Passagens sobre Infelizes

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Frases sobre infelizes, poemas sobre infelizes e outras passagens sobre infelizes para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Para quem está do lado de fora Рe toda a gente neste mundo está do lado de fora em relação a todos os outros Рalgo parece sempre pior ou melhor do que é para aquele a que isso diz respeito, sendo esse algo boa ou má sorte, um envolvimento amoroso infeliz ou uma negação artística.

Para serem infelizes, têm de estar de cabeça virada para baixo, têm de ser o mais antinaturais possível, têm de nadar contra a corrente. Para serem extáticos e alcançarem a beatitude, apenas têm de se deixar deslizar ao sabor da corrente. Deixarem-se ir, sem oferecer resistência, e permitir à natureza ser o que é.

Mérito e Auto-Suficiência

Só os baixos méritos podem ser enumerados. Temei, quando os vossos amigos vos disserem o que fizeste bem e narrarem tudo; mas quando permanecerem com olhares incertos e tímidos de respeito e certo descontentamento e silenciarem por muitos anos a sua opinião, podeis começar a ter confiança. Os que vivem para o futuro devem parecer egoístas aos que vivem para o presente.

(…) A face que se me apresenta o car√°cter √© a auto-sufici√™ncia. Reverencio a pessoa que √© muito rica de car√°cter, porque n√£o posso conceb√™-la solit√°ria, ou pobre, ou exilada, ou infeliz, ou protegida, mas um eterno protetor, benfeitor e bem-aventurado. O car√°cter √© centralidade, impossibilidade de ser deslocado ou posto √† margem. Um homem deve dar-nos a ideia de massa.
A sociedade √© fr√≠vola e divide o seu dia em fragmentos, a sua conversa√ß√£o em cerim√≥nias e derivativos. Mas visitando um homem talentoso, considerarei perdido o meu tempo se se limitar a amabilidades e cerim√≥nias; antes, ele dever√° saber colocar-se solenemente no seu lugar e deixar-me julgar, por assim dizer, a sua resist√™ncia; saber que encontrei um valor novo e positivo! – grande deleite para n√≥s ambos. J√° √© muito ele n√£o aceitar as opini√Ķes e usan√ßas convencionais.

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De Que Vale a Sabedoria ?

Os homens que se entregam à sabedoria são de longe os mais infelizes. Duplamente loucos, esquecem que nasceram homens e querem imitar os deuses poderosos, e a exemplo dos Titãs, armados com as ciências e as artes, declaram guerra à Natureza. Ora, os menos infelizes são aqueles que mais se aproximam da animalidade e da estupidez.
Tentarei fazer-vos entender isto, usando, em vez dos argumentos dos est√≥icos, um exemplo crasso. Haver√°, pelos deuses imortais, esp√©cie mais feliz que os homens a quem o vulgo chama loucos, parvos, imbecis, cognomes bel√≠ssimos, na minha opini√£o? Esta afirma√ß√£o poder√° a princ√≠pio parecer insensata e absurda e, no entanto, nada h√° de mais verdadeiro. Tais homens n√£o receiam a morte, e, por J√ļpiter! isso j√° n√£o representa pequena vantagem! A sua consci√™ncia n√£o os incomoda. As hist√≥rias de fantasmas n√£o os aterrorizam, nem os afecta o medo das apari√ß√Ķes e espectros, nem os males que os amea√ßam ou a esperan√ßa dos bens que poder√£o vir a receber. Nada, em resumo, os atormenta, isentos dos mil cuidadeos de que a vida √© feita. Ignoram a vergonha, o medo, a ambi√ß√£o, a inveja e chegam mesmo, se s√£o suficientemente est√ļpidos, a gozar o privil√©gio, segundo os te√≥logos,

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Este é um dos orgulhos da nossa funesta humanidade: cada homem julga-se mais infeliz que outro infeliz que chora e geme ao seu lado.

Amor E Felicidade

Infeliz de quem passa pelo mundo,
Procurando no amor felicidade:
A mais linda ilus√£o dura um segundo;
E dura, a partir daí, tristeza e saudade.

Repleto é o amor no íntimo mais profundo.
Onde esconde a linda jóia da verdade;
E só depois de vazia, mostra o fundo.
Só depois, embriaga-se a felicidade.

Eis aqui mais um enamorado descontente,
Escutando a palavra confidente
Que o coração murmura, e a voz não diz.

Percebo afinal meu pecado:
Quanto me falta para ser amado.
Quanto me falta para ser feliz.

Ter Raz√£o √© uma Quest√£o de Explica√ß√Ķes

Havia que ser um fan√°tico para querer ter sempre raz√£o. Ter raz√£o era sobretudo uma quest√£o de explica√ß√Ķes. O homem intelectual tornara-se uma criatura explicativa. Toda a gente explicava, os pais aos filhos, os maridos √†s mulheres, os conferencistas ao seu p√ļblico, os especialistas aos leigos, os colegas aos colegas, os m√©dicos aos pacientes, o homem √† sua alma. A g√©nese disto, a causa daquilo, as origens dos acontecimentos, a hist√≥ria, a estrutura, as raz√Ķes pelas quais. Na maior parte dos casos, a explica√ß√£o entrava por um ouvido e sa√≠a pelo outro. A alma desejava o que desejava. Tinha o seu pr√≥prio saber natural. A infeliz poisava, pobre avezinha, sobre superstruturas de explica√ß√£o, sem saber para onde levantar voo.

(…) Era um af√£ holand√™s, pensou Sammler, sempre a dar √† bomba para manter enxutos alguns hectares de terra. O mar invasor era uma met√°fora da multiplica√ß√£o dos factos e das sensa√ß√Ķes; quanto √† terra, era uma terra de ideias.

. Sammler’

Que Tristeza Isto de a Gente Escrever

Que tristeza isto de a gente escrever! Secos como paus na vida, e sai-nos depois a ternura pelo bico da pena! Comigo √© assim. E como ningu√©m me l√™‚ÄĒningu√©m dos que eu mais desejava que recebessem ternura de mim (minha M√£e, meu Pai, minha Irm√£, uns pobres amigos rudes que tenho na minha terra e uns infelizes que encontro por este mundo) ‚ÄĒ, fica tudo em letra morta. Hoje todo eu fui uma sede ardente de abra√ßar um infeliz que calcorreava √†s apalpadelas as ruas escaroladas da Nazar√©. Um dia como uma estrela, aquela maravilha ali para se ver, e o desgra√ßado cego de nascen√ßa! Mas o abra√ßo saiu-me aqui, a tinta.

A Subfelicidade

O que mais d√≥i n√£o √© ‚Äď desengana-te ‚Äď a infelicidade. A infelicidade d√≥i. Magoa. Martiriza. √Č intensa; faz gritar, sofrer, saltar, chorar. Mas a infelicidade n√£o √© o que mais d√≥i. A infelicidade √© infeliz ‚Äď mas n√£o √© o que mais d√≥i.

O que mais d√≥i √© a subfelicidade. A felicidade mais ou menos, a felicidade que n√£o se faz felicidade, que fica sempre a meio de se ser. A quase felicidade. A subfelicidade n√£o magoa ‚Äď vai magoando; a subfelicidade n√£o martiriza ‚Äď vai martirizando. N√£o √© intensa ‚Äď mas √© imensa; faz gritar, sofrer, saltar, chorar ‚Äď mas em sil√™ncio, em surdina, em anonimato. Como se n√£o fosse. Mas √©: a subfelicidade √©. A subfelicidade faz-te ficar ref√©m do que tens ‚Äď mas nem assim te impede de te sentires apeado do que n√£o tens e gostarias de ter. Do que est√° ali, sempre ali, sempre √† m√£o de semear ‚Äď e que, mesmo assim, nunca consegues tocar. A subfelicidade √© o piso -1 da felicidade. E n√£o h√° elevador algum que te leve a subir de piso. Tens de ser tu a pegar nas tuas perninhas e a subir as escadas. Anda da√≠.

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Atingir a Felicidade

Embora seja poss√≠vel atingir a felicidade, a felicidade n√£o √© uma coisa simples. Existem muitos n√≠veis. O Budismo, por exemplo, refere-se a quatro factores de contentamento ou felicidade: os bens materiais, a satisfa√ß√£o mundana, a espiritualidade e a ilumina√ß√£o. O conjunto destes factores abarca a totalidade da busca pessoal de felicidade. Deixemos de lado, por ora, as aspira√ß√Ķes √ļltimas a n√≠vel religioso ou espiritual, como a perfei√ß√£o e a ilumina√ß√£o, e concentremo-nos unicamente sobre a alegria e a felicidade, tal como as concebemos a n√≠vel mundano. A este n√≠vel, existem certos elementos-chave que n√≥s reconhecemos convencionalmente como contribuindo para o bem-estar e a felicidade. A sa√ļde, por exemplo, √© considerada como um factor necess√°rio para o bem-estar. Um outro factor s√£o as condi√ß√Ķes materiais ou os bens que possu√≠mos. Ter amigos e companheiros, √© outro. Todos n√≥s concordamos que para termos uma vida feliz precisamos de um c√≠rculo de amigos com quem nos possamos relacionar emocionalmente e em quem possamos confiar.

Portanto, todos estes factores s√£o causas de felicidade. Mas para que um indiv√≠duo possa utiliz√°-los plenamente e gozar de uma vida feliz e preenchida, a chave √© o estado de esp√≠rito. √Č crucial. Se utilizarmos as condi√ß√Ķes favor√°veis que possu√≠mos,

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O Mal e o Bem em Função da Vaidade

√Č raro o mal, de que n√£o venha a nascer algum bem, nem bem, que n√£o produza algum mal: como s√≥ o presente √© nosso, por isso n√£o nos serve de al√≠vio o bem futuro, nem nos inquieta o mal que ainda n√£o sentimos; um infeliz n√£o se persuade, que a sua sorte possa ter mudan√ßa; um venturoso n√£o cr√™, que possa deixar de o ser; a este a vaidade tira o menor receio; √†quele o abatimento priva de esperan√ßa. Se fizermos reflex√£o, havemos de admirar o pouco que basta para fazer o nosso bem, ou o nosso mal: de um instante a outro mudamos da alegria para a tristeza, e muitas vezes sem outro algum motivo, que o de uma vaidade mais, ou menos satisfeita.
Os homens não são todos igualmente sensíveis ao bem, e ao mal; a uns penetra mais vivamente a dor, a outros só faz uma impressão ligeira; o bem não acha em todos o mesmo grau de contentamento. Nas almas deve de haver a mesma diferença, que há nos corpos: umas mais débeis, e outras mais robustas; por isso em umas obra mais o sentimento, e acha mais resistência em outras; em umas domina a vaidade com império,

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As crianças são quase sempre felizes, porque não pensam na felicidade. Os velhos são muitas vezes infelizes, porque pensam demasiadamente nela.