Cita√ß√Ķes de Giacomo Leopardi

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Frases, pensamentos e outras cita√ß√Ķes de Giacomo Leopardi para ler e compartilhar. Os melhores escritores est√£o em Poetris.

Os homens envergonham-se n√£o das inj√ļrias que cometem, mas daquelas que recebem . Por√©m, para fazer com que os ofensores se envergonhem, n√£o h√° outro caminho sen√£o o de devolver-lhes a ofensa.

O Progresso Universal do Saber nunca é Imediato

Embora o progresso do saber humano, como a queda dos graves, adquira em cada instante maior celeridade, todavia √© muito dif√≠cil acontecer que uma mesma gera√ß√£o de homens mude de opini√Ķes ou reconhe√ßa os pr√≥prios erros, de maneira que acredite hoje no contr√°rio daquilo em que acreditou num outro tempo. Prepara, sim, essas possibilidades para a que se lhe segue, a qual depois descobre e acredita, em muitos aspectos, no oposto daquela. Mas, assim como ningu√©m sente o movimento perp√©tuo que nos transporta em rota√ß√£o juntamente com a Terra, tamb√©m a generalidade dos homens n√£o se apercebe do progresso cont√≠nuo que os seus conhecimentos fazem, nem da constante varia√ß√£o dos seus ju√≠zos. E nunca muda de opini√£o de tal modo que fique convencida de a ter mudado. Por√©m, n√£o poderia deixar de ficar convencida e de dar por isso, sempre que concebesse de repente uma ideia muito contr√°ria √†quelas que vigoravam at√© √†quele momento. Portanto, nenhuma verdade constru√≠da desta maneira, a n√£o ser que seja palp√°vel, ser√° alguma vez unanimamente cred√≠vel para os conempor√Ęneos do primeiro que a descobriu.

O sentimento da vingança é tão agradável, que muitas vezes o homem deseja ser ofendido para se poder vingar, e não falo apenas de um inimigo habitual, mas de uma pessoa indiferente, ou até mesmo, sobretudo em alguns momentos de humor negro, de um amigo.

Nada é vergonhoso para o homem de espírito, nem é capaz de fazê-lo sentir vergonha e provar o desagradável sentimento dessa paixão, a não ser apenas o acto de envergonhar-se e de enrubescer.

Por minha pr√≥pria natureza, n√£o estou longe da d√ļvida mesmo sobre as coisas consideradas indubit√°veis.

Nenhuma opini√£o, verdadeira ou falsa, mas contr√°ria √† opini√£o dominante e geral, estabeleceu-se no mundo instantaneamente e com base numa demonstra√ß√£o l√ļcida e palp√°vel, mas √† for√ßa de repeti√ß√Ķes e, portanto, de h√°bito.

Acreditaria que a embriaguez tivesse sido para os homens a primeira ocasião e a primeira causa do riso; outro efeito próprio e particular do género humano.

A morte não é um mal: porque liberta o homem de todos os males, e ao mesmo tempo que os bens tira-lhe os desejos. A velhice é o pior dos males: porque priva o homem de todos os prazeres, deixando-lhe deles todos os apetites; e traz consigo todas as dores. Não obstante, os homens temem a morte e desejam a velhice.

O t√©dio √© de certo modo o mais sublime dos sentimentos humanos. O n√£o poder ser satisfeito por nenhuma coisa terrena nem, por assim dizer, pela terra inteira. Por isso o t√©dio √© pouco conhecido dos homens sem import√Ęncia, e pouqu√≠ssimo ou nada dos outros animais.

O Medo de nos Aceitarmos como Somos

Como as pris√Ķes e as galeras est√£o cheias de pessoas, segundo elas, inocent√≠ssimas, assim os empregos p√ļblicos e as honrarias de toda a esp√©cie s√£o ocupados apenas por pessoas convidadas e for√ßadas a aceitar a seu malgrado. √Č quase imposs√≠vel encontrar algu√©m que confesse ou ter merecido as penas que sofre, ou procurado ou desejado as honrarias de que goza.

Necessidade de Ocupar a Vida

Aqueles que não têm necessidade de prover às suas próprias necessidades, e por isso deixam essa preocupação para os outros, não são geralmente capazes de prover, ou de maneira nenhuma ou então só com enorme dificuldade e de modo menos satisfatório que os outros, a uma necessidade importantíssima, que seja como for têm. Refiro-me à necessidade de ocupar a vida: a qual é muito maior do que todas as necessidades específicas, às quais, ocupando-a, se provê; e é também maior do que a necessidade de viver. Aliás, viver, em si mesmo, não é uma necessidade, porque desacompanhado da felicidade não é um bem. Pelo que, sendo-nos dada a vida, a maior e primeira necessidade é conduzi-la com a menor infelicidade possível. Ora, por um lado, a vida desocupada ou vazia é infelicíssima. Por outro lado, o modo de ocupação com o qual a vida se torna menos infeliz do que com qualquer outro é o que consiste em prover às próprias necessidades.

Os melhores momentos do amor são aqueles de uma serena e doce melancolia, em que choras sem saber porquê, e quase aceitas tranquilamente uma desventura que não conheces.

Quase todos os prazeres da imagina√ß√£o e do sentimento consistem em recorda√ß√Ķes. (…)Est√£o no passado antes de estar no presente.