Passagens de Eckhart Tolle

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Vive Plenamente

Vê se consegues apanhar-te a lamentar-te, quer por palavras quer por pensamentos, por causa de determinada situação em que te encontres, do que as outras pessoas fazem ou dizem, do teu meio envolvente, da situação da tua vida, ou até mesmo por causa do tempo. Uma lamentação é sempre uma não aceitação daquilo que é. E traz invariavelmente consigo uma carga negativa inconsciente. Quando te lamentas, tu próprio te fazes de vítima. Quando elevas a voz, estás no teu poder. Por isso muda a situação tomando providências, levantando a voz se for necessário ou possível; deixa a situação ou aceita-a. Tudo o mais é loucura.

De certa forma, a inconsci√™ncia ordin√°ria est√° sempre ligada √† recusa do Agora. O Agora, evidentemente, tamb√©m significa o aqui. Est√°s a resistir ao teu aqui e agora? H√° pessoas que s√≥ est√£o bem onde n√£o est√£o. O seu “aqui” nunca √© suficientemente bom. Atrav√©s da auto-observa√ß√£o, v√™ se √© esse o teu caso. Estejas onde estiveres, est√° l√° plenamente. Se achares que o teu aqui e agora √© intoler√°vel e te deixa infeliz, tens tr√™s op√ß√Ķes √† escolha: ou te retiras da situa√ß√£o, ou a mudas, ou a aceitas totalmente. Se quiseres tomar a responsabilidade pela tua vida,

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A Fonte da Harmonia

A boa disposi√ß√£o e a alegria de um c√£o, o seu amor incondicional pela vida e a prontid√£o dele para a celebrar a todo o momento contrasta muito com o estado de esp√≠rito do dono – deprimido, ansioso, sobrecarregado de problemas, perdido em pensamentos, ausente do √ļnico lugar e do √ļnico tempo que existe: o Aqui e o Agora. E uma pessoa interroga-se: vivendo com algu√©m assim, como consegue o c√£o manter-se t√£o equilibrado e s√£o, t√£o cheio de alegria?

Quando apreendemos a Natureza apenas através da mente, do pensamento, não somos capazes de sentir a sua força de viver e de existir. Vemos somente a parte física, a matéria, e não nos apercebemos da vida interior Рo mistério sagrado. O pensamento reduz a Natureza a uma mercadoria que se usa na busca de benefícios ou de conhecimento ou de qualquer outro fim utilitário. A floresta ancestral passa a ser vista apenas como madeira, o pássaro como um objecto de investigação, a montanha como alguma coisa para se explorar ou conquistar.

Quando se apreende a Natureza, deve-se permitir que hajam momentos sem pensamento, sem a intervenção da mente. Ao aproximarmo-nos da Natureza desta maneira, ela responde-nos e,

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Serenidade Desperta

Tenho tanta coisa para fazer. Pois, mas aquilo que faz, f√°-lo com qualidade? Conduzir at√© ao emprego, falar com os clientes, trabalhar no computador, fazer recados, lidar com os incont√°veis afazeres que preenchem a sua vida quotidiana – at√© que ponto √© que se entrega √†s coisas que faz? E realiza-as com entrega, sem resist√™ncia, ou, pelo contr√°rio, sem se entregar e resistindo √† ac√ß√£o? √Č isto que determina o sucesso na vida e n√£o a dose de esfor√ßo que se despende. O esfor√ßo implica stresse e desgaste f√≠sico, implica a necessidade absoluta de atingir um determinado objectivo ou de alcan√ßar um determinado resultado.

√Č capaz de detectar dentro de si at√© a mais pequena sensa√ß√£o de n√£o quererestar a fazer aquilo que est√° a fazer? Isso √© uma nega√ß√£o da vida e, desse modo, n√£o ser√° poss√≠vel obter resultados verdadeiramente bons.

Se for capaz de descobrir aquela sensa√ß√£o, ser√° que tamb√©m consegue abdicar dela e entregar–se completamente √†quilo que faz?

‚ÄúFazer uma coisa de cada vez”, foi assim que um Mestre Zen definiu o esp√≠rito da filosofia Zen.

Fazer uma coisa de cada vez significa estar nela por inteiro, concentrar nela toda a sua atenção.

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A Origem do Medo

A condição psicológica do medo está divorciada de qualquer perigo concreto e real. Surge sob diversas formas: desconforto, preocupação, ansiedade, nervosismo, tensão, temor, fobia, etc. Este tipo de medo psicológico é sempre algo que poderá acontecer e não algo que esteja a acontecer no momento. O leitor está aqui e agora, enquanto a sua mente se encontra no futuro. Este facto gera um hiato de ansiedade. Além disso, se o leitor se identificar com a sua mente e tiver perdido o contacto com o poder e a simplicidade do Agora, esse hiato de ansiedade acompanhá-lo-á constantemente.

