Passagens sobre Escravos

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A guerra é mãe e rainha de todas as coisas; alguns transforma em deuses, outros, em homens; de alguns faz escravos, de outros, homens livres.

Tit√£s Negros

Hirtas de Dor, nos √°ridos desertos
Formid√°veis fantasmas das Legendas,
Marcham além, sinistras e tremendas,
As caravanas, dentre os c√©us abertos…

Negros e nus, negros Tit√£s, cobertos
Das bocas vis das chagas vis e horrendas,
Marcham, caminham por estranhas sendas,
Passos vagos, son√Ęmbulos, incertos…

Passos incertos e os olhares tredos,
Na convuls√£o de tr√°gicos segredos,
De agonias mortais, febres vorazes…

Têm o aspecto fatal das feras bravas
E o rir pungente das legi√Ķes escravas,
De dantescos e torvos Satanases!…

O trabalho é a melhor e a pior das coisas: a melhor, se for livre; a pior, se for escravo.

Natureza de Escravo

Desde quando √© que se tornou digno de louvor o facto de algu√©m possuir uma natureza de escravo? Depois de todos os s√≠mbolos do poder terem desaparecido, j√° n√£o tinhas qualquer raz√£o para obedecer, mas continuaste a faz√™-lo. Que for√ßa misteriosa te impelia a obedecer √†s ordens de pessoas t√£o desgra√ßadas como tu, t√£o nuas e miser√°veis como tu? Eras demasiado cobarde para tentares fazer como os outros, para experimentares dizer uma vez que fosse ao capit√£o: vai buscar lenha, preciso de me aquecer √† fogueira. N√£o, tinhas descoberto uma outra solu√ß√£o; enquanto estavas ainda saciado, calculavas friamente que chegaria a hora em que a tua fome seria maior do que a dos outros todos. E ent√£o pensavas: em breve ficarei faminto, tornar-me-ei selvagem e sem escr√ļpulos, revoltar-me-ei, n√£o abertamente, mas de modo dissimulado, contra estes terroristas. Com a cabe√ßa fria, fazias projectos sobre a maneira como utilizarias a tua embriaguez, e √© isso que √© desprez√≠vel.

A Velha Angra

Olhou sobre a velha Angra, aninhada aos p√©s do Monte Brasil, as arauc√°rias erguendo-se contra o c√©u cinzento. Esquadrinhou com o olhar as suas ruas, os seus solares e pal√°cios, as suas igrejas. Imaginou marinheiros e mercadores, saltimbancos e aventureiros a caminho das sete partidas do mundo. Charlat√£es bebiam vinho com mission√°rios, soldados negociavam servi√ßos com prostitutas, piratas persuadiam navegadores ao servi√ßo do rei sobre novas e mais rent√°veis rotas, de encontro ao Vento Carpinteiro. Havia escravos e b√™bedos, burocratas e crian√ßas furtivas, freiras e casais de condenados com destino ao Brasil, e toda essa gente circulava pela cidade como se fosse o seu sangue, incerto e veloz, bombeado por um cora√ß√£o descompassado que era o pr√≥prio movimento do mar, furioso, naufragando naus e gale√Ķes como numa tela de Vernet.

Barganha

Domingo é dia de barganha.
Troco um relógio dos antigos
por um cavalo rosilho,
um bode por um trinca-ferro,
e uma roda de cabriolé
por um radinho de pilha.
Troco um gib√£o de cigano
pela serra que serrou
o tronco mais odorante
e por um fog√£o de lenha
troco um cachorro de caça
e uma panela de cobre.
Troco toda a luz do sol
pela sombra de um só pássaro.
Por uma espingarda troco
um tacho que foi de escravos
além de um almofariz
e uma xícara sem asa.
Troco a salmoura dos peixes
por qualquer gosto de l√°grima.
Pela vitrola rachada
dou a minha bicicleta
com os pneus arriados.
Troco o entulho que restou
do muro que derrubei
pelo calor da fogueira
que por uma noite apenas
negou o frio dos pobres.
Troco um lençol de noivado
e uma toalha bordada
pela sua reflectida
na escurid√£o das cisternas.
Troco o meu selim de couro
por um arreio de prata.
Dou um caminh√£o de pedra
por um port√£o de peroba.

