Textos sobre Ação

328 resultados
Textos de ação escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

Sede firmes, e que as vossas mãos não se enfraqueçam

Sede firmes, e que as vossas m√£os n√£o se enfraque√ßam, pois as vossas ac√ß√Ķes ter√£o a sua recompensa.

O Vento que Decidirmos Ser

Uma das mais importantes escolhas que cada um de nós deve fazer é a de escolhermos qual o foco prin-cipal da nossa atenção e cuidado. Se o mundo à nossa volta, a fim de o mudar, ou se o interior de nós mesmos.

Quase todos os bens e males da nossa existência partem do nosso interior, pelo que será aí que importa aperfeiçoar, de forma profunda, tudo o que existe no nosso íntimo.

Um dos trabalhos mais importantes de cada um de nós será o de saber bem o que queremos. O segredo da felicidade pode estar aí: alterar em nós o que nos possa estar a causar desnecessárias ansiedades. Quantas vezes desejamos algo que está fora da nosso controlo?
Existem três tipos de coisas: as que dependem apenas de nós; as que escapam por completo à nossa decisão; e, aquelas sobre as quais temos algum controlo, mas não total.

Se fizermos a nossa alegria depender de algo que não está na nossa mão, então será fácil que nos sinta-mos roubados de algo que, na verdade, nunca foi nosso. Mesmo nos casos em que o conseguimos obter, a ansiedade associada à posse, até pela iminência de o perder da mesma forma que o ganhámos,

Continue lendo…

A Felicidade de uma Raz√£o Perfeita

Creio que estaremos de acordo em que é para proveito do corpo que procuramos os bens exteriores; em que apenas cuidamos do corpo para benefício da alma, e em que na alma há uma parte meramente auxiliar Рa que nos assegura a locomoção e a alimentação Рda qual dispomos tão somente para serviço do elemento essencial. No elemento essencial da alma há uma parte irracional e outra racional; a primeira está ao serviço da segunda; esta não tem qualquer ponto de referência além de si própria, pelo contrário, serve ela de ponto de referência a tudo. Também a razão divina governa tudo quanto existe sem a nada estar sujeita; o mesmo se passa com a nossa razão, que, aliás, provém daquela.
Se estamos de acordo nesse ponto, estaremos necessariamente tamb√©m de acordo em que a nossa felicidade depende exclusivamente de termos em n√≥s uma raz√£o perfeita, pois apenas esta impede em n√≥s o abatimento e resiste √† fortuna; seja qual for a sua situa√ß√£o, ela manter-se-√° imperturb√°vel. O √ļnico bem aut√™ntico √© aquele que nunca se deteriora.
O homem feliz, insisto, √© aquele que nenhuma circunst√Ęncia inferioriza; que permanece no cume sem outro apoio al√©m de si mesmo,

Continue lendo…

A Mentira Perfeita

A mentira, a mentira perfeita, acerca das pessoas que conhecemos, sobre as rela√ß√Ķes que com elas tivemos, sobre o nosso m√≥bil em determinada ac√ß√£o formulado por n√≥s de uma forma completamente diferente, a mentira acerca do que somos, acerca do que amamos, acerca do que sentimos pela criatura que nos ama e que julga ter-nos tornado semelhante a ela porque passa o dia a beijar-nos, essa mentira √© das √ļnicas coisas no mundo que nos pode abrir perspectivas sobre algo de novo, de desconhecido, que pode abrir em n√≥s sentidos adormecidos para a contempla√ß√£o do universo que nunca ter√≠amos conhecido.

A Moda

As varia√ß√Ķes da sensibilidade sob a influ√™ncia das modifica√ß√Ķes do meio, das necessidades, das preocupa√ß√Ķes, etc., criam um esp√≠rito p√ļblico que varia de uma gera√ß√£o para outra e mesmo muitas vezes no espa√ßo de uma gera√ß√£o. Esse esp√≠rito publico, rapidamente dilatado por contacto mental, determina o que se chama a moda. Ela √© um possante factor de propaga√ß√£o da maior parte dos elementos da vida social, das nossas opini√Ķes e das nossas cren√ßas.
Não é só o vestuário que se submete às suas vontades. O teatro, a literatura, a política, a arte, as próprias idéias científicas lhe obedecem, e é por isso que certas obras apresentam um fundo de semelhança que permite falar do estilo de uma época.
Em virtude da sua acção inconsciente, submetemo-nos à moda sem que o percebamos. Os espíritos mais independentes a ela não se podem subtrair. São muito raros os artistas, os escritores que ousam produzir uma obra muito diferente das ideias do dia.
A influência da moda é tão pujante que ela obriga-nos, por vezes, a admirar coisas sem interesse e que parecerão mesmo de uma fealdade extrema, alguns anos mais tarde. O que nos impressiona numa obra de arte é muito raramente a obra em si mesma,

