Passagens sobre Belos

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Frases sobre belos, poemas sobre belos e outras passagens sobre belos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Linda Inês

Choram ainda a tua morte escura
Aquelas que chorando a memoraram;
As l√°grimas choradas n√£o secaram
Nos saudosos campos da ternura.

Santa entre as santas pela m√° ventura,
Rainha, mais que todas que reinaram;
Amada, os teus amores n√£o passaram
E és sempre bela e viva e loira e pura.

√ď Linda, sonha a√≠, posta em soss√™go
No teu muymento de alva pedra fina,
Como outrora na Fonte do Mondego.

Dorme, sombra de graça e de saudade,
Colo de Garça, amor, moça menina,
Bem-amada por toda a eternidade!

C√Ęntico da Noite

Sumiu-se o sol esplêndido
Nas vagas rumorosas!
Em trevas o crep√ļsculo
Foi desfolhando as rosas!
Pela ampla terra alargar-se
Calada solid√£o!
Parece o mundo um t√ļmulo
Sob estrelado manto!
Alabastrina l√Ęmpada,
L√° sobe a lua! Entanto
Gemidos d‚Äôaves l√ļgubres
Soando a espaços vão!
Hora dos melancólicos,
Saudosos devaneios!
Hora que aos gostos íntimos
Abres os castos seios!
Infunde em nossos √Ęnimos
Inspiração da fé!
De noite, se um revérbero
De Deus nos alumia,
Destila-se de l√°grimas
A prece, a profecia!
A alma elevada em êxtase
Terrena já não é!
Antes que o sono t√°cito
Olhos nos cerre, e os sonhos
Nos tomem no seu vórtice,
J√° rindo, e j√° medonhos,
Hora dos céus, conserva-me
No extinto e no porvir.
Onde os que amei? sumiram-se.
Onde o que eu fui? deixou-me.
Deles, só vãs memórias;
De mim, só resta um nome:
No abismo do pretérito
Desfez-se choro e r√ļy
Desfez-se! e quantas l√°grimas
Brotaram de alegrias! Desfez-se!
e quantos j√ļbilos
Nasceram de agonias!

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As quatro condi√ß√Ķes elementares para a felicidade s√£o: vida ao ar livre, amor de mulher, aus√™ncia de qualquer ambi√ß√£o e a cria√ß√£o de um novo e belo ideal.

A Impossibilidade de Renunciar

Eu decido correr a uma prov√°vel desilus√£o: e uma manh√£ recebo na alma mais uma vergastada – prova real dessa desilus√£o. Era o momento de recuar. Mas eu n√£o recuo. Sei j√°, positivamente sei, que s√≥ h√° ru√≠nas no termo do beco, e continuo a correr para ele at√© que os bra√ßos se me partem de encontro ao muro espesso do beco sem sa√≠da. E voc√™ n√£o imagina, meu querido Fernando, aonde me tem conduzido esta maneira de ser!… H√° na minha vida um bem lamnet√°vel epis√≥dio que s√≥ se explica assim. Aqueles que o conhecem, no momento em que o vivi, chamaram-lhe loucura e disparate inexplic√°vel. Mas n√£o era, n√£o era. √Č que eu, se come√ßo a beber um copo de fel, hei-de for√ßosamente beb√™-lo at√© ao fim. Porque – coisa estranha! – sofro menos esgotando-o at√© √† √ļltima gota, do que lan√ßando-o apenas encetado. Eu sou daqueles que v√£o at√© ao fim. Esta impossibilidade de ren√ļncia, eu acho-a bela artisticamente, hei-de mesmo trat√°-la num dos meus contos, mas na vida √© uma triste coisa. Os actos da minha exist√™ncia √≠ntima, um deles quase tr√°gico, s√£o resultantes directos desse triste fardo. E, coisas que parecem inexplic√°veis, explicam-se assim. Mas ningu√©m as compreende.

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D√ļvida

Amas-me a mim? Perdoa,
√Č imposs√≠vel! N√£o,
N√£o h√° quem se condoa
Da minha solid√£o.

Como podia eu, triste,
Ah! inspirar-te amor
Um dia que me viste,
Se √© que me viste… flor!

Tu, bela, fresca e linda
Como a aurora, ou mais
Do que a aurora ainda,
Mal ouves os meus ais!

Mal ouves, porque as aves
Só saltam de manhã
Seus c√Ęnticos suaves;
E tu és sua irmã!

De noite apenas trina
O triste rouxinol:
Toda a mais ave inclina
O colo ao p√īr do Sol.

Porquê? Porque é ditosa!
Porquê? Porque é feliz!
E a que sorri a rosa?
Ao mesmo a que sorris…

À luz dourada e pura
Do astro criador:
À noite, não, que é escura,
Causa-lhe a ela horror.

