Passagens sobre Senhores

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Frases sobre senhores, poemas sobre senhores e outras passagens sobre senhores para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Se um homem não faz novas amizades à medida que avança na vida, ficará logo sozinho. Um homem, senhor, deveria manter as suas amizades em contínuo restauro.

Vou de Suspiros Todo este Ar Enchendo

Vou de suspiros todo est’ ar enchendo,
vou a terra de l√°grimas regando,
mais água aos rios, mais às fontes dando,
e com meu fogo em tudo fogo acendo.

E quando os olhos meus, senhora, estendo
para onde o Amor e v√≥s m’estais chamando,
as altas serras em qu’ os vou quebrando
da vista me tolher s’ est√£o doendo.

Mas nisto acode Amor, que sempre voa;
eu pelas asas, eu pelo arco o tenho,
té me levar consigo onde desejo.

E jurarei, senhora, que vos vejo,
jurarei qu’ essa doce voz me soa.
Nesta imaginação só me sostenho.

O Perigo do Especialista

O especialista serve-nos para concretizar energicamente a esp√©cie e fazer ver todo o radicalismo da sua novidade. Porque outrora os homens podiam dividir-se, simplesmente, em s√°bios e ignorantes, em mais ou menos s√°bios e mais ou menos ignorantes. Mas o especialista n√£o pode ser submetido a nenhuma destas duas categorias. N√£o √© um s√°bio, porque ignora formalmente o que n√£o entra na sua especialidade; mas tampouco √© um ignorante, porque √© ¬ęum homem de ci√™ncia¬Ľ e conhece muito bem a sua frac√ß√£o de universo. Devemos dizer que √© um s√°bio ignorante, coisa sobremodo grave, pois significa que √© um senhor que se comportar√° em todas as quest√Ķes que ignora, n√£o como um ignorante, mas com toda a petul√Ęncia de quem na sua quest√£o especial √© um s√°bio.
E, com efeito, este √© o comportamento do especialista. Em pol√≠tica, em arte, nos usos sociais, nas outras ci√™ncias tomar√° posi√ß√Ķes de primitivo, e ignorant√≠ssimo; mas tomar√° essas posi√ß√Ķes com energia e sufici√™ncia, sem admitir ‚Äď e isto √© o paradoxal ‚Äď especialistas dessas coisas. Ao especializ√°-lo a civiliza√ß√£o tornou-o herm√©tico e satisfeito dentro da sua limita√ß√£o; mas essa mesma sensa√ß√£o √≠ntima de dom√≠nio e valia vai lev√°-lo a querer predominar fora da sua especialidade.

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Fermosos Olhos Que Na Idade Nossa

Fermosos olhos que na idade nossa
mostrais do Céu certissimos sinais,
se quereis conhecer quanto possais,
olhai me a mim, que sou feitura vossa.

Vereis que de viver me desapossa
aquele riso com que a vida dais;
vereis como de Amor n√£o quero mais,
por mais que o tempo corra e o dano possa.

E se dentro nest’alma ver quiserdes,
como num claro espelho, ali vereis
também a vossa, angélica e serena.

Mas eu cuido que só por não me verdes,
ver vos em mim, Senhora, n√£o quereis:
tanto gosto levais de minha pena!

O Sentido de Possibilidade

Poderia definir-se o sentido de possibilidade como aquela capacidade de pensar tudo aquilo que tamb√©m poderia ser e de n√£o dar mais import√Ęncia √†quilo que √© do que √†quilo que n√£o √©. Como se v√™, as consequ√™ncias desta disposi√ß√£o criadora podem ser not√°veis; infelizmente, n√£o √© raro que fa√ßam aparecer como falso aquilo que as pessoas admiram e como l√≠cito aquilo que elas pro√≠bem, ou ent√£o as duas coisas como sendo indiferentes. Esses homens do poss√≠vel vivem, como se costuma dizer, numa trama mais subtil, numa teia de n√©voa, fantasia, sonhos e conjuntivos; se uma crian√ßa mostra tend√™ncias destas, acaba-se firmemente com elas, e diz-se-lhe que tais pessoas s√£o vision√°rios, sonhadores, fracos, gente que tudo julga saber melhor e em tudo p√Ķe defeito.
Quando se quer elogiar estes loucos, chama-se-lhes também idealistas, mas é claro que com isso só se alude à sua natureza débil, incapaz de compreender a realidade, ou que a evita por melancolia, uma natureza na qual a falta do sentido de realidade é um verdadeiro defeito. O possível, porém, não abarca apenas os sonhos dos neurasténicos, mas também os desígnios ainda adormecidos de Deus. Uma experiência possível ou uma verdade possível não são iguais a uma experiência real e uma verdade real menos o valor da sua realidade,

