Cita√ß√Ķes de Karl Jaspers

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Precisamos do Outro para Encontrar a Verdade

S√≥ alcan√ßamos a verdade do nosso pensamento quando incansavelmente nos esfor√ßamos por pensar colocando-nos no lugar de qualquer outro. √Č preciso conhecer o que √© poss√≠vel ao homem. Se tentamos pensar seriamente aquilo que outrem pensou aumentamos as possibilidades da nossa pr√≥pria verdade, mesmo que nos recusemos a esse outro pensamento.
Só ousando integrar-nos totalmente nele o podemos conhecer. O mais remoto e estranho, o mais excessivo e excecpcional, mesmo o aberrativo, incitam-nos a não passar ao largo da verdade por omissão de algo de original, por cegueira ou por lapso.

O simples saber é uma acumulação, a filosofia é uma unidade. O saber é racional e igualmente acessível a qualquer inteligência. A filosofia é o modo do pensamento que termina por constituir a essência mesma de um ser humano.

Orientar Filosoficamente a Vida

A √Ęnsia de uma orienta√ß√£o filos√≥fica da vida nasce da obscuridade em que cada um se encontra, do desamparo que sente quando, em car√™ncia de amor, fica o vazio, do esquecimento de si quando, devorado pelo afadigamento, s√ļbito acorda assustado e pergunta: que sou eu, que estou descurando, que deverei fazer?
O auto-esquecimento é fomentado pelo mundo da técnica. Pautado pelo cronómetro, dividido em trabalhos absorventes ou esgotantes que cada vez menos satisfazem o homem enquanto homem, leva-o ao extremo de se sentir peça imóvel e insubstituivel de um maquinismo de tal modo que, liberto da engrenagem, nada é e não sabe o que há-de fazer de si. E, mal começa a tomar consciência, logo esse colosso o arrasta novamente para a voragem do trabalho inane e da inane distracção das horas de ócio.
Porém, o pendor para o auto-esquecimento é inerente à condição humana. O homem precisa de se arrancar a si próprio para não se perder no mundo e em hábitos, em irreflectidas trivialidades e rotinas fixas.
Filosofar é decidirmo-nos a despertar em nós a origem, é reencontrarmo-nos e agir, ajudando-nos a nós próprios com todas as forças.
Na verdade a existência é o que palpavelmente está em primeiro lugar: as tarefas materiais que nos submetem às exigências do dia-a-dia.

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A inocência ignorante da unidade aparentemente natural entre conhecimento empírico e juízo de valor é uma falha de tomada de consciência, falha, por assim dizer, auto-infligida: podemos dela nos desvencilhar.

O amor iluminado pela raz√£o filos√≥fica, liga-se a uma confian√ßa ‚Äď inexplic√°vel, sem objeto, intelectualmente incompreens√≠vel ‚Äď no fundamento √ļltimo das coisas.

O Elogio da História

Nenhuma realidade √© mais essencial para a nossa autocertifica√ß√£o do que a hist√≥ria. Mostra-nos o mais largo horizonte da humanidade, oferece-nos os conte√ļdos tradicionais que fundamentam a nossa vida, indica-nos os crit√©rios para avalia√ß√£o do presente, liberta-nos da inconsciente liga√ß√£o √† nossa √©poca e ensina-nos a ver o homem nas suas mais elevadas possibilidades e nas suas realiza√ß√Ķes impercept√≠veis.
Não podemos melhor aproveitar os nossos ócios do que familiarizando-nos com as magnificências do passado, conservando viva essa recordação e, ao mesmo tempo, contemplando as calamidades em que tudo se subverteu. A experiência do presente compreende-se melhor reflectida no espelho da história. O que a história nos transmite vivifica-se à luz da nossa época. A nossa vida processa-se no esclarecimento recíproco do passado e do presente.
S√≥ de perto, na intui√ß√£o concreta e sens√≠vel, e prestando aten√ß√£o aos pormenores, a hist√≥ria realmente interessa. Filosofando procedemos a considera√ß√Ķes que se mant√™m abstractas.

A Independência do Homem

Mal podemos acreditar no fil√≥sofo a quem tudo deixa indiferente; n√£o acreditamos na tranquilidade do est√≥ico, n√£o desejamos sequer a impavidez, porque a pr√≥pria condi√ß√£o humana nos lan√ßa na paix√£o e no medo, e s√£o as l√°grimas e o j√ļbilo que nos permitem conhecer o que √©. Eis por que somente o impulso ascendente nos liberta das perturba√ß√Ķes an√≠micas e n√£o √© pela supress√£o que nos encontramos.
Temos, pois, que nos arriscar a ser homens e, enquanto homens, fazermos o que pudermos para alcançar a independência conquistada. Sofreremos então sem queixume, desesperar-nos-emos sem nos afundarmos, abalados mas nunca completamente derrubados quando suspensos à íntima independência que em nós se gera.
A filosofia, porém, é a escola dessa independência, não a sua posse.

Mesmo diante do desastre possível e total, a filosofia continuaria a preservar a dignidade do homem em declínio.

O Futuro do Homem

O homem pode sempre mais e coisa diversa daquilo que se esperaria dele. O homem √© inacabado e inacab√°vel e sempre aberto ao futuro. N√£o h√° homem total e n√£o o haver√° jamais. Por isso h√° dois modos de pensar o futuro do homem. Posso conceb√™-lo como um processo natural, an√°logo √†quele que respeita aos objectos, e formular probabilidades. Ou ent√£o posso imaginar as situa√ß√Ķes que v√£o ocorrer sem saber a resposta que lhes dar√° o homem, sem saber como, atrav√©s delas, mas espontaneamente, ele se encontrar√° a si pr√≥prio. No primeiro caso, aguardo um desenrolar necess√°rio que poderia conhecer em princ√≠pio, mesmo se n√£o o conhe√ßo. No segundo caso, o futuro, longe de ser o desenvolvimento de necessidades causais implicadas pela realidade dada, depende do que ser√° realizado e vivido em liberdade. As in√ļmeras pequenas ac√ß√Ķes dos indiv√≠duos, todas as suas livres decis√Ķes, todas as coisas que realizam, t√™m um alcance ilimitado. No primeiro caso submeto-me a uma necessidade contra a qual nada posso. No segundo procuro a fonte original que est√° na base da liberdade humana. Fa√ßo um apelo √† vontade.
Caminhamos para um futuro que n√£o pode ser conhecido, que, na sua totalidade, n√£o est√° decidido.

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A independência do filósofo se torna falsa quando se mescla de orgulho. No homem autêntico, o sentimento de independência sempre se acompanha do sentimento de impotência

O problema crucial é o seguinte: a filosofia aspira à verdade total, que o mundo não quer.

A filosofia entrev√™ os crit√©rios √ļltimos, a ab√≥bada celeste das possibilidades e procura, √† luz do aparentemente imposs√≠vel, a via pela qual o homem poder√° enobrecer-se em sua exist√™ncia emp√≠rica.