Cita√ß√Ķes de Ant√≥nio Dinis da Cruz e Silva

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Frases, pensamentos e outras cita√ß√Ķes de Ant√≥nio Dinis da Cruz e Silva para ler e compartilhar. Os melhores escritores est√£o em Poetris.

Em Defesa da Língua Portuguesa

Desta aud√°cia, Senhor, deste desc√īco
Que entre nós, sem limite, vai lavrando,
Quem mais sente as terr√≠veis conseq√ľ√™ncias
√Č a nossa portugu√™s, casta linguagem,
Que em tantas tradu√ß√Ķes anda envasada
(Tradu√ß√Ķes que merecem ser queimadas!)
Em mil termos e frases galicanas!
Ah! se, as marmóreas campas levantando,
Saíssem dos sepulcros, onde jazem
Suas honradas cinzas, os antigos
Lusitanos var√Ķes, que, com a pena

Ou com a espada e lança, a Pátria ornaram;
Os novos idiotismos escutando,
A mesclada dição, bastardos termos
Com que enfeitar intentam seus escritos
Estes novos, ridículos autores;

(Como se a bela e fértil língua nossa,
Primogênita filha da Latina,
Precisasse de estranhos atavios)
S√ļbito, certamente pensariam
Que nos sert√Ķes estavam de Caconda,
Quilimane, Sofala ou Moçambique;
Até que, já, por fim, desenganados

Que eram em Portugal, que os Portugueses
Eram também os que costumes, língua,
Por t√£o estranhos modos afrontaram,
Segunda vez, de pejo, morreriam.

Que Aziago que Foi, que Dia Infausto

Que aziago que foi, que dia infausto
Aquele, em que vi tua formosura!
Em que cheio de amor e de ternura
Esta alma te ofertei em holocausto!
Teus olhos m’o fizeram ter por fausto,
Teus belos olhos cheios de doçura,
Mas logo me fez ver minha loucura
Teu peito de rigores nunca exausto.
Ai! e quão mesquinho é, quão desgraçado
Aquele, que como as mostras v√£o se engana
De um angélico rosto sossegado!

Pois mil vezes encobre a vista humana
Qual √°spide cruel florido prado,
Um coração uma alma desumana.

Vem, oh Noite Sombria

Vem, oh noite sombria, e revolvendo
O longo açoite, que à carreira acende
As fuscas √Čguas, sobre a terra estende
De sombras carregado o manto horrendo:

Vem: e as brancas papoilas espremendo,
Em let√°rgico sono os mortais prende;
Que a minha bela Aglaia hoje me atende,
A meu amor mil glórias prometendo.

Se às minhas vozes dás benigno ouvido,
Encobrindo com teu escuro manto
Os suaves delírios de amor cego;

Imolar-te prometo agradecido
Um negro galo, que em contínuo canto
Se atreve a perturbar o teu sossego.

Corre, J√° entre Serras Escarpadas

Corre, j√° entre serras escarpadas,
J√° sobre largos campos, murmurando.
o Tieté, e, as águas engrossando,
soberbo alaga as margens levantadas.

Penedos, pontes, √°rvores copada:
quanto topa, de cólera escumando,
com fragor espantoso vai rolando
nos vórtices das ondas empoladas.

Mas quando mais caudal, mais orgulhoso,
as margens rompe, cai precipitado,
atroando ao redor toda a campina.

O próprio retrato é dum poderoso,
pois quanto mais sublime é seu estado
mais estrondosa é a sua ruína.