Textos sobre Paix√£o

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Textos de paixão escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

A Metamorfose do Homem Apaixonado

A paix√£o desenvolve a sensibilidade; torna o r√ļstico am√°vel e d√° cora√ß√£o ao poltr√£o. No ser mais miser√°vel e mais abjecto, instilar√° a aud√°cia e a for√ßa de desafiar o mundo, por pouco que ele seja encorajado pelo ser amado. Dando a outro, ele o d√° mais a ele pr√≥prio. √Č um homem novo, com percep√ß√Ķes novas, perspectivas novas e mais vivas, e uma solenidade religiosa no car√°cter e objectivos.

O Valor dado pela Vaidade

A fortuna nos disp√Ķe para a alegria, mas n√£o √© s√≥ o que causa; a desgra√ßa conduz para a tristeza, por√©m n√£o √© s√≥, o que a motiva; antes parece que h√° uma certa por√ß√£o de alegria, e de tristeza, que h√°-de passar por n√≥s precisamente; a fortuna, e a desgra√ßa n√£o a produz, s√≥ a desperta. Tudo nos √© dado como por conta: a vida, a fortuna, a desgra√ßa, a alegria, e a tristeza; em tudo h√° um ponto certo, e fixo; a vaidade que governa todas as paix√Ķes, em umas aumenta a actividade, em outras diminui; e todas recebem o valor, que a vaidade lhes d√°.
Estamos no mundo para ser alvos do tempo; e deste todas as mudanças não se dirigem a nós, dirigem-se à nossa vaidade: os sucessos fazem efeito em nós, porque primeiro o fazem na nossa vaidade; de sorte que um homem sem vaidade seria o mesmo que um homem insensível; o prazer, e o desgosto, que não vêm das primeiras leis da natureza, são vãos em si mesmos, de instituição política, e unicamente criadoras de vaidade.

A Ilusão da Consistência da Obra do Escritor

O homem n√£o √© permanentemente igual a si mesmo. A velha concep√ß√£o dos car√°cteres rectil√≠neos e das mentalidades cristalizadas em sistemas imut√°veis abriu fal√™ncia. Tudo muda, no espa√ßo e no tempo. Para um organismo vivo, existir – mesmo no ponto de vista som√°tico – √© transformar-se. Quando come√ßamos cedo e envelhecemos na actividade das letras, n√£o h√° um n√≥s apenas um escritor; h√°, ou houve, escritores sucessivos, m√ļltiplos e diversos, representando estados de evolu√ß√£o da mesma mentalidade incessantemente renovada. Ao chegar a altura da vida em que a estabiliza√ß√£o se opera, olhamos para tr√°s, e muitas das nossas pr√≥prias obras parecem-nos escritas por um estranho, t√£o longe se encontram j√°, n√£o apenas dos nossos processos liter√°rios, mas do nosso esp√≠rito, das nossas tend√™ncias, da nossa orienta√ß√£o, dos nossos pontos de vista √©ticos e est√©ticos.
Nesse exame retrospectivo, por vezes doloroso, se de algumas coisas temos de louvar-nos Рobras a que a nossa mocidade comunicou a chama viva do entusiasmo e da paixão -, de outras somos forçados a reconhecer a pobreza da concepção, os vícios da linguagem, as carências da técnica, e tantas vezes (poenitet me!) as audácias, as incoerências, as injustiças, as demasias, a licença de certas pinturas de costumes e o erro de certas atitudes morais.

