Textos sobre Melhor

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Textos de melhor escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

A Solidão é Necessária ao Convívio

As pessoas est√£o prontas a viver em bom entendimento, mas n√£o querem ser viciadas em agradar. A condi√ß√£o humana assenta num pressuposto equilibrado: a vida agrada a uns e desagrada a outros. H√° uma parte da solid√£o que n√£o podemos compor, e √© melhor que assim seja, porque √© na solid√£o que assenta a diferen√ßa t√£o falada. √Č isso que se receia: que nos pro√≠bam a solid√£o, esse pequeno espinho que afinal nos faz solid√°rios na multid√£o. Observem um grupo de pessoas que ri da mesma anedota: est√£o abertas a esse prazer do momento, mas n√£o se distraem da faculdade de serem s√≥s na sua fundamental forma de orgulho que √© serem √ļnicas. A moral consta duma certa dose de cortesia para parecermos bons. ¬ęS√≥ Deus √© bom.¬Ľ Se percebermos esta conclus√£o, percebemos que imitar o bem √© tudo o que humanamente nos √© permitido.

Poupar a Vontade

Em compara√ß√£o com o comum dos homens, poucas coisas me atingem, ou, dizendo melhor, me prendem; pois √© razo√°vel que elas atinjam, contanto que n√£o nos possuam. Tenho grande zelo em aumentar pelo estudo e pela reflex√£o esse privil√©gio de insensibilidade, que em mim √© naturalmente muito saliente. Desposo – e consequentemente me apaixono por – poucas coisas. A minha vis√£o √© clara, mas detenho-a em poucos objectos; a sensibilidade, delicada e male√°vel. Mas a apreens√£o e aplica√ß√£o, tenho-a dura e surda: dificilmente me envolvo. Tanto quanto posso, emprego-me todo em mim; por√©m mesmo nesse objecto eu refrearia e suspenderia de bom grado a minha afei√ß√£o para que ela n√£o se entregasse por inteiro, pois √© um objecto que possuo por merc√™ de outr√©m e sobre o qual a fortuna tem mais direito do que eu. De maneira que at√© a sa√ļde, que tanto estimo, ser-me-ia preciso n√£o a desejar e n√£o me dedicar a ela t√£o desenfreadamente a ponto de achar insuport√°veis as doen√ßas. Devemos moderar-nos entre o √≥dio e o amor √† voluptuosidade; e Plat√£o receita um caminho mediano de vida entre ambos.
Mas √†s paix√Ķes que me distraem de mim e me prendem alhures, a essas certamente me oponho com todas as minhas for√ßas.

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O Esforço pelo Conhecimento da Verdade

Devemos escolher como finalidade independente do nosso esforço o conhecimento da verdade ou, exprimindo-nos mais modestamente, a compreensão do mundo inteligível por meio do pensamento lógico? Ou devemos subordinar esse esforço pelo conhecimento racional de qualquer espécie a outros objectivos, por exemplo, a objectivos práticos? O simples pensamento não pode resolver esta questão. A decisão tem, pelo contrário, uma influência decisiva na nossa maneira de pensar e julgar, partindo-se do princípio de que tem o carácter de convicção inabalável. Permitam-me que confesse: para mim, o esforço pelo conhecimento é um daqueles objectivos independentes, sem os quais uma afirmação consciente da vida me parece impossível ao homem de pensamento.
Uma das características do esforço pelo conhecimento é que ele tende a abranger tanto a multiplicidade da experiência como a simplicidade e redução das hipóteses fundamentais. O acordo final desses objectivos é, devido ao estádio primitivo da investigação, uma questão de fé. Sem essa fé, a convicção do valor independente do conhecimento não seria para mim forte e inabalável.
Esta atitude, por assim dizer, religiosa do cientista perante a verdade não deixa de ter influência sobre a sua personalidade. Pois, além daquilo que resulta da experiência e além das leis do pensamento,

