Passagens sobre L√°grimas

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Frases sobre l√°grimas, poemas sobre l√°grimas e outras passagens sobre l√°grimas para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Cegueira da Governação

Pr√≠ncipes, Reis, Imperadores, Monarcas do Mundo: vedes a ru√≠na dos vossos Reinos, vedes as afli√ß√Ķes e mis√©rias dos vossos vassalos, vedes as viol√™ncias, vedes as opress√Ķes, vedes os tributos, vedes as pobrezas, vedes as fomes, vedes as guerras, vedes as mortes, vedes os cativeiros, vedes a assola√ß√£o de tudo? Ou o vedes ou o n√£o vedes. Se o vedes como o n√£o remediais? E se o n√£o remediais, como o vedes? Estais cegos. Pr√≠ncipes, Eclesi√°sticos, grandes, maiores, supremos, e v√≥s, √≥ Prelados, que estais em seu lugar: vedes as calamidades universais e particulares da Igreja, vedes os destro√ßos da F√©, vedes o descaimento da Religi√£o, vedes o desprezo das Leis Divinas, vedes o abuso do costumes, vedes os pecados p√ļblicos, vedes os esc√Ęndalos, vedes as simonias, vedes os sacril√©gios, vedes a falta da doutrina s√£, vedes a condena√ß√£o e perda de tantas almas, dentro e fora da Cristandade? Ou o vedes ou n√£o o vedes. Se o vedes, como n√£o o remediais, e se o n√£o remediais, como o vedes? Estais cegos. Ministros da Rep√ļblica, da Justi√ßa, da Guerra, do Estado, do Mar, da Terra: vedes as obriga√ß√Ķes que se descarregam sobre vosso cuidado, vedes o peso que carrega sobre vossas consci√™ncias,

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Romantismo

Quem tivesse um amor, nesta noite de lua,
para pensar um belo pensamento
e pous√°-lo no vento!

Quem tivesse um amor – longe, certo e imposs√≠vel –
para se ver chorando, e gostar de chorar,
e adormecer de l√°grimas e luar!

Quem tivesse um amor, e, entre o mar e as estrelas,
partisse por nuvens, dormente e acordado,
levitando apenas, pelo amor levado…

Quem tivesse um amor, sem d√ļvida e sem m√°cula,
sem antes nem depois: verdade e alegoria…
Ah! quem tivesse… (Mas, quem teve? quem teria?)

A Verdadeira Divis√£o Humana

Sois v√≥s um daqueles a quem se chama feliz? Pois bem, v√≥s estais tristes todos os dias. Cada dia tem uma grande amargura e um pequeno cuidado. Ontem trem√≠eis pela sa√ļde de algu√©m que vos √© caro, hoje receais pela vossa; amanh√£ ser√° uma inquitea√ß√£o de dinheiro, depois a diatribe de um caluniador ou a infelicidade de um amigo, mais tarde o mau tempo que faz, qualquer coisa que se quebrou ou se perdeu, uma vez um prazer que a vossa consci√™ncia e a coluna vertebral reprovam, outra vez a marcha dos neg√≥cios p√ļblicos. Isto sem contar as penas de cora√ß√£o. E assim sucessivamente. Uma nuvem que se dissipa e outra que se forma logo. Apenas um dia em cem de plena felicidade e cheio de sol. E sois desse pequeno n√ļmero que √© feliz! Quanto aos outros homens, envolve-os a noite estagnante.
Os espíritos reflectidos usam pouco desta locução: os felizes e os infelizes. Neste mundo, evidentemente vestíbulo de outro, não há felizes.
A verdadeira divisão humana é esta: os iluminados e os tenebrosos.
Diminuir o n√ļmero dos tenebrosos e aumentar o dos iluminados, eis o fim. √Č por isso que n√≥s gritamos: ensino, ci√™ncia! Aprender a ler,

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A Elvira

(Lamartine)

Quando, contigo a sós, as mãos unidas,
Tu, pensativa e muda; e eu, namorado,
√Äs vol√ļpias do amor a alma entregando,
Deixo correr as horas fugidias;
Ou quando ‚Äėas solid√Ķes de umbrosa selva
Comigo te arrebato; ou quando escuto
‚ÄĒT√£o s√≥ eu, ‚ÄĒ teus tern√≠ssimos suspiros;
E de meus l√°bios solto
Eternas juras de const√Ęncia eterna;
Ou quando, enfim, tua adorada fronte
Nos meus joelhos trêmulos descansa,
E eu suspendo meus olhos em teus olhos,
Como às folhas da rosa ávida abelha;
Ai, quanta vez ent√£o dentro em meu peito
Vago terror penetra, como um raio!
Empalideço, tremo;
E no seio da glória em que me exalto,
L√°grimas verto que a minha alma assombram!
Tu, carinhosa e trêmula,
Nos teus bra√ßos me cinges, ‚ÄĒ e assustada,
Interrogando em v√£o, comigo choras!
‚ÄúQue dor secreta o cora√ß√£o te oprime?‚ÄĚ
Dizes tu, ‚ÄúVem, confia os teus pesares…
Fala! eu abrandarei as penas tuas!
Fala! Eu consolarei tua alma aflita.‚ÄĚ

