Cita√ß√Ķes de David Hume

33 resultados
Frases, pensamentos e outras cita√ß√Ķes de David Hume para ler e compartilhar. Os melhores escritores est√£o em Poetris.

A verdade √© de dois g√©neros: consiste ou na descoberta das rela√ß√Ķes das ideias consideradas como tal, ou na conformidade das nossas ideias dos objectos com a sua exist√™ncia real.

Que privilégio peculiar tem esta pequena agitação do cérebro que chamamos pensamento.

A Diferença entre Ficção e Crença

Não há nada mais livre do que a imaginação humana; embora não possa ultrapassar o stock primitivo de ideias fornecidas pelos sentidos externos e internos, ela tem poder ilimitado para misturar, combinar, separar e dividir estas ideias em todas as variedades da ficção e da fantasia imaginativa e novelesca. Ela pode inventar uma série de eventos com toda a aparência de realidade, pode atribuir-lhes um tempo e um lugar particulares, concebê-los como existentes e des­crevê-los com todos os pormenores que correspondem a um facto histórico, no qual ela acredita com a máxima certeza. Em que consiste, pois, a diferença entre tal ficção e a crença?
Ela não se localiza sim­plesmente numa ideia particular anexada a uma concepção que obtém o nosso assentimento, e que não se encontra em nenhuma ficção conhecida. Pois, como o espírito tem autoridade sobre todas as suas ideias, poderia voluntariamente anexar esta ideia particular a uma ficção e, por conseguinte, seria capaz de acreditar no que lhe agradasse, embora se opondo a tudo que encontramos na experiência diária. Po­demos, quando pensamos, juntar a cabeça de um homem ao corpo de um cavalo, mas não está em nosso poder acreditar que semelhante animal tenha alguma vez existido.

Continue lendo…

Inveja e Proximidade

Não é a desproporção entre nós e os outros que produz a inveja, mas, pelo contrário, a proximidade. Um soldado raso não nutre pelo seu general inveja comparável à que poderá sentir pelo seu sargento ou por um cabo; nem um escritor eminente encontrará tanta inveja por banda dos escritorecos vulgares como nos autores que dele mais se aproximam. Uma grande desproporção anula a relação, seja impedindo-nos de nos compararmos com aquilo que nos é remoto, seja minorando os efeitos da comparação.

Nenhuma verdade me parece mais evidente que os animais serem dotados de pensamento e raz√£o tal como os homens. Os argumentos neste caso s√£o t√£o √≥bvios, que nunca escapam aos mais est√ļpidos e ignorantes.

O cora√ß√£o do homem existe para reconciliar as contradi√ß√Ķes mais not√≥rias.

Em nossos raciocínios a respeito dos fatos, existem todos os graus imagináveis de certeza. Um homem sábio, portanto, ajusta sua crença à evidência.

Todas as nossas ideias ou percep√ß√Ķes mais fracas s√£o imita√ß√Ķes de nossas mais vivas impress√Ķes ou percep√ß√Ķes.

A raz√£o dos c√©pticos e a raz√£o dos dogm√°ticos s√£o de um mesmo g√©nero, apesar da contrariedade das suas opera√ß√Ķes e das suas tend√™ncias.

A natureza, por uma necessidade absoluta e incontrol√°vel determinou-nos para julgar, assim como para respirar e sentir

Seja um filósofo, mas, no meio de toda sua filosofia, não deixe de ser um homem.

Se nos cai nas m√£os um volume, por exemplo, de teologia ou de metaf√≠sica escol√°stica, perguntamo-nos: Cont√©m alguma argumenta√ß√£o abstracta sobre a quantidade ou os n√ļmeros? N√°o. Cont√©m alguma argumenta√ß√£o experimental sobre quest√Ķes de facto e exist√™ncia? N√£o. Ent√£o, que seja jogado ao fogo, pois cont√©m apenas sofismas e ilus√Ķes.

A experi√™ncia √© um princ√≠pio que me instrui sobre as diversas conjun√ß√Ķes dos objectos no passado.

A Frivolidade dos Nossos Anseios de Felicidade

Quando reflectimos sobre a brevidade e a incerteza da vida, qu√£o desprez√≠veis parecem todos os nossos anseios de felicidade? E, mesmo que estend√™ssemos a nossa aten√ß√£o para al√©m da nossa pr√≥pria vida, qu√£o fr√≠volos parecem os nossos projectos mais vastos e generosos quando consideramos as mudan√ßas e revolu√ß√Ķes incessantes nos assuntos humanos, por meio das quais as leis e a cultura, os livros e os governos s√£o postos de lado apressadamente pelo tempo, como por uma correnteza ligeira, e se perdem no imenso oceano da mat√©ria? Tal reflex√£o seguramente tende a mortificar todas as nossas paix√Ķes.

O papel principal da memória é conservar não simplesmente as ideias, mas a sua ordem e a sua posição.

A Nossa Prodigiosa Parcialidade

Todos nós temos uma prodigiosa parcialidade em favor de nós mesmos, e, se déssemos sempre vazão a esses nossos sentimentos, causaríamos a maior indignação uns aos outros, não somente pela presença imediata de um objecto de comparação tão desagradável, mas também pela contrariedade dos nossos respectivos juízos. Assim, do mesmo modo que estabelecemos o direito natural para assegurar a propriedade dentro da sociedade e impedir o choque entre interesses pessoais, também estabelecemos as regras da boa educação, a fim de impedir o choque entre os orgulhos dos homens e tornar o seu relacionamento agradável e inofensivo. Nada é mais desagradável que um homem com uma imagem presunçosa de si mesmo, embora quase todo o mundo tenha uma forte inclinação para esse vício.

O Ciclo da Satisfação

Uma satisfa√ß√£o que acab√°mos de gozar e cuja lembran√ßa est√° fresca e ainda pr√≥xima, age sobre a vontade com mais viol√™ncia do que outra cujos tra√ßos est√£o atenuados e quase apagados. Don¬≠de vem isso, portanto, a n√£o ser do facto de que a me¬≠m√≥ria, no primeiro caso, secunda a fantasia e d√° √†s suas concep√ß√Ķes um suplemento de for√ßa e vigor? A imagem do prazer passado, na sua for√ßa e viol√™ncia, confere as suas qualidades √† ideia do prazer futuro, que lhe est√° vinculado pela semelhan√ßa.