Textos sobre F√°cil

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Textos de fácil escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

A Razão da Minha Esperança

Meu bom amigo,

Sei que tens sofrido bastante.

Não posso esquecer que um dia me ensinaste: que leal é quem não abandona; que devemos procurar ser pessoas dignas de confiança, mais do que tentar encontrar alguém assim; e, que a vontade de amar já é, em si mesma, amor.

Permite-me que partilhe contigo, hoje, algumas ideias a respeito dos momentos dif√≠ceis…

S√£o muitas as provas que na vida servem para testar quem somos, a for√ßa que temos em n√≥s e o nosso valor. Algumas vezes uma pedra gigante vem cair mesmo diante de n√≥s… outras vezes s√£o s√©ries infind√°veis de pequenos obst√°culos no caminho… longas etapas que nos obrigam a seguir adiante sem descansar, em percursos onde quase nunca se v√™ o horizonte.
A agita√ß√£o permanente em que vivemos leva muitos a desistir de encontrar refer√™ncias mais adiante, mas √© preciso que nos afastemos do tempo para assim encontrarmos a posi√ß√£o mais segura, elevando-nos acima dos momentos passageiros para os compreender melhor. No meio da confus√£o √© preciso ver para al√©m do que se pode olhar… estabelecer os alicerces sobre o que √© s√≥lido, ainda que seja preciso escavar muito mais fundo do que o normal…

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Conselhos para o Ensino

Vou falar de quest√Ķes que, independentemente do espa√ßo e do tempo, sempre estiveram e sempre estar√£o relacionadas com a educa√ß√£o. Nesta tentativa n√£o posso dizer que sou uma autoridade, particularmente t√£o inteligente e bem-intencionado como os homens que ao longo do tempo trataram dos problemas da educa√ß√£o e que certamente exprimiram repetidas vezes os seus pontos de vista acerca destas mat√©rias. Com que base posso eu, um leigo no √Ęmbito da pedagogia, arranjar coragem para exprimir opini√Ķes sem qualquer fundamento, excepto a minha experi√™ncia pessoal e a minha convic√ß√£o pessoal? Quando se trata de uma mat√©ria cient√≠fica, √© f√°cil uma pessoa sentir-se tentada a ficar calada com base nestas considera√ß√Ķes.
Contudo, tratando-se de assuntos respeitantes ao ser humano, é diferente. Neste caso, o conhecimento apenas da verdade não é suficiente; pelo contrário, este conhecimento deve ser continuamente renovado à custa de um esforço contínuo, sob pena de se perder. Lembra uma estátua de mármore no deserto que está continuamente em perigo de ser enterrada pela areia em movimento. As mãos de serviço têm de estar continuamente a trabalhar para que o mármore continue indefinidamente a brilhar ao sol. A este grupo de mãos também pertencem as minhas.
A escola sempre foi o mais importante meio de transferência da riqueza da tradição de uma geração para a seguinte.

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Testemunhas Aparentes

N√£o me preocupa tanto qual eu seja para outrem como me preocupa qual eu seja em mim mesmo. Quero ser rico por mim, n√£o por empr√©stimo. Os estranhos v√™em apenas os acontecimentos e as apar√™ncias externas; cada qual pode ter um ar alegre exteriormente e por dentro estar cheio de febre e receio. Eles n√£o v√™em o meu cora√ß√£o; v√™em apenas o meu comportamento. Tem-se raz√£o em depreciar a hipocrisia que existe na guerra; pois o que √© mais f√°cil para um homem oportunista do que esquivar-se dos perigos e fazer-se de bravo, tendo o √Ęnimo repleto de frouxid√£o? H√° tantos meios de evitar as ocasi√Ķes de arriscar-se pessoalmente que teremos enganado o mundo mil vezes antes de encetarmos um passo perigoso; e mesmo ent√£o, vendo-nos entravados, nesse momento bem sabemos encobrir o nosso jogo com um ar alegre e uma palavra serena, embora a alma nos trema interiormente.
E se algu√©m pudesse usar o anel de Plat√£o, que tornava invis√≠vel quem o levasse no dedo e o virasse para a palma da m√£o, muitas pessoas ami√ļde se esconderiam quando mais √© preciso apresentar-se e se arrependeriam de estar colocadas num lugar t√£o honroso, no qual a necessidade as torna seguras: Quem pode alegrar-se com falsas honrarias e temer a cal√ļnia,