Vida do meu viver, n√£o me interrogues!
Quando enlaçado nos teus níveos braços*
A confissão de amor te ouço,

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Língua Portuguesa

Da avena dos pastores, da harmonia
Que o vento imprime às palmas das palmeiras,
Do bramido do mar e das cachoeiras,
Da voz que impreca à voz que balbucia;

Do sol que fala quando nasce o dia,
Do luar que enche de unção as cordilheiras,
Vem este claro idioma, que é poesia
E alma das gentes luso-brasileiras.

Rumor de asas de abelha, um ru√≠do apenas…
Doce afago de arminhos e de penas,
Perd√£o, queixume, l√°grima, reclamo,

Ou grito estuante de alma incompreendida,
Do desgra√ßado: “Eu te condeno, √≥ vida!”
Do poeta que sofreu: “√ď vida, eu te amo!”

Proposição das rimas do poeta

Incultas produ√ß√Ķes da mocidade
Exponho a vossos olhos, ó leitores:
Vede-as com m√°goa, vede-as com piedade,
Que elas buscam piedade, e n√£o louvores:

Ponderai da Fortuna a variedade
Nos meus suspiros, l√°grimas e amores;
Notai dos males seus a imensidade,
A curta duração de seus favores:

E se entre versos mil de sentimento
Encontrardes alguns cuja aparência
Indique festival contentamento,

Crede, ó mortais, que foram com violência
Escritos pela m√£o do Fingimento,
Cantados pela voz da Dependência.

O Morto Prazenteiro

Onde haja carac√≥is, n’um fecundo torr√£o,
Uma grandiosa cova eu mesmo quero abrir,
Onde repouse em paz, onde possa dormir,
Como dorme no oceano o livre tubar√£o.

Detesto os mausoléus, odeio os monumentos,
E, a ter de suplicar as l√°grimas do mundo,
Prefiro oferecer o meu carcaz imundo,
Qual precioso manjar, aos corvos agoirentos.

Verme, larva brutal, tenebroso mineiro,
Vai entregar-se a vós um morto prazenteiro,
Que livremente busca a treva, a podrid√£o!

Sem piedade, minai a minha carne impura,
E dizei-me depois se existe uma tortura
Que não tenha sofrido este meu coração!

Tradução de Delfim Guimarães

Pobre Velha M√ļsica!

Pobre velha m√ļsica!
N√£o sei por que agrado,
Enche-se de l√°grimas
Meu olhar parado.

Recordo outro ouvir-te,
N√£o sei se te ouvi
Nessa minha inf√Ęncia
Que me lembra em ti.

Com que √Ęnsia t√£o raiva
Quero aquele outrora!
E eu era feliz? N√£o sei:
Fui-o outrora agora.

Lágrimas Tristes Tomarão Vingança

Se somente hora alguma em vós piedade
De t√£o longo tormento se sentira,
Amor sofrera, mal que eu me partira
De vossos olhos, minha saudade.

Apartei-me de vós, mas a vontade,
Que por o natural na alma vos tira,
Me faz crer que esta ausência é de mentira;
Porém venho a provar que é de verdade.

Ir-me-ei, Senhora; e neste apartamento
Lágrimas tristes tomarão vingança
Nos olhos de quem fostes mantimento.

Desta arte darei vida a meu tormento,
Que, enfim, cá me achará minha lembrança
Sepultado no vosso esquecimento.

Musa Impassível II

√ď Musa, cujo olhar de pedra, que n√£o chora,
Gela o sorriso ao l√°bio e as l√°grimas estanca!
D√°-me que eu v√° contigo, em liberdade franca,
Por esse grande espaço onde o impassível mora.

Leva-me longe, ó Musa impassível e branca!
Longe, acima do mundo, imensidade em fora,
Onde, chamas lançando ao cortejo da aurora,
O √°ureo plaustro do sol nas nuvens solavanca.

Transporta-me de vez, numa ascens√£o ardente,
À deliciosa paz dos Olímpicos-Lares
Onde os deuses pag√£os vivem eternamente,

E onde, num longo olhar, eu possa ver contigo
Passarem, através das brumas seculares,
Os Poetas e os Heróis do grande mundo antigo.

