Cita√ß√Ķes de Jean de La Bruy√®re

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A Trágica Necessidade de Conquista e de Mudança

Em todos os tempos os homens, por algum pedaço de terra de mais ou de menos, combinaram entre si despojarem-se, queimarem-se, trucidarem-se, esganarem-se uns aos outros; e para fazê-lo mais engenhosamente e com maior segurança, inventaram belas regras às quais se deu o nome de arte militar; ligaram à prática dessas regras a glória, ou a mais sólida reputação; e depois ultrapassaram-se uns aos outros na maneira de se destruirem mutuamente.
Da injusti√ßa dos primeiros homens, como da sua origem comum, veio a guerra, assim como a necessidade em que se acharam de adoptar senhores que fixassem os seus direitos e pretens√Ķes. Se, contente com o que se tinha, se tivesse podido abster-se dos bens dos vizinhos, ter-se-ia para sempre paz e liberdade.
O povo tranquilo nos lares, nas famílias e no seio de uma grande cidade onde nada tem a temer para os seus bens nem para a vida, anseia por fogo e sangue, ocupa-se de guerras, ruínas, braseiros e matanças, suporta impacientemente que os exércitos que mantêm a campanha não tenham recontros, ou se já se encontraram e não sustentem combate, ou se enfrentam e não seja sangrento o combate, e haja menos de dez mil homens no local.

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O Outro como Motivo da nossa Infelicidade

Pergunta-se por que todos os homens juntos n√£o comp√Ķem uma √ļnica na√ß√£o e n√£o quiseram falar uma √ļnica l√≠ngua, viver sob as mesmas leis, combinar entre eles os mesmos costumes e um mesmo culto; e eu, pensando na contrariedade dos esp√≠ritos, dos gostos e dos sentimentos, surpreendo-me ao ver at√© sete ou oito pessoas reunirem-se sob um mesmo tecto, num mesmo recinto e compor uma √ļnica fam√≠lia.
(…) Buscamos a nossa felicidade fora de n√≥s mesmos e na opini√£o de homens que sabemos aduladores, pouco sinceros, sem equidade, cheios de inveja, de caprichos e preconceitos.

O Que Une os Homens?

Os homens t√™m tanta dificuldade para se aproximar quando tratam de neg√≥cios, s√£o t√£o espinhosos quanto aos menores interesses, t√£o eri√ßados de dificuldades, querem tanto enganar e t√£o pouco ser enganados, d√£o tanto valor ao que lhes pertence e t√£o pouco valor ao que pertence aos outros, que confesso que n√£o sei por onde e como conseguem concluir casamentos, contratos, aquisi√ß√Ķes, a paz, a tr√©gua, os tratados, as alian√ßas.

O avarento gasta mais no dia de sua morte do que em dez anos de vida, e seu herdeiro gasta mais em dez meses do que ele em sua vida inteira.

Até mesmo os homens honestos precisam de patifes à sua volta. Existem coisas que não se podem pedir às pessoas honestas para fazerem.