Passagens sobre Melhor

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Frases sobre melhor, poemas sobre melhor e outras passagens sobre melhor para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Quanto Mais Objectos de Interesse um Homem Tem, Mais Ocasi√Ķes Tem Tamb√©m de Ser Feliz

Toda a desilus√£o √© para mim uma doen√ßa que certas circunst√Ęncias podem tornar inevit√°vel, √© verdade, mas que, quando se produz, nem por isso deve deixar de ser tratada o mais r√°pidamente poss√≠vel, em vez de ser olhada como uma forma superior de sabedoria. Um homem, suponhamos, gosta de morangos e um outro n√£o gosta; em que √© que o √ļltimo √© superior ao primeiro? N√£o h√° nenhuma prova impessoal e abstracta de que os morangos sejam bons ou maus. Para quem gosta s√£o bons, para quem n√£o gosta s√£o maus. Mas o homem que gosta tem um prazer que o outro n√£o conhece; sobre este ponto, a sua vida √© mais agrad√°vel e est√° melhor adaptado ao mundo onde ambos t√™m de viver.

O que √© verdadeiro neste exemplo trivial √© igualmente verdade nas quest√Ķes mais importantes. O homem que gosta de assistir a desafios de futebol √© sob esse aspecto supeior ao homem que n√£o gosta. O que aprecia a leitura √© ainda mais superior do que aquele que n√£o a aprecia, pois as oportunidade de ler s√£o mais frequentes do que as de ver desafios de futebol. Quanto mais objectos de interesse um homem tem,

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Se Nada H√° de Novo

Se nada h√° de novo e tudo o que h√°
já dantes era como agora é,
só ilusão a criação será:
criar o já criado para quê?

Que alguém me mostre, sobre um livro antigo
como quinhentas transla√ß√Ķes astrais,
a tua imagem, na inscrição, no abrigo
do espírito em seus signos iniciais.

Que eu saiba o que diria o velho mundo
deste milagre que é a tua forma;
se te viram melhor, se me confundo,

se as transla√ß√Ķes seguem a mesma norma.
Mas disto estou seguro: antigos textos
louvaram mais com bem menores pretextos.

Tradução de Carlos de Oliveira

Escreva-se sempre para estar só. A escrita afasta concretamente o mundo. Não é o melhor método, mas é um.

As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas. Elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos.

A Minha Cidade Preferida

√Č o Porto. Tem umas caracter√≠sticas muito particulares, muito suas. Ou melhor, tinha. Est√£o agora a fazer for√ßa para tir√°-las, ao contr√°rio do que se faz l√° fora. Mesmo √†s cidades que foram arrasadas pela guerra, como Vars√≥via, na Pol√≥nia, que foi refeita tal qual era antes. O mesmo aconteceu em Berlim. Aqui destroem o que est√° feito para construir uma porcaria qualquer incaracter√≠stica, que n√£o representa coisa nenhuma. Por exemplo, o que querem fazer no mercado do Bolh√£o √© uma vergonha – querem meter l√° um supermercado, ou outra borra qualquer, que tira todo o car√°cter √† cidade e a modifica. Assim, as cidades confundem-se todas: a gente chega a uma cidade e j√° n√£o sabe onde est√°. √Č tudo igual em toda a parte.

O Amor pelo Outro

Os filósofos e os próprios teólogos distinguem duas espécies de amor, a saber, o amor que chamam de concupiscência, que não passa do desejo ou do sentimento que se tem por aquilo que nos dá prazer, sem que nos interessemos se ele está a receber amor; e o amor de benevolência, que é o sentimento que se tem por aquele que, pelo seu prazer e sua felicidade, nos dá amor. O primeiro faz-nos visar o nosso prazer, e o segundo, o prazer do outro, mas como se fizesse, ou melhor, constituindo o nosso; pois, se não tornasse a cair sobre nós de alguma maneira, não poderíamos por ele nos interessar, porque é impossível, seja o que for que digam, nos desapegarmos do nosso próprio bem.

O homem incapaz de julgar, por um lado, nem vê o que é melhor nem o aprova; por outro, aprova o que é pior e segue-o como se fosse o melhor.

Amo-te, Portugal

Portugal,

Estou há que séculos para te escrever. A primeira vez que dei por ti foi quando dei pela tua falta. Tinha 19 anos e estava na Inglaterra. De repente, deixei de me sentir um homem do mundo e percebi, com tristeza, que era apenas mais um dos teus desesperados pretendentes.

Apaixonaste-me sem que eu desse por isso. Deve ter sido durante os meus primeiros 18 anos de vida, quando estava em Portugal e só queria sair de ti. Insinuaste-te. Não fui eu que te escolhi. Quando descobri que te amava, já era tarde de mais.