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Mentir sem Prejudicar

Julgar os discursos dos homens atrav√©s dos efeitos que produzem equivale frequentemente a apreci√°-los mal. Tais efeitos, para al√©m de nem sempre serem sens√≠veis e f√°ceis de conhecer, variam infinitamente, tal como as circunst√Ęncias em que esses discursos s√£o proferidos.
A inten√ß√£o daquele que os profere, por√©m, √© a √ļnica que permite apreci√°-los e que determina o seu grau de mal√≠cia ou de bondade. Proferir afirma√ß√Ķes falsas s√≥ √© mentir quando existe inten√ß√£o de enganar, e mesmo essa inten√ß√£o, longe de se aliar sempre √† de prejudicar, tem por vezes um objectivo oposto. Todavia, para tornar inocente uma mentira, n√£o basta que a inten√ß√£o de prejudicar n√£o seja expressa, √© necess√°rio tamb√©m ter a certeza de que o erro em que se induz aqueles a quem se fala n√£o poder√° prejudic√°-los a eles nem a ningu√©m, seja de que maneira for. √Č raro e dif√≠cil ter-se essa certeza e, por isso, √© dif√≠cil e raro que uma mentira seja perfeitamente inocente.

Somos Traídos pela Nossa Própria Percepção e Experiência

Vemos muito bem que as coisas não se alojam em nós com a sua forma e essência, e não penetram em nós pela sua própria força e autoridade; porque, se assim fosse, recebê-las-íamos do mesmo modo: o vinho seria o mesmo na boca do doente e na boca do homem são. Quem tem os dedos gretados, ou que os tem entorpecidos, encontraria na lança ou na espada que maneja uma rigidez semelhante à que o outro encontra. Os objetos externos rendem-se então à nossa mercê; alojam-se em nós como nos apraz. Ora, se da nossa parte recebêssemos alguma coisa sem alteração, se as faculdades humanas fossem bastante capazes e firmes para apreender a verdade pelos nossos próprios meios, esses meios sendo comuns a todos os homens, essa verdade se transmitiria de mão em mão de um para outro. E pelo menos se encontraria uma coisa no mundo, entre tantas que há, que seria acreditada pelos homens por um consenso universal. Mas o facto de não se ver proposição alguma que não seja debatida e controversa entre nós, ou que não o possa ser, mostra bem que o nosso julgamento natural não apreende muito claramente aquilo que apreende; pois o meu julgamento não pode fazer com que isso seja aceite pelo julgamento do meu companheiro,

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Imitadores

Os homens n√£o descendem dos macacos, mas desenvolvem todos os esfor√ßos para o fazer crer. O pecado original aproximou-nos dos animais e toda a alma √©, de uma maneira ou de outra, uma crestomia zool√≥gica. O que Dante diz das ovelhas – ¬ęe o que uma faz primeiro as outras imitam¬Ľ – poder-se-ia aplicar a quase todos n√≥s.
Desde que Ad√£o resolveu imitar Eva e mordeu o fruto, somos, a despeito da nossa ilus√£o em contr√°rio, uma sucess√£o infinita de c√≥pias. Um √ļnico cunho – em regra, chamado g√©nio – basta para imprimir milhares e milhares daquelas moedas vulgares que circulam pela Terra. E o g√©nio nem sempre se liberta da servid√£o universal da imita√ß√£o. Toda a vida √© um mosaico de pl√°gios.
A maioria imita por preguiça, para se poupar o trabalho de procurar e inventar, ou por prudência, que aconselha os caminhos percorridos e as experiências coroadas de êxito. Compreende-se que a humildade, embora rara, leve naturalmente quem a possui a imitar aqueles que reconhece superiores, mas a própria soberba, que deveria afastar da repetição, torna-nos macacos. Se viver é distinguir-se, o orgulhoso deveria providenciar para não se parecer com ninguém. Mas a inveja, sob a sonante designação da emulação,

