Textos sobre Medida

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Textos de medida escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

A Realidade da Vida e a Realidade do Mundo

A nossa crença na realidade da vida e na realidade do mundo não são, com efeito, a mesma coisa. A segunda provém basicamente da permanência e da durabilidade do mundo, bem superiores às da vida mortal. Se o homem soubesse que o mundo acabaria quando ele morresse, ou logo depois, esse mundo perderia toda a sua realidade, como a perdeu para os antigos cristãos, na medida em que estes estavam convencidos de que as suas expectativas escatológicas seriam imediatamente realizadas. A confiança na realidade da vida, pelo contrário, depende quase exclusivamente da intensidade com que a vida é experimentada, do impacte com que ela se faz sentir.
Esta intensidade √© t√£o grande e a sua for√ßa √© t√£o elementar que, onde quer que prevale√ßa, na alegria ou na dor, oblitera qualquer outra realidade mundana. J√° se observou muitas vezes que aquilo que a vida dos ricos perde em vitalidade, em intimidade com as ¬ęboas coisas¬Ľ da natureza, ganha em refinamento, em sensibilidade √†s coisas belas do mundo. O facto √© que a capacidade humana de vida no mundo implica sempre uma capacidade de transcender e alienar-se dos processos da pr√≥pria vida, enquanto a vitalidade e o vigor s√≥ podem ser conservados na medida em que os homens se disponham a arcar com o √≥nus,

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Artista, Homem e Revolucion√°rio

Creio que n√£o √© preciso. Em todo o caso, fica aqui a declara√ß√£o. O que eu fui sempre, o que eu sou, e o que serei, √© um artista, um homem e um revolucion√°rio. Na medida em que sou artista, quero um mundo onde a beleza seja o v√©rtice da pir√Ęmide. Na medida em que sou homem, quero que nesse mundo os indiv√≠duos sejam livres e conscientes. E na medida em que sou revolucion√°rio, quero que a revolu√ß√£o traga √† tona as grandes massas, e que nunca acabe de percorrer o seu caminho perp√©tuo, sem estratifica√ß√Ķes e sem dogmas.

Os Dias Ricos

√Č bom ter um dia complicado se formos n√≥s a complic√°-lo, √† medida que vamos andando. S√£o os dias ricos. Nunca sabemos o que vamos fazer a seguir mas fazemos sempre qualquer coisa a seguir, para n√£o interromper a cadeia.

Em vez de jantarmos em casa ou jantarmos fora, entramos num restaurante onde costumamos jantar e comemos apenas um petisco, um aperitivo. Os anfitri√Ķes tamb√©m apreciam a mudan√ßa. √Č como ir cumpriment√°-los.

Metemos conversa com um casal que s√≥ nos parece japon√™s porque queremos que seja, para lhes perguntar como preparam a massa Shirataki, que tem zero calorias. Perguntamos de onde s√£o? Da Holanda, respondem. Os preconceitos, no sentido de pr√©-ju√≠zos ou pensamentos j√° feitos (na verdade, substitutos e obst√°culos do conhecimento), s√£o cada vez mais in√ļteis.

Os hábitos são diferentes. Para celebrá-los, nem é preciso esquecê-los ou trocá-los por alternativas, felizes ou desagradáveis. O melhor é interrompê-los e acrescentar-lhes desvios espontaneamente decididos que enaltecem, através da diversão, a felicidade subjacente.

Os dias ricos levam outro dia inteiro a contar. Só fazer a lista do que se fez cansa tão bem como nadar um quilómetro, devagarinho, num oceano vivo que nos consente.