Eu n√£o queria ficar preso a ti; queria correr mundo. Passei a querer correr para ti – e foi para ti que corri, mal pude.

Teria preferido chegar √† conclus√£o que te amava por uma lenta acumula√ß√£o de raz√Ķes, emo√ß√Ķes e vantagens. Mas foi ao contr√°rio. Apaixonei-me de um dia para o outro, sem qualquer esp√©cie de aviso, e desde esse dia, que rem√©dio, l√° fui acumulando, lentamente, as raz√Ķes por que te amo, retirando-as uma a uma dentre todas as outras raz√Ķes, para n√£o te amar, ou n√£o querer saber de ti.

Custou-me justificar o meu amor por ti.

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Inveja é Vaidade

O que chamamos inveja, não é senão vaidade. Continuamente acusamos a injustiça da fortuna (sorte), e a consideramos ainda mais cega do que o amor, na repartição das felicidades. Desejamos o que os outros possuem, porque nos parece, que tudo o que os outros têm, nós o merecíamos melhor; por isso olhamos com desgosto para as cousas alheias, por nos parecer, que deviam ser nossas: que é isto senão vaidade? Não podemos ver luzimento em outrem, porque imaginamos, que só em nós é próprio: cuidamos, que a grandeza só em nós fica sendo natural, e nos mais violenta: o esplendor alheio passa no nosso conceito por desordem do acaso, e por miséria do tempo.

As Discuss√Ķes Nunca S√£o Feitas de Boa F√©

S√≥ os ing√©nuos podem crer que uma discuss√£o visa resolver um problema ou esclarecer uma quest√£o dif√≠cil. Na realidade, a sua √ļnica justifica√ß√£o √© testar a capacidade de os participantes derrubarem o advers√°rio. O que est√° em jogo n√£o √© a verdade, mas o amor pr√≥prio. O bem falante leva a melhor sobre o que tartamudeia, o temer√°rio sobre o t√≠mido e o arrebatado sobre o escrupuloso. Estar de boa f√© equivale a potenciar as desvantagens, porquanto os escr√ļpulos se somam √† circunspec√ß√£o, dificultando a express√£o. O que √© a boa f√©? Uma conduta de fracasso, um aut√™ntico suic√≠dio… Quem participa em debates fala sem escutar, espezinha qualquer racioc√≠nio que n√£o seja conduzido por si pr√≥prio, despreza as oposi√ß√Ķes, ignora as obstruc√ß√Ķes e, de certo modo, conquista a vit√≥ria √† for√ßa de palavras.
Cultiva a má fé com o profissionalismo do jardineiro que cria uma planta venenosa cujo veneno possui suavidades tão profundas que quem o prova já não passa sem ele. Para dar melhor resultado, a má fé não deve ser demasiado subtil. Com efeito, o seu impacte não será suficiente para desnortear o outro, rápida e duradouramente. Nesta matéria, a subtileza não substitui a brutalidade que, não obstante a detestável fama em certos meios intelectuais,

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Como é trágico para um homem nos seus melhores anos, se for colocado ante o impasse do consciente, se deve casar ou adotar uma senhora nova.

A Educação Colectiva Não Funciona

A nossa pol√≠tica educacional baseia-se em duas enormes fal√°cias. A primeira √© a que considera o intelecto como uma caixa habitada por ideias aut√≥nomas, cujos n√ļmeros podem aumentar-se pelo simples processo de abrir a tampa da caixa e introduzir-lhes novas ideias. A segunda fal√°cia, √© que, todas as mentes s√£o semelhantes e podem lucrar como o mesmo sistema de ensino. Todos os sistemas oficiais de educa√ß√£o s√£o sistemas para bombear os mesmos conhecimentos pelos mesmos m√©todos, para dentro de mentes radicalmente diferentes.
Sendo as mentes organismos vivos e não caixotes do lixo, irremediavelmente dissimilares e não uniformes, os sistemas oficiais de educação não são como seria de esperar, particularmente afortunados. Que as esperanças dos educadores ardorosos da época democrática cheguem alguma vez a ser cumpridas parece extremamente duvidoso. Os grandes homens não podem fazer-se por encomenda por qualquer método de ensino por mais perfeito que seja.
O máximo que podemos esperar fazer é ensinar todo o indivíduo a atingir todas as suas potencialidades e tornar-se completamente ele próprio. Mas o eu de um indivíduo será o eu de Shakespeare, o eu de outro será o eu de Flecknoe. Os sistemas de educação prevalecentes não só falham em tornar Flecknoes em Shakespeares (nenhum método de educação fará isso alguma vez);

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