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Medida e Moderação

A mocidade √© rom√Ęntica, sempre dominada pelo sentimento; a velhice √© cl√°ssica nos seus gostos, mais amiga da ordem e da restri√ß√£o que da paix√£o e da liberdade; a idade madura paira entre os dois extremos, e com a vontade disciplinada, o esp√≠rito claro e os desejos coordenados, pacientemente constr√≥i. A regra do conhecimento, disse Descartes, √© pensar com clareza; s√≥ o que √© claramente compreendido √© verdade; s√≥ assim os desejos se fundem no car√°cter e na vontade.
A grande qualidade dos anos maduros está na moderação; e o grande defeito, na mediocridade. Nada mais fácil do que fugir ao esforço para cair na rotina, passando da vida vertical para a horizontal. Este perigo ameaça a maior parte dos homens; a sesta durante a tarde é um símbolo e um começo. Mas moderação de nenhum modo implica mediocridade; pode significar força e profundidade de espírito. A acção resoluta combina-se com a moderação no desejar e no falar. O próprio Nietzsche, tão imoderado, dizia que poucos conhecem a força e a significação de duas coisas muito altas Рmedida e moderação.

O Assombro da Incoerência do Nosso Ser

Sou um mero espectador da vida, que n√£o tenta explic√°-la. N√£o afirmo nem nego. H√° muito que fujo de julgar os homens, e, a cada hora que passa, a vida me parece ou muito complicada e misteriosa ou muito simples e profunda. N√£o aprendo at√© morrer – desaprendo at√© morrer. N√£o sei nada, n√£o sei nada, e saio deste mundo com a convic√ß√£o de que n√£o √© a raz√£o nem a verdade que nos guiam: s√≥ a paix√£o e a quimera nos levam a resolu√ß√Ķes definitivas.
O papel dos doidos √© de primeira import√Ęncia neste triste planeta, embora depois os outros tentem corrigi-lo e canaliz√°-lo… Tamb√©m entendo que √© t√£o dif√≠cil asseverar a exactid√£o dum facto como julgar um homem com justi√ßa.
Todos os dias mudamos de opini√£o. Todos os dias somos empurrados para l√©guas de dist√Ęncia por uma coisa fren√©tica, que nos leva n√£o sei para onde. Sucede sempre que, passados meses sobre o que escrevo – eu pr√≥prio duvido e hesito. Sinto que n√£o me perten√ßo…
√Č por isso que n√£o condeno nem explico nada, e fujo at√© de descer dentro de mim pr√≥prio, para n√£o reconhecer com espanto que sou absurdo – para n√£o ter de discriminar at√© que ponto creio ou n√£o creio,

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A Charrua do Mal

Foram os esp√≠ritos fortes e os esp√≠ritos malignos, os mais fortes e os mais malignos, que obrigaram a natureza a fazer mais progressos: reacenderam constantemente as paix√Ķes que adormecidas – todas as sociedades policiadas as adormecem -, despertaram constantemente o esp√≠rito de compara√ß√£o e de contradi√ß√£o, o gosto pelo novo, pelo arriscado, pelo inexperimentado; obrigaram o homem a opor incessantemente as opini√Ķes √†s opini√Ķes, os ideais aos ideais.
As mais das vezes pelas armas, derrubando os marcos fronteiri√ßos, violando as cren√ßas, mas fundando tamb√©m novas religi√Ķes, criando novas morais! Esta ¬ęmaldade¬Ľ que se encontra em todos os professores do novo, em todos os pregadores de coisas novas, √© a mesma ¬ęmaldade¬Ľ que desacredita o conquistador, se bem que ela se exprime mais subtilmente e n√£o mobilize imediatamente o m√ļsculo; – o que faz de resto com que desacredite com menos for√ßa! – O novo, de qualquer maneira, √© o mal, pois √© aquilo que quer conquistar, derrubar os marcos fronteiri√ßos, abater as antigas cren√ßas; s√≥ o antigo √© o bem! Os homens de bem em todas as √©pocas, s√£o aqueles que implantam profundamente as velhas ideias para lhes dar fruto, s√£o os cultivadores do esp√≠rito. Mas todos os terrenos acabam por se esgotar,

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Os Propósitos ao Sabor da Paixão

Actor Rei: Acredito, sim, que [tu, actriz rainha] penses o que dizes agora; mas aquilo que decidimos, não raro violamos. O propósito não passa de servo da memória, de nascer violento mas fraca validade. E que agora, como fruta verde, à árvore se agarra, mas, quando amadurecida, despenca sem chacoalho. Imprescindível é que nos esqueçamos de nos pagar a nós mesmos o que a nós é devido. Aquilo que a nós mesmos em paixão propomos, a paixão cessando, o propósito está perdido.