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A Racionalidade Irracional

Eu digo muitas vezes que o instinto serve melhor os animais do que a raz√£o a nossa esp√©cie. E o instinto serve melhor os animais porque √© conservador, defende a vida. Se um animal come outro, come-o porque tem de comer, porque tem de viver; mas quando assistimos a cenas de lutas terr√≠veis entre animais, o le√£o que persegue a gazela e que a morde e que a mata e que a devora, parece que o nosso cora√ß√£o sens√≠vel dir√° ¬ęque coisa t√£o cruel¬Ľ. N√£o: quem se comporta com crueldade √© o homem, n√£o √© o animal, aquilo n√£o √© crueldade; o animal n√£o tortura, √© o homem que tortura. Ent√£o o que eu critico √© o comportamento do ser humano, um ser dotado de raz√£o, raz√£o disciplinadora, organizadora, mantenedora da vida, que deveria s√™-lo e que n√£o o √©; o que eu critico √© a facilidade com que o ser humano se corrompe, com que se torna maligno.

Aquela ideia que temos da esperança nas crianças, nos meninos e nas meninas pequenas, a ideia de que são seres aparentemente maravilhosos, de olhares puros, relativamente a essa ideia eu digo: pois sim, é tudo muito bonito, são de facto muito simpáticos,

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A Ilus√£o Pol√≠tica das Grandes Manifesta√ß√Ķes Populares

Nisto de manifesta√ß√Ķes populares, o mais dif√≠cil √© interpret√°-las. Em geral, quem a elas assiste ou sabe delas ingenuamente as interpreta pelos factos como se deram. Ora, nada se pode interpretar pelos factos como se deram. Nada √© como se d√°. Temos que alterar os factos, tais como se deram, para poder perceber o que realmente se deu. √Č costume dizer-se que contra factos n√£o h√° argumentos. Ora s√≥ contra factos √© que h√° argumentos. Os argumentos s√£o, quase sempre, mais verdadeiros do que os factos. A l√≥gica √© o nosso crit√©rio de verdade, e √© nos argumentos, e n√£o nos factos, que pode haver l√≥gica.
Nisto de manifesta√ß√Ķes ‚ÄĒ ia eu dizendo ‚ÄĒ o dif√≠cil √© interpret√°-las. Porque, por exemplo, uma manifesta√ß√£o conservadora √© sempre feita por mais gente do que toma parte nela. Com as manifesta√ß√Ķes liberais sucede o contr√°rio. A raz√£o √© simples. O temperamento conservador √© naturalmente avesso a manifestar-se, a associar-se com grande facilidade; por isso, a uma manifesta√ß√£o conservadora vai s√≥ um reduzido n√ļmero da gente que poderia, ou mesmo quereria, ir. O feitio ps√≠quico dos liberais √©, ao contr√°rio, expansivo e associador; as manifesta√ß√Ķes dos “avan√ßados” englobam, por isso, os pr√≥prios indiferentes de sa√ļde,

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A História da Humanidade é um Desastre Contínuo

A hist√≥ria da humanidade √© um desastre cont√≠nuo. Nunca houve nada que se parecesse com um momento de paz. Se ainda fosse s√≥ a guerra, em que as pessoas se enfrentam ou s√£o obrigadas a se enfrentar… Mas n√£o √© s√≥ isso. Esta raiva que no fundo h√° em mim, uma esp√©cie de raiva √†s vezes incontida, √© porque n√≥s n√£o merecemos a vida. N√£o se percebeu ainda que o instinto serve melhor aos animais do que a raz√£o serve ao homem. O animal, para se alimentar, tem que matar outro animal. Mas n√≥s n√£o, matamos por prazer, por gosto.

