Passagens de David Hume

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O Terror como Base da Religi√£o

√Č verdade que tanto o medo como a esperan√ßa entram na religi√£o, porque estas duas paix√Ķes, em alturas diferentes, agitam a mente humana e cada uma delas forma uma esp√©cie de divindade que lhe √© adequada. Mas, quando um homem se sente bem, ele est√° inclinado para os neg√≥cios, para o conv√≠vio ou para qualquer esp√©cie de divertimento, e dedica-se naturalmente a essas actividades e n√£o pensa em religi√£o. Quando est√° melanc√≥lico e abatido, tudo o que para fazer √© meditar sobre os terrores do mundo invis√≠vel, e mergulhar mais profundamente ainda na afli√ß√£o. Pode realmente acontecer que, ap√≥s ter assim gravado profundamente as opini√Ķes religiosas no seu pensamento e imagina√ß√£o, ocorra uma altera√ß√£o da sa√ļde ou das circunst√Ęncias que restaure o seu bom humor e, ocasionando boas perspectivas de futuro, o fa√ßa cair no extremo oposto da alegria e triunfo. Mas, ainda assim deve reconhecer-se que, como o terror √© o princ√≠pio primordial da religi√£o, √© essa a paix√£o que predomina nela e que s√≥ admite pequenos intervalos de prazer.

O Todo n√£o Representa Nada

Olhem em redor deste universo. Que enorme profus√£o de seres, animados e organizados, sens√≠veis e activos! Voc√™s admiram esta extraordin√°ria variedade e fecundidade. Mas inspeccionem mais atentamente estas exist√™ncias vivas, os √ļnicos seres que merecem ser observados. Como s√£o hostis e destrutivos uns para os outros! Como todos eles s√£o insuficientes para a sua pr√≥pria felicidade! Como s√£o desprez√≠veis ou abomin√°veis para o espectador! O todo n√£o representa nada a n√£o ser a ideia de uma natureza cega, impregnada de um grande princ√≠pio estimulante, e vertendo do rega√ßo, sem discernimento nem cuidado paternal, os seus filhos mutilados e abortivos.

O Saber Ajuda em Todas as Actividades

O mero fil√≥sofo √© geralmente uma personalidade pouco admis¬≠s√≠vel no mundo, pois sup√Ķe-se que ele em nada contribui para o be¬≠nef√≠cio ou para o prazer da sociedade, porquanto vive distante de toda comunica√ß√£o com os homens e envolto em princ√≠pios e no√ß√Ķes igualmente distantes de sua compreens√£o. Por outro lado, o mero ig¬≠norante √© ainda mais desprezado, pois n√£o h√° sinal mais seguro de um esp√≠rito grosseiro, numa √©poca e uma na√ß√£o em que as ci√™ncias florescem, do que permanecer inteiramente destitu√≠do de toda esp√©cie de gosto por estes nobres entretenimentos. Sup√Ķe-se que o car√°cter mais perfeito se encontra entre estes dois extremos: conserva igual capacidade e gosto para os livros, para a sociedade e para os neg√≥cios; mant√©m na conversa√ß√£o discernimento e delicadeza que nascem da cultura liter√°ria; nos neg√≥cios, a probidade e a exatid√£o que resultam naturalmente de uma filosofia conveniente. Para difundir e cultivar um car√°cter t√£o aperfei√ßoado, nada pode ser mais √ļtil do que as com¬≠posi√ß√Ķes de estilo e modalidade f√°ceis, que n√£o se afastam em demasia da vida, que n√£o requerem, para ser compreendidas, profunda apli¬≠ca√ß√£o ou retraimento e que devolvem o estudante para o meio de homens plenos de nobres sentimentos e de s√°bios preceitos,

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Nenhuma verdade me parece mais evidente que os animais serem dotados de pensamento e raz√£o tal como os homens. Os argumentos neste caso s√£o t√£o √≥bvios, que nunca escapam aos mais est√ļpidos e ignorantes.

Sempre que o curso da vida do homem é governado pelo acidente ele se torna mais supersticioso.

A verdade √© de dois g√©neros: consiste ou na descoberta das rela√ß√Ķes das ideias consideradas como tal, ou na conformidade das nossas ideias dos objectos com a sua exist√™ncia real.

Que privilégio peculiar tem esta pequena agitação do cérebro que chamamos pensamento.

A Diferença entre Ficção e Crença

Não há nada mais livre do que a imaginação humana; embora não possa ultrapassar o stock primitivo de ideias fornecidas pelos sentidos externos e internos, ela tem poder ilimitado para misturar, combinar, separar e dividir estas ideias em todas as variedades da ficção e da fantasia imaginativa e novelesca. Ela pode inventar uma série de eventos com toda a aparência de realidade, pode atribuir-lhes um tempo e um lugar particulares, concebê-los como existentes e des­crevê-los com todos os pormenores que correspondem a um facto histórico, no qual ela acredita com a máxima certeza. Em que consiste, pois, a diferença entre tal ficção e a crença?
Ela não se localiza sim­plesmente numa ideia particular anexada a uma concepção que obtém o nosso assentimento, e que não se encontra em nenhuma ficção conhecida. Pois, como o espírito tem autoridade sobre todas as suas ideias, poderia voluntariamente anexar esta ideia particular a uma ficção e, por conseguinte, seria capaz de acreditar no que lhe agradasse, embora se opondo a tudo que encontramos na experiência diária. Po­demos, quando pensamos, juntar a cabeça de um homem ao corpo de um cavalo, mas não está em nosso poder acreditar que semelhante animal tenha alguma vez existido.

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Inveja e Proximidade

Não é a desproporção entre nós e os outros que produz a inveja, mas, pelo contrário, a proximidade. Um soldado raso não nutre pelo seu general inveja comparável à que poderá sentir pelo seu sargento ou por um cabo; nem um escritor eminente encontrará tanta inveja por banda dos escritorecos vulgares como nos autores que dele mais se aproximam. Uma grande desproporção anula a relação, seja impedindo-nos de nos compararmos com aquilo que nos é remoto, seja minorando os efeitos da comparação.

O cora√ß√£o do homem existe para reconciliar as contradi√ß√Ķes mais not√≥rias.

Em nossos raciocínios a respeito dos fatos, existem todos os graus imagináveis de certeza. Um homem sábio, portanto, ajusta sua crença à evidência.

Todas as nossas ideias ou percep√ß√Ķes mais fracas s√£o imita√ß√Ķes de nossas mais vivas impress√Ķes ou percep√ß√Ķes.

A raz√£o dos c√©pticos e a raz√£o dos dogm√°ticos s√£o de um mesmo g√©nero, apesar da contrariedade das suas opera√ß√Ķes e das suas tend√™ncias.

A natureza, por uma necessidade absoluta e incontrol√°vel determinou-nos para julgar, assim como para respirar e sentir

Seja um filósofo, mas, no meio de toda sua filosofia, não deixe de ser um homem.

Se nos cai nas m√£os um volume, por exemplo, de teologia ou de metaf√≠sica escol√°stica, perguntamo-nos: Cont√©m alguma argumenta√ß√£o abstracta sobre a quantidade ou os n√ļmeros? N√°o. Cont√©m alguma argumenta√ß√£o experimental sobre quest√Ķes de facto e exist√™ncia? N√£o. Ent√£o, que seja jogado ao fogo, pois cont√©m apenas sofismas e ilus√Ķes.

A experi√™ncia √© um princ√≠pio que me instrui sobre as diversas conjun√ß√Ķes dos objectos no passado.