Textos sobre Sentidos

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Textos de sentidos escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

A Racionaliza√ß√£o das Emo√ß√Ķes

O ponto de vista feminino tem sido muito mais difícil de expressar que o masculino. Se assim me posso exprimir, o ponto de vista feminino não passa pela racionalização por que o intelecto do homem faz passar os seus sentimentos. A mulher pensa emocionalmente; a sua visão baseia-se na intuição. Por exemplo, ela pode ter um sentimento em relação a qualquer coisa que nem sequer é capaz de articular.
A princ√≠pio, achei extremamente dif√≠cil descrever como me sentia. Por√©m, se fazemos psican√°lise, a quest√£o √© sempre: ¬ęComo √© que se sentiu em rela√ß√£o a isso?¬Ľ e n√£o ¬ęO que √© que pensou?¬Ľ E como muito frequentemente a mulher n√£o deu o segundo passo, que √© explicar a sua intui√ß√£o – por que passos l√° chegou, o a-b-c daquilo – ela n√£o consegue ser t√£o articulada.
Ora eu tentei fazer isso (quer tenha conseguido quer n√£o), e, porque estava a escrever um di√°rio que pensava que ningu√©m leria, consegui anotar o que sentia acerca das pessoas ou o que sentia acerca do que via sem o segundo processo. O segundo processo veio atrav√©s da psican√°lise, que era igualmente um m√©todo de comunicar com o homem em termos de uma racionaliza√ß√£o das nossas emo√ß√Ķes de modo que pare√ßam fazer sentido ao intelecto masculino.

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A Racionalidade Irracional

Eu digo muitas vezes que o instinto serve melhor os animais do que a raz√£o a nossa esp√©cie. E o instinto serve melhor os animais porque √© conservador, defende a vida. Se um animal come outro, come-o porque tem de comer, porque tem de viver; mas quando assistimos a cenas de lutas terr√≠veis entre animais, o le√£o que persegue a gazela e que a morde e que a mata e que a devora, parece que o nosso cora√ß√£o sens√≠vel dir√° ¬ęque coisa t√£o cruel¬Ľ. N√£o: quem se comporta com crueldade √© o homem, n√£o √© o animal, aquilo n√£o √© crueldade; o animal n√£o tortura, √© o homem que tortura. Ent√£o o que eu critico √© o comportamento do ser humano, um ser dotado de raz√£o, raz√£o disciplinadora, organizadora, mantenedora da vida, que deveria s√™-lo e que n√£o o √©; o que eu critico √© a facilidade com que o ser humano se corrompe, com que se torna maligno.

Aquela ideia que temos da esperança nas crianças, nos meninos e nas meninas pequenas, a ideia de que são seres aparentemente maravilhosos, de olhares puros, relativamente a essa ideia eu digo: pois sim, é tudo muito bonito, são de facto muito simpáticos,

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A Pr√°tica Fomenta a Vontade

Se desejamos tornar-nos fortes, temos, primeiro, de comprender o que √© a vontade. A vontade n√£o √© nenhuma entidade m√≠stica, que presida aos outros elementos do car√°cter, qual mestre de banda – sim, a soma, a subst√Ęncia de todos os nossos impulsos e disposi√ß√Ķes. Essa energia formadora do car√°cter n√£o tem senhor a quem obede√ßa al√©m de si pr√≥pria; e √© gra√ßas a ela que algum poderoso impulso pode vir a dominar e unificar o complexo. Isto forma a ¬ęfor√ßa de vontade¬Ľ – um supremo desejo que se ergue acima dos mais para arrast√°-los num mesmo sentido ou para uma dada meta. Se n√£o descobrimos essa meta n√£o alcan√ßaremos a unidade – e seremos simples pedra de que outro homem se utiliza nas suas constru√ß√Ķes.
Vem daí a inutilidade da leitura de livros que apontam as estradas reais do carácter. Tenho diante de mim um volume de um tal Leland (Londres, 1912), intitulado Tendes a Vontade Forte? ou Como Desenvolver Qualquer Faculdade do Espírito pelo Fácil Processo do Auto-Hipnotismo. Existem centenas destas obras-primas ao alcance dos simplórios de todas as cidades. Mas o caminho é mais penoso e longo.
Esse caminho é o caminho da vida. Vontade, isto é,

