Citação de

Serenidade Desperta

Tenho tanta coisa para fazer. Pois, mas aquilo que faz, f√°-lo com qualidade? Conduzir at√© ao emprego, falar com os clientes, trabalhar no computador, fazer recados, lidar com os incont√°veis afazeres que preenchem a sua vida quotidiana – at√© que ponto √© que se entrega √†s coisas que faz? E realiza-as com entrega, sem resist√™ncia, ou, pelo contr√°rio, sem se entregar e resistindo √† ac√ß√£o? √Č isto que determina o sucesso na vida e n√£o a dose de esfor√ßo que se despende. O esfor√ßo implica stresse e desgaste f√≠sico, implica a necessidade absoluta de atingir um determinado objectivo ou de alcan√ßar um determinado resultado.

√Č capaz de detectar dentro de si at√© a mais pequena sensa√ß√£o de n√£o quererestar a fazer aquilo que est√° a fazer? Isso √© uma nega√ß√£o da vida e, desse modo, n√£o ser√° poss√≠vel obter resultados verdadeiramente bons.

Se for capaz de descobrir aquela sensa√ß√£o, ser√° que tamb√©m consegue abdicar dela e entregar–se completamente √†quilo que faz?

‚ÄúFazer uma coisa de cada vez”, foi assim que um Mestre Zen definiu o esp√≠rito da filosofia Zen.

Fazer uma coisa de cada vez significa estar nela por inteiro, concentrar nela toda a sua atenção. Nisto consiste a acção realizada com entrega Рa acção eficaz.

A aceita√ß√£o daquilo que √©, do momento tal como ele √©, transporta-o a um n√≠vel de profundidade tal que o seu estado interior e a consci√™ncia do eu j√° n√£o dependem dos ju√≠zos mentais de “bom” ou de “mau”.

Quando disser “sim” ao “isto √© assim” da vida, quando aceitar o momento como ele se apresenta, ser√° capaz de experimentar uma sensa√ß√£o de imensid√£o interior extraordinariamente apaziguadora.

Na apar√™ncia, poder√° ainda ficar feliz quando estiver sol e n√£o t√£o feliz quando chover; poder√° ficar feliz se ganhar um milh√£o de euros e infeliz se perder todos os seus haveres. Contudo, a felicidade e a infelicidade nunca mais ser√£o vividas de maneira t√£o intensa. Na verdade, aqueles sentimentos s√£o meras rugas na superf√≠cie do seu Ser. Dentro de si, a base de paz permanecer√° imperturb√°vel independentemente da natureza das circunst√Ęncias do mundo exterior.

O “sim” ao momento tal como ele √© revela uma dimens√£o de profundidade interior que n√£o est√° dependente nem das circunst√Ęncias exteriores nem das condi√ß√Ķes internas de constante flutua√ß√£o dos pensamentos e das emo√ß√Ķes.

A entrega, a n√£o-resist√™ncia, torna-se muito mais f√°cil quando percebemos que todas as experi√™ncias s√£o transit√≥rias e que o mundo n√£o poder√° dar-nos nada de importante que dure para sempre. Ent√£o, poderemos continuar a conhecer pessoas, a envolver-nos em experi√™ncias e em actividades, mas sem as imposi√ß√Ķes e os medos do ego. Ou seja, j√° n√£o exigiremos que uma situa√ß√£o, uma pessoa, um lugar ou um acontecimento nos satisfa√ßam ou fa√ßam felizes. Aceitaremos a natureza passageira e imperfeita de tudo isso.

E o milagre acontece, quando nos abstemos de fazer exigências impossíveis perante qualquer situação, pessoa, lugar ou acontecimento, que passam então a ser não apenas satisfatórios, mas também mais harmoniosos, mais pacíficos.

Quando aceitamos completamente o momento, quando n√£o contrariamos aquilo que √©, a compuls√£o para pensar afrouxa, sendo substitu√≠da por uma serenidade desperta. Encontramo-nos plenamente conscientes, por√©m a mente n√£o est√° a rotular o momento. Este estado de n√£o-resist√™ncia interior abre as portas √† consci√™ncia n√£o-condicionada, que √© infinitamente maior do que a mente humana. Esta vasta intelig√™ncia pode ent√£o expressar-se atrav√©s de n√≥s e ajudar-nos, tanto interior como exteriormente. Por isso, ao abandonarmos a resist√™ncia interior, descobrimos frequentemente que as circunst√Ęncias mudam para melhor.