Passagens de Epiteto

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O Único Meio de Ser Livre é Estar Disposto a Morrer

Di√≥genes disse nalgum lugar: ¬ęO √ļnico meio de ser livre √© estar disposto a morrer¬Ľ; e escreveu ao rei da P√©rsia: ¬ęN√£o podes reduzir √† escravid√£o a cidade de Atenas, n√£o mais do que os peixes do mar¬Ľ. ¬ęComo? N√£o a tomarei?¬Ľ ¬ęSe a tomares, os atenienses far√£o como os peixes, abandonar-te-√£o e ir√£o embora. E, de facto, o peixe que pegas morre; e, se morrem assim que pegas neles, de que te servem todos os teus preparativos?¬Ľ Estas s√£o as palavras de um homem livre que examinou a quest√£o com cuidado e que provavelmente encontrou a resposta.

Não tente fazer com que os fatos aconteçam como você quer, mas deseje que aconteçam como eles acontecem e você se sairá bem.

Perca Pragm√°tica

Em rela√ß√£o a qualquer coisa nunca digas: ¬ęPerdi-a¬Ľ; diz, ao contr√°rio: ¬ęDevolvi-a¬Ľ. Morreu-te o filho? Devolveste-o. Morreu-te a mulher? Devolveste-a. O teu campo foi roubado? Foi tamb√©m devolvido. Mas quem o roubou √© um miser√°vel? Que te importa por quem o retirou aquele que to dera? Enquanto te deixam tais bens, toma conta deles como de um bem que pertence a outrem, como fazem os viajantes numa hospedaria.

Saber Avaliar as Situa√ß√Ķes

O que perturba os homens não são as coisas, mas os juízos que os homens formulam sobre as coisas. A morte, por exemplo, nada é de temível Рe Sócrates, quando dele a morte se foi aproximando, de maneira nenhuma se apresentou a morte como algo de tremendamente terrível. Mas no juízo que fazemos da morte, considerando-a temível, é que reside o aspecto terrível da morte. Quando somos hostilizados, contrariados, perturbados, atormentados e magoados, não devemos sacar as culpas a outrem, mas a nós próprios, isto é, aos nossos juízos pessoais e mais íntimos. Acusar os outros das suas infelicidades é mera acção de um ignorante; responsabilizar-se a si próprio por todas as contrariedades é coisa de um homem que começa a instruir-se; e não culpabilizar ninguém nem tão pouco a si próprio, então, sim, então é já feito de um homem perfeitamente instruído.

Não desanimes, imita os mestres de exercícios, que quando um aluno cai, mandam que se levante e lute novamente.

Na prosperidade é muito fácil encontrar amigos, na adversidade não há nada mais difícil.

Só há um caminho para a felicidade (que isso esteja presente no teu espírito desde a aurora, dia e noite): é renunciar às coisas que não dependem da nossa vontade.

O Caminho para o Sucesso é Incompreendido pelos Outros

Se desejas ser bem sucedido, resigna-te, caro, face √†s coisas exteriores, por passar por insensato ou mesmo por tolo. Mesmo que saibas, n√£o mostres qualquer saber; e se alguns te consideram algu√©m, desafia-te a ti pr√≥prio e desconfia de ti. Que saibas sempre, na verdade, que n√£o √© f√°cil de preservar a vontade em conformidade com a natureza, pois que, simultaneamente, sempre nos inquietamos com as solicita√ß√Ķes do exterior.
Ora que fazer? S√≥ uma regra necess√°ria se imp√Ķe: quando nos ocupamos da vontade tendo a natureza por fundo (e nossa √≠ntima inten√ß√£o) s√≥ a uma coisa nos podemos obrigar – evitar qualquer desvio daquele nosso primeiro prop√≥sito.

A Justa Medida

As necessidades do corpo s√£o a justa medida do que cada um de n√≥s deve possuir. Exemplo: o p√© s√≥ exige um sapato √† sua medida. Se assim considerares as coisas, respeitar√°s em tudo quanto fa√ßas as devidas propor√ß√Ķes. Se ultrapassares estas propor√ß√Ķes, ser√°s, por tal maneira de agir, necessariamente desregrado como se um precip√≠cio te seduzisse. O sapato √© exemplo ainda deste estado de coisas: se fores para al√©m do que o teu p√© necessita, n√£o tardar√° muito que anseies por um sapato dourado, por um sapato de p√ļrpura depois, finalmente por um sapato bordado. Uma vez que se menospreze a justa medida, deixa de haver qualquer limite que justos torne os nossos prop√≥sitos.

Desejo Insaci√°vel

Tudo quanto possuis te parece pequeno; tudo quanto possuo me parece grande. O teu desejo √© insaci√°vel, o meu n√£o. Olha a crian√ßa enfiando a m√£o num jarro de gargalo estreito tentando retirar as nozes e os figos ali contidos: se enche a m√£o, n√£o a pode tirar, e p√Ķe-se ent√£o a chorar.
– Deixa algumas nozes e poder√°s tirar as restantes!
Tu também: deixa o teu desejo ir-se embora, não ambiciones muitas coisas, que algo obterás.

Não percebes que aquilo que para o homem é o princípio de todos os males, e da sua baixeza de alma, e da sua cobardia não é a morte, mas muito mais o temor da morte?

Zele por este momento. Mergulhe em suas particularidades. Seja sens√≠vel a que voc√™ √©, ao seu desafio, √† sua realidade. Livre-se dos subterf√ļgios. Pare de criar problemas desnecess√°rios para si mesmo. Este √© o tempo de realmente viver; de se entregar por completo √† situa√ß√£o em que voc√™ est√° agora.

Todas as coisas têm duas alças, uma que permite segurá-la, outra que não permite isso.

Fortaleça-se com contentamento, pois isto é uma fortaleza inexpugnável.

√Č um homem sensato aquele que n√£o lamenta pelo que n√£o tem, mas se alegra pelo que tem.

Tem a cada dia diante dos olhos a morte, o exílio e tudo o que parece assustador, principalmente a morte: jamais terás então qualquer pensamento baixo ou qualquer desejo excessivo.

Quando você se ofender com as faltas de alguém, vire-se e estude os seus próprios defeitos. Cuidando deles, você esquecerá a sua raiva e aprenderá a viver sensatamente.

Qualquer lugar onde alguém está contra a sua vontade é, para este alguém, uma prisão.