Continue lendo…

A Inveja só Incide sobre os Vivos

Por mais que vivamos juntos, e nos vejamos sempre, √© por um modo como vago, e passageiro: as cousas nem por estarem muito perto se v√™em melhor, e os Her√≥is o que os faz mais vis√≠veis, √© a dist√Ęncia, e despropor√ß√£o dos outros homens em que os p√Ķem as suas ac√ß√Ķes; n√£o s√≥ os homens, mas ainda os sucessos, quanto mais longe v√£o ficando, mais crescem, e nos v√£o parecendo maiores, at√© que os vimos a perder de vista, e muitas vezes da mem√≥ria; porque no tempo tamb√©m h√° um ponto de perspectiva, donde como em espelho v√£o crescendo todos os objectos, e em chegando a um certo termo, desaparecem. As empresas, que hoje vemos, talvez n√£o sejam inferiores √†s que a tradi√ß√£o refere do tempo do hero√≠smo; por√©m t√™m de menos o estarem pr√≥ximas a n√≥s, e as outras t√™m de mais, o valor que recebem de uma antiguidade vener√°vel: aquelas admiramos porque n√£o temos inveja, nem vaidade, que nos preocupe contra os que passaram h√° muitos s√©culos; contra os que existem sim, e destes, se sabemos as ac√ß√Ķes, tamb√©m sabemos as circunst√Ęncias delas; por isso as desprezamos, porque √© rara a empresa her√≥ica, em que n√£o entre algum fim indigno,

Continue lendo…

O Respeito Humano é Mais Forte do que a Consciência

Todos sabemos ter pensamentos maus, mas muito raramente praticar ac√ß√Ķes m√°s. Todos sabemos praticar boas ac√ß√Ķes, mas poucos s√£o capazes de bons pensamentos.
O respeito humano é mais forte do que a consciência.

O Mundo Transformado em Poder da Palavra

O poema √© um objecto carregado de poderes magn√≠ficos, terr√≠ficos: posto no s√≠tio certo, no instante certo, segundo a regra certa, promove uma desordem e uma ordem que situam o mundo num ponto extremo: o mundo acaba e come√ßa. Ali√°s n√£o √© exactamente um objecto, o poema, mas um utens√≠lio: de fora parece um objecto, tem as suas qualidades tang√≠veis, n√£o √© por√©m nada para ser visto mas para manejar. Manejamo-lo. Ac√ß√£o, temos aquela ferramenta. A ac√ß√£o √© a nossa pergunta √† realidade: e a resposta, encontramo-la a√≠: na repentina desordem luminosa em volta, na ordem da ac√ß√£o respondida por uma esp√©cie de motim, um deslocamento de tudo: o mundo torna-se um facto novo no poema, por virtude do poema ‚ÄĒ uma realidade nova. Quando apenas se diz que o poema √© um objecto, confunde-se, simplifica-se; parece realmente um objecto, sim, mas porque o mundo, pela ac√ß√£o dessa forma cheia de poderes, se encontra nela inscrito: √© registo e resultado dos poderes. E temos essa forma: a forma que vemos, ei-la: respira pulsa move-se ‚ÄĒ √© o mundo transformado em poder da palavra, em palavra objectiva inventada em irrealidade objectiva. Se dizemos simplesmente: √© um objecto ‚ÄĒ inserimos no elenco de emblemas que nos rodeia um equ√≠voco melindroso,

Continue lendo…

Serenidade Desperta

Tenho tanta coisa para fazer. Pois, mas aquilo que faz, f√°-lo com qualidade? Conduzir at√© ao emprego, falar com os clientes, trabalhar no computador, fazer recados, lidar com os incont√°veis afazeres que preenchem a sua vida quotidiana – at√© que ponto √© que se entrega √†s coisas que faz? E realiza-as com entrega, sem resist√™ncia, ou, pelo contr√°rio, sem se entregar e resistindo √† ac√ß√£o? √Č isto que determina o sucesso na vida e n√£o a dose de esfor√ßo que se despende. O esfor√ßo implica stresse e desgaste f√≠sico, implica a necessidade absoluta de atingir um determinado objectivo ou de alcan√ßar um determinado resultado.

