Textos sobre Discuss√£o

48 resultados
Textos de discussão escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

Fica longe das discuss√Ķes e evitar√°s o pecado, porque o homem col√©rico ati√ßa a discuss√£o

Fica longe das discuss√Ķes e evitar√°s o pecado, porque o homem col√©rico ati√ßa a discuss√£o.

O Desejo de Discutir

Se as discuss√Ķes pol√≠ticas se tornam facilmente in√ļteis, √© porque quando se fala de um pa√≠s se pensa tanto no seu governo como na sua popula√ß√£o, tanto no Estado como na no√ß√£o de Estado enquanto tal. Pois o Estado como no√ß√£o √© uma coisa diferente da popula√ß√£o que o comp√Ķe, igualmente diferente do governo que o dirige. √Č qualquer coisa a meio caminho entre o f√≠sico e o metaf√≠sico, entre a realidade e a ideia.
√ą a esse g√©nero de estirilidade que est√£o geralmente condenadas, tal como acontece com as discuss√Ķes pol√≠ticas, as que incidem sobre a religi√£o, pois a religi√£o pode ser sin√≥nima de dogmas, ou de ritual, ou referir-se a posi√ß√Ķes pessoais do indiv√≠duo sobre quest√Ķes ditas eternas, o infinito e a eternidade, problemas do livre arb√≠trio e da responsabilidade ou, como se diz tamb√©m: Deus.
E o mesmo acontece com as discuss√Ķes que t√™m a ver com a maior parte dos assuntos abstractos, sobretudo a √©tica e os temas filos√≥ficos, mas tamb√©m com campos de an√°lise mais restritos, incidindo sobre os problemas mais imediatos, como por exemplo o socialismo, o capitalismo, a aristocracia, a democracia, etc…, em que as no√ß√Ķes s√£o tomadas tanto no sentido amplo como no restrito,

Continue lendo…

As M√°ximas e as Interpreta√ß√Ķes

Quem quer discutir ou contradizer máximas, devia ser capaz de as observar com toda a clareza e, depois, ser capaz de manter a discussão dentro dos limites dessa clareza, para não se dar o caso de andar a lutar com falsas imagens da sua própria invenção.
A obscuridade de certas máximas é meramente relativa; nem tudo o que é luminoso para quem pratica o género tem que ser tornado distinto perante o ouvinte.
Há muito ditos dos antigos que cuidamos de repetir constantemente e que tinham uma significação muito diferente daquela que depois se pretendeu atribuir-lhes.
Quem quiser acusar um autor de ser obscuro devia começar por observar a sua própria interioridade para verificar se encontra nela clareza suficiente. Na penumbra, um texto muito claro torna-se ilegível.

Pais Aprisionados

As crian√ßas tornaram-se uma arma de arremesso √† medida de quase tudo. Justificam as discuss√Ķes entre marido e mulher, justificam a falta de generosidade para com o pr√≥ximo, justificam a indisponibilidade e a inac√ß√£o em geral – e no fim, em muitos casos (…), ainda nos absolvem pelo fracasso a que, pulverizados os sonhos da inf√Ęncia, os objectivos da juventude e as agendas da primeira idade adulta, nos vemos a certa altura obrigados a resumir o balan√ßo das nossas vidas. E talvez haja, afinal, uma certa racionalidade no cosmos. Talvez haja uma raz√£o para nunca, at√© hoje, n√≥s n√£o termos tido filhos, eu e outros como eu. Talvez nenhum de n√≥s esteja ainda pronto para resistir √† inevit√°vel tenta√ß√£o de transformar os filhos num desmentido oficial para a nossa frustra√ß√£o. Talvez, no dia em que os tivermos, estejamos j√° preparados para conter o impulso de culp√°-los por essa frustra√ß√£o. E talvez sejamos n√≥s, enfim, os primeiros a fugir √† inclina√ß√£o para considerar que a nossa vida apenas come√ßou no dia em que come√ßou a vida dos nossos filhos. At√© porque, disto tenho eu a certeza, filhos de pais cuja mem√≥ria alcan√ßa para al√©m do dia do primeiro parto resultam sempre em adultos mais saud√°veis,

Continue lendo…

A Origem do Medo

A condição psicológica do medo está divorciada de qualquer perigo concreto e real. Surge sob diversas formas: desconforto, preocupação, ansiedade, nervosismo, tensão, temor, fobia, etc. Este tipo de medo psicológico é sempre algo que poderá acontecer e não algo que esteja a acontecer no momento. O leitor está aqui e agora, enquanto a sua mente se encontra no futuro. Este facto gera um hiato de ansiedade. Além disso, se o leitor se identificar com a sua mente e tiver perdido o contacto com o poder e a simplicidade do Agora, esse hiato de ansiedade acompanhá-lo-á constantemente.