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Menino e Moço

Tombou da haste a flor da minha infancia alada,
Murchou na jarra de oiro o pudico jasmim:
Voou aos altos céus Sta Aguia, linda fada,
Que d’antes estendia as azas sobre mim.

Julguei que fosse eterna a luz d’essa alvorada,
E que era sempre dia, e nunca tinha fim
Essa viz√£o de luar que vivia encantada,
N’um castello de prata embutido a marfim!

Mas, hoje, as aguias de oiro, aguias da minha infancia,
Que me enchiam de lua o coração, outrora,
Partiram e no céu evolam-se, a distancia!

Debalde clamo e choro, erguendo aos céus meus ais:
Voltam na aza do vento os ais que a alma chora;
Ellas, por√©m, Senhor! ellas n√£o voltam mais…

Matrim√īnio: Estado ou condi√ß√£o de uma comunidade que se comp√Ķe de um senhor, uma concubina e de escravos, todos em apenas duas pessoas.

A razão manda em nós muito mais imperiosamente do que um senhor; é que, desobedecendo a um, é-se infeliz, desobedecendo a outro, é-se tolo.

Ninguém é Feliz quando Treme pela sua Felicidade

Ningu√©m √© feliz quando treme pela sua felicidade. N√£o se apoia em bases s√≥lidas quem tira a sua satisfa√ß√£o de bens exteriores, pois acabar√° por perder o bem-estar que obteve. Pelo contr√°rio, um bem que nasce dentro de n√≥s √© permanente e constante, e vai sempre crescendo at√© ao nosso √ļltimo momento; todos os demais bens ante os quais se extasia o vulgo s√£o bens ef√©meros. “E ent√£o? Quer isso dizer que s√£o in√ļteis e n√£o podem dar satisfa√ß√£o?” √Č evidente que n√£o, mas apenas se tais bens estiverem na nossa depend√™ncia, e n√£o n√≥s na depend√™ncia deles. Tudo quanto cai sob a al√ßada da fortuna pode ser proveitoso e agrad√°vel na condi√ß√£o de o seu benefici√°rio ser senhor de si pr√≥prio em vez de ser servo das suas propriedades. √Č um erro pensar-se, Luc√≠lio, que a fortuna nos concede o que quer que seja de bom ou de mau; ela apenas d√° a mat√©ria com que se faz o bom e o mau, d√°-nos o material de coisas que, nas nossas m√£os, se transformam em boas ou m√°s.
O nosso espírito é mais poderoso do que toda a espécie de fortuna, ele é quem conduz a nossa vida no bom ou no mau sentido,

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Cantigas

Quando vejo a minha amada
Parece que o Sol nasceu;
Cantai, cantai alvorada
√ď avezinhas do c√©u.

Nessas √°guas do Mondego
Se pode a gente mirar,
Elas procuram sossego…
E v√£o caminho do mar.

A rosa que tu me deste
Peguei-lhe, mudou de cor;
Tornou-se de azul-celeste
Como o céu do nosso amor.

N√£o me fales da janela,
Que te não ouço da rua;
Fala-me de alguma estrela,
Que te vou ouvir da Lua.

Dizes que a letra n√£o deve
Ser nunca miudinha;
Mas grada ou mi√ļda escreve,
Que o coração adivinha.

N√£o digas que me n√£o amas
A ver se tenho ci√ļme;
Os laços do amor são chamas,
E n√£o se brinca com lume.

A virgem dos meus amores
Sobressai entre as mais belas:
√Č como a rosa entre flores,
√Č como o Sol entre estrelas.