. Paulo (2008)’

As Entranhas da Terra na Vida de um Homem

Ao fim dos primeiros dias de trabalho, deu por si de p√© no centro do corredor, percorrendo as divis√Ķes com o olhar, e julgou perceber melhor a massa de que era feito o seu povo. Tudo oxidava. Os metais oxidavam, as madeiras oxidavam, as paredes e os tecidos e os objectos oxidavam ‚ÄĒ e o que n√£o oxidava enchia-se de salitre, ressequia ao sol ou, sobrevivendo aos abalos de terra, tombava √† f√ļria do vento. E, no entanto, havia algo de belo nisso tamb√©m, como se ao cabo de uma s√≥ vida um homem pudesse dizer, sem grande esfor√ßo meton√≠mico, que as entranhas da Terra se revolviam no interior do seu pr√≥prio est√īmago.

O Homem no Seu Século

Os indivíduos eminentemente insignes dependem dos tempos. Nem todos tiveram o tempo que mereciam, e muitos, ainda que o tivessem, não conseguiram aproveitá-lo. Alguns seriam dignos de melhor século, pois nem tudo o que é bom triunfa sempre; as coisas têm a sua vez, e até as eminências dependem do uso; mas o sábio tem uma vantagem: é eterno, e, se este não é o seu século, muitos outros o serão.

√Č Preciso Regressar ao Amigo √ćntimo

Custa, mas o melhor é ver o problema a toda a luz. No conceito do homem abstracto é necessário afinal meter tanto estrume, que não há entusiasmo que resista. Feito de mil incoerências, movido por sentimentos ocasionais, preso a necessidades rudimentares, o bípede real, ao ser premido no molde da abstracção, rebenta a forma. E é preciso regressar ao amigo íntimo, ao compadre, para se calcar terra firme. Numa palavra: não há um homem-símbolo que se possa venerar: há simples indivíduos cujas virtudes e defeitos toleram um convívio social urbano.

Os Limites da Amizade

Determinemos, agora, quais s√£o os limites e, por assim dizer, os termos da amizade. Encontro aqui tr√™s opini√Ķes diferentes, das quais n√£o aprovo nenhuma: a primeira deseja que sejamos para os nossos amigos, assim como somos para n√≥s mesmos; a segunda, que a nossa afei√ß√£o por eles seja tal e qual √† que eles t√™m por n√≥s; a terceira, que estimemos os nossos amigos, assim como eles se estimam a si mesmos. N√£o posso concordar com nenhuma destas tr√™s m√°ximas. Porque a primeira, que cada um tenha para com o seu amigo a mesma afei√ß√£o e vontade que tem para si, √© falsa. De facto, quantas coisas fazemos pelos nossos amigos, que jamais far√≠amos para n√≥s! Rogar, suplicar a um homem que se despreza, tratar a outro com aspereza, persegui-lo com viol√™ncia; coisas que em causa pr√≥pria n√£o seriam muito decentes, nos neg√≥cios dos amigos tornam-se muito honrosas. Quantas vezes um homem de bem abandona a defesa dos seus interesses e os sacrifica, em seu pr√≥prio detrimento, para servir os de seu amigo!
A segunda opini√£o √© a que define a amizade por uma correspond√™ncia igual em amor e bons servi√ßos. √Č fazer da amizade uma ideia bem limitada e mesquinha,

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Saber Subtrair-se

Pois se √© grande li√ß√£o de vida o saber negar, maior ser√° saber negar-se a si mesmo, aos neg√≥cios, √†s pessoas. H√° ocupa√ß√Ķes estranhas, carunchos do precioso tempo, e pior que nada fazer √© ocupar-se com impertin√™ncias. Para ser avisado n√£o basta n√£o ser intrometido, √© mister conseguir que n√£o o intrometam. N√£o se h√°-de ser tanto de todos que n√£o se seja de si mesmo. Tampouco dos amigos se h√°-de abusar, nem querer deles mais do que concederiam. Todo o demasiado √© vicioso, muito mais no trato. Com essa prudente temperan√ßa conserva-se melhor o agrado e a estima de todos, porque n√£o se fere a precios√≠ssima dec√™ncia. Tenha, pois, liberdade de g√©nio apaixonado do selecto, e nunca peque contra a f√© do seu bom gosto.