Ora uma nuvem negra,
Uma pesada cruz,
Uma alma que se alegra
Só quando vê a luz

De que ele, o Sol, inunda
O mar, quando se p√Ķe,
Imagem moribunda
De um cora√ß√£o que foi…

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Perguntas e Respostas

‚ÄĒ Qual √© a coisa mais antiga do mundo?
‚ÄĒ Poderia dizer que √© Deus que sempre existiu.
‚ÄĒ Qual √© a coisa mais bela?
‚ÄĒ O instante de inspira√ß√£o.
‚ÄĒ E Deus quando criou o Universo n√£o o fez no momento de Sua maior inspira√ß√£o?
‚ÄĒ O Universo sempre existiu. O cosmos √© Deus.
‚ÄĒ Qual das coisas √© a maior?
‚ÄĒ O amor, que √© o maior dos mist√©rios.
‚ÄĒ Das coisas qual √© a mais constante?
‚ÄĒ O medo. Que pena que eu n√£o possa responder: √© a esperan√ßa.
‚ÄĒ Qual o melhor dos sentimentos?
‚ÄĒ O de amar e ao mesmo tempo ser amada, o que parece apenas um lugar-comum mas √© uma de minhas verdades.
‚ÄĒ Qual √© o sentimento mais r√°pido?
‚ÄĒ O sentimento mais r√°pido, que chega a ser apenas um fulgor, √© o instante em que um homem e uma mulher sentem um no outro a promessa de um grande amor.
‚ÄĒ Qual √© a mais forte das coisas?
‚ÄĒ O instinto de ser.
‚ÄĒ O que √© mais f√°cil de se fazer?
‚ÄĒ Existir,

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Modelar uma estátua e dar-lhe vida é belo; modelar uma inteligência e dar-lhe verdade é sublime.

Vem Ver a Minha M√£e

Est√° junto das coisas que bordaram
com ela os dias que sup√īs mais belos
e são a fonte de onde lhe começa
o branco tempo dos cabelos.

Mal pousa a vida nos seus dedos gastos
do sonho que pousou na minha m√£o
e no sangue t√£o fr√°gil que sustenta
tanta ternura e tanta solid√£o.

Em Busca Da Beleza II

Nem defini-la, nem ach√°-la, a ela –
A Beleza. No mundo n√£o existe.
Ai de quem coma alma inda mais triste
Nos seres transitórios quer colhê-la!

Acanhe-se a alma porque n√£o conquiste
Mais que o banal de cada cousa bela,
Ou saiba que ao ardor de querer hav√™-la –
À Perfeição Рsó a desgraça assiste.

Só quem da vida bebeu todo o vinho,
Dum trago ou não, mas sendo até o fundo,
Sabe (mas sem remédio) o bom caminho;

Conhece o tédio extremo da desgraça
Que olha estupidamente o nauseabundo
Cristal in√ļtil da vazia ta√ßa.

A Minha Lista dos Grandes Autores

Uma revista espanhola teve a ideia de pedir a uns quantos escritores que elaborassem a sua √°rvore geneal√≥gica liter√°ria, isto √©, a que outros autores consideravam eles como avoengos seus, directos ou indirectos, excluindo-se do inventado parentesco, obviamente, qualquer presun√ß√£o de rela√ß√Ķes ou equival√™ncias de m√©rito que a realidade, pelo menos no meu caso, logo se encarregaria de desmentir. Tamb√©m se pedia que, em brev√≠ssimas palavras, fosse dada a justifica√ß√£o dessa esp√©cie de adop√ß√£o ao contr√°rio, em que era o ¬ędescendente¬Ľ a escolher o ¬ęascendente¬Ľ. A cada escritor consultado foi entregue o desenho de uma √°rvore com onze molduras dispersas pelos diferentes ramos, onde suponho que h√£o-de vir a aparecer os retratos dos autores escolhidos. A minha lista, com a respectiva fundamenta√ß√£o, foi esta: Lu√≠s de Cam√Ķes, porque, como escrevi no ¬ęAno da Morte de Ricardo Reis¬Ľ, todos os caminhos portugueses a ele v√£o dar; Padre Ant√≥nio Vieira, porque a l√≠ngua portuguesa nunca foi mais bela que quando ele a escreveu; Cervantes, porque sem ele a Pen√≠nsula Ib√©rica seria uma casa sem telhado; Montaigne, porque n√£o precisou de Freud para saber quem era; Voltaire, porque perdeu as ilus√Ķes sobre a humanidade e sobreviveu a isso; Raul Brand√£o, porque demonstrou que n√£o √© preciso ser-se g√©nio para escrever um livro genial,

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O Remorso

Cometi o pior desses pecados
Que podem cometer-se. N√£o fui sendo
Feliz. Que os glaciares do esquecimento
Me arrastem e me percam, despiedados.

Plos meus pais fui gerado para o jogo
Arriscado e tão belo que é a vida,
Para a terra e a √°gua, o ar, o fogo.
Defraudei-os. N√£o fui feliz. Cumprida

N√£o foi sua vontade. A minha mente
Aplicou-se às simétricas porfias
Da arte, que entretece ninharias.