A Degrada√ß√£o das Paix√Ķes Colectivas

As paix√Ķes colectivas s√£o muito pouco numerosas e de qualidade grosseira: o meu Deus √© o √ļnico Deus; a minha pol√≠tica √© a verdade universal; o meu pa√≠s tem como voca√ß√£o dominar os outros. Enquanto isto, as paix√Ķes individuais s√£o de uma diversidade infinita, de uma tissura imprevis√≠vel e sempre surpreendente. Sou pela cultura dessas mil flores diferentes. N√£o sou favor√°vel a tr√™s ou quatro flores carn√≠voras gigantescas.

O Amor Indómito

H√° casos de alucina√ß√£o, extasis incendiados de fantasia, em que o homem subjuga ao seu transporte as f√©rreas considera√ß√Ķes sociais, fazendo-as reflexivas de todo o brilho da sua alegria. √Č por isso que as grandes paix√Ķes est√£o em div√≥rcio com o ju√≠zo prudencial. No mar da vida o fanal do amor √© o que mais resplende. Cegam-se os olhos e entendimento ao que mais ansiosamente o fita. Com a mente fixa nesse clar√£o esperan√ßoso, que t√£o frouxas r√©steas de luz nos d√° em paga de tremendos trabalhos, transcuram-se vagas e baixios que nos assaltam o pobre baixel. O amor ind√≥mito, fremente e tempestuoso √© um naufr√°gio que se ama, uma dor com que se brinca, e, enfim, um del√≠rio honroso em qualquer criatura.

O Mal e o Bem em Função da Vaidade

√Č raro o mal, de que n√£o venha a nascer algum bem, nem bem, que n√£o produza algum mal: como s√≥ o presente √© nosso, por isso n√£o nos serve de al√≠vio o bem futuro, nem nos inquieta o mal que ainda n√£o sentimos; um infeliz n√£o se persuade, que a sua sorte possa ter mudan√ßa; um venturoso n√£o cr√™, que possa deixar de o ser; a este a vaidade tira o menor receio; √†quele o abatimento priva de esperan√ßa. Se fizermos reflex√£o, havemos de admirar o pouco que basta para fazer o nosso bem, ou o nosso mal: de um instante a outro mudamos da alegria para a tristeza, e muitas vezes sem outro algum motivo, que o de uma vaidade mais, ou menos satisfeita.
Os homens não são todos igualmente sensíveis ao bem, e ao mal; a uns penetra mais vivamente a dor, a outros só faz uma impressão ligeira; o bem não acha em todos o mesmo grau de contentamento. Nas almas deve de haver a mesma diferença, que há nos corpos: umas mais débeis, e outras mais robustas; por isso em umas obra mais o sentimento, e acha mais resistência em outras; em umas domina a vaidade com império,

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A Nossa Falsa Verdade

Uma vez que em boa verdade os homens apenas se interessam pela sua opinião própria, qualquer indivíduo que queira apresentar uma dada opinião trata de olhar para um lado e para o outro à procura de meios que lhe permitam dar força à posição, sua ou alheia, que defende.
As pessoas servem-se da verdade quando ela lhes √© √ļtil, mas recorrem com ret√≥rica paix√£o √† falsidade logo que se lhes depara o momento em que a podem usar para produzir a ilus√£o de um meio-argumento e dar assim, com uma manobra de divers√£o, a apar√™ncia de unificar aquilo que se apresenta como fragment√°rio.
A princ√≠pio, quando me apercebia de tais situa√ß√Ķes, ficava incomodado, depois passei a ficar perturbado, mas tudo isso suscita-me hoje um prazer malicioso. E prometi a mim mesmo que nunca mais volto a p√īr a descoberto esse tipo de procedimentos.