A Justa Medida do Esforço do Prazer

Os s√°bios bem ensinam a nos precavermos contra a trai√ß√£o dos nossos apetities e a discernir entre os prazeres verdadeiros e integrais e os prazeres d√≠spares e mesclados com mais trabalhos. Pois a maioria dos prazeres, dizem eles, excitam e abra√ßam para nos estrangular (…). E, se a dor de cabe√ßa nos viesse antes da embriaguez, evitar√≠amos beber demais. Mas a vol√ļpia, para nos enganar, caminha √† frente e oculta-nos o seu s√©quito. Os livros s√£o apraz√≠veis; mas, se por frequent√°-los perdemos afinal a alegria e a sa√ļde, que s√£o as nossas melhores partes, abandonemo-los. Sou dos que julgam que o seu fruto n√£o pode contrabalan√ßar essa perda. Como os homens que h√° longo tempo se sentem enfraquecidos por alguma indisposi√ß√£o se entregam por fim √† merc√™ da medicina e deixam que lhes estabele√ßa artificialmente certas regras de viver para n√£o mais ultrapass√°-las, assim tamb√©m aquele que se isola, entediado e desgostoso da vida em comum, deve conformar esta √†s regras da raz√£o, deve organiz√°-la e orden√°-la com premedita√ß√£o e reflex√£o.
Deve dizer adeus a toda a esp√©cie de esfor√ßo, sob qualquer apar√™ncia que se apresente; e fugir em geral das paix√Ķes que impedem a tranquilidade do corpo e da alma,

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Vive Plenamente

Vê se consegues apanhar-te a lamentar-te, quer por palavras quer por pensamentos, por causa de determinada situação em que te encontres, do que as outras pessoas fazem ou dizem, do teu meio envolvente, da situação da tua vida, ou até mesmo por causa do tempo. Uma lamentação é sempre uma não aceitação daquilo que é. E traz invariavelmente consigo uma carga negativa inconsciente. Quando te lamentas, tu próprio te fazes de vítima. Quando elevas a voz, estás no teu poder. Por isso muda a situação tomando providências, levantando a voz se for necessário ou possível; deixa a situação ou aceita-a. Tudo o mais é loucura.

De certa forma, a inconsci√™ncia ordin√°ria est√° sempre ligada √† recusa do Agora. O Agora, evidentemente, tamb√©m significa o aqui. Est√°s a resistir ao teu aqui e agora? H√° pessoas que s√≥ est√£o bem onde n√£o est√£o. O seu “aqui” nunca √© suficientemente bom. Atrav√©s da auto-observa√ß√£o, v√™ se √© esse o teu caso. Estejas onde estiveres, est√° l√° plenamente. Se achares que o teu aqui e agora √© intoler√°vel e te deixa infeliz, tens tr√™s op√ß√Ķes √† escolha: ou te retiras da situa√ß√£o, ou a mudas, ou a aceitas totalmente. Se quiseres tomar a responsabilidade pela tua vida,

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De que Valem a Experiência e o Conhecimento na Velhice?

¬ęEnvelhe√ßo aprendendo sempre¬Ľ – S√≥lon, na sua velhice, repetia muitas vezes este verso. O sentido que esse verso possui permitir-me-ia diz√™-lo tamb√©m na minha; mas √© bem triste o conhecimento que, desde h√° vinte anos, a experi√™ncia me fez adquirir: a ignor√Ęncia ainda √© prefer√≠vel. A adversidade √©, sem d√ļvida, um grande mestre, mas faz pagar caro as suas li√ß√Ķes e muitas vezes o proveito que delas se tira n√£o vale o pre√ßo que custaram. Ali√°s, a oportunidade de nos servirmos desse saber tardio passa antes de o termos adquirido.
A juventude √© o tempo pr√≥prio para se aprender a sabedoria; a velhice √© o tempo pr√≥prio para a praticar. A experi√™ncia instrui sempre, confesso, mas n√£o √© √ļtil sen√£o durante o espa√ßo de tempo que temos √† nossa frente. √Č no momento em que se vai morrer que se deve aprender como se deveria ter vivido?
De que me servem os conhecimentos que t√£o tarde e t√£o dolorosamente adquiri sobre o meu destino e sobre as paix√Ķes alheias de que ele √© o fruto? N√£o aprendi a conhecer os homens sen√£o para melhor sentir a desgra√ßa em que me mergulharam e esse conhecimento, embora me revelasse todas as suas armadilhas,