Eu zombo de sol e chuva,
Noite e dia, terra e mar;
Ais de uma pobre vi√ļva,
Se os ouço, dá-me em chorar.

A sombra da nuvem passa
depressa pela seara;

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O Bem consiste em servir à Imagem Verdadeira da Vida, em viver conforme a vontade da Imagem Verdadeira da Vida. De nada adianta viver dividido, ora recorrendo à matéria, ora recorrendo à Imagem Verdadeira da Vida. O homem não pode servir a dois senhores.

Sem Causa, Juntamente Choro e Rio

Tanto de meu estado me acho incerto,
Que em vivo ardor tremendo estou de frio;
Sem causa, juntamente choro e rio,
O mundo todo abarco, e nada aperto.

√Č tudo quanto sinto um desconcerto:
Da alma um fogo me sai, da vista um rio;
Agora espero, agora desconfio;
Agora desvario, agora acerto.

Estando em terra, chego ao céu voando;
Num’ hora acho mil anos, e √© de jeito
Que em mil anos n√£o posso achar um’ hora.

Se me pergunta alguém porque assim ando,
Respondo que não sei; porém suspeito
Que só porque vos vi, minha Senhora.

Ela

À beleza tão pura do semblante,
à luz sublime que há nos olhos dela,
– pergunto-me a mim mesmo a todo instante,
como t√£o simples pode ser t√£o bela…

Diferente das outras, diferente
dos moldes t√£o comuns de uma mulher,
– ela me faz pensar num mundo ausente
deste que a gente sem querer j√° quer…

Bem que a quis esquecer – e noutro amor
procurei me enganar, acreditando
ser do meu pobre cora√ß√£o, senhor…

Em v√£o tentei… Em v√£o… Vendo-a naquela
doce e pura express√£o – fico pensando
que √© imposs√≠vel n√£o pensar mais nela!…

Ai de mim! ‚Äď suspirou Bazin ‚Äď Bem o sei senhor; tudo est√° de pernas para o ar no mundo de hoje.

Quem n√£o √© senhor do pr√≥prio pensamento, n√£o √© senhor das pr√≥prias a√ß√Ķes.

Embirração

(A Machado de Assis)

A balda alexandrina é poço imenso e fundo,
Onde poetas mil, flagelo deste mundo,
Patinham sem parar, chamando l√° por mim.
N√£o morrer√£o, se um verso, estiradinho assim,
Da beira for do poço, extenso como ele é,
Levar-lhes grosso anzol; então eu tenho fé
Que volte um afogado, à luz da mocidade,
A ver no mundo seco a seca realidade.

Por eles, e por mim, receio, caro amigo;
Permite o desabafo aqui, a sós contigo,
Que à moda fazer guerra, eu sei quanto é fatal;
Nem vence o positivo o frívolo ideal;
Despótica em seu mando, é sempre fátua e vã,
E até da vã loucura a moda é prima-irmã:
Mas quando venha o senso erguer-lhe os densos véus,
Do verso alexandrino h√° de livrar-nos Deus.

Deus quando abre ao poeta as portas desta vida,

Não lhe depara o gozo e a glória apetecida;
E o triste, se morreu, deixando mal escritas
Em verso alexandrino histórias infinitas,
Vai ter lá noutra vida insípido desterro,
Se Deus, por compaix√£o, n√£o d√° perd√£o ao erro;

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Dizia o senhor Ant√≥nio da Venafra, e dizia bem: ‘Coloca seis ou oito s√°bios juntos que ficam todos loucos’ ; pois, como n√£o entram em acordo, √© mais f√°cil questionarem do que resolverem um assunto.

A Fernando Pessoa

(Depois de ler seu drama est√°tico “O marinheiro” em “Orfeu I”)

Depois de doze minutos
Do seu drama O Marinheiro,
Em que os mais √°geis e astutos
Se sentem com sono e brutos,
E de sentido nem cheiro,
Diz rima das veladoras
Com langorosa magia
De eterno e belo h√° apenas o sonho.
Por que estamos nós falando ainda?

Ora isso mesmo é que eu ia
Perguntar a essas senhoras…