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O Serviço Militar Obrigatório

Deixem-me come√ßar com uma confiss√£o de f√© pol√≠tica: o Estado √© feito para o homem, n√£o o homem para o Estado. Isto √© igualmente verdade em ci√™ncia. Estas s√£o convic√ß√Ķes antigas pronunciadas por aqueles para quem o homem em si √© o valor humano mais alto. N√£o teria de repeti-las se n√£o fosse o facto de estarem constantemente em perigo de serem esquecidas, especialmente nos dias que correm, de standardiza√ß√£o e de estereotipia. Creio que a miss√£o mais importante do Estado √© a de proteger o indiv√≠duo e tornar poss√≠vel o desenvolvimento de uma personalidade criativa.
O Estado deve ser nosso servo; n√£o devemos ser escravos do Estado. O Estado viola este princ√≠pio quando nos for√ßa ao servi√ßo militar obrigat√≥rio, especialmente porque o objectivo e efeito de tal servid√£o √© matar pessoas de outras terras ou restringir-lhes a liberdade. De facto, somente devemos fazer sacrif√≠cios em nome do Estado se servirem o livre desenvolvimento do homem (…)
O nacionalismo, actualmente elevado a alturas excessivas, está, em minha opinião, intimamente associado à instituição do serviço militar obrigatório ou, utilizando um eufemismo, à milícia. Qualquer Estado que exija o serviço militar aos seus cidadãos é compelido a cultivar neles o espírito do nacionalismo,

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Somos todos escravos da tecnologia. Lembro-me da sabedoria desses grandes homens que viajavam pelo mundo e passavam por terras diferentes, diferentes línguas. Não conheciam e acabavam por conhecer aquelas gentes e os seus modos de vida diferentes, de um lado para o outro, até à China e por aí fora. Era admirável, não era? Hoje não, vai-se de avião, não se sente nada.

Se um homem nasceu para escravo, a liberdade, sendo contrária à sua índole, será para ele uma tirania.

As Paix√Ķes Humanas

Eu considero inteligente o homem que em vez de desprezar este ou aquele semelhante √© capaz de o examinar com olhar penetrante, de lhe sondar por assim dizer a alma e descobrir o que se encontra em todos os seus desv√£os. Tudo no homem se transforma com grande rapidez; num abrir e fechar de olhos, um terr√≠vel verme pode corroer-lhe as entranhas e devorar-lhe toda a sua subst√Ęncia vital. Muitas vezes uma paix√£o, grande ou mesquinha pouco importa, nasce e cresce num indiv√≠duo para melhor sorte, obrigando-o a esquecer os mais sagrados deveres, a procurar em √≠nfimas bagatelas a grandeza e a santidade. As paix√Ķes humanas n√£o t√™m conta, s√£o tantas, tantas, como as areias do mar, e todas, as mais vis como as mais nobres, come√ßam por ser escravas do homem para depois o tiranizarem.
Bem-aventurado aquele que, entre todas as paix√Ķes, escolhe a mais nobre: a sua felicidade aumenta de hora a hora, de minuto a minuto, e cada vez penetra mais no ilimitado para√≠so da sua alma. Mas existem paix√Ķes cuja escolha n√£o depende do homem: nascem com ele e n√£o h√° for√ßa bastante para as repelir. Uma vontade superior as dirige, t√™m em si um poder de sedu√ß√£o que dura toda a vida.

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Indiferença em Política

Um dos piores sintomas de desorganização social, que num povo livre se pode manifestar, é a indiferença da parte dos governados para o que diz respeito aos homens e às cousas do governo, porque, num povo livre, esses homens e essas cousas são os símbolos da actividade, das energias, da vida social, são os depositários da vontade e da soberania nacional.
Que um povo de escravos folgue indiferente ou durma o sono solto enquanto em cima se forjam as algemas servis, enquanto sobre o seu mesmo peito, como em bigorna insensível se bate a espada que lho há-de trespassar, é triste, mas compreende-se porque esse sono é o da abjecção e da ignomínia.
Mas quando √© livre esse povo, quando a paz lhe √© ainda convalescen√ßa para as feridas ganhadas em defesa dessa liberdade, quando come√ßa a ter consci√™ncia de si e da sua soberania… que ent√£o, como tomado de vertigem, desvie os olhos do norte que tanto lhe custara a avistar e deixe correr indiferente a sabor do vento e da onda o navio que tanto risco lhe dera a lan√ßar do porto; para esse povo √© como de morte este sintoma, porque √© o olvido da ideia que h√° pouco ainda lhe custara tanto suor tinto com tanto sangue,

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