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A Grande Diferença da Vida é o Entusiasmo

A grande diferen√ßa da vida √© o entusiasmo. √Č a for√ßa do vento. O entusiasmo √© o nome feio que chamam √†s pessoas que acham gra√ßa a tudo o que existe na vida.

A vida √© a √ļnica volta que damos. Todos os nossos projectos – de sermos melhores ou mais ego√≠stas, mais corajosos ou comedidos – v√£o contra o facto de n√£o termos tempo para corresponder √†s nossas expectativas.

Somos como somos. Mais vale dizermos como somos, com as palavras que temos, do que morrermos à espera de nos exprimirmos mais bem. Não há nenhuma pessoa viva que possa viver mais do que nós. Existem apenas aquelas pessoas práticas e abusadoras que aproveitam as vidas para fazer avançar tudo o que esperam da vida.

A igualdade n√£o √© uma conquista: √© um facto. Exprimirmo-nos √© mais justo quanto menos jeito tivermos para isso. Falar em p√ļblico n√£o √© um desafio: √© uma prova de proximidade.

O entusiasmo é uma vontade de perder tempo. Nada se aprende sem se querer Рdesejar avidamente Рperder tempo. O entusiasmo é uma coisa dos ventos e os ventos vêm de onde quiserem, quando menos se esperam.

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Um Segredo de um Casamento Feliz

Desde que a Maria João e eu fizemos dez anos de casados que estou para escrever sobre o casamento. Depois caí na asneira de ler uns livros profissionais sobre o casamento e percebi que eu não percebo nada sobre o casamento.

Confesso que a minha ambição era a mais louca de todas: revelar os segredos de um casamento feliz. Tendo descoberto que são desaconselháveis os conselhos que ia dar, sou forçado a avisar que, quase de certeza, só funcionam no nosso casamento.

Mas vou dá-los à mesma, porque nunca se sabe e porque todos nós somos muito mais parecidos do que gostamos de pensar.

O casamento feliz n√£o √© nem um contrato nem uma rela√ß√£o. Rela√ß√Ķes temos n√≥s com toda a gente. √Č uma cria√ß√£o. √Č criado por duas pessoas que se amam.

O nosso casamento √© um filho. √Č um filho inteiramente dependente de n√≥s. Se n√≥s nos separarmos, ele morre. Mas n√£o deixa de ser uma terceira entidade.

Quando esse filho é amado por ambos os casados Рque cuidam dele como se cuida de um filho que vai crescendo -, o casamento é feliz. Não basta que os casados se amem um ao outro.

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A Minha Família é a Minha Casa

A solid√£o absoluta √© n√£o ter ningu√©m a quem dizer um simples: ‚Äútenho vontade de chorar‚ÄĚ. N√£o precisamos de muito para viver bem ‚Äď para ser feliz basta uma fam√≠lia e pouco mais.

A fam√≠lia √© a casa e a paz. O ref√ļgio onde uma vontade de chorar n√£o √© motivo de julgamento, apenas e s√≥ uma necessidade s√ļbita de… fam√≠lia. De um equil√≠brio para o qual o outro √© essencial… assim tamb√©m se passa com a vontade de sorrir que, em fam√≠lia, se contagia apenas pelo olhar.