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Humanismo e Liberalismo

O termo humanismo √© infelizmente uma palavra que serve para designar as correntes filos√≥ficas, n√£o somente em dois sentidos, mas em tr√™s, quatro, cinco ou seis. Toda a gente √© humanista na hora que passa, at√© mesmo certos marxistas que se descobrem racionalistas cl√°ssicos, s√£o humanistas num enfadonho sentido, derivado das ideias liberais do √ļltimo s√©culo, o dum liberalismo refractado atrav√©s de toda a crise actual. Se os marxistas podem pretender ser humanistas, as diferentes religi√Ķes, os crist√£os, os hindus, e muitos outros afirmam-se tamb√©m antes de mais humanistas, como por sua vez o existencialista, e de um modo geral, todas as filosofias. Actualmente muitas correntes pol√≠ticas se reivindicam igualmente um humanismo. Tudo isso converge para uma esp√©cie de tentativa de restabelecimento duma filosofia que, apesar da sua pretens√£o, recusa no fundo comprometer-se, e recusa comprometer-se, n√£o somente no ponto de vista pol√≠tico e social, mas tamb√©m num sentido filos√≥fico profundo.

Se o cristianismo se pretende antes de tudo humanista, √© porque ele n√£o pode comprometer-se, quer dizer participar na luta das for√ßas progressivas, porque se mant√©m em posi√ß√Ķes reaccion√°rias frente a esta revolu√ß√£o. Quando os pseudomarxistas ou os liberais se reclamam da pessoa antes do mais, √© porque eles recuam diante das exig√™ncias da situa√ß√£o presente no mundo.

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A Nossa Maior Crueldade é o Tempo

A nossa maior crueldade √© o tempo. Como um fabricante de armadilhas desajeitado que acaba sempre prisioneiro das engrenagens que produz, tamb√©m n√≥s inventamos o tempo e nunca temos tempo. Os nossos rel√≥gios nunca dormem. Quantas vezes o tempo √© a nossa desculpa para desinvestir da vida, para perpetuar o desencontro que mantemos com ela? Como n√£o temos diante de n√≥s os s√©culos, renunciamos √† aud√°cia de viver plenamente o breve instante. A imagem de crono, devorando aquilo que gera, obsidia-nos. O tempo consome-nos sem nos encaminhar verdadeiramente para a consuma√ß√£o da promessa. Nesse sentido, o consumo desenfreado n√£o √© outra coisa que uma bolsa de compensa√ß√Ķes. As coisas que se adquirem s√£o naquele momento, obviamente, mais do que coisas: s√£o promessas que nos acenam, s√£o protestos impotentes por uma exist√™ncia que n√£o nos satisfaz, s√£o fic√ß√Ķes do nosso teatro interno, s√£o uma corrida contra o tempo. A verdade √© que precisamos reconciliar-nos com o tempo. N√£o nos basta um conceito de tempo linear, ininterrupto, mecanizado, puramente hist√≥rico. O continuum homog√©neo do tempo que a teoria do progresso desenha n√£o conhece a rutura trazida pela novidade surpreendente. E a reden√ß√£o √© essa novidade. Precisamos identificar uma dupla significa√ß√£o no instante presente.

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A Ilus√£o Pol√≠tica das Grandes Manifesta√ß√Ķes Populares

Nisto de manifesta√ß√Ķes populares, o mais dif√≠cil √© interpret√°-las. Em geral, quem a elas assiste ou sabe delas ingenuamente as interpreta pelos factos como se deram. Ora, nada se pode interpretar pelos factos como se deram. Nada √© como se d√°. Temos que alterar os factos, tais como se deram, para poder perceber o que realmente se deu. √Č costume dizer-se que contra factos n√£o h√° argumentos. Ora s√≥ contra factos √© que h√° argumentos. Os argumentos s√£o, quase sempre, mais verdadeiros do que os factos. A l√≥gica √© o nosso crit√©rio de verdade, e √© nos argumentos, e n√£o nos factos, que pode haver l√≥gica.
Nisto de manifesta√ß√Ķes ‚ÄĒ ia eu dizendo ‚ÄĒ o dif√≠cil √© interpret√°-las. Porque, por exemplo, uma manifesta√ß√£o conservadora √© sempre feita por mais gente do que toma parte nela. Com as manifesta√ß√Ķes liberais sucede o contr√°rio. A raz√£o √© simples. O temperamento conservador √© naturalmente avesso a manifestar-se, a associar-se com grande facilidade; por isso, a uma manifesta√ß√£o conservadora vai s√≥ um reduzido n√ļmero da gente que poderia, ou mesmo quereria, ir. O feitio ps√≠quico dos liberais √©, ao contr√°rio, expansivo e associador; as manifesta√ß√Ķes dos “avan√ßados” englobam, por isso, os pr√≥prios indiferentes de sa√ļde,