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Os Interesses na Actividade Política

Os jornais feitos com os pol√≠ticos criam nos seus meios restritos um estado de sobreexcita√ß√£o doentia que cada qual julga partilhado por todos os outros, e da√≠ vem que dum canto da capital, por defini√ß√£o a cabe√ßa do pa√≠s, o mais reduzido grupo partid√°rio convictamente julga falar em nome da Na√ß√£o. Mas h√° interesses mais directos e palp√°veis em jogo na actividade pol√≠tica, e o que √© pior √© que √† medida que o poder se corrompe e que o interesse colectivo √© sacrificado a interesses individuais, ao mundo pol√≠tico que espera e provoca as muta√ß√Ķes governativas, junta-se o outro mundo √°vido dos neg√≥cios. Na alta finan√ßa, nos bancos, no com√©rcio de especula√ß√£o nos grandes empreiteiros, entre os grandes fornecedores, mesmo no campo da produ√ß√£o propriamente dita, em ramos cuja vida depende em grande parte de actos governativos, existem j√° numerosos indiv√≠duos a interessar-se activamente pela pol√≠tica dos partidos. A influ√™ncia corrosiva da sua ac√ß√£o traz mais duma dificuldade grave √† governa√ß√£o p√ļblica.

A Razão ao Serviço do Instinto

O homem √© um ser que tem necessidades na medida em que pertence ao mundo sens√≠vel, e, a esse respeito, a sua raz√£o tem certamente um encargo que n√£o pode declinar em rela√ß√£o √† sensibilidade, o de se ocupar dos interesses da √ļltima, o de constituir m√°ximas pr√°ticas, em vista da felicidade desta vida e tamb√©m, quando √© poss√≠vel, da felicidade de uma vida futura. Mas n√£o √©, no entanto, t√£o completamente animal para ser indiferente a tudo o que a raz√£o lhe diz por ela mesma e para empreg√°-la simplesmente como um instrumento pr√≥prio para satisfazer as suas necessidades como ser sens√≠vel. Pois o facto de ter a raz√£o n√£o lhe d√° absolutamente um valor superior √† simples animalidade, se ela s√≥ devesse servir-lhe para o que o instinto realiza nos animais.

O Casal Comum

Depois da √©poca de palavras de amor, de palavras de raiva, de palavras, as rela√ß√Ķes entre os dois tornaram-se aos poucos imposs√≠veis de resultar numa frase ou numa realidade clara. √Ä medida que estavam casados h√° tanto tempo, as diverg√™ncias, as desconfian√ßas, certa rivalidade jamais chegavam √† tona, embora elas existissem entre eles como o plano dentro do qual se entendiam. Esse estado quase impedia uma ofensa e uma defesa, e jamais uma explica√ß√£o. Formavam o que se chama um casal comum.

O Mal das Doutrinas Religiosas

– Bem, o que at√© agora me pareceu mais interessante foi verificar que a grande maioria de todas essas cren√ßas parte de um facto ou de uma personagem de relativa probabilidade hist√≥rica, mas todas evoluem rapidamente para movimentos sociais subordinados e enformados pelas circunst√Ęncias pol√≠ticas, econ√≥micas e sociais do grupo que as aceita. Ainda est√° acordada?
Eulalia assentiu.
РUma boa parte da mitologia que se desenvolve à volta de cada uma destas doutrinas, desde a liturgia até às normas e tabus, provém da burocracia que é gerada à medida que evoluem e não do suposto facto sobrenatural que lhes deu origem. A maior parte das anedotas simples e bonançosas, um misto de senso comum e folclore, e toda a carga beligerante que conseguem desenvolver provém da interpretação posterior daqueles princípios, quando não tendem a desvirtuar-se, nas mãos dos seus administradores. A questão administrativa e hierárquica parece ser a chave da sua evolução. A verdade é revelada em princípio a todos os homens, mas depressa aparecem indivíduos que se atribuem o poder e o dever de interpretar, administrar e, nalguns casos, alterar essa verdade em nome do bem comum, estabelecendo para isso uma organização poderosa e potencialmente repressiva.

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O Aviltante Conceito da Perfectibilidade Humana

Converter em realidades os nossos sentimentos e propens√Ķes individuais, transformar as nossas disposi√ß√Ķes de √Ęnimo em medidas do universo, acreditar que, porque desejamos justi√ßa ou amamos a justi√ßa, a Natureza ter√° necessariamente de ter o mesmo desejo ou o mesmo amor, supor que, porque uma coisa √© m√°, ela pode ser tornada melhor sem a piorar, estas s√£o atitudes rom√Ęnticas e definem todos os esp√≠ritos que se revelam incapazes de conceber a realidade como algo situado fora deles pr√≥prios, como crian√ßas implorando por luas nesta Terra.
Quase todas as modernas reformas sociais s√£o concep√ß√Ķes rom√Ęnticas, um esfor√ßo para acomodar a realidade aos nossos desejos. O aviltante conceito da perfectibilidade humana.