Hino À Dor

Dor, sa√ļde dos seres que se fanam,
Riqueza da alma, psíquico tesouro,
Alegria das gl√Ęndulas do choro
De onde todas as l√°grimas emanam..

√Čs suprema! Os meus √°tomos se ufanam
De pertencer-te, oh! Dor, ancoradouro
Dos desgraçados, sol do cérebro, ouro
De que as próprias desgraças se engalanam!

Sou teu amante! Ardo em teu corpo abstrato.
Com os corp√ļsculos m√°gicos do tacto
Prendo a orquestra de chamas que executas…

E, assim, sem convuls√£o que me alvorece,
Minha maior ventura é estar de posse
De tuas claridades absolutas!

Barganha

Domingo é dia de barganha.
Troco um relógio dos antigos
por um cavalo rosilho,
um bode por um trinca-ferro,
e uma roda de cabriolé
por um radinho de pilha.
Troco um gib√£o de cigano
pela serra que serrou
o tronco mais odorante
e por um fog√£o de lenha
troco um cachorro de caça
e uma panela de cobre.
Troco toda a luz do sol
pela sombra de um só pássaro.
Por uma espingarda troco
um tacho que foi de escravos
além de um almofariz
e uma xícara sem asa.
Troco a salmoura dos peixes
por qualquer gosto de l√°grima.
Pela vitrola rachada
dou a minha bicicleta
com os pneus arriados.
Troco o entulho que restou
do muro que derrubei
pelo calor da fogueira
que por uma noite apenas
negou o frio dos pobres.
Troco um lençol de noivado
e uma toalha bordada
pela sua reflectida
na escurid√£o das cisternas.
Troco o meu selim de couro
por um arreio de prata.
Dou um caminh√£o de pedra
por um port√£o de peroba.

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Linda Inês

Choram ainda a tua morte escura
Aquelas que chorando a memoraram;
As l√°grimas choradas n√£o secaram
Nos saudosos campos da ternura.

Santa entre as santas pela m√° ventura,
Rainha, mais que todas que reinaram;
Amada, os teus amores n√£o passaram
E és sempre bela e viva e loira e pura.

√ď Linda, sonha a√≠, posta em soss√™go
No teu muymento de alva pedra fina,
Como outrora na Fonte do Mondego.

Dorme, sombra de graça e de saudade,
Colo de Garça, amor, moça menina,
Bem-amada por toda a eternidade!

C√Ęntico da Noite

Sumiu-se o sol esplêndido
Nas vagas rumorosas!
Em trevas o crep√ļsculo
Foi desfolhando as rosas!
Pela ampla terra alargar-se
Calada solid√£o!
Parece o mundo um t√ļmulo
Sob estrelado manto!
Alabastrina l√Ęmpada,
L√° sobe a lua! Entanto
Gemidos d‚Äôaves l√ļgubres
Soando a espaços vão!
Hora dos melancólicos,
Saudosos devaneios!
Hora que aos gostos íntimos
Abres os castos seios!
Infunde em nossos √Ęnimos
Inspiração da fé!
De noite, se um revérbero
De Deus nos alumia,
Destila-se de l√°grimas
A prece, a profecia!
A alma elevada em êxtase
Terrena já não é!
Antes que o sono t√°cito
Olhos nos cerre, e os sonhos
Nos tomem no seu vórtice,
J√° rindo, e j√° medonhos,
Hora dos céus, conserva-me
No extinto e no porvir.
Onde os que amei? sumiram-se.
Onde o que eu fui? deixou-me.
Deles, só vãs memórias;
De mim, só resta um nome:
No abismo do pretérito
Desfez-se choro e r√ļy
Desfez-se! e quantas l√°grimas
Brotaram de alegrias! Desfez-se!
e quantos j√ļbilos
Nasceram de agonias!

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Quem aos Olhos Dar-me-√° uma Vertente

Quem aos olhos dar-me-√° uma vertente
de l√°grimas, que manem noite e dia?
Ao menos a alma, enfim, respiraria,
chorando, ora o passado, ora o presente.

Quem me dar√°, longe de toda gente,
suspiros, que me valham na agonia
j√° longa, que o af√£ tanto encobria?
Sucedeu-me depois tanto acidente!

Quem me dar√° palavras com que iguale
tanto agravo que amor j√° me tem feito,
pois que t√£o pouco o sofrimento vale?

Ah! quem ao meio me abra este meu peito,
onde jaz tanto mal, por que se exale
tamanha coita minha e meu despeito?