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Antecipar a Recusa

Não cometas a asneira de pedir a alguém um objecto raro que lhe é querido, sobretudo se não tens necessidade expressa dele. Porque, se to recusar, sentirá que te ofendeu e guardar-te-á rancor; se consentir, também te quererá mal, porque passará a considerar-te como um pedinchão incómodo e indelicado.
Como é sempre desagradável ouvir uma recusa, nada peças que não estejas certo de obter. Por isso é que mais vale nada pedir directamente, mas dar a entender por meias palavras o que nos faz falta.
Quando tencionas solicitar um favor, não o deixes adivinhar antes de o teres obtido. Declara mesmo abertamente que nada esperas nesse sentido. Anuncia por toda a parte que foi concedido a outra pessoa aquilo que por um momento cobiçaras e vai felicitar o feliz eleito.
Se te recusarem alguma coisa, compra uma pessoa que tenha mais possibilidades que tu, de modo a que te entregue discretamente o objecto desejado, uma vez obtido.
Se algu√©m disputa uma honra que tamb√©m cobi√ßas, envia-lhe secretamente um emiss√°rio que, em nome da amizade, o dissuada falando-lhe dos m√ļltiplos obst√°culos que em todo o caso teria de enfrentar.

A Dualidade do Simbolismo

Um s√≠mbolo cont√©m uma verdade e uma inverdade, indestrin√ß√°veis para o sentimento. Se o tomarmos tal como √© e o configurarmos atrav√©s dos sentidos e √† imagem da realidade, nascem da√≠ o sonho e a arte; mas entre estes e a vida real e plena ergue-se uma parede de vidro. Se o apreendermos com a raz√£o e separarmos o que n√£o coincide do que coincide perfeitamente, nascem da√≠ a verdade e o conhecimento, mas arruinamos o sentimento. √Ä semelhan√ßa daquelas estirpes de bact√©rias que dividem em duas partes a mat√©ria org√Ęnica, a esp√©cie humana fragmenta em duas a condi√ß√£o vital primordial do s√≠mbolo: a mat√©ria s√≥lida da realidade e da verdade, e a atmosfera v√≠trea da intui√ß√£o, da f√© e do artefacto. Parece n√£o haver uma terceira possibilidade; mas quantas vezes algo de incerto acaba por ser desejado, se n√£o metermos muito a reflex√£o no caso!

Pudesse Eu Contar as Vezes

Pudesse eu contar as vezes que ferrei os cantos da boca imaginando que eram teus os dentes que assim me amavam; que eram os teus l√°bios aqueles que, nessas ocasi√Ķes, eu mordia. Lembras-te de uma frase que costumavas citar, por t√™-la escutado em qualquer parte, ou lido, j√° n√£o sei bem? Aquela que dizia
– A minha anatomia enlouqueceu; sou toda corar√£o.
Pois √© como me tenho sentido, mais ou menos assim, com a anatomia enlouquecida, sem saber j√° quais s√£o os meus dentes ou qual a minha boca; como se cada peda√ßo meu n√£o fosse mais do que saudade de ti: o desejo de te voltar a ver, de te cobrir outra vez de beijos – olhos, boca, rosto, o corpo todo de beijos -, de te abra√ßar e sentir o teu cheiro, de tomar nas m√£os o ramo crespo dos teus cabelos e inalar a fragr√Ęncia do teu pesco√ßo. Possuo agora, em mim apenas, nos limites da minha topografia, toda a exalta√ß√£o dos nossos corpos e sinto que n√£o chego para tanto porque a soma de n√≥s dois excedeu sempre a exist√™ncia f√≠sica dos nossos corpos. √Č como se rebentasse por dentro e tivesse de esticar a alma –

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De que Valem a Experiência e o Conhecimento na Velhice?