A pessoa pode sempre lidar com o momento presente, mas não o consegue fazer com algo que é apenas uma projeção mental Рnão é possível lidar com o futuro.
E enquanto o leitor se identifica com a sua mente, o ego comanda a sua vida. Devido à natureza ilusória que lhe é característica e apesar dos mecanismos de defesa elaborados, o ego torna-se muito vulnerável e inseguro, vendo-se a si próprio constantemente sob ameaça. Este facto, a propósito, é o que acontece, mesmo que por fora o ego pareça muito confiante. Agora lembre-se de que uma emoção é a reação do corpo à mente.

Continue lendo…

Entender, mais pelo Sentir que pela Raz√£o

Uma verdade só o é quando sentida Рnão quando apenas entendida. Ficamos gratos a quem no-la demonstra para nos justificarmos como humanos perante os outros homens e entre eles nós mesmos. Mas a força dessa verdade está na força irrecusável com que nos afirmamos quem somos antes de sabermos porquê.
Assim nos é necessário estabelecer a diferença entre o que em nós é centrífugo e o que apenas é centrípeto. Nós somos centrifugamente pela irrupção inexorável de nós com tudo o que reconhecido ou não Рe de que serve reconhecê-lo ou não? Рcomo centripetamente provindo de fora, se nos recriou dentro no modo absoluto e original de se ser.
S√≥ assim entenderemos que da ¬ędiscuss√£o¬Ľ quase nunca nas√ßa a ¬ęluz¬Ľ, porque a luz que nascer √© normalmente a de duas pedras que se chocam. Da discuss√£o n√£o nasce a luz, porque a luz a nascer seria a que iluminasse a obscuridade de n√≥s, a profundeza das nossas sombras profundas.
Decerto uma ideia que nos semeiem pode germinar e por isso as ideias √© necess√°rio que no-las semeiem. Mas a sua fertilidade n√£o est√° na nossa m√£o ou na estrita qualidade da ideia semeada, porque o que somos profundamente s√≥ se altera quando isso que somos o quer –

Continue lendo…

Dialogar em Vez de Discutir

Est√° o casal aos gritos, est√£o os pol√≠ticos aos berros… E comenta-se a prop√≥sito: “√Č preciso discutir para chegar a algum lado, da discuss√£o nasce a luz”. Bem, a verdade √© que n√£o se v√™ nada. S√≥ quando sou capaz de ouvir, quando sinceramente admito que o outro pode ter raz√£o ou parte dela, √© que posso come√ßar a ver. √Č isso que acontece? Deus queira… Discutir √© querer ganhar. Dialogar √© procurar a verdade com o que h√° de bom em cada um.

(

A Hist√≥ria do Romance n√£o √© ¬ęapenas¬Ľ a hist√≥ria do romance

A discuss√£o sobre um romance √© arriscada e limitada quando parte de um can√īne puramente est√©tico. Porque n√£o √© um can√īne est√©tico a ter em conta: √© um can√īne de vida. Uma obra de arte julga-se em fun√ß√£o do que o autor oretende – n√£o do que pretendemos n√≥s. Se queremos p√ī-la em causa, discutamos a pretens√£o antes do que ela realizou. Assim √© pouco eficaz a discuss√£o do ¬ęnovo romance¬Ľ franc√™s antes de nos perguntarmos porque √© que tomou tal caminho. Porque tal caminho implica uma nega√ß√£o radical (em alguns escritores, pelo menos) dos valores da inteligibilidade, da coer√™ncia, do pr√≥prio homem enfim. A hist√≥ria da ¬ępersonagem¬Ľ, como certos cr√≠ticos, ali√°s, j√° frisaram, tem agora o seu tr√°gico remate na destrui√ß√£o dessa mesma personagem. Mas que a nega√ß√£o de um significado para a presen√ßa do homem no mundo que o rodeia √© uma nega√ß√£o paradoxal, prova-o n√£o apenas o facto de o romancista ordenar a vis√£o do mundo ¬ęnessa¬Ľ perspectiva (e essa √© uma contradi√ß√£o, como o √© o cepticismo absoluto) como o prova ainda a obra de certos romancistas (digamos a de um Butor, na anota√ß√£o de um Merleau-Ponty) para quem o ¬ęobjecto¬Ľ se impregna da presen√ßa do homem.