A Vantagem de Ter Pouca Memória

Não há outro homem a quem aventurar-se a falar de memória assente tão mal. Pois praticamente não reconheço em mim vestígio dela, e não creio que haja no mundo uma outra tão prodigiosa em insuficiência. Tenho banais e comuns todas as minhas outras qualidades. Mas nesta creio ser singular e muito raro, e digno de por ela ganhar nome e fama.
(…) Em certa medida, consolo-me. Em primeiro lugar porque esse √© um mal pelo qual encontrei principalmente o meio de corrigir um mal pior que poderia facilmente ter surgido em mim, ou seja, a ambi√ß√£o, pois √© uma falta (a falta de mem√≥ria) inadmiss√≠vel para quem se envolve nos neg√≥cios do mundo; e porque, como mostram v√°rios exemplos semelhantes do andamento da natureza, esta de bom grado fortaleceu em mim outras faculdades na medida em que aquela se enfraqueceu, e facilmente eu iria deitando e enlaguescendo o meu esp√≠rito e o meu discernimento sobre os rastros de outrem, como faz o mundo, sem exercer as suas pr√≥prias for√ßas, se as ideias e opini√Ķes alheias estivessem presentes em mim pelo benef√≠cio da mem√≥ria.
E porque as minhas falas são mais curtas, pois o armazém da memória costuma ser mais bem provido de matéria do que o da invenção;

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Saber Resolver Problemas

Há pessoas que têm dificuldade em identificar os seus problemas. Usando de uma grande capacidade de adaptação, vão-se habituando a que as coisas lhes estejam a correr menos bem, sem conseguirem perceber exactamente qual o ou os problemas que os apoquentam.
Mas também existe quem tenha tendência para pensar que o problema não é seu. Percebem que ele existe, identificam-no, mas comportam-se com alguma indiferença, como se o problema fosse dos outros, não assumindo a sua responsabilidade.
H√° ainda quem fique √† espera que os problemas se resolvam por si, ou que algu√©m lhos resolva. Embora consigam identific√°-los e reconhec√™-los como seus, parecem considerar que compete a outros ‚ÄĒ familiares, amigos, colegas ‚ÄĒ ou √† sociedade em geral resolv√™-los.
Assim como existe quem, em vez de se dedicar a procurar solução para os seus problemas, concentrando neles a sua atenção e canalizando para a sua resolução a energia possível, prefira desenvolver práticas místicas, pretendendo que uma ou várias entidades mais ou menos divinas façam o que afinal lhes compete a eles próprios fazer.

Um problema √© uma coisa dif√≠cil de compreender, explicar ou resolver. √Č tudo aquilo que resiste √† penetra√ß√£o da intelig√™ncia, constituindo uma inc√≥gnita ou dificuldade a resolver.

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O Homem de Ideias

N√£o √© l√≠cito dizer que tem ideias aquele que as foi buscar a outro, que envergou um sistema j√° pronto, que n√£o o construiu ele mesmo a pouco e pouco, √† medida que se ia alargando e aprofundando a sua vis√£o do mundo; para ¬ęter ideias¬Ľ √© necess√°rio um trabalho de autoforma√ß√£o, de modela√ß√£o cont√≠nua da alma, uma assimila√ß√£o que n√£o cessa de tudo o que uma determinada personalidade encontra de assimil√°vel no que a cerca, ou passado ou presente; a ideia surge da vida pr√≥pria e n√£o da vida dos outros; o homem que tem individualidade (√© muito dif√≠cil ser indiv√≠duo), ou a busca, pode inserir no seu pensamento fragmentos de pensamento alheio, mas apenas insere aqueles que, como algarismos num n√ļmero, mudam de valor conforme a posi√ß√£o; inventa uma coluna vertebral que s√≥ a ele pertence e caracteriza, depois procura o que se lhe pode adaptar sem desarmonia nem contradi√ß√£o.
Faz como o caracol que se não instala na concha de outro caracol; fabrica-a e aumenta-a ao mesmo ritmo que se fabrica e aumenta o corpo que a enche; os Eremitas são bichos traiçoeiros. Aprender ideias não tem valor senão quando nos serve para formar ideias; se apenas as queremos usar não merecemos nem a confiança nem a consideração de ninguém;