¬ęEnvelhe√ßo aprendendo sempre¬Ľ – S√≥lon, na sua velhice, repetia muitas vezes este verso. O sentido que esse verso possui permitir-me-ia diz√™-lo tamb√©m na minha; mas √© bem triste o conhecimento que, desde h√° vinte anos, a experi√™ncia me fez adquirir: a ignor√Ęncia ainda √© prefer√≠vel. A adversidade √©, sem d√ļvida, um grande mestre, mas faz pagar caro as suas li√ß√Ķes e muitas vezes o proveito que delas se tira n√£o vale o pre√ßo que custaram. Ali√°s, a oportunidade de nos servirmos desse saber tardio passa antes de o termos adquirido.
A juventude √© o tempo pr√≥prio para se aprender a sabedoria; a velhice √© o tempo pr√≥prio para a praticar. A experi√™ncia instrui sempre, confesso, mas n√£o √© √ļtil sen√£o durante o espa√ßo de tempo que temos √† nossa frente. √Č no momento em que se vai morrer que se deve aprender como se deveria ter vivido?
De que me servem os conhecimentos que t√£o tarde e t√£o dolorosamente adquiri sobre o meu destino e sobre as paix√Ķes alheias de que ele √© o fruto? N√£o aprendi a conhecer os homens sen√£o para melhor sentir a desgra√ßa em que me mergulharam e esse conhecimento, embora me revelasse todas as suas armadilhas,

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Mente ou Pedra

Esta cidade √© conhecida em todos os arredores por possuir as maiores estrebarias para bois, vacas e cavalos, constru√ß√Ķes que n√£o ficam a dever nada nem sequer aos edif√≠cios p√ļblicos; por outro lado contam-se aqui pelos dedos os locais onde se pode rezar ou discursar com total liberdade.
Em vez de se autocelebrarem por meio da arquitectura, n√£o deveriam as na√ß√Ķes faz√™-lo pelo poder do seu pensamento abstracto? O Bagavad-Gita √© muito mais admir√°vel do que todas as ru√≠nas do oriente. Torres e templos s√£o luxo de pr√≠ncipes. A mente simples e livre n√£o moureja sob as ordens de nenhum pr√≠ncipe. O esp√≠rito n√£o √© privil√©gio de nenhum imperador, nem s√£o exclusivos deste, a n√£o ser em insignificante medida, a prata, o ouro e o m√°rmore. Com que finalidade, digam-me l√°, se talha tanta pedra?
Quando estive na Arc√°dia, n√£o vi pedras a serem lavradas. As na√ß√Ķes s√£o possu√≠das pela louca ambi√ß√£o de perpetuarem a sua mem√≥ria com a soma das esculturas que deixam. Que tal se esfor√ßos semelhantes fossem despendidos no sentido de aperfei√ßoar e polir a sua conduta? Uma obra de bom senso seria mais memor√°vel que um momumento da altura da Lua. Prefiro contemplar as pedras no seu local de origem.

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Fartos da Demagogia e do Sectarismo

E os Portugueses? Fartos dos malabarismos que os partidos do poder fizeram para a ele se manterem agarrados, fartos da demagogia e do sectarismo, correspondem a esta crise pol√≠tica com uma atitude de profunda indiferen√ßa, que √© altamente preocupante em democracia. (…) Face a esta crise nacional, face a um pa√≠s angustiado, desagregado e √† deriva, em que se fracionaram os sentidos de solidariedade e de interesse nacional para serem substitu√≠dos por uma pol√≠tica do salve-se quem puder, o Povo Portugu√™s esperava que este debate lhe trouxesse finalmente uma esperan√ßa nova de ver os partidos discutirem aqui os verdadeiros problemas nacionais, de ver os partidos reconsiderarem aqui as suas posi√ß√Ķes, reconhecerem os seus erros, disporem-se a encetar vida nova.