Continue lendo…

Preciso de Ti

O amor é bem capaz de ser a melhor maneira de nos encontrarmos connosco.
Preciso de ti para saber de mim.
Sei-o sempre que por minutos parece que vou perder-te, numa discussão das que vamos tendo. Discutir é abrir a válvula do amor, deixá-lo respirar, sangrá-lo para poder regressar à estrada. Nenhum amor aguenta sem sangrar.
Preciso de ti para pensar em mim.
Sei-o porque quando parece que vais eu vou também, deixo de saber quem sou, como sou. Para onde vou.
Preciso de ti para precisar de mim.
E os que não me entendem que vão para o raio que os parta. Os que dizem que isto não é nada recomendável, que isto não devia ser assim, que eu devia ser capaz de ser o que sou sem precisar de ti. Infelizes.
Preciso de ti para cuidar de mim.
O amor é bem capaz de ser precisar do outro para cuidarmos de nós.
E eu cuido-me. Quero estar viva para te poder amar. Conheces melhor motivo do que esse? √Č claro que amo os meus pais, a minha fam√≠lia toda, os meus gatos, aquilo que a vida me tem dado.

Continue lendo…

Da Conversa

H√° quem, na conversa, prefira mostrar esp√≠rito brilhante, e ser capaz de sustentar todos os argumentos, a exercer o ju√≠zo no discernimento da verdade, como se houvesse maior m√©rito em saber o que pode ser dito, do que em conhecer o que deve ser pensado, alguns t√™m certos lugares comuns e certos temas em que se mostram bons conversadores, mas s√£o falhos na variedade; esta esp√©cie de indig√™ncia √© quase sempre aborrecida, e de vez em quando rid√≠cula; a parte mais honrosa do col√≥quio consiste em dar ocasi√£o a novo tema, e tamb√©m em moderar ou acelerar a transi√ß√£o para assunto diferente; √© bom variar, mesclando o assunto de que se est√° a conversar com argumentos, narrativas com discuss√Ķes, perguntas com respostas, jocosidades com seriedades; h√°, por√©m, assuntos que n√£o permitem brincadeira, nomeadamente a religi√£o, os neg√≥cios do Estado, as altas personalidades, todas as quest√Ķes de import√Ęncia para as pessoas presentes, enfim, todos os casos dignos de d√≥.
Aquele que muito interrogar muito aprenderá também, muito contentará também, especialmente se adaptar as suas perguntas aos conhecimentos daqueles que lhe podem responder, pois assim lhes dará ocasião de se comprazerem a falar, e ele próprio continuará a ganhar conhecimentos; se por vezes fingirdes ignorar o que consta que sabeis,

Continue lendo…

Uma Discuss√£o nesta Santa Terra Portuguesa Acaba sempre aos Berros

N√£o h√° maneira. Por mais boa vontade que tenham todos, uma discuss√£o nesta santa terra portuguesa acaba sempre aos berros e aos insultos. Ningu√©m √© capaz de expor as suas raz√Ķes sem a convic√ß√£o de que diz a √ļltima palavra. E a desgra√ßa √© que a esta presun√ß√£o do esp√≠rito se junta ainda a nossa velha tend√™ncia apost√≥lica, que onde sente um n√°ufrago tem de o salvar. O resultado √© tornar-se imposs√≠vel qualquer colabora√ß√£o nas ideias, o alargamento da cultura e de gosto, e dar-se uma tr√°gica concentra√ß√£o de tudo na mesquinhez do individual.