√Č capaz de detectar dentro de si at√© a mais pequena sensa√ß√£o de n√£o quererestar a fazer aquilo que est√° a fazer? Isso √© uma nega√ß√£o da vida e, desse modo, n√£o ser√° poss√≠vel obter resultados verdadeiramente bons.

Se for capaz de descobrir aquela sensa√ß√£o, ser√° que tamb√©m consegue abdicar dela e entregar–se completamente √†quilo que faz?

‚ÄúFazer uma coisa de cada vez”, foi assim que um Mestre Zen definiu o esp√≠rito da filosofia Zen.

Fazer uma coisa de cada vez significa estar nela por inteiro, concentrar nela toda a sua atenção.

Continue lendo…

Todo o Génio é um Degenerado

Sendo certo que todo o g√©nio √© um degenerado (nem superior, nem inferior, porque h√° s√≥ degenerados de uma esp√©cie, mau grado a absurda escapat√≥ria dos psiquiatras modern style), cert√≠ssimo √©, sem d√ļvida, que entre os g√©nios, os da intelig√™ncia assumem um relevo m√°ximo de degenera√ß√£o. Um chefe pol√≠tico, um grande general, s√£o, no que g√©nios, degenerados, porque s√£o desvios do tipo normal e originais na sua ac√ß√£o e na sua individualidade. Mas s√£o normais porque s√£o homens de ac√ß√£o, porque vivem no meio da vida, e n√£o se pode fazer isso sem uma certa adapta√ß√£o a ela. O mais revolucion√°rio dos g√©nios pol√≠ticos tem de se adpatar ao que quer destruir para o poder destruir. Tem de mergulhar na vida que quer substituir para poder agir sobre ela.
Não assim na esfera da inteligência e da emoção intelectualizada Рna da filosofia e na da arte, digo. Sobre ser original, o artista, o pensador é um inadaptado às formas normais da vida, por isso que nem age no sentido da actividade normal (porque é original), nem age no que age, age vulgarmente (porque, em lugar de ter uma acção vulgar, orienta a sua vida sobretudo para a sensação e para a inteligência e não para a acção,

Continue lendo…

O Prazer do Beneficiador é Sempre Maior do que o do Beneficiado

– N√£o me podes negar um facto, disse ele; √© que o prazer do beneficiador √© sempre maior do que o do beneficiado. Que √© o benef√≠cio? √Č um acto que faz cessar certa priva√ß√£o do beneficiado. Uma vez produzido o efeito essencial, isto √©, uma vez cessada a priva√ß√£o, torna o organismo ao estado anterior, ao estado indiferente. Sup√Ķe que tens apertado em demasia o c√≥s das cal√ßas; para fazer cessar o inc√≥modo, desabotoas o c√≥s, respiras, saboreias um instante de gozo, o organismo torna √† indiferen√ßa, e n√£o te lembras dos teus dedos que praticaram o acto. N√£o havendo nada que perdure, √© natural que a mem√≥ria se esvae√ßa, porque ela n√£o √© uma planta a√©rea, precisa de ch√£o. A esperan√ßa de outros favores, √© certo, conserva sempre no beneficiado a lembran√ßa do primeiro; mas este facto, ali√°s um dos mais sublimes que a filosofia pode achar em seu caminho, explica-se pela mem√≥ria da priva√ß√£o, ou, usando de outra f√≥rmula, pela priva√ß√£o continuada na mem√≥ria, que repercute a dor passada e aconselha a precau√ß√£o do rem√©dio oportuno.
N√£o digo que, ainda sem esta circunst√Ęncia, n√£o aconte√ßa, algumas vezes, persistir a mem√≥ria do obs√©quio, acompanhada de certa afei√ß√£o mais ou menos intensa;