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O Saber Ajuda em Todas as Actividades

O mero fil√≥sofo √© geralmente uma personalidade pouco admis¬≠s√≠vel no mundo, pois sup√Ķe-se que ele em nada contribui para o be¬≠nef√≠cio ou para o prazer da sociedade, porquanto vive distante de toda comunica√ß√£o com os homens e envolto em princ√≠pios e no√ß√Ķes igualmente distantes de sua compreens√£o. Por outro lado, o mero ig¬≠norante √© ainda mais desprezado, pois n√£o h√° sinal mais seguro de um esp√≠rito grosseiro, numa √©poca e uma na√ß√£o em que as ci√™ncias florescem, do que permanecer inteiramente destitu√≠do de toda esp√©cie de gosto por estes nobres entretenimentos. Sup√Ķe-se que o car√°cter mais perfeito se encontra entre estes dois extremos: conserva igual capacidade e gosto para os livros, para a sociedade e para os neg√≥cios; mant√©m na conversa√ß√£o discernimento e delicadeza que nascem da cultura liter√°ria; nos neg√≥cios, a probidade e a exatid√£o que resultam naturalmente de uma filosofia conveniente. Para difundir e cultivar um car√°cter t√£o aperfei√ßoado, nada pode ser mais √ļtil do que as com¬≠posi√ß√Ķes de estilo e modalidade f√°ceis, que n√£o se afastam em demasia da vida, que n√£o requerem, para ser compreendidas, profunda apli¬≠ca√ß√£o ou retraimento e que devolvem o estudante para o meio de homens plenos de nobres sentimentos e de s√°bios preceitos,

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A Justa Medida

As necessidades do corpo s√£o a justa medida do que cada um de n√≥s deve possuir. Exemplo: o p√© s√≥ exige um sapato √† sua medida. Se assim considerares as coisas, respeitar√°s em tudo quanto fa√ßas as devidas propor√ß√Ķes. Se ultrapassares estas propor√ß√Ķes, ser√°s, por tal maneira de agir, necessariamente desregrado como se um precip√≠cio te seduzisse. O sapato √© exemplo ainda deste estado de coisas: se fores para al√©m do que o teu p√© necessita, n√£o tardar√° muito que anseies por um sapato dourado, por um sapato de p√ļrpura depois, finalmente por um sapato bordado. Uma vez que se menospreze a justa medida, deixa de haver qualquer limite que justos torne os nossos prop√≥sitos.

Os Comunistas

… Passaram bastantes anos desde que ingressei no Partido… Estou contente… Os comunistas constituem uma boa fam√≠lia… T√™m a pele curtida e o cora√ß√£o valoroso… Por todo o lado recebem pauladas… Pauladas exclusivamente para eles… Vivam os espiritistas, os mon√°rquicos, os aberrantes, os criminosos de v√°rios graus… Viva a filosofia com fumo mas sem esqueletos… Viva o c√£o que ladra e que morde, vivam os astr√≥logos libidinosos, viva a pornografia, viva o cinismo, viva o camar√£o, viva toda a gente menos os comunistas… Vivam os cintos de castidade, vivam os conservadores que n√£o lavam os p√©s ideol√≥gicos h√° quinhentos anos… Vivam os piolhos das popula√ß√Ķes miser√°veis, viva a for√ßa comum gratuita, viva o anarco-capitalismo, viva Rilke, viva Andr√© Gide com o seu coribantismo, viva qualquer misticismo… Tudo est√° bem… Todos s√£o her√≥icos… Todos os jornais devem publicar-se… Todos devem publicar-se, menos os comunistas… Todos os pol√≠ticos devem entrar em S√£o Domingos sem algemas… Todos devem festejar a morte do sanguin√°rio Trujillo, menos os que mais duramente o combateram… Viva o Carnaval, os derradeiros dias do Carnaval… H√° disfarces para todos… Disfarces de idealistas crist√£os, disfarces de extrema-esquerda, disfarces de damas beneficentes e de matronas caritativas… Mas, cuidado, n√£o deixem entrar os comunistas…