A pessoa pode sempre lidar com o momento presente, mas não o consegue fazer com algo que é apenas uma projeção mental Рnão é possível lidar com o futuro.
E enquanto o leitor se identifica com a sua mente, o ego comanda a sua vida. Devido à natureza ilusória que lhe é característica e apesar dos mecanismos de defesa elaborados, o ego torna-se muito vulnerável e inseguro, vendo-se a si próprio constantemente sob ameaça. Este facto, a propósito, é o que acontece, mesmo que por fora o ego pareça muito confiante. Agora lembre-se de que uma emoção é a reação do corpo à mente.

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Perceba em profundidade que o momento presente √© tudo o que alguma vez ter√°. Torne o Agora no foco principal da sua mente. Enquanto anteriormente o leitor vivia no tempo e fazia breves visitas ao Agora, neste momento fa√ßa dele o lugar onde habita e preste breves visitas ao passado e ao futuro quando for necess√°rio para lidar com os aspectos pr√°ticos da sua situa√ß√£o. Diga sempre ¬ęsim¬Ľ ao momento presente.

Desistir de Querer Entender Tudo

H√° momentos em que todas as respostas e explica√ß√Ķes falham. Nesses casos, a vida deixa de fazer sentido. Ou, ent√£o, n√£o sabemos mais o que dizer ou fazer quando algu√©m em afli√ß√£o vem pedir-nos ajuda.
Ao aceitar completamente que n√£o se tem explica√ß√Ķes para tudo, desiste-se da luta para encontrar respostas atrav√©s da mente racional e limitada, e √© nessa altura que uma intelig√™ncia superior pode operar atrav√©s de n√≥s. Ent√£o, at√© mesmo a mente pode beneficiar com essa interven√ß√£o, uma vez que a intelig√™ncia superior aflui para o pensamento e inspira-o.
Por vezes, a entrega significa desistir de querer entender e aprender a conviver bem com o facto de n√£o se saber tudo.

Enquanto se identificar com a sua mente, o ego comanda a sua vida. Devido à natureza ilusória que lhe é característica e apesar dos mecanismos de defesa elaborados, o ego torna-se muito vulnerável e inseguro, vendo-se a si próprio constantemente sob ameaça. Este facto, a propósito, é o que acontece, mesmo que por fora o ego pareça muito confiante.

A Vida Acontece Agora

Identificar-se com a mente √© ser aprisionado no tempo: a compuls√£o de viver quase exclusivamente das recorda√ß√Ķes e por antecipa√ß√£o. Esta situa√ß√£o gera uma preocupa√ß√£o intermin√°vel com o passado e com o futuro e uma falta de vontade de dignificar e reconhecer o momento presente e permitir que este seja. A compuls√£o nasce porque o passado lhe d√° uma identidade e o futuro cont√©m a promessa de salva√ß√£o, de realiza√ß√£o sob qualquer forma. Ambos s√£o ilus√Ķes.

Quanto mais a pessoa se concentra no tempo (passado e futuro), mais sente falta do Agora, a coisa mais preciosa que existe. Porque √© o Agora a coisa mais preciosa que existe? Primeiro, porque √© a √ļnica. √Č tudo o que existe. O presente eterno √© o espa√ßo no √Ęmbito do qual a sua vida se desenrola, o √ļnico fator que permanece constante. A vida acontece agora. Nunca houve uma altura em que a sua vida n√£o fosse no agora, nem nunca haver√°.
Em segundo lugar, o Agora √© o √ļnico ponto que pode levar o leitor al√©m dos limites circunscritos da mente. √Č o seu √ļnico ponto de acesso ao mundo eterno e sem forma do Ser.

Alguma vez o leitor experienciou,

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Se não quiser gerar dor para si e para os outros, se já não pretender fazer crescer o remanescente de dores passadas que ainda vive em si, então não crie mais tempo ou pelo menos não mais do que aquele que é necessário para lidar com os aspectos práticos da vida.

Às vezes ouvimos falar de pessoas que cometeram suicídio porque perderam a fortuna ou tiveram sua reputação arruinada. Esses casos são extremos. Outras pessoas, ao sofrer uma grande perda, tornam-se profundamente infelizes e adoecem. Não conseguem distinguir a vida da situação da vida.

Quanto mais a pessoa se concentra no tempo (passado e futuro), mais sente falta do Agora, a coisa mais preciosa que existe. Porque √© o Agora a coisa mais preciosa que existe? Primeiro, porque √© a √ļnica. √Č tudo o que existe. O presente eterno √© o espa√ßo no √Ęmbito do qual a sua vida se desenrola, o √ļnico fator que permanece constante. A vida acontece agora. Nunca houve uma altura em que a sua vida n√£o fosse no agora, nem nunca haver√°.