As Pessoas n√£o Sabem o que Querem Antes de lho Mostrarmos

A minha paix√£o tem sido construir uma empresa duradoura onde as pessoas se sintam motivadas para grandes produtos. Tudo o mais era secund√°rio. Claro que era bom ter lucros, pois s√≥ assim era poss√≠vel fazer grandes produtos. Mas o principal factor de motiva√ß√£o eram os produtos, n√£o o lucro. Sculley deslocou estas prioridades para o objectivo de fazer dinheiro. Trata-se de uma diferen√ßa subtil, mas que acaba por fazer toda a diferen√ßa: as pessoas que contratamos, quem √© promovido, os assuntos que discutimos nas reuni√Ķes.
Algumas pessoas dizem: ‚ÄúD√™em aos clientes o que eles querem.‚ÄĚ Mas essa n√£o √© a minha abordagem. A nossa miss√£o consiste em antecipar aquilo que eles v√£o querer. Penso que o Henri Ford teria dito uma vez que se perguntasse aos clientes aquilo que eles queriam, a resposta teria sido: ‚ÄúUm cavalo mais r√°pido!”. As pessoas n√£o sabem o que querem antes de lho mostrarmos. √Č por isso que n√£o confio nos estudos de mercado. A nossa miss√£o consiste em ler as coisas antes de elas terem sido escritas.

O Nobre Patriotismo dos Patriotas

H√° em primeiro lugar o nobre patriotismo dos patriotas: esses amam a p√°tria, n√£o dedicando-lhe estrofes, mas com a serenidade grave e profunda dos cora√ß√Ķes fortes. Respeitam a tradi√ß√£o, mas o seu esfor√ßo vai todo para a na√ß√£o viva, a que em torno deles trabalha, produz, pensa e sofre: e, deixando para tr√°s as gl√≥rias que ganh√°mos nas Molucas, ocupam-se da p√°tria contempor√Ęnea, cujo cora√ß√£o bate ao mesmo tempo que o seu, procurando perceber-lhe as aspira√ß√Ķes, dirigir-lhe as for√ßas, torn√°-la mais livre, mais forte, mais culta, mais s√°bia, mais pr√≥spera, e por todas estas nobres qualidades elev√°-la entre as na√ß√Ķes. Nada do que pertence √† p√°tria lhes √© estranho: admiram decerto Afonso Henriques, mas n√£o ficam para todo o sempre petrificados nessa admira√ß√£o: v√£o por entre o povo, educando-o e melhorando-o, procurando-lhe mais trabalho e organizando-lhe mais instru√ß√£o, promovendo sem descanso os dois bens supremos – ci√™ncia e justi√ßa.
P√Ķem a p√°tria acima do interesse, da ambi√ß√£o, da glor√≠ola; e se t√™m por vezes um fanatismo estreito, a sua mesma paix√£o diviniza-os. Tudo o que √© seu o d√£o √† p√°tria: sacrificam-lhe vida, trabalho, sa√ļde, for√ßa, o melhor de si mesmo. D√£o-lhe sobretudo o que as na√ß√Ķes necessitam mais,

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O insensato expande as suas paix√Ķes todas, mas o s√°bio reprime-as e acalma-as

O insensato expande as suas paix√Ķes todas, mas o s√°bio reprime-as e acalma-as.

Depois de Chorar

N√£o √© a tristeza que nos faz chorar, mas o amor que enfrenta os vazios. As ang√ļstias e desesperos s√£o express√Ķes de falta.

As lágrimas que de nós brotam e caem longe do olhar dos outros são as que mais força trazem em si, as que fazem concreto e objetivo o sentir mais íntimo.

Por vezes, o cora√ß√£o cai nas armadilhas das tristezas antigas… outras, sentimos os espinhos das novas adversidades cravarem-se-nos na carne. H√° sempre tristezas, h√° sempre sofrimento, haver√° sempre dor enquanto houver amor.
As lágrimas não choradas não deixam de ser amargas, mas essas, ao contrário das que nascem, corroem o interior de quem com elas não chega a regar a terra que lhe segura os pés.