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Cada um Usa a História da Forma que a Sente

A hist√≥ria pertence ao ser vivo por tr√™s raz√Ķes: porque ele √© activo e ambicioso; porque tem o gosto pela conserva√ß√£o e pela venera√ß√£o; porque sofre e tem necessidade de liberta√ß√£o. A essa rela√ß√£o tripla corresponde a forma tripla da hist√≥ria, na medida em que √© permitido distingui-las: hist√≥ria monumental, hist√≥ria tradicionalista, hist√≥ria cr√≠tica.
(…) Quando o homem que quer criar grandes coisas precisa do passado, usa a hist√≥ria monumental. Ao contr√°rio, aquele que quer perpetuar o que √© habitual e h√° muito venerado ocupa-se do passado mais como antiqu√°rio do que como historiador. Apenas aquele que a necessidade presente sufoca e quer a qualquer pre√ßo afastar o seu peso sente a necessidade de uma hist√≥ria cr√≠tica, isto √©, que julga e condena.

Próxima Estação

Querida amiga,

J√° ter√°s partido para longe quando estiveres a ler estas linhas… permite-me que partilhe contigo o que sinto a respeito desta tua grande mudan√ßa…

Nunca √© bom colocarmos qualquer tipo de √Ęncora na saudade ou nos sonhos. A nossa casa, o nosso pa√≠s, √© o lugar onde n√≥s estamos. √Č a√≠ que temos de ser quem somos. √Č a√≠ que temos de descobrir a felicidade de cada dia. Tudo o resto √© estrangeiro.

Cada homem pertence tanto ao s√≠tio de onde vem como √†quele para onde vai. A ideia de que as nossas ra√≠zes nos prendem e condenam segue na linha errada da outra, tamb√©m comum, de que os sonhos nos fazem perder… n√£o, a vida √© esta forma de ir sendo sempre mais, o que se foi, tanto quanto o que ainda n√£o se √©… uma viagem, n√£o uma esta√ß√£o.
Sei que partes com dor porque temes perder quem aqui fica e n√£o ter ningu√©m por l√°, onde chegar√°s… sabes, em pouco tempo, ter√°s de aceitar que muitos dos que agora lamentam muito a tua partida, se preocupar√£o t√£o pouco em saber como est√°s…

J√° fizeste muita gente feliz aqui…

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M√°ximas do Nosso Saber

O que sabemos, sabemo-lo afinal apenas para n√≥s mesmos. Se falo com algu√©m daquilo que julgo saber, acontece que imediatamente ele sup√Ķe saber o assunto melhor que eu, e sou obrigado a regressar a mim mesmo com o meu saber. O que sei bem, sei-o apenas para mim. Uma palavra pronunciada por outro raramente constitui um est√≠mulo. Na maior parte das vezes suscita contradi√ß√£o, paralisia ou indiferen√ßa.
Instruamo-nos primeiro a n√≥s pr√≥prios e seremos depois capazes de receber instru√ß√Ķes dos outros.
Em boa verdade aprendemos sempre em livros que n√£o somos capazes de avaliar. O autor de um livro que f√īssemos capazes de avaliar teria que aprender connosco.
Muitos h√° que t√™m orgulho no que sabem. Face ao que n√£o sabem costumam ser arrogantes. No fundo s√≥ se sabe quando se sabe pouco. √Ä medida que cresce o saber, crece igualmente a d√ļvida.