Valentia eu herdei. N√£o fui valente.
N√£o me abandona. Est√° sempre ao meu lado
A sombra de ter sido um desgraçado.

Tradução de Fernando Pinto do Amaral

Sete anos de pastor Jacob servia Labão, pai de Raquel, serrana bela; mas não servia o pai, servia a ela, e a ela só por prêmio pretendia.

O Belo Retrato do S√°bio

Voltemos √† feliz esp√©cie dos loucos. Passada a vida alegremente, sem medo ou pressentimento da morte, emigram directamente para os Campo El√≠sios e v√£o deleitar com as suas fac√©cias as almas ociosas e pias. Comparai agora ao destino do louco o de um s√°bio √† vossa escolha. Citai-me um modelo de sabedoria que tenha gasto a sua inf√Ęncia e a juventude no estudo das ci√™ncias e que tenha perdido o mais belo tempo da sua vida em vig√≠lias, cuidados e trabalhos sem fim e que se tenha privado, para o resto da sua vida, de todos os prazeres. Vereis que foi sempre pobre, miser√°vel, triste, t√©trico, severo e duro para consigo mesmo, insuport√°vel e desagrad√°vel para com os outros, p√°lido, magro, servil, envelhecido antes do tempo, calvo antes da velhice, votado a uma morte prematura. Que importa, ali√°s, que morra, se nunca chegou a viver! Tal √© o belo retrato deste s√°bio.

Possuir-te é Gozar de um Tesouro Infinito

Que suprema felicidade foi hoje a minha, querida desta alma! Como tu estavas, linda, terna, amante, encantadora! Nunca te vi assim, nunca me pareceste t√£o bela! Que deliciosa variedade h√° em ti, minha Rosa adorada! Possuir-te √© gozar de um tesouro infinito, inesgot√°vel. Juro-te que j√° n√£o tenho m√©rito em te ser fiel, em te protestar e guardar esta lealdade exclusiva que te hei-de consagrar at√© ao √ļltimo instante da minha vida: n√£o tenho m√©rito algum nisso. Depois de ti, toda a mulher √© imposs√≠vel para mim, que antes de ti n√£o conheci nenhuma que me pudesse fixar.

E o que eu te estimo e aprecio al√©m disso. A ternura de alma verdadeira que tenho por ti. Onde estavam no meu cora√ß√£o estes afectos que nunca senti, que s√≥ tu despertaste e que d√£o √† minha alma um bem-estar t√£o suave? Realmente que te devo muito, que me fizeste melhor, outro do que nunca fui. O que sinto por ti √© inexplic√°vel. Bem me dizias tu que em te conhecendo te havia de adorar deveras. √Č certo, assim foi, e estou agora seguro deste amor, porque repousa em bases t√£o s√≥lidas que j√° nada creio que o possa destruir.

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A mocidade é um erro belo, porque vive a vida que está para diante; a velhice é um erro triste, porque vive a vida que ficou para trás.

A Luz do Teu Amor

Oh! Sim que és linda! a inocência
Em tua fronte serena
Com tal do√ßura reluz!…
Tanta e tanta… que a a√ßucena
Tão esplêndida a existência
Não lha doura assim à luz!
Oh! que √©s linda, e mais… e mais
Quando um traço melancólico
Te diviso no semblante
Nos teus olhos virginais!
Que doçura não existe
Ai! ó virgem, nesse instante
Na poética beleza
Desse traço de tristeza
Que te vem tornar mais bela
Mal em teu rosto pousou!
E eu te quero assim, ó estrela,
Que se inspira em mim a crença
Triste… triste, que √©s mais linda,
Mas dessa beleza infinda
Das fic√ß√Ķes da renascen√ßa
Que a poesia perfumou!

Fita agora os olhos l√Ęnguidos
Na estrela que te ilumina,
Eu n√£o sei que luz divina
De amor nos fala em teu rosto!
Eu n√£o sei, nem tu… ningu√©m!…
Que a vaga luz do sol posto,
Que a palidez da cecém,
Que a meiguice dos amores,
E que o perfume das flores
N√£o respiram a harmonia
Desse toque leve…

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Vis√£o Guiadora

√ď alma silenciosa e compassiva
Que conversas com os Anjos da Tristeza,
√ď delicada e l√Ęnguida beleza
Nas cadeias das l√°grimas cativa.

Fr√°gil, nervosa timidez lasciva,
Graça magoada, doce sutileza
De sombra e luz e da delicadeza
Dolorosa de m√ļsica aflitiva.

Alma de acerbo, amargurado exílio,
Perdida pelos céus num vago idílio
Com as almas e vis√Ķes dos desolados.

√ď tu que √©s boa e porque √©s boa √©s bela,
Da Fé e da Esperança eterna estrela
Todo o caminho dos desamparados.