A Tua Vida é Agora

Toda a negatividade √© provocada por uma acumula√ß√£o de tempo psicol√≥gico e de recusa do presente. Mal-estar, ansiedade, tens√£o, stress, preocupa√ß√Ķes – todas as formas de medo – s√£o causados por futuro em demasia e insuficiente presen√ßa. Sentimentos de culpa, arrependimento, ressentimento, injusti√ßas, tristeza, amargura e todas as formas de falta de indulg√™ncia s√£o provocados por passado em demasia e insuficiente presen√ßa.
A maioria das pessoas tem dificuldade em acreditar que seja poss√≠vel um estado de consci√™ncia totalmente livre de negatividade. E no entanto √© esse o estado de liberta√ß√£o para o qual todos os ensinamentos espirituais apontam. √Č a promessa de salva√ß√£o, n√£o num futuro ilus√≥rio, mas j√° aqui e agora.

Poder√°s ter dificuldade em admitir que o tempo seja a causa do teu sofrimento ou dos teus problemas. Acreditas que s√£o provocados por situa√ß√Ķes espec√≠ficas na tua vida e, visto de um ponto de vista convencional, isso √© verdade. Mas at√© teres lidado com a disfun√ß√£o b√°sica da mente “que-faz-os-problemas” – o seu apego ao passado e ao futuro e a nega√ß√£o do Agora – os problemas s√£o na verdade permut√°veis. Se todos os teus problemas ou as consideradas causas do sofrimento ou da infelicidade te fossem milagrosamente retirados hoje,

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Um dia, pode dar por si a sorrir por causa da voz que est√° dentro da sua cabe√ßa, tal como faria com as travessuras de uma crian√ßa. Este facto significa que o leitor j√° n√£o leva o conte√ļdo da sua mente t√£o a s√©rio, na medida em que a sua no√ß√£o do eu n√£o depende disso.

A mente procura sempre negar o Agora e escapar-lhe. Por outras palavras, quanto mais o leitor se identificar com a sua mente, mais sofre. Ou vamos antes diz√™-lo desta forma: quanto mais for capaz de dignificar e aceitar o Agora, mais livre est√° da dor, do sofrimento… e livre da mente egoc√™ntrica.

A mente é uma excelente ferramenta se for bem utilizada. Quando usurpada, no entanto, ela pode ser muito destrutiva.

Quanto mais se identificar com o seu pensamento, com aquilo de que gosta e de que n√£o gosta, com ju√≠zos e interpreta√ß√Ķes, o que √© o mesmo que dizer que quanto menos presente estiver como observador consciente, mais forte ser√° a carga de energia emocional, esteja voc√™ a par disso ou n√£o. Se n√£o conseguir sentir as suas emo√ß√Ķes, se estiver afastado delas, acabar√° por experienci√°-las a um n√≠vel puramente f√≠sico, como um problema ou sintoma f√≠sico.

Cuidado com qualquer tipo de posicionamento defensivo no seu interior. Que est√° a defender? Uma identidade ilus√≥ria, uma imagem dentro da sua mente, uma entidade fict√≠cia. Ao tornar este padr√£o consciente, ao ser testemunha dele, o leitor deixa de se identificar com ele. √Ä luz do seu consciente, o padr√£o inconsciente depressa se anula. Este √© o fim para todas as discuss√Ķes e jogos de poder, que t√£o corrosivos s√£o para os relacionamentos. O poder sobre os outros √© fraqueza disfar√ßada de for√ßa. O verdadeiro poder est√° no interior.

Parar de Pensar

O maior obstáculo à experimentação da realidade da ligação do leitor é a sua identificação com a mente, que faz com que o pensamento se torne compulsivo. Não ser capaz de parar de pensar é um padecimento terrível, porém não nos apercebemos deste facto porque quase toda a gente sofre dessa mesma maleita, sendo por isso considerado normal. Este ruído mental incessante impede o leitor de encontrar esse reino de calma interior que é inseparável do Ser. Gera ainda um eu falso engendrado pela mente que lança uma sombra de medo e sofrimento.

A identifica√ß√£o do leitor com a sua mente cria uma divis√≥ria opaca de conceitos, r√≥tulos, imagens, palavras, ju√≠zos e defini√ß√Ķes, que bloqueia todo o relacionamento verdadeiro. Interp√Ķe-se entre o pr√≥prio leitor, entre o leitor e o pr√≥ximo, entre o leitor e a sua natureza, entre o leitor e Deus. √Č esta divis√≥ria de pensamento que gera a ilus√£o de afastamento, a ilus√£o de que h√° o leitor e um ¬ęoutro¬Ľ completamente distinto. Nessa altura, o leitor esquece o facto essencial de que, sob o n√≠vel da apar√™ncia f√≠sica e das formas separadas, o leitor √© uno com tudo o que existe.

A mente é um instrumento maravilhoso se usado adequadamente.

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