A Nefasta Hiperdemocracia dos Nossos Tempos

Ningu√©m, creio eu, deplorar√° que as pessoas gozem hoje em maior medida e n√ļmero que antes, j√° que t√™m para isso os apetites e os meios. O mal √© que esta decis√£o tomada pelas massas de assumir as actividades pr√≥prias das minorias, n√£o se manifesta, nem pode manifestar-se, s√≥ na ordem dos prazeres, mas que √© uma maneira geral do tempo. Assim (…) creio que as inova√ß√Ķes pol√≠ticas dos mais recentes anos n√£o significam outra coisa sen√£o o imp√©rio pol√≠tico das massas. A velha democracia vivia temperada por uma dose abundante de liberalismo e de entusiasmo pela lei. Ao servir a estes princ√≠pios o indiv√≠duo obrigava-se a sustentar em si mesmo uma disciplina dif√≠cil. Ao amparo do princ√≠pio liberal e da norma jur√≠dica podiam atuar e viver as minorias. Democracia e Lei, conviv√™ncia legal, eram sin√≥nimos. Hoje assistimos ao triunfo de uma hiperdemocracia em que a massa actua directamente sem lei, por meio de press√Ķes materiais, impondo suas aspira√ß√Ķes e seus gostos.
√Č falso interpretar as situa√ß√Ķes novas como se a massa se houvesse cansado da pol√≠tica e encarregasse a pessoas especiais o seu exerc√≠cio. Pelo contr√°rio. Isso era o que antes acontecia, isso era a democracia liberal. A massa presumia que,

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A Imortalidade Pela Literatura, a Filosofia Como Meio de a Aceder

Simone de Beauvoir: Com que contava para sobreviver Рna medida em que pensava sobreviver: com a literatura ou com a filosofia? Como sentia a sua relação com a literatura e a filosofia? Prefere que as pessoas gostem da sua filosofia ou da sua literatura, ou quer que gostem das duas?
Jean-Paul Sartre: Claro que responderei: que gostem das duas. Mas h√° uma hierarquia, e a hierarquia √© a filosofia em segundo e a literatura em primeiro. Desejo obter a imortalidade pela literatura, a filosofia √© um meio de aceder a ela. Mas aos meus olhos ela n√£o tem em si um valor absoluto, porque as circunst√Ęncias mudar√£o e trar√£o mudan√ßas filos√≥ficas. Uma filosofia n√£o √© v√°lida por enquanto, n√£o √© uma coisa que se escreve para os contempor√Ęneos; ela especula sobre realidades intemporais; ser√° for√ßosamente ultrapassada por outros porque fala da eternidade; fala de coisas que ultrapassam de longe o nosso ponto de vista individual de hoje; a literatura, pelo contr√°rio, inventaria o mundo presente, o mundo que se descobre atrav√©s das leituras, das conversas, das paix√Ķes, das viagens; a filosofia vai mais longe; ela considera que as paix√Ķes de hoje, por exemplo, s√£o paix√Ķes novas que n√£o existiam na Antiguidade;

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Saber Estar em Sociedade

O homem que n√£o tem mais do que o pr√≥prio valor necessita de ser excelente em grande n√ļmero de virtudes, tal como a pedra que n√£o √© preciosa necessita de ser revestida de metal; mas comummente acontece com a reputa√ß√£o o mesmo que com o lucro, se √© verdadeiro o prov√©rbio que diz: que com leves ganhos se fazem pesadas bolsas, porque estes s√£o frequentes, enquanto os grandes s√≥ chegam de vez em quando; assim, tamb√©m √© verdade que pequenas coisas ganham grande recomenda√ß√£o, porque s√£o de uso e de observa√ß√£o corrente, enquanto a ocasi√£o de manifestar grandes virtudes s√≥ √© dada nos dias-santos. Para adquirir boas maneiras basta apenas n√£o as desdenhar, porque, habituando-nos a observ√°-las nos outros, deixamos confiadamente operar em n√≥s a imita√ß√£o; pois se cuidarmos de as exprimir, perdem logo a sua gra√ßa, a qual √© serem naturais e desafectadas. O comportamento de cada homem deve ser como um verso, no qual todas as s√≠labas s√£o medidas. Como pode um homem ocupar-se de grandes assuntos, se quebra demasiado o seu esp√≠rito com mesquinhas observa√ß√Ķes? N√£o usar completamente de cerim√≥nias √© ensinar aos outros que n√£o as usem tamb√©m, e assim diminuir o respeito pr√≥prio; especialmente, n√£o devem ser omitidas perante estrangeiros e pessoas desconhecidas.

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