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A Companhia do Amor

O que eu sinto n√£o seria para si uma coisa nova de que necessitasse uma clara afirma√ß√£o; √© o mesmo que eu sentia quando passe√°vamos ambos nas areias da Costa Nova. Ou antes, n√£o √© o mesmo sentimento: √© outro mais belo, mais completo; porque tendo, apesar de tudo, ficado comigo, desde que nos separ√°mos, e tendo sido o doce e fiel companheiro da minha vida desde ent√£o – esse sentimento penetrou-me de um modo mais absoluto e mais absorvente, exaltou-se e idealizou-se, e de tal sorte me invadiu todo que eu cheguei a n√£o ter pensamento, ideia, esperan√ßa, plano, a que n√£o estivesse misturada a sua imagem. E na Costa Nova ainda n√£o era assim. Dizer porque √© que eu, apesar de tudo, insistia em pensar em si, n√£o sei. O facto de n√£o serem dependentes da vontade os movimentos do cora√ß√£o n√£o √© uma suficiente explica√ß√£o: porque eu podia resistir √† importunidade desta ideia, e em lugar disso abandonava-me a ela como √† minha √ļnica alegria. Devo portanto concluir que havia um pressentimento latente, uma vaga quase certeza, uma f√© secreta de que a afinidade que existe entre as nossas naturezas se viria um dia a manifestar apesar de tudo,

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A Acção Mais Degradada

A ac√ß√£o mais degradada √© a daquele que n√£o age e passa procura√ß√£o a outrem para agir – a dos frequentadores dos espect√°culos de luta e a dos consumidores da literatura de viol√™ncia. Ser her√≥i e atrav√©s de outrem, ser corajoso em imagina√ß√£o, √© o limite extremo da ac√ß√£o gratuita, do orgulho ou da vaidade que n√£o ousa. Corre-se o risco sem se correr, experi¬≠menta-se como se se experimentasse, colhe-se o prazer do triunfo sem nada arriscar. E √© por isso que os fIlmes de guerra, do hero√≠smo policial, de espionagem, t√™m de acabar bem. Por¬≠que o que a√≠ se procura √© justamente o sabor do triunfo e n√Ęo apenas do risco. O gosto do risco procura-o o her√≥i real, o jogador que pode perder. Mas o espectador da sua luta, degra¬≠dado na sedu√ß√£o da ac√ß√£o, acentua a sua mediocridade no n√£o poder aceitar a derrota, no fingir que corre o risco mesmo em fic√ß√£o, mas com a certeza pr√©via de que o risco √© vencido. O que ele procura √© a pequena lisonja √† sua vaidade pequena, a figura√ß√£o da coragem para a sua cobardia, e s√≥ a vit√≥ria do her√≥i a quem passou procura√ß√£o o pode lisonjear.
E se o herói morre em grandeza,

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A Felicidade Est√° Fora da Nossa Realidade

O amoroso apaixonado j√° n√£o vive em si, mas no que ama; quanto mais se afasta de si para se fundir no seu amor, mais feliz se sente. Assim, quando a alma sonha em fugir do corpo e renuncia a servir-se normalmente dos seus org√£os, podeis dizer com raz√£o que ele enlouquece. As express√Ķes correntes n√£o querem dizer outra coisa: ¬ęN√£o est√° em si… Volta a ti… Ele voltou a si.¬Ľ E quanto mais perfeito √© o amor, maior a loucura e mais feliz.
Quem ser√°, pois, essa vida no C√©u, √† qual aspiram t√£o ardentemente as almas piedosas? O esp√≠rito, mais forte e vitorioso, absorver√° o corpo; isto ser√° tanto mais f√°cil quanto mais purificado e extenuado tiver sido o corpo durante a vida. Por sua vez, o esp√≠rito ser√° absorvido pela suprema Intelig√™ncia, cujos poderes s√£o infinitos. Assim se encontrar√° fora de si mesmo o homem inteiro e a √ļnica raz√£o da sua felicidade ser√° de n√£o mais se pertencer, mas de submeter-se a este soberano inef√°vel, que tudo atrai a si.
Uma tal felicidade, é certo, só poderá ser perfeita no momento em que as almas, dotadas de imortalidade, retomem os antigos corpos. Mas, como a vida dos piedosos não é mais do que a meditação sobre a eternidade e como que a sombra dela,

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Não se Consegue ser Exterior à Nossa Própria Indiferença

A dificuldade da exist√™ncia estava precisamente neste problema concreto: por diversas vezes Walser se vira, ao longe, alegre, e tamb√©m de longe observara a sua pr√≥pria tristeza ou irrita√ß√£o. Nada de mais. Mas o que nunca conseguira era ser exterior √† indiferen√ßa; ser exterior a si nos momentos, in√ļmeros, em que se encontrava neutro face √†s coisas, inerte e em estado de espera perante a possibilidade de um acto ou do seu contr√°rio. Quanto mais intensidade existia no corpo, mais f√°cil era afastar-se, ser testemunha de si pr√≥prio. As dificuldades de observa√ß√£o privilegiada, de uma exist√™ncia que lhe pertencia, surgiam assim, de um modo extremo, quando a intensidade dos sentimentos era quase nula. Se ele j√° l√° n√£o estava ‚Äď na exist√™ncia ‚Äď como se poderia ainda afastar mais?