Nos dias de hoje vai sendo cada vez mais dif√≠cil encontrar gente capaz de ser fam√≠lia. Os ego√≠smos abundam e cultiva-se, sozinho, o individual. Como se n√£o houvesse espa√ßo para o amor. Dizem que amar √© arriscado, que √© coisa de loucos…
Todos temos sentimentos mais profundos. Cada um de n√≥s √© uma unidade, mas o que somos passa por sermos mais do que um. Parte de unidades maiores. Estamos com quem amamos e quem amamos tamb√©m est√°, de alguma forma, connosco. O amor √© o que existe entre n√≥s e nos enla√ßa os sentimentos mais profundos. Onde uma vontade de chorar √© um sinal de que h√° algo em mim que √© maior do que eu…

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A Destruição de Tudo

√Č a palavra de ordem para o homem de hoje. Destruir. Tudo. Os deuses, as artes, diferen√ßas culturais, ou a s√≥ cultura, diferen√ßas sexuais, diferen√ßas liter√°rias ou a s√≥ literatura que leva hoje tudo, valores de qualquer esp√©cie, filosofias, o simples pensamento, a simples palavra – tudo alegremente ao caixote. Entretanto, ou por isso, prolifera√ß√£o das gentes com a forma que lhes pertence, devasta√ß√£o da sida, que foi o que de melhor a natureza arranjou para equilibrar a demografia, droga dura para se avan√ßar na vida mais depressa, criminalidade para esse avan√ßo, juventude de esgotos nocturnos, velhos em excesso e que n√£o h√° maneira de se despacharem e atulham os chamados lares de idosos ou simplesmente os dep√≥sitos em que s√£o largados at√© mudarem de cemit√©rio, politiqueiros que t√™m a verdade do erro que se segue e o mais e o mais. √Č tempo de cair um pedregulho como o que acabou com os dinossauros h√° sessenta milh√Ķes de anos e de poder dar-se a hip√≥tese de a vida recome√ßar. At√© que venha outra vez a destrui√ß√£o e Deus definitivamente se farte do brinquedo. Entretanto v√™ se v√™s ainda alguma flor ao natural e demora-te um pouco a admirar-lhe a beleza e estupidez.

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A Cultura Portuguesa e o Provincianismo

A cultura portuguesa tem um amor fatal pelo provincianismo. O provincianismo √© a forma mais ¬ęengag√©e¬Ľ de existir socialmente e literariamente. Da√≠ a impossibilidade, ou melhor, o medo de se realizar sequer um realismo a s√©rio, porquanto este exige uma descida ao inferno e n√£o vejo por a√≠ quem se atreva al√©m do purgat√≥rio. Fica-se assim na meia tinta do naturalismo, retratando quadros convencionais de uma sociedade provinciana onde, al√©m da j√° muito conhecida injusti√ßa social (repar√°vel pela economia e n√£o pela literatura), nada se capta que possa sugerir a simples viol√™ncia de se estar no mundo. Provincianismo chama-se ainda √†quela nossa atitude que toma muito a s√©rio ou, ainda, solenemente, tudo o que faz, tornando invi√°vel uma literatura que desmonte eficazmente a engrenagem humana e social pela incomplacente investida de um humor cruel. Houve recentes tentativas queirozianas para denunciar as fraquezas do meio. Conseguiu-se fazer realismo desta vez? Tamb√©m n√£o, porque se fez realismo de empr√©stimo, de segunda m√£o, colhido no ¬ędiz-se diz-se¬Ľ das esquinas. Escreveu-se razoavelmente m√°-l√≠ngua, mas n√£o se agitaram as pessoas e as institui√ß√Ķes de forma a tornar vis√≠vel o lodo depositado no fundo. Isto quanto aos que fazem profiss√£o de f√© de realismo social ou burgu√™s.

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Ganham-se melhor as guerras pelo estratagema; mas ao povo governa-se melhor pela franqueza

Ganham-se melhor as guerras pelo estratagema; mas ao povo governa-se melhor pela franqueza.