Fartamo-nos Sempre dos Pesadelos dos Outros

Fartamo-nos sempre dos pesadelos dos outros e dos gritos no quarto ao lado pela madrugada, sejam de quem forem. Conseguimos ouvir durante um tempo, segurar na m√£o, esquecer as horas, oferecer um calmante, um copo de √°gua; mas, se queremos realmente continuar a viver de verdade, n√£o temos rem√©dio sen√£o acabar por colocar qualquer tipo de barreira a tudo isso, tapar os ouvidos e, seja como for, alhear-nos. Fugir dali, deixando a s√≥s quem geme. √Č como abandonar um ferido na valeta quando o inimigo se aproxima a passos largos e n√£o faz sentido correr o risco de ficar a contempl√°-lo a esvair-se em sangue.

A Fonte da Harmonia

A boa disposi√ß√£o e a alegria de um c√£o, o seu amor incondicional pela vida e a prontid√£o dele para a celebrar a todo o momento contrasta muito com o estado de esp√≠rito do dono – deprimido, ansioso, sobrecarregado de problemas, perdido em pensamentos, ausente do √ļnico lugar e do √ļnico tempo que existe: o Aqui e o Agora. E uma pessoa interroga-se: vivendo com algu√©m assim, como consegue o c√£o manter-se t√£o equilibrado e s√£o, t√£o cheio de alegria?

Quando apreendemos a Natureza apenas através da mente, do pensamento, não somos capazes de sentir a sua força de viver e de existir. Vemos somente a parte física, a matéria, e não nos apercebemos da vida interior Рo mistério sagrado. O pensamento reduz a Natureza a uma mercadoria que se usa na busca de benefícios ou de conhecimento ou de qualquer outro fim utilitário. A floresta ancestral passa a ser vista apenas como madeira, o pássaro como um objecto de investigação, a montanha como alguma coisa para se explorar ou conquistar.

Quando se apreende a Natureza, deve-se permitir que hajam momentos sem pensamento, sem a intervenção da mente. Ao aproximarmo-nos da Natureza desta maneira, ela responde-nos e,

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Agimos Sempre no Sentido do Destino

No fundo, a sabedoria do destino √© a nossa pr√≥pria. Porque a acompanhamos com uma consci√™ncia incessante daquilo que, no fundo, nos √© permitido fazer. Podemos estar sujeitos a algumas tenta√ß√Ķes mas nunca nos enganamos. Agimos sempre no sentido do destino. As duas coisas formam uma s√≥.
Quem se engana é porque ainda não compreende o seu destino. Quer dizer, não compreende qual a resultante de todo o seu passado Рo qual lhe indica o futuro. Mas quer o compreenda ou não, indica-lho à mesma. Cada vida é aquilo que devia ser.

A Maior Necessidade do Homem

A maior necessidade do homem √© sentir que √© necess√°rio. Se no mundo n√£o existir ningu√©m que precise de n√≥s, cometeremos suic√≠dio, n√£o conseguiremos viver. √Č estranho – talvez nunca tenham pensado nisto, que estamos continuamente √† procura de quem precise de n√≥s. Isto faz de n√≥s seres preciosos, d√°-nos valor, um certo significado. Talvez as mulheres se casem com os homens apenas para preencher a necessidade de se sentir necess√°ria. E a raz√£o poder√° ser igualmente v√°lida para os homens, talvez desejem sentir que uma determinada mulher precisa deles.

Os homens tentaram impedir as mulheres de ganharem dinheiro, de trabalharem, de se instru√≠rem e educarem. As explica√ß√Ķes para isso s√£o de ordem pol√≠tica, econ√≥mica, entre outras, mas a raz√£o psicol√≥gica reside no facto de os homens desejarem a depend√™ncia das mulheres para que elas nunca deixem de precisar deles e os fa√ßam sentirem-se bem por haver algu√©m que precisa deles. Juntos ter√£o filhos e ambos se sentir√£o bem pelo facto de essas crian√ßas precisarem deles: √© um motivo para viver. Temos de viver pelo bem dessas crian√ßas, temos de viver pelo bem da nossa mulher, temos de viver pelo bem do nosso marido: a vida deixa de ser algo desprovido de sentido.