Continue lendo…

O Despotismo do Homem Vulgar

A hist√≥ria europ√©ia parece, pela primeira vez, entregue √† decis√£o do homem vulgar como tal. Ou dito em voz activa: o homem vulgar, antes dirigido, resolveu governar o mundo. Esta resolu√ß√£o de avan√ßar para o primeiro plano social produziu-se nele, automaticamente, mal chegou a amadurecer o novo tipo de homem que ele representa. Se, atendendo aos defeitos da vida p√ļblica, estuda-se a estrutura psicol√≥gica deste novo tipo de homem-massa, encontra-se o seguinte: 1¬ļ, uma impress√£o nativa e radical de que a vida √© f√°cil, abastada, sem limita√ß√Ķes tr√°gicas; portanto, cada indiv√≠duo m√©dio encontra em si mesmo uma sensa√ß√£o de dom√≠nio e triunfo que, 2¬ļ, convida-o a afirmar-se a si mesmo tal qual √©, a considerar bom e completo o seu haver moral e intelectual. Este contentamento consigo mesmo leva-o a fechar-se em si mesmo para toda a inst√Ęncia exterior, a n√£o ouvir, a n√£o p√īr em tela de ju√≠zo as suas opini√Ķes e a n√£o contar com os demais. A sua sensa√ß√£o √≠ntima de dom√≠nio incita-o constantemente a exercer predom√≠nio. Actuar√°, pois, como se somente ele e os seus cong√©neres existissem no mundo; portanto, 3¬ļ, intervir√° em tudo impondo a sua vulgar opini√£o, sem considera√ß√Ķes, contempla√ß√Ķes, tr√Ęmites nem reservas; quer dizer,

Continue lendo…

O Papel do Desporto

Quem duvida que o desporto é uma janela importantíssima para a propagação do jogo limpo e da justiça? No fim de contas, o jogo limpo é um valor essencial no desporto!
(…) A reconstru√ß√£o e a reconcilia√ß√£o, a constru√ß√£o nacional e o desenvolvimento, devem andar de m√£os dadas. Neste processo, o desporto √© uma grande for√ßa de unidade e reconcilia√ß√£o.
(…) Embora vivamos num mundo em que o bem que existe nas pessoas geralmente impera, √© triste que tamb√©m existam os que exploram a magnanimidade e a honestidade. Temos, pois, de afirmar e celebrar constantemente as boas ac√ß√Ķes e as virtudes sociais. Neste contexto, o desporto desempenha hoje um papel preeminente na apresenta√ß√£o do que √© bom e na exemplifica√ß√£o do que √© saud√°vel.

A Fraqueza do Idealismo

A arte idealista esquece que h√° no homem – nervos, fatalidades heredit√°rias, sujei√ß√Ķes √†s influ√™ncias determinantes de hora, alimento, atmosfera, etc; irresist√≠veis teimas f√≠sicas, tend√™ncias de carnalidade fatais; resultantes l√≥gicas de educa√ß√£o; ac√ß√Ķes determinantes ao meio, etc,etc; a arte convencional, enfim, mutila o homem moral – como a ci√™ncia convencional mutila o homem f√≠sico; s√£o ambas aprovadas pelos Monsenhores arcebispos de Paris e dadas em leitura nos col√©gios; mas uma ensina falso, como a outra educa falso: ambas nocivas portanto.

Uma boa acção é aquela que faz aparecer um sorriso no rosto do outro

Uma boa acção é aquela que faz aparecer um sorriso no rosto do outro.

