este desassossego cont√≠nuo p√Ķe-me doente e faz-me doida.

Então eu hei-de passar a minha triste vida a tremer por ti? Eu tenho pouca sorte, e quando enfim encontro no meu caminho alguém que gosta de mim, por mim, como se deve gostar, que pensa na minha felicidade, no meu sossego, alguém que se digna ver que eu tenho alma a sentir, quando encontro enfim no mundo o que julgara não encontrar nunca, hei-de andar como o avarento a tremer pelo tesoiro que levou anos, uma vida inteira a conquistar e que lhe podem roubar num momento. Eu tenho pouca sorte! Que Deus tenha piedade de mim.

Quereria dizer-te muitas coisas mas nem sei o que; só tenho vontade de chorar e de gritar desesperadamente,

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Qu√£o mais bela “A Gioconda” desde que a n√£o pud√©ssemos ver! E se quem a roubasse a queimasse, qu√£o artista seria, que maior artista que aquele que a pintou!

Usar as Palavras dos Outros com Cuidado

Um escritor exprime-se em palavras que j√° foram usadas porque elas exprimem melhor a sua ideia do que ele mesmo o pode fazer, ou porque s√£o belas e espirituosas, ou porque espera que elas toquem uma corda de associa√ß√£o na mente do seu leitor, ou porque deseja mostrar que √© culto e lido. As cita√ß√Ķes devidas a este √ļltimo motivo falham invariavelmente: o leitor inteligente descobre-o e passa a desprezar o autor; o leitor menos avisado talvez fique impressionado, mas ao mesmo tempo sente repulsa, pois as cita√ß√Ķes pretensiosas s√£o o caminho mais seguro para o t√©dio.

Henri Watson Fowler (1858-1933) e F.G.

Só Se Possuem Eternamente os Amigos de Quem Nos Separamos

O amor de algu√©m √© um presente t√£o inesperado e t√£o pouco merecido que devemos espantar-nos que n√£o no-lo retirem mais cedo. N√£o estou inquieto por aqueles que ainda n√£o conheces, ao encontro de quem vais e que porventura te esperam: aquele que eles v√£o conhecer ser√° diferente daquele que eu julguei conhecer e creio amar. N√£o se possui ningu√©m (mesmo os que pecam n√£o o conseguem) e, sendo a arte a √ļnica forma de posse verdadeira, o que importa √© recriar um ser e n√£o prend√™-lo. Gherardo, n√£o te enganes sobre as minha l√°grimas: vale mais que os que amamos partam quando ainda conseguimos chor√°-los. Se ficasses, talvez a tua presen√ßa, ao sobrepor-se-lhe, enfraquecesse a imagem que me importa conservar dela. Tal como as tuas vestes n√£o s√£o mais que o inv√≥lucro do teu corpo, assim tu tamb√©m n√£o √©s mais para mim do que o inv√≥lucro de um outro que extra√≠ de ti e que te vai sobreviver. Gherardo, tu √©s agora mais belo que tu mesmo.
Só se possuem eternamente os amigos de quem nos separamos.

Resgatar o Prazer de Viver

√Č poss√≠vel resgatar o prazer de viver, √© poss√≠vel treinar a emo√ß√£o para ser jovem, desprendida, livre, feliz.

Primeiro: Contemple o belo nos pequenos eventos da vida.
Tenha sempre atividades programadas fora da sua agenda pelo menos uma vez por semana. Valorize aquilo que o dinheiro não compra e que não dá prestígio.
Treine dez minutos por dia a contemplar a anatomia das flores, a gastar tempo a ver o brilho das estrelas, a experimentar o prazer de penetrar no mundo das pessoas.
Não viva em função de grandes eventos, aprenda a extrair o prazer dos pequenos estímulos da rotina diária.

Segundo: Irrigue o palco da mente com pensamentos agrad√°veis.
Treine trazer diariamente à sua memória aquilo que lhe traz esperança, serenidade e encanto pela vida. Pense em conquistar pessoas e em superar os seus obstáculos. Pense em ser íntimo do Autor da vida e conhecer os mistérios da existência.
Os seus maiores inimigos est√£o dentro de si. N√£o se deixe derrotar ou perturbar por pensamentos que lhe roubam a tranquilidade e o prazer de viver.
Treine ver o lado positivo de todas as coisas negativas. Os negativistas veem os raios,

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Poveiro

Poveirinhos! meus velhos pescadores!
Na Agoa quizera com vocês morar:
Trazer o lindo gorro de trez cores,
Mestre da lancha Deixem-nos passar!

Far-me-ia outro, que os vossos interiores
De ha tantos tempos, devem j√° estar
Calafetados pelo breu das dores,
Como esses pongos em que andaes no mar!

√ď meu Pae, n√£o ser eu dos poveirinhos!
N√£o seres tu, para eu o ser, poveiro,
Mail-Irm√£o do ¬ęSenhor de Mattozinhos¬Ľ!

No alto mar, √°s trovoadas, entre gritos,
Promettermos, si o barco f√īri intieiro,
Nossa bela √° Sinhora dos Afflictos!

Da Liberdade

A: Eis uma bateria de canh√Ķes que atira junto aos nossos ouvidos; tendes a liberdade de ouvi-la e de a n√£o ouvir?
B: √Č claro que n√£o posso evitar ouvi-la.
A: Desejaríeis que esse canhão decepasse a vossa cabeça e as da vossa mulher e da vossa filha que estivessem convosco?
B: Que espécie de proposição me fazeis? Eu jamais poderia, no meu são juízo, desejar semelhante coisa. Isso é-me impossível.
A: Muito bem; ouvis necessariamente esse canhão e, também necessariamente, não quereis morrer, vós e a vossa família, de um tiro de canhão; não tendes nem o poder de não o ouvir nem o poder de querer permanecer aqui.
B: Isso é evidente.
A: Em consequência, destes uma trintena de passos a fim de vos colocardes ao abrigo do canhão: tivestes o poder de caminhar comigo estes poucos passos?
B: Nada mais verdadeiro.
A: E se f√īsseis paral√≠tico? N√£o ter√≠eis podido evitar ficar exposto a essa bateria; n√£o ter√≠eis o poder de estar onde agora estais: ter√≠eis ent√£o necessariamente ouvido e recebido um tiro de canh√£o e necessariamente estar√≠eis morto?
B: Nada mais claro.
A: Em que consiste, pois,

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Alguns homens dizem que uma frota de navios é a coisa mais bela. Digo que é o amor.

Lassid√£o

Ah, por favor, doçura, doçura, doçura!
Acalma esses arroubos febris, minha bela.
Mesmo em grandes folguedos, a amante só deve
Mostrar o abandono calmo da irm√£ pura.

S√™ l√Ęnguida, adormece-me com os teus afagos,
Iguais aos teus suspiros e ao olhar que embala.
O abra√ßo do ci√ļme, o espasmo impaciente
Não valem um só beijo, mesmo quando mente!

Mas dizes-me, criança, em teu coração de ouro
A paix√£o mais selvagem toca o seu clarim!…
Deixa-a trombetear à vontade, a impostora!

Chega essa testa à minha, a mão também, assim,
E faz-me juramentos pra amanh√£ quebrares,
Chorando até ser dia, impetuosa amada!

Tradução de Fernando Pinto do Amaral