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O Prazer Puro do Amor para uma Rapariga Honesta

O que, subconscientemente, na rapariga honesta torna agrad√°vel o namoro, √© nitidamente distrin√ß√°vel. Um acto agrad√°vel √© agrad√°vel n√£o s√≥ no acto mas na antecipa√ß√£o dele; e, ausentes certos elementos psicol√≥gicos n√£o orientadores desse acto, em geral, na antecipa√ß√£o ainda n√£o imediata, porque na antecipa√ß√£o para da√≠ a pouco a √Ęnsia de chegar a ele, amorna (ou, perturba) um tanto o […] da esperan√ßa. ‚ÄĒ Ora o ¬ęflirt¬Ľ, o namoro, n√£o √© sen√£o, analisada sem escr√ļpulo a sua ess√™ncia √≠ntima, uma antecipa√ß√£o da possibilidade de uma c√≥pula. Repare-se que n√£o √© a antecipa√ß√£o de uma c√≥pula, o que, por mais directo, √© mais perturbante. O que se chama o prazer puro do amor (no que √© namoro ou ¬ęflirt¬Ľ) n√£o √© sen√£o um prazer muito grande porque isento (e nesse sentido puro) do elemento perturbante do directo desejo, ou imediata esperan√ßa, do coito.

O suicídio é um sintoma de perda de consciência do sentido da vida

O suicídio é um sintoma de perda de consciência do sentido da vida.

Sou um Verdadeiro Solit√°rio

O meu sentido ardente de justi√ßa social e de dever social estiveram sempre em estranho desacordo com uma marcada car√™ncia de necessidade directa de liga√ß√£o com os homens e com as comunidades humanas. Sou um verdadeiro solit√°rio (¬ęEinsp√§nner¬Ľ), que nunca pertenceu inteiramente e de todo o cora√ß√£o ao Estado, √† P√°tria, ao c√≠rculo dos amigos ou at√© mesmo √† fam√≠lia mais chegada, mas antes pelo contr√°rio experimentou sempre, em rela√ß√£o a todas essas liga√ß√Ķes, um sentimento indom√°vel de estranheza e de √Ęnsia de isolamento, um sentimento que com a idade mais se intensifica. Apercebemo-nos nitidamente, mas sem o lamentarmos, que nos √© limitada a conviv√™ncia em sociedade com outros seres humanos. Um homem desta natureza perde, de certo modo, uma parte da sua maneira de ser inocente e despreocupada mas ganha em se sentir largamente independente das opini√Ķes, dos h√°bitos e ju√≠zos dos homens, e n√£o cai na tenta√ß√£o de estabelecer o seu equil√≠brio numa base t√£o pouco s√≥lida.

A Desvantagem da Sabedoria

A sua inteligência estorvava-o. Que podia esperar da sabedoria e das suas cinco propriedades?
Primeiro, ele saberia como tratar os problemas dif√≠ceis ligados √† conduta humana e ao sentido da vida. Mas isso n√£o era priorit√°rio para ningu√©m, iam ach√°-lo desalmado e p√īr-lhe toda a esp√©cie de obst√°culos pela frente.
Segundo, a sabedoria exprime uma qualidade superior do conhecimento. Antecipa a avalia√ß√£o das situa√ß√Ķes, por tudo e nada reanima a aten√ß√£o dos outros com os seus conselhos. Depressa √© tratada como importuna e ter√° que recuar ao abrigo da frivolidade.
Terceiro, a sabedoria √© moderada e v√™ as coisas em profundidade. √Č, portanto, inimiga do ju√≠zo f√°cil e das paix√Ķes que s√£o requestadas para dar emo√ß√£o √†s exist√™ncias f√ļteis e cinzentas.
Quarto, a sabedoria é exercida tendo em vista o bem-estar da humanidade. Tem, por isso, mau nome em qualquer publicidade que faz vender produtos de grande lucro, como a guerra, o amor e as máquinas.
Quinto, finalmente: a sabedoria é reconhecida como valor estável pela maioria da população, o que é nocivo para o envolvimento dessa mesma população em qualquer campanha, seja de poder ou de ganho de negócios.
Enfim, ele teria que formar-se e esquecer os seus sonhos de grandeza,

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