A Inépcia é Pior que a Falsidade

Toda a gente pode falar com verdade; mas falar com ordem, com prud√™ncia e capazmente, poucos o podem. Por isso, a falsidade que vem da ignor√Ęncia n√£o me ofende; a in√©pcia, sim. Quebrei v√°rias negocia√ß√Ķes que me eram √ļteis, por causa da estupidez que punham nas discuss√Ķes aqueles com quem negociava. Nem uma vez por ano me irrito com as faltas dos meus subordinados; mas, no que respeita √† idiotice e teimosia das suas alega√ß√Ķes, √†s desculpas e defesas asininas e brutas, andamos todos os dias √†s turras. N√£o entendem nem o que se lhes diz nem a raz√£o das coisas e respondem na mesma; √© de desesperar.
S√≥ outra cabe√ßa √© capaz de impressionar fortemente a minha e acomodo-me melhor com os erros dos meus do que com a sua leviandade, impertin√™ncia e estupidez. Que fa√ßam menos, contanto que fa√ßam bem alguma coisa; vive-se na esperan√ßa de lhes excitar a vontade, mas de est√ļpidos n√£o h√° que esperar nem que lucrar coisa que valha.

A Arte da Conversação

O que faz com que poucas pessoas sejam agradáveis na conversação é que cada uma pensa mais no que tem a intenção de dizer do que naquilo que as outras dizem, e que não se escuta às demais quando se tem vontade de falar.
Para agradar aos outros √© preciso falar daquilo de que eles gostam e que os interessa, evitar as discuss√Ķes sobre coisas indiferentes, formular-lhes raramente perguntas e n√£o os deixar crer que se pretende ter mais raz√£o que eles.
Evitemos sobretudo falar frequentemente de nós mesmos e de nos darmos como exemplo. Nada é mais desagradável do que uma pessoa que se cita a si mesma a cada passo.

O Inconsciente

Nas discuss√Ķes sobre o inconsciente nas quais, contra todas as autoridades estabelecidas e reconhecidas, jamais cedo uma polegada de terreno, existe mais do que um problema de palavras. Que um mecanismo semelhante ao instinto dos animais nos fa√ßa muitas vezes falar e agir e em seguida pensar, isto √© conhecido e nem se discute. Mas trata-se de saber se o que sai assim das minhas entranhas, sem que eu o tenha composto, nem deliberado, √© uma esp√©cie de or√°culo, isto √©, um pensamento vindo das profundezas; ou se devo antes consider√°-lo como um movimento da natureza que n√£o tem mais sentido do que o movimento da folhagem do vento.

Da Existência de Deus

Os argumentos relativos ao problema da exist√™ncia de Deus t√™m sido viciados, quando positivos, pela circunst√Ęncia de frequentemente se querer demonstrar, n√£o a simples exist√™ncia de Deus, sen√£o a exist√™ncia de determinado Deus, isto √©, dum Deus com determinados atributos. Demonstrar que o universo √© efeito de uma causa √© uma coisa; demonstrar que o universo √© efeito de uma causa inteligente √© outra coisa; demonstrar que o universo √© efeito de uma causa inteligente e infinita √© outra coisa ainda; demonstrar que o universo √© efeito de uma causa inteligente, infinita e ben√©vola outra coisa mais. Importa, pois, ao discutirmos o problema da exist√™ncia de Deus, nos esclare√ßamos primeiro a n√≥s mesmos sobre, primeiro, o que entendemos por Deus; segundo, at√© onde √© poss√≠vel uma demonstra√ß√£o.
O conceito de Deus, reduzido √† sua abstra√ß√£o definidora, √© o conceito de um criador inteligente do mundo. O ser interior ou exterior a esse mundo, o ser infinitamente inteligente ou n√£o ‚ÄĒ s√£o conceitos atribut√°rios. Com maior for√ßa o s√£o os conceitos de bondade, e outros assim, que, como j√° notamos t√™m andado misturados com os fundamentais na discuss√£o deste problema.
Demonstrar a existência de Deus é, pois, demonstrar, (1) que o universo aparente tem uma causa que não está nesse universo aparente como aparente (2) que essa causa é inteligente,

Continue lendo…

Descer ao Nível do Outro

Há certas pessoas de certo estofo ou carácter com as quais nunca nos devemos meter, das quais não nos devemos queixar senão o menos que pudermos, contra as quais não é permitido termos razão.
Entre duas pessoas que tiveram uma violenta discussão, na qual uma tem razão e a outra não, o que a maior parte das pessoas que assistiram à discussão nunca deixam de fazer, para se dispensarem de julgar, ou por temperamento que sempre me pareceu deslocado, é condenar os dois: lição importante, motivo urgente e indispensável para fugir a oriente quando o tolo está no ocidente, a fim de evitar dividir com ele o mesmo agravo.