A vida faz-se também com as nossas lágrimas e vence-se, muitas vezes, de olhos carregados de mar. O esforço que nos é exigido chega quase a ser impossível sem lágrimas. Chorar não é sinal de derrota, antes sim de um amor que busca a paz merecida.

O sentido da vida cabe dentro de uma gota de √°gua salgada‚Ķ a verdadeira paix√£o √© a dor m√°xima do amor mais profundo. Aquele que faz germinar em n√≥s o melhor…

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O Verdadeiro Emprego da Nossa Raz√£o

De resto, o verdadeiro emprego da nossa raz√£o para a conduta da vida n√£o consiste sen√£o em examinar e considerar sem paix√£o o valor de todas as perfei√ß√Ķes, tanto do corpo quanto do esp√≠rito, que podem ser adquiridas atrav√©s da nossa conduta, a fim de que, sendo normalmente obrigados a privar-nos de algumas para ter as outras, sempre escolhamos as melhores.

O Amor n√£o Acontece. Decide-se.

H√° quem julgue que o amor √© alheio √† vontade humana, algo superior que elege, embala e conduz‚Ķ e que quase nada se pode fazer perante tamanha for√ßa. Isso √© uma mera paix√£o no seu sentido menos nobre. E, nesse caso, sim, o amor acontece… Ao contr√°rio, amar √© estar acima das paix√Ķes e dos apetites. Mesmo quando o amor nasce de uma espontaneidade, resulta de um claro discernimento.

O amor decorre de uma decisão. De um compromisso. Constrói-se de forma consciente. Através do heroísmo de alguém livre que decide ser o que poucos ousam. Escolhe para fim de si mesmo ser o meio para a felicidade daquele a quem ama. Sim, decide-se amar e, sim, decide-se a quem amar.

O amor aut√™ntico √© raro e extraordin√°rio, embora o seu nome sirva para quase tudo… a maior parte das vezes designa ego√≠smos entrela√ßados, cada vez mais comuns. S√£o poucos os que se aventuram, os que arriscam tudo, os que se disp√Ķem a amar mesmo quando sabem que poucos sequer perceber√£o o que fazem, o seu porqu√™ e o para qu√™.
O amor n√£o sup√Ķe reciprocidade. Amar √© dar-se por completo e aceitar tudo… n√£o se contabilizam ganhos e perdas,

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Ter Opini√Ķes Definidas e Certas

Ter opini√Ķes definidas e certas, instintos, paix√Ķes e car√°cter fixo e conhecido – tudo isto monta ao horror de tornar a nossa alma um facto, de a materializar e tornar exterior. Viver num doce e fluido estado de desconhecimento das coisas e de si pr√≥prio √© o √ļnico modo de vida que a um s√°bio conv√©m e aquece.

Paix√£o √önica

Quem me dera poder ver-te!
Ai! quem me dera dizer-te,
Que pude amar-te, e perder-te,
Mas olvidar-te… isso n√£o!
Que no ardor de outros amores,
Através de mil dissabores,
Senti vivas sempre as dores
Duma remota paix√£o.

Com que dorida saudade
Penso nessa mocidade,
Nessa vaga ansiedade,
Que soubeste compreender!
E tu só, só tu soubeste,
Que, num mundo, como este,
Qual florinha em penha agreste,
Pode a flor da alma morrer.

Orvalhaste-a quando ainda,
Ao nascer, singela e linda,
Respirava a esperança infinda,
Que consigo a inf√Ęncia tem.
Amparaste-a, quando o norte
Das paix√Ķes, soprando forte,
Lhe quiz dar r√°pida morte
Como √† c√Ęndida cecem!

E, depois, nuvem escura
Lá no céu desta ventura
Enlutou-me a aurora pura
Dos meus anos infantis.
Houve nesta vida um espaço,
Onde nunca dei um passo,
Em que não deixasse um traço
De paix√Ķes torpes e vis !

E não tenho outra memória
Que me inspire altiva gloria,
Nem outro nome na historia
De meus delírios fatais.

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