Mas o que era concretamente este l√°, este outro s√≠tio que por vezes parecia ser o seu centro outras vezes o seu oposto? Sobre a localiza√ß√£o geral desse l√°, Walser n√£o tinha d√ļvidas: era o c√©rebro. Era ali que tudo se passava ou que tudo o que se passava era observado. Ali fazia, e ali via-se a fazer. Como qualquer louco normal, pensou Walser, e sorriu da f√≥rmula.

Gonçalo M.

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Distinguem-se quatro tipos de temperamento: o de quem é fácil de provocar e fácil de pacificar Рesse ganha o que perde; o de quem é difícil de provocar e difícil de pacificar Рesse perde o que ganha; o de quem é difícil de provocar e fácil de pacificar Рesse é um santo; o de quem é fácil de provocar e difícil de pacificar Рesse é um perverso.

Poupar a Vontade

Em compara√ß√£o com o comum dos homens, poucas coisas me atingem, ou, dizendo melhor, me prendem; pois √© razo√°vel que elas atinjam, contanto que n√£o nos possuam. Tenho grande zelo em aumentar pelo estudo e pela reflex√£o esse privil√©gio de insensibilidade, que em mim √© naturalmente muito saliente. Desposo – e consequentemente me apaixono por – poucas coisas. A minha vis√£o √© clara, mas detenho-a em poucos objectos; a sensibilidade, delicada e male√°vel. Mas a apreens√£o e aplica√ß√£o, tenho-a dura e surda: dificilmente me envolvo. Tanto quanto posso, emprego-me todo em mim; por√©m mesmo nesse objecto eu refrearia e suspenderia de bom grado a minha afei√ß√£o para que ela n√£o se entregasse por inteiro, pois √© um objecto que possuo por merc√™ de outr√©m e sobre o qual a fortuna tem mais direito do que eu. De maneira que at√© a sa√ļde, que tanto estimo, ser-me-ia preciso n√£o a desejar e n√£o me dedicar a ela t√£o desenfreadamente a ponto de achar insuport√°veis as doen√ßas. Devemos moderar-nos entre o √≥dio e o amor √† voluptuosidade; e Plat√£o receita um caminho mediano de vida entre ambos.
Mas √†s paix√Ķes que me distraem de mim e me prendem alhures, a essas certamente me oponho com todas as minhas for√ßas.

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A Pr√°tica Fomenta a Vontade

Se desejamos tornar-nos fortes, temos, primeiro, de comprender o que √© a vontade. A vontade n√£o √© nenhuma entidade m√≠stica, que presida aos outros elementos do car√°cter, qual mestre de banda – sim, a soma, a subst√Ęncia de todos os nossos impulsos e disposi√ß√Ķes. Essa energia formadora do car√°cter n√£o tem senhor a quem obede√ßa al√©m de si pr√≥pria; e √© gra√ßas a ela que algum poderoso impulso pode vir a dominar e unificar o complexo. Isto forma a ¬ęfor√ßa de vontade¬Ľ – um supremo desejo que se ergue acima dos mais para arrast√°-los num mesmo sentido ou para uma dada meta. Se n√£o descobrimos essa meta n√£o alcan√ßaremos a unidade – e seremos simples pedra de que outro homem se utiliza nas suas constru√ß√Ķes.
Vem daí a inutilidade da leitura de livros que apontam as estradas reais do carácter. Tenho diante de mim um volume de um tal Leland (Londres, 1912), intitulado Tendes a Vontade Forte? ou Como Desenvolver Qualquer Faculdade do Espírito pelo Fácil Processo do Auto-Hipnotismo. Existem centenas destas obras-primas ao alcance dos simplórios de todas as cidades. Mas o caminho é mais penoso e longo.
Esse caminho é o caminho da vida. Vontade, isto é,

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As Mulheres S√£o Mais Fortes

Para começar, gosto das mulheres. Acho que elas são mais fortes, mais sensíveis e que têm mais bom senso que os homens. Nem todas as mulheres do mundo são assim, mas digamos que é mais fácil encontrar qualidades humanas nelas do que no género masculino. Todos os poderes políticos, económicos, militares são assunto de homens. Durante séculos, a mulher teve de pedir autorização ao seu marido ou ao seu pai para fazer fosse o que fosse.

Um Segredo de um Casamento Feliz

Desde que a Maria João e eu fizemos dez anos de casados que estou para escrever sobre o casamento. Depois caí na asneira de ler uns livros profissionais sobre o casamento e percebi que eu não percebo nada sobre o casamento.

Confesso que a minha ambição era a mais louca de todas: revelar os segredos de um casamento feliz. Tendo descoberto que são desaconselháveis os conselhos que ia dar, sou forçado a avisar que, quase de certeza, só funcionam no nosso casamento.

Mas vou dá-los à mesma, porque nunca se sabe e porque todos nós somos muito mais parecidos do que gostamos de pensar.

O casamento feliz n√£o √© nem um contrato nem uma rela√ß√£o. Rela√ß√Ķes temos n√≥s com toda a gente. √Č uma cria√ß√£o. √Č criado por duas pessoas que se amam.

O nosso casamento √© um filho. √Č um filho inteiramente dependente de n√≥s. Se n√≥s nos separarmos, ele morre. Mas n√£o deixa de ser uma terceira entidade.

Quando esse filho é amado por ambos os casados Рque cuidam dele como se cuida de um filho que vai crescendo -, o casamento é feliz. Não basta que os casados se amem um ao outro.

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A Minha Família é a Minha Casa

A solid√£o absoluta √© n√£o ter ningu√©m a quem dizer um simples: ‚Äútenho vontade de chorar‚ÄĚ. N√£o precisamos de muito para viver bem ‚Äď para ser feliz basta uma fam√≠lia e pouco mais.

A fam√≠lia √© a casa e a paz. O ref√ļgio onde uma vontade de chorar n√£o √© motivo de julgamento, apenas e s√≥ uma necessidade s√ļbita de… fam√≠lia. De um equil√≠brio para o qual o outro √© essencial… assim tamb√©m se passa com a vontade de sorrir que, em fam√≠lia, se contagia apenas pelo olhar.

Nos dias de hoje vai sendo cada vez mais dif√≠cil encontrar gente capaz de ser fam√≠lia. Os ego√≠smos abundam e cultiva-se, sozinho, o individual. Como se n√£o houvesse espa√ßo para o amor. Dizem que amar √© arriscado, que √© coisa de loucos…
Todos temos sentimentos mais profundos. Cada um de n√≥s √© uma unidade, mas o que somos passa por sermos mais do que um. Parte de unidades maiores. Estamos com quem amamos e quem amamos tamb√©m est√°, de alguma forma, connosco. O amor √© o que existe entre n√≥s e nos enla√ßa os sentimentos mais profundos. Onde uma vontade de chorar √© um sinal de que h√° algo em mim que √© maior do que eu…

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√Čs como o Ar que Respiro

Qual √© a for√ßa extraordin√°ria que possuis? ‚ÄĒ pergunto muitas vezes a mim mesmo. Dois ou tr√™s princ√≠pios crist√£os inabal√°veis ‚ÄĒ e por tr√°s milhares de seres que desapareceram ignorados, cumprindo a vida ignorada. Nem sequer se debateram. Entregaram-se. Confiaram. A mulher portuguesa comunica ao lar a ternura com que os p√°ssaros aquecem o ninho. Sua vida d√° luz, para alumiar os outros. Foi assim com t√£o pequenos meios, que me ensinaste. Com uma palavra e mais nada, com um simples olhar, com sil√™ncio e mais nada. Uma atitude fazia-me pensar. E mal sabes tu quando Os teus dedos √°geis trabalhavam a meu lado, teciam ao mesmo tempo o pano grosso de casa e a nossa vida espiritual.

E como tu milhares de seres t√™em cumprido a vida em sil√™ncio, aceitando-a sem exageros. Nas m√£os das mulheres at√© as coisas vulgares que se fazem na aldeia, cozer o p√£o, lan√ßar a teia ‚ÄĒ assumem um car√°cter sagrado. Elas passam desconhecidas e disp√Ķem dum poder extraordin√°rio. Mant√™em a vida ordenada com um sorriso t√≠mido. A mulher est√° mais perto que n√≥s da natureza e de Deus.

Cada vez me aproximo mais de ti. O que h√° de puro em mim a ti o devo.

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O Preço do Amor

N√£o √© f√°cil estar apaixonado por uma mulher e fazer alguma coisa de jeito. √Čs devorado pela ansiedade. N√£o conv√©m deixares-te embei√ßar por uma mulher que se mostre dif√≠cil de conquistar, isso e como passar o resto da vida a tentar escalar o Everest. Escolhe uma mulher que possas conservar sem muito esfor√ßo. Quanto a mulheres boas, podemos compr√°-las. Por meia d√ļzia de euros, arranjas uma russa de dezoito anos, dessas que nem nos filmes se veem. Fodes, pagas e regressas a casa para jantar com a fam√≠lia, com a tua mulher, que cozinha bem e fode mal, mas que n√£o lhe passa pela cabe√ßa separar-se de ti, entre outras coisas porque ningu√©m a olha com particular interesse. Ela vai √†s reuni√Ķes de pais na escola, controla as AMPAS, as APLAS, todas essas associa√ß√Ķes que nem sei como se chamam, esses servi√ßos, esse jarg√£o, esse lixo social-democrata que os do PP copiam com entusiasmo porque soa a fam√≠lia moderna e feliz, e tamb√©m um pouco a Opus Dei, e mete os mi√ļdos na ordem e sabe escolher o detergente mais eficaz no Mercadona e o melhor queijo e o melhor foie gras de fabrico pr√≥prio da charcutaria. Passa-te as camisas a ferro e cose-te os bot√Ķes.

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√Č Mais F√°cil Sustentar uma Opini√£o M√°, do que Escolher uma Boa

√Č mais f√°cil sustentar uma opini√£o m√°, do que escolher uma boa; porque o erro √© como um edif√≠cio, cuja f√°brica exterior √© composta de uma infinidade de √Ęngulos; com algum destes encontra-se o pensamento facilmente, porque s√£o muitos, ao passo que o acerto √© como um ponto fixo no meio de uma esfera; o pensamento que anda vagando √† roda, n√£o v√™ o ponto, porque este √© s√≥ um; do mesmo corpo nasce a sombra que o encobre: s√£o inumer√°veis as linhas, que se podem lan√ßar de uma circunfer√™ncia para um centro comum; alguma linha h√°-de ver-se, porque s√£o muitas, e o centro n√£o, porque √© √ļnico: a superf√≠cie do globo impede o poder ver-se a sua concavidade; ou se h√°-de ver uma coisa, ou outra; ambas ao mesmo tempo n√£o pode ser.

Perguntas e Respostas

‚ÄĒ Qual √© a coisa mais antiga do mundo?
‚ÄĒ Poderia dizer que √© Deus que sempre existiu.
‚ÄĒ Qual √© a coisa mais bela?
‚ÄĒ O instante de inspira√ß√£o.
‚ÄĒ E Deus quando criou o Universo n√£o o fez no momento de Sua maior inspira√ß√£o?
‚ÄĒ O Universo sempre existiu. O cosmos √© Deus.
‚ÄĒ Qual das coisas √© a maior?
‚ÄĒ O amor, que √© o maior dos mist√©rios.
‚ÄĒ Das coisas qual √© a mais constante?
‚ÄĒ O medo. Que pena que eu n√£o possa responder: √© a esperan√ßa.
‚ÄĒ Qual o melhor dos sentimentos?
‚ÄĒ O de amar e ao mesmo tempo ser amada, o que parece apenas um lugar-comum mas √© uma de minhas verdades.
‚ÄĒ Qual √© o sentimento mais r√°pido?
‚ÄĒ O sentimento mais r√°pido, que chega a ser apenas um fulgor, √© o instante em que um homem e uma mulher sentem um no outro a promessa de um grande amor.
‚ÄĒ Qual √© a mais forte das coisas?
‚ÄĒ O instinto de ser.
‚ÄĒ O que √© mais f√°cil de se fazer?
‚ÄĒ Existir,

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