De Palavras Está o País Farto

Governe-se com o parlamento, √© esse o meu maior desejo, mas para isso √© necess√°rio que ele tamb√©m fa√ßa alguma coisa. √Č preciso obras e n√£o palavras. De palavras, bem o sabemos, est√° o Pa√≠s farto. N√£o quer discuss√Ķes pol√≠ticas das quais pouco ou nenhum bem lhe vir√°, o que quer √© que se discuta administra√ß√£o, que se discutam medidas que lhe sejam √ļteis. Assim poder√° o Pa√≠s interessar-se pelo parlamento; com discuss√Ķes de mera pol√≠tica, interessar√° os amadores de esc√Ęndalos v√°rios, esses sim, mas far√° com que a parte sensata e trabalhadora do Pa√≠s se desinteresse por completo daquilo que para nada lhe servir√°. Por estes motivos √© que eu acho in√ļtil para n√£o dizer… perniciosa, uma nova abertura do parlamento.

A Ira n√£o Escolhe Idade nem Estatuto Social

A ira n√£o escolhe idade nem estatuto social. Algumas pessoas, gra√ßas √† sua indig√™ncia, n√£o conhecem a lux√ļria; outros, porque t√™m uma vida movimentada e errante, escapam √† pregui√ßa; aqueles que t√™m modos rudes e uma vida r√ļstica desconhecem as pris√Ķes, as fraudes e todos os males da cidade: mas ningu√©m est√° livre da ira, t√£o poderosa entre os Gregos como entre os b√°rbaros, t√£o funesta entre aqueles que temem as leis como entre aqueles que se regem pela lei da for√ßa. Assim, se outras afec√ß√Ķes atacam os indiv√≠duos, a ira √© a √ļnica afec√ß√£o que, por vezes, se apodera de um povo inteiro. Nunca um povo inteiro ardeu de amor por uma mulher, nem uma cidade inteira depositou toda a sua esperan√ßa no dinheiro e no lucro; a ambi√ß√£o apossa-se de indiv√≠duos, a imodera√ß√£o n√£o √© um mal p√ļblico.
Por vezes, uma multid√£o inteira √© conduzida √† ira: homens e mulheres, velhos e novos, os principais cidad√£os e o vulgo s√£o un√Ęnimes, e toda a multid√£o agitada por algumas palavras sobrep√Ķe-se ao pr√≥prio agitador: corre a pegar em armas e tochas e declara guerra ao seu vizinho e f√°-la contra os seus concidad√£os; casas inteiras s√£o queimadas com toda a fam√≠lia e aquele cuja eloqu√™ncia lhe granjeara muitos benef√≠cios √© eliminado pela ira que as suas palavras geraram;

Continue lendo…

De que Serve Discutir as Ideologias?

Para compreendermos o homem e as suas necessidades, para o conhecermos naquilo que ele tem de essencial, n√£o precisamos de p√īr em confronto as evid√™ncias das nossas verdades. Sim, t√™m raz√£o. T√™m todos raz√£o. A l√≥gica demonstra tudo. Tem raz√£o aquele que rejeita que todas as desgra√ßas do mundo recaiam sobre os corcundas. Se declararmos guerra aos corcundas, aprenderemos rapidamente a exaltar-nos. Vingaremos os crimes dos corcundas. E, sem d√ļvida, tamb√©m os corcundas cometem crimes.
A fim de tentarmos separar este essencial, √© necess√°rio esquecermos por um instante as divis√Ķes que, uma vez admitidas, implicam todo um Cor√£o de verdades inabal√°veis e o inerente fanatismo. Podemos classificar os homens em homens de direita e em homens de esquerda, em corcundas e n√£o corcundas, em fascistas e em democratas, e estas distin√ß√Ķes s√£o incontest√°veis.
Mas sabem que a verdade é aquilo que simplifica o mundo, e não aquilo que cria o caos. A verdade é a linguagem que desencadeia o universal.
Newton n√£o ¬ędescobriu¬Ľ uma lei h√° muito disfar√ßada de solu√ß√£o de enigma, Newton efectuou uma opera√ß√£o criativa. Instituiu uma linguagem de homem capaz de exprimir simultaneamente a queda da ma√ß√£ num prado ou a ascens√£o do sol.

Continue lendo…