Passagens de Epiteto

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O Caminho para o Sucesso é Incompreendido pelos Outros

Se desejas ser bem sucedido, resigna-te, caro, face √†s coisas exteriores, por passar por insensato ou mesmo por tolo. Mesmo que saibas, n√£o mostres qualquer saber; e se alguns te consideram algu√©m, desafia-te a ti pr√≥prio e desconfia de ti. Que saibas sempre, na verdade, que n√£o √© f√°cil de preservar a vontade em conformidade com a natureza, pois que, simultaneamente, sempre nos inquietamos com as solicita√ß√Ķes do exterior.
Ora que fazer? S√≥ uma regra necess√°ria se imp√Ķe: quando nos ocupamos da vontade tendo a natureza por fundo (e nossa √≠ntima inten√ß√£o) s√≥ a uma coisa nos podemos obrigar – evitar qualquer desvio daquele nosso primeiro prop√≥sito.

A Justa Medida

As necessidades do corpo s√£o a justa medida do que cada um de n√≥s deve possuir. Exemplo: o p√© s√≥ exige um sapato √† sua medida. Se assim considerares as coisas, respeitar√°s em tudo quanto fa√ßas as devidas propor√ß√Ķes. Se ultrapassares estas propor√ß√Ķes, ser√°s, por tal maneira de agir, necessariamente desregrado como se um precip√≠cio te seduzisse. O sapato √© exemplo ainda deste estado de coisas: se fores para al√©m do que o teu p√© necessita, n√£o tardar√° muito que anseies por um sapato dourado, por um sapato de p√ļrpura depois, finalmente por um sapato bordado. Uma vez que se menospreze a justa medida, deixa de haver qualquer limite que justos torne os nossos prop√≥sitos.

Desejo Insaci√°vel

Tudo quanto possuis te parece pequeno; tudo quanto possuo me parece grande. O teu desejo √© insaci√°vel, o meu n√£o. Olha a crian√ßa enfiando a m√£o num jarro de gargalo estreito tentando retirar as nozes e os figos ali contidos: se enche a m√£o, n√£o a pode tirar, e p√Ķe-se ent√£o a chorar.
– Deixa algumas nozes e poder√°s tirar as restantes!
Tu também: deixa o teu desejo ir-se embora, não ambiciones muitas coisas, que algo obterás.

Não percebes que aquilo que para o homem é o princípio de todos os males, e da sua baixeza de alma, e da sua cobardia não é a morte, mas muito mais o temor da morte?

Zele por este momento. Mergulhe em suas particularidades. Seja sens√≠vel a que voc√™ √©, ao seu desafio, √† sua realidade. Livre-se dos subterf√ļgios. Pare de criar problemas desnecess√°rios para si mesmo. Este √© o tempo de realmente viver; de se entregar por completo √† situa√ß√£o em que voc√™ est√° agora.

Todas as coisas têm duas alças, uma que permite segurá-la, outra que não permite isso.

Fortaleça-se com contentamento, pois isto é uma fortaleza inexpugnável.

√Č um homem sensato aquele que n√£o lamenta pelo que n√£o tem, mas se alegra pelo que tem.

Tem a cada dia diante dos olhos a morte, o exílio e tudo o que parece assustador, principalmente a morte: jamais terás então qualquer pensamento baixo ou qualquer desejo excessivo.

Quando você se ofender com as faltas de alguém, vire-se e estude os seus próprios defeitos. Cuidando deles, você esquecerá a sua raiva e aprenderá a viver sensatamente.

Qualquer lugar onde alguém está contra a sua vontade é, para este alguém, uma prisão.

Acusar os outros pelos pr√≥prios infort√ļnios √© um sinal de falta de educa√ß√£o; acusar-se a si mesmo mostra que a educa√ß√£o come√ßou; n√£o acusar nem a si mesmo nem aos outros mostra que a educa√ß√£o est√° completa.

Se pretendes fazer alguma coisa, transforme em hábito a tua pretensão. Se não pretendes, abstém-te de fazê-la.

O Preço da Elevada Conduta

Conduta e carácter do homem vulgar: nunca em si próprio busca proveito ou pena, antes se atém às coisas exteriores. Conduta e carácter do filósofo: todo o proveito e pena surtem do íntimo de si próprio.
Sinais daquele que evolui: não insulta ninguém, não louva ninguém, não se queixa de ninguém, não acusa ninguém, nada diz de si próprio como coisa importante Рe nunca afirma saber o que quer que seja. Quando embaraçado e contrariado, só a si próprio se responsabiliza. Se o louvam, ri-se discretamente de quem o louva Рe se o insultam, de nada se justifica. Comporta-se como os convalescentes, e teme enfraquecer o que se consolida antes de recuperar toda a sua firmeza.
Suprimiu em si qualquer esp√©cie de vontade, e animosidades tamb√©m: s√≥ faz pairar uma e outras sobre as √ļnicas coisas que, contr√°rias √† natureza, dependem de n√≥s. Os seus arrebatamentos quase nunca o s√£o. E caso o tenham na conta de est√ļpido ou ignorante – nenhuma inquieta√ß√£o o toma. Numa palavra: desafia-se a si pr√≥prio como se fora um inimigo de quem temesse v√°rias armadilhas.

Se disserem mal de ti com fundamento, corrige-te. Do contrário, ri e não faças caso.

Não busque a felicidade fora, mas sim dentro de você, caso contrário nunca a encontrará.

As pessoas ficam perturbadas, n√£o pelas coisas, mas pela imagem que formam delas.

Se beberes √°gua, n√£o digas por tudo e por nada que bebes √°gua.

Na prosperidade é fácil encontrar amigos; mas na adversidade é a mais ingrata das tarefas.