Ter Objetivos

Qualquer dia que comece sem um objetivo, est√°, √† partida, condenado ao ¬ęera melhor n√£o ter sa√≠do da cama¬Ľ; como tal, torna–se fundamental saberes o que queres, o que tens e o que podes fazer sempre que o Sol nasce. Um simples objetivo √©, na realidade, suficiente para te motivar a viver todo o dia que tens pela frente, pois aniquila todo e qualquer sentimento de inutilidade, ansiedade e frustra√ß√£o que possas estar a viver. T√£o simples e ao mesmo tempo t√£o complicado. T√£o complicado porque sei, por experi√™ncia pr√≥pria e pelo que oi√ßo nas minhas sess√Ķes e palestras, que nem sempre √© f√°cil ter um objetivo di√°rio. Ou melhor, muitas das vezes, at√© o temos, mas como estamos desprovidos de estrat√©gia, a a√ß√£o nunca ocorre.
Mas vamos por partes, um objetivo é algo nato, pois ainda que de uma forma inconsciente o objetivo de cada bebé, por exemplo, é tornar-se autónomo, gatinhando primeiro, agarrando-se às coisas depois até, finalmente, começar a andar. Esta sensação de querermos sempre mais ou melhor é algo que nasce connosco e que apenas deixa de fazer sentido quando o estado emocional da pessoa é tão depressivo que se opta por desistir. Ter objetivos é como ter fome e comer,

Continue lendo…

Estamos Todos Ligados

Estamos todos ligados. Seja em que dimens√£o for, somos todos respons√°veis uns pelos outros e essa √© a primeira premissa para se descobrir a divindade que h√° em n√≥s. Temos todos o mesmo dever, ser felizes e inspirar atrav√©s dessa felicidade. Temos todos a mesma capacidade, mudar. Temos todos o mesmo poder, amar. E todas as nossas a√ß√Ķes, independentemente da energia com que s√£o feitas, v√£o gerar tomadas de consci√™ncia, v√£o semear a mudan√ßa e v√£o seguramente brotar de muitos cora√ß√Ķes aut√™nticas centelhas de compaix√£o e amor. Nada do que possamos fazer √© indiferente e tudo o que temos feito at√© hoje, queiramos ou n√£o, tem tido um enorme impacto em n√≥s, naqueles que nos rodeiam e no todo onde todos habitamos. Sejamos respons√°veis. Sejamos divinos.

Nada nos Faz Acreditar Mais do que o Medo

Nada nos faz acreditar mais do que o medo, a certeza de estarmos amea√ßados. Quando nos sentimos v√≠timas, todas as nossas ac√ß√Ķes e cren√ßas s√£o legitimadas, por mais question√°veis que sejam. Os nossos opositores, ou simplesmente os nossos vizinhos, deixam de estar ao nosso n√≠vel e transformam-se em inimigos. Deixamos de ser agressores para nos convertermos em defensores. A inveja, a cobi√ßa ou o ressentimento que nos movem ficam santificados, porque pensamos que agimos em defesa pr√≥pria. O mal, a amea√ßa, est√° sempre no outro. O primeiro passo para acreditar apaixonadamente √© o medo. O medo de perdermos a nossa identidade, a nossa vida, a nossa condi√ß√£o ou as nossas cren√ßas. O medo √© a p√≥lvora e o √≥dio o rastilho. O dogma, em √ļltima inst√Ęncia, √© apenas um f√≥sforo aceso.

A Virtude do Aforista

A excel√™ncia dos aforismos n√£o consiste tanto na express√£o de algum sentimento raro e abstruso, como na compreens√£o de algumas √≥bvias e √ļteis verdades em poucas palavras. N√≥s frequentemente ca√≠mos em erros e distrac√ß√Ķes, n√£o porque os verdadeiros princ√≠pios de ac√ß√£o n√£o sejam conhecidos, mas porque, durante algum tempo, eles n√£o s√£o recordados; e o aforista pode, ent√£o, ser enumerado justamente entre os benfeitores do g√©nero humano que contrai as grandes regras da vida em senten√ßas curtas, que podem ser facilmente colocadas na mem√≥ria, e serem ensinadas atrav√©s da lembran√ßa frequente para que possam ocorrer periodicamente √† mente.

A Vaidade d√° √ćmpeto √† Maioria das Ac√ß√Ķes

Os homens n√£o est√£o cientes do calor que emana do seu cora√ß√£o, embora ele d√™ vida e movimento a todas as outras partes do seu corpo. (…) O mesmo se d√° com a vaidade: ela √© t√£o natural para o homem que ele n√£o a percebe. E, embora seja isso que d√™, por assim dizer, vida e movimento √† maioria dos seus pensamentos e des√≠gnios, isso ocorre de um modo que √© impercept√≠vel para o sujeito. (…) Os homens n√£o percebem suficientemente que √© a vaidade que d√° √≠mpeto √† maioria